O segredo de Warren Buffett

Olá, investidor!

“Edu, qual motivo te leva a ter tanta admiração por Warren Buffett? Ele foi apenas um cara que teve sorte com as ações que comprou.”

Essa pergunta quase me fez desistir de continuar a palestra que ministrei alguns dias atrás…

Respirei profundamente e me imaginei em uma belíssima praia com uma cerveja gelada em mãos: precisava trocar aquela energia rapidamente.

Após esses segundos na praia mental, retomei a palestra para explicar o motivo que me leva a considerar Buffett um gênio.


Não é nenhum segredo que Buffett é um investidor extremamente confiante e paciente. Ele sabe que as grandes oportunidades irão aparecer com o tempo.E ele se contenta em esperar o tempo que for preciso até que essas oportunidades sejam claras.


Em uma das reuniões anuais da “berkshire” (empresa de investimentos de Warren Buffett), ele comentou:

“Nós não vamos comprar qualquer coisa só por comprar. Nós iremos comprar alguma coisa se pensarmos que estamos recebendo algo atraente… Você não é pago por atividade, você é pago para estar certo.”

Fica muito claro que Buffett opta por assertividade e eficiência nas escolhas das ações do que comprar até acertar…

“Rebata apenas bons arremessos.”

Warren Buffett compara comprar ações com a metodologia de beisebol de “Ted William”, um dos grandes nomes do esporte.

Ted sabia que rebatendo apenas as bolas boas, lhe permitiria uma taxa de acerto de quarenta por cento. Já rebatendo qualquer bola arremessada a sua taxa iria reduzir para vinte e três por cento.

Buffett sabe esperar a oportunidade certa!

Em Maio de 2000, as ações da “H&R Block” tiveram uma queda intensa depois da empresa não atingir os resultados esperados.

A ação caiu de 20 dólares para 13 dólares rapidamente. Buffett sabendo que o mercado agiu por impulso e de forma exagerada, “rebateu a bola”, digo, comprou a ação.

Nos dois meses que se seguiram, ele comprou mais ações da empresa, chegando a quase 16 milhões de ações.

O que aconteceu com a ação?

Alguns meses depois, retornou a seu valor inicial.

Era uma excelente empresa sendo negociada a preços de barganha… Buffett sabia disso.

Além de esperar a bola certa, ele rebate para fora do estádio.

Uma das frases que eu mais gosto citadas por Buffett é a seguinte:

“Simplesmente tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo.”

Os melhores investimentos feito pela Berkshire foram feitas quando o mercado estava tomado por pânico e preocupado com eventos macros.

Essa visão e atitude permitiu que Buffett sempre comprasse empresas de excelentes qualidades a preços baratos… Este é o grande segredo!

Mas será que isso não é apenas uma historinha para tornar Buffett um gênio dos investimentos?

Deixo essa resposta para o patrimônio que ele construiu: 91 bilhões de dólares…

Ele é um gênio ou não?

Forte abraço!

Eduardo Voglino atua no mercado financeiro desde 2007 e já assessorou diretamente centenas de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta de buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

Tire as rodinhas da sua bicicleta = Tire o seu dinheiro do CDI

Olá, como você vai?

É muito louco: o jeito que os bancos fazem de tudo para imbecilizar os clientes chega a assustar.

Com o perdão pelo exagero dos termos, não acho que isso seja por má intenção do gerente do banco ou das pessoas que lá trabalham, mas tão somente pelo desalinhamento de interesses inerente à relação cliente x banco.

Sei lá, mas me dá uma sensação que o banco quer que você ande de bicicleta de rodinhas para o resto da vida.

É aquele impulso de superproteção que imbeciliza.

Um amigo meu veio me mostrar os prospectos de alguns fundos que o gerente ofereceu naqueles segmentos diferenciados de banco de varejo.

Segundo ele, a sua gerente queria que ele trocasse o fundo que ele estava por outro que “estava pagando mais”.

Dizer que um fundo “está pagando mais” por si só já é um erro.

O tal fundo “pagou mais” e nada garante que ele “pagará mais”. Aquela coisa: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Esse “mais”, pasme, era 92% do CDI nos últimos 12 meses. Imagina só o que não era o fundo que ele estava antes, que, pelo o que ele me contou, estava rendendo a mesma coisa que a poupança.

Mas também, 80 por cento, 90 por cento ou 100 por cento do CDI tanto faz. Daqui para frente isso vai ser nada.

Em duas semanas a Selic vai estar na casa do 4 e tantos por cento ao ano eu hoje eu sinceramente não consigo mais ver de onde tirar gordura na renda fixa.

Um Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 ainda pisca o olho para os investidores, mas sem o glamour de 1 ano atrás.

E ainda é um título com volatilidade, o que não agrada aos acomodados do CDI.

E como já disse aqui dia desses, o dinheiro vagabundo do CDI acabou. Chegou a Era da Renda Variável.

É natural que ocorram alguma quedas e também supervalorizações na bolsa, mesmo que o segundo não seja a regra.

Para quem tem algum receio de investir na bolsa, pense que em uma carteira de 10 ações, basta um único grande acerto para mais do que compensar eventuais erros.

É hora de esquecer o fundo que “está pagando mais”. Esquece o percentual do CDI. Isso não é nem referência mais.

Não existe milionário do CDI e não há ninguém que invista na bolsa há décadas que não tenha ficado rico.

No fim das contas é tudo uma questão de paciência. E mesmo assim um único ano de bolsa pode render 10 anos de CDI.

Alguns vão embarcar na Era da Renda Variável, outros vão apenas ficar olhando os outros se dando bem. E está tudo certo, é bem assim que o mundo funciona.

Se você quiser ganhar mais dinheiro do que no banco, vai ter que se mexer.


Se você não sabe em que corretora abrir conta, eu super recomendo o serviço da minha.

Troque o seu fundo DI do banco por um Tesouro Selic que seja. Reserve uma parte para ir para bolsa.

Se ainda assim não se sentir confortável em escolher ações, vá de BOVA11 mesmo. Esse ativo vai replicar o índice Bovespa e isso é o suficiente para você estar exposto ao processo de valorização da bolsa.


O SMAL11 replica o índice de Small Caps e também pode ser uma boa alternativa para quem não se sentir confortável em investir nas melhores Small Caps para 2020.

Seja lá o que for, comece. Tire as rodinhas da sua bicicleta. Pode dar medo no início, mas depois é libertador.

Eu vou estar aqui, disposto a escutar as suas dúvidas e te ajudar.

Até semana que vem.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente

Essa sigla pode te depositar muito dinheiro na conta

Caro leitor,

Os dividendos são os proventos pagos em dinheiro para os acionistas da empresa.

Eles são a parte do lucro da empresa que é distribuída para os seus acionistas.

Mas ele não é o único provento pago em dinheiro. Devido às peculiaridades tributárias do nosso país, existe outro tipo de provento pago aos acionistas: os Juros Sobre Capital Próprio (JSCP).

Em termos práticos, para você investidor eles não tem diferença.

Você simplesmente vai receber o valor na sua conta na corretora.

Contudo, existe uma diferença tributária para a empresa:

  • Os Dividendos são pagos para os investidores após a empresa pagar os impostos. Logo, eles são pagos líquidos de impostos (Imposto de Renda e outras contribuições).
  • Os JSCP são pagos aos investidores antes da empresa pagar os impostos. Logo, eles são pagos na forma bruta para o investidor, que paga na fonte uma alíquota de Imposto de Renda de quinze por cento. Esse valor retido na fonte aparece em sua conta na corretora junto com o valor bruto dos JSCP. Assim, você recebe o valor líquido.

No Brasil, as empresas devem por lei pagar o dividendo mínimo obrigatório aos seus acionistas em cada exercício.

Na maioria dos casos, esse valor é estipulado no Estatuto Social da empresa e é medido como porcentagem dos lucros.

Esses proventos obrigatórios podem ser o resultado da soma de JSCP e Dividendos.

Normalmente as empresas distribuem seus lucros sob as duas formas.

Uma porque existe um limite máximo que pode ser distribuído sob a forma de JSCP, senão ia tudo dessa forma e você vai entender o porquê.

Outra, porque ter que pagar o IR pode desagradar os acionistas.

Vou dar um exemplo para você entender:

A empresa ABC obteve um lucro por ação de R$ 4,00.

Sua política de dividendos é pagar 25% do lucro como dividendos.

Assim, o dividendo por ação a ser recebido é de R$ 1,00.

Contudo, a empresa tem duas opções:

  • Distribuir os R$ 1,00 como Dividendos.
  • Distribuir os R$ 1,00 entre Dividendos (metade) + JSCP (outra metade).

Na opção A) cairia na conta do Investidor R$1 por ação.

Na opção B) temos um cenário diferente.

O investidor receberia R$ 0,50 como Dividendos e R$ 0,50 como JSCP.

Contudo, ele teria que pagar o IR de quinze por cento sobre os JSCP.

Assim, ele receberia:

Dividendos: 0,50

JSCP: 0,50

– IR – 0,075 (15 por cento da quantia distribuída em forma de JSCP)

Total 0,925

No cenário B o investidor receberia menos do que no cenário A.

Contudo, a empresa pagaria menos impostos no cenário B, fortalecendo o seu balanço com mais caixa.

Em termos de valor gerado, não há diferença relevante. Só que um favorece mais a empresa e outro o investidor.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Perdi todo meu dinheiro investindo em ações

Olá, investidor!

O ano era 2008: eu havia comprado uma tal de FNAM11 – fundo setorial da amazônia negociado na bolsa de valores –, e estava convicto de que iria multiplicar o dinheiro investido no mínimo 4x.

“Na próxima semana não quero nem saber, vou fazer uma viagem fod*”, pensei alto.

Estava muito confiante e empolgado; afinal, quem não gosta de viajar? Ainda mais quando o “dinheiro” não é uma preocupação.

Você sabe, né?

Não é sempre que um trabalhador com carteira assinada (ex-bancário), pode se dar ao luxo de “ridicularizar” o dinheiro.

E por que eu havia investido todo meu dinheiro na FNAM11?

Ué, havia lido em um fórum qualquer da internet – lembram do Orkut?! – que ela iria “bombar”… Eles não poderiam estar errados! Afinal, quem havia dado essa dica quente tinha o nickname de “Mestre dos Magos”.

Me diga, como não acreditar no Mestre dos Magos?

Dois dias antes de viajar, mais precisamente em uma quarta-feira, abri o home broker para ver de quanto seria meu lucro, mas percebi que FNAM11 não bombou como haviam dito no fórum…

Na verdade implodiu!

Viagem cancelada e carteira vazia. Doeu quase que fisicamente!

A ingenuidade e o amadorismo a ponto de acreditar cegamente em informações de fóruns da internet, me ensinou uma dura lição.

Não existem atalhos…

Considero esse prejuízo – maior que já tive – como o curso mais caro que já paguei sobre investimentos.

Lição aprendida!

Ah… Se algum analista nunca contou sua história de prejuízo, nunca comprou uma ação ou oculta os fatos.

O mercado é um excelente professor, mas se você não tomar cuidado, poderá rodar para sempre!

Apenas em 2010 fui compreender a lógica dos mercados.

Ela é bem simples:

  • Focar em empresas com potencial de crescimento;
  • Ter visão de longo prazo;
  • Permitir que os juros compostos atuem em seu favor;

O simples é o que funciona no mercado.

Forte abraço!

Eduardo Voglino atua no mercado financeiro desde 2007 e já assessorou diretamente centenas de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta de buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

A melhor pergunta sobre FIIs

Caro leitor,

Quem me acompanha a mais tempo sabe que eu adoro questões contra intuitivas.

São coisas que fogem ao senso comum. São perguntas que ninguém faz. São pontos de vista de uma mesma coisa que ninguém explora.

Isso me fascina.

Esses dias eu recebi uma pergunta maravilhosa de um seguidor do Instagram.

“Estou começando a investir em FIIs. Como eu posso perder dinheiro em um FII?”

Sensacional!

Esse cara vai ganhar muito dinheiro nos investimentos.

Ele personificou as duas regras de ouro do Warren Buffett:

  1. Nunca perca dinheiro.
  2. Não esqueça a regra número 1.

Investimento é correr risco. Sempre. Pouco ou muito, é sempre correr algum risco.

É muito inteligente começar a pensar em investimentos por este ponto.

Saiba o que pode dar errado, o que pode gerar prejuízo.

Com isso em mente, você saberá minimizar as perdas, evitá-las ou apenas lidar com elas.

Vá por eliminação a partir daí. Veja os riscos que você não quer correr e tire essas alternativas da sua frente.

Vai sobrar bem menos coisa para você escolher.

Só a partir daí é que você vai estudar bem cada alternativa e buscar o melhor retorno.

Começar a pensar em investimentos pelo potencial de lucro vai te deixar tentado a escolher os mais arriscados.

Daí você vai perder dinheiro pois negligenciou os problemas enquanto se embriagava na imaginação de ganhar muito dinheiro.

Isso vai fazer os investimentos decentes, que você deveria considerar fazer, parecerem sem graça.

Falando em Fundos Imobiliários, você pode perder dinheiro por causa de alguns fatores. Vamos falar deles.

Primeiro aquele que afeta qualquer tipo de FII: a flutuação do valor da sua cota, afinal estamos falando de renda variável.

Os FIIs têm suas cotas negociadas em bolsa e o seu valor é determinado pelo último negócio fechado entre investidores.

O investidor nem sempre é puramente racional e pragmático.

Portanto há um fator de humor de “mercado” no valor das cotas.

Isso pode fazer com que elas se valorizem ou caiam mesmo que isso não faça sentido do ponto de vista racional.

É comum vermos cotas negociadas a valores intrigantemente altos ou assustadoramente baixos.

Faz parte do jogo. Bem vindo a renda variável.

Isso pode te fazer perder dinheiro. Mesmo que você esteja “certo” e tenha escolhido um bom FII e comprado por um preço razoável.

Saiba que isso pode acontecer e não se assuste. Pelo contrário, use isso a seu favor.

Seja você o investidor racional e pragmático para lucrar com estes movimentos.

Esse aspecto vem do lado irracional e “maluco” do mercado.

Do lado racional, os FIIs podem ter problemas sim.

Cada tipo diferente de fundo tem suas características e dores específicas.

Fundos de Tijolo:

  1. Fique atento a alterações na vacância do fundo, isso pode ser sinal perda de qualidade da gestão, do próprio imóvel (desatualização) ou apenas o mercado imobiliário fazendo seus ciclos (sim, ele é cíclico e de certa forma previsível).
  2. Fique atento a saúde financeira dos inquilinos: sem citar nomes, tem um fundo novo aí no mercado que tem um monte de imóveis locados para a Wework que está num estado de saúde financeira bastante questionável.
  3. Verifique a localização e qualidade do imóvel. Imóveis nas melhores localizações são sempre os mais seguros. Eles serão os primeiros a serem ocupados e os últimos a serem desocupados.

Fundos de Papel:

  1. Fique atento a diversificação destes fundos. Quanto menor for a concentração entre emissores e devedores nos papéis, melhor. Cedo ou tarde um calote vai acontecer. Que seja pequeno então.
  2. Os índices de inflação ou o CDI podem ter oscilações que desfavoreçam o fundo.
  3. As garantias são o que vai sobrar no caso de calote. Elas existem? São o que?

Fundos de Fundos:

  1. Uma queda generalizada nos FIIs vai impactar qualquer fundo que compra cotas de outros FIIs. O maior risco é o sistêmico.

Fundos de Desenvolvimento:

  1. Esse aqui é risco para todo lado. Incorporação imobiliária é atividade de alto risco e é exatamente nisso que o fundo investe. Esteja ciente disso. Pode dar problema de tudo que é tipo na construção, ou na venda. Você está exposto ao ciclo inteiro: projeto, execução, venda e recebimento.

Se você queria saber de onde poderiam vir os problemas, aqui estão os maiores culpados pelos problemas que ocorrem (raramente, é verdade) no mercado de Fundos Imobiliários.

Volto a dizer: conhecendo estes riscos, você saberá o que fazer a respeito. Consequentemente, estará mais seguro.

Arriscado é não saber o que está fazendo.

Quer saber quais são os FIIs que eu selecionei com estes e outros critérios?

Conheça o Canal Ações para Vida, um canal dedicado aos investidores e amantes de Fundos Imobiliários.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

5 crises econômicas em 2019

Olá, investidor!

Quando chegará a tão temida crise?

Essa é a pergunta que vale um milhão de dólares…

Dito isso, trago uma reflexão: quantas crises já deveriam ter ocorridos somente em 2019, se dependessem dos analistas e suas bolas de cristais?

Nas minhas contas, já somam mais de cinco crises…

Veja alguns motivos:

Março – Crise Bolsonaro e Maia;

Maio – Ruídos políticos (investigação bolsonaro) e problemas nas negociações entre EUA e China;

Agosto – Agravamento na tensão comercial entre China e Estados Unidos e possível recessão global;

Novembro – Libertação do condenado Luiz Inácio Lula da Silva; No entanto, a bolsa não para de subir.

Entenda…

O que dita o mercado é a capacidade das empresas em gerar valor no longo do tempo.

Veja este estudo:

Em resumo, ele apresenta a evolução dos lucros trimestrais das empresas consolidados por setor.

Em comparação ao segundo trimestre de 2018 e ao segundo segundo trimestre de 2019, houve um incremento de mais de 30 bilhões nos resultados.

Isso significa que as empresas estão gerando cada vez mais valor.

IBOV em Julho de 2018 – 69 mil pontos

IBOV em Julho de 2019 – 104 mil pontos

Os preços sãos justificados pelos lucros no longo prazo.

Acompanhe as empresas que compõem a bolsa e não as notícias despejadas pelas mídias. Inclusive, vale lembrar que essas notícias, em sua maioria, são apelativas, tendo foco apenas em chamar sua atenção.

Se você ficar tentando antecipar a crise, irá deixar muito dinheiro na mesa.

Compre participações em boas empresas e não perca tempo tentando antecipar a crise.

Bola de cristal funciona somente em filmes…

Utilize o bom senso!

Forte abraço!

Eduardo Voglino atua no mercado financeiro desde 2007 e já assessorou diretamente centenas de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta de buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

Minha ação de 2019 e minha ação de 2020

Olá, como você vai?

Hoje eu vim aqui assumir um erro publicamente. Acho que é justo com você e com todos que acompanham nossos conteúdos.

Era 20 de dezembro de 2018 quando eu meu amigo Eduardo Voglino gravamos um vídeo sobre qual era a nossa aposta para 2019 no mercado de ações.

Disponibilizamos o vídeo no nosso canal do YouTube.

Minha aposta era a Portobello (PTBL3), que na minha opinião poderia ter se aproveitado de uma economia doméstica mais aquecida, o que acabou não acontecendo e frustrou os investidores, inclusive eu.

Resultado: 21 por cento de prejuízo em 2019 até agora (saiu de 5,02 e hoje está por volta dos 4 reais), junto com resultados piores que os de 2018.

Em meio a uma euforia no início do ano, a empresa chegou a ter uma valorização parcial de 18 por cento (quando chegou a 5,90), mas depois devolveu tudo e caiu ainda mais, chegando a 3,28 reais, queda que me motivou a aumentar a posição nas ações da empresa.

Portobello pode se recuperar?

Pode. Mas isso vai depender de uma economia mais aquecida, principalmente da construção civil. Enquanto a construção não retomar, eu vou ter que ficar esperando.

Meu amigo Eduardo Voglino foi mais sábio: falou Itaú (ITSA4) na lata, ação que até aqui acumulou 21 por cento de valorização.

Isso só deixa mais claro que dá para ganhar muito dinheiro sendo careta, sem querer achar “a ação”.

De toda forma, no vídeo deixamos claro que NÃO estávamos recomendando as ações. Estávamos apenas indicando de onde poderia vir uma boa valorização.

E de toda forma, um investimento em uma ação não pode ser considerado bom ou ruim pelo desempenho de um ano.

Só daqui a 10 anos saberemos realmente se Portobello foi ou não um bom investimento. A verdade é que hoje estou disposto a pagar para ver.

Por que o erro não doeu?

Primeiro porque estou pensando a longo prazo.

Segundo porque reforcei a minha posição quando a ação caiu.

Terceiro porque a PTBL3 é apenas uma dentre 12 ações no meu portfólio, que ainda conta com fundos imobiliários e renda fixa.

E qual a minha aposta para 2020?

Coloco minha fichas na Log Commercial Properties (LOGG3) para 2020.

De novo, não é uma recomendação. Como você viu, eu errei ano passado e posso errar novamente. E se eu errar, virei aqui novamente assumir.

A Log é uma empresa que trabalha com aluguel de galpões logísticos em diversos estados brasileiros.

A Log tem capacidade de atender um aumento na demanda por aluguéis de galpões. Isso deve melhorar com o aquecimento da economia e com o crescimento forte que o setor de e-commerce está sofrendo.

Outro ponto favorável: no Brasil ainda há uma cultura das empresas possuírem galpões próprios ao invés de alugar de terceiros, ao passo que no resto do mundo o comum é o inverso.

Com essa migração dos galpões próprios para os alugados, a Log se beneficia diretamente.

A empresa já possui uma carteira de clientes bem diversificada o que reduz o risco de uma eventual rescisão de contrato dos clientes.

Assim como Portobello, Log pode não se beneficiar caso a economia patine de novo como patinou em 2019.

De toda forma, prefiro seguir otimista com a economia e com os cases de Log e de Portobello em 2020.

Não são os casos mais óbvios da bolsa e justamente por isso acredito que possa vir daí lucros mais interessantes.

Para quem quer uma pegada mais conservadora e focada na geração de renda, disponibilizo aqui o nosso mais novo material sobre renda passiva. Você vai saber os 3 principais pilares para ter renda mensal de forma segura.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Sabia que dividendos é um saque compulsório?

Caro leitor,

Hoje quero falar com quem não reinveste os dividendos recebidos de suas ações.

Ou com quem quer revisitar este assunto sob uma ótica diferente. Mais uma vez você não vai ler o óbvio aqui.

Pense comigo: faz sentido para você fazer resgates regulares dos seus investimentos se você quer fazer o seu patrimônio crescer?

Tenho um amigo que gosta de dizer que “para responder essa pergunta difícil tem que ter a 1ª série bem feitinha”.

Não faz sentido né? Se quer fazer o patrimônio crescer, deixe o dinheiro investido lá e, se puder, ajude com mais aportes.

Pois bem… o recebimento de dividendos nada mais é do que um saque realizado sem que você tenha solicitado.

Cabe a você devolver este dinheiro para o lugar certo: investido nas ações da empresa.

Exemplificando: uma ação que vale R$ 10,00 e paga R$ 0,50 de dividendos, abre na data ex corrigida tecnicamente a R$ 9,50. Se ela não subir nem cair, vai ser negociada neste valor.

Significa que o investidor perdeu 50 centavos? Não. Ele tem os mesmos dez reais de antes, só que agora é 50 centavos na sua conta e R$ 9,50 em ações.

Houve um resgate de R$ 0,50 para sua conta.

Essa correção técnica no preço da ação é reflexo do que acontece no patrimônio da empresa.

Aquele dinheiro saiu do seu caixa, e portanto a empresa passou a valer menos. O valor migrou da empresa (investimento) para o acionista (investidor).

Para esta ação voltar aos R$ 10,00 ela vai precisar se valorizar em 5,26 por cento.

Fui operador de bolsa durante muitos anos e já vi de um tudo neste mercado.

Uma das coisas que mais me chamava atenção eram os investidores que compravam as ações na data com (dia em que as ações ainda carregam o direito aos dividendos) para vender na data ex (dia seguinte à data com, quando as ações abrem o pregão corrigidas tecnicamente).

Eles ficavam felizes da vida que iriam receber dividendos e torcendo para que elas subissem ao mesmo preço de ontem para que tivessem algum lucro com essa operação.

Não fazia o menor sentido.

Mas isso é outra história.

O foco aqui é entender os efeitos do pagamento dos dividendos.

Na empresa ficou claro que é diminuição no seu patrimônio e consequentemente no seu valor.

No seu patrimônio o efeito é zero na hora, pois o valor total agora está dividido entre ações e o dinheiro na sua conta.

O que você faz com este dinheiro na conta é que muda toda a história.

Se deixar lá, estará aceitando o resgate e indo na direção contrária da acumulação de patrimônio.

Se comprar mais ações, então estará devolvendo o valor para onde ele deveria estar: investido em ações.

A diferença é brutal a longo prazo e vai definir se você atingirá sua liberdade financeira ou não. No gráfico abaixo, dois investidores de Itaú partem dos mesmos R$ 100,00 investidos no ano 2000.

O vermelho recebe os dividendos e não compra mais ações.

O verde reinveste o valor comprando mais ações.

Enquanto o vermelho acumulou R$ 1.400, o verde acumulou mais do que o dobro, R$ 3.000.

Para ser o verdinho da história, é simples: não faça resgates periódicos, reinvista os dividendos.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Uma história e tanto

Caro leitor,

Quero te contar uma história de um fundo imobiliário que está no meio de uma grande polêmica.

O TBOF11 foi lançado em 2013, quando captou R$ 1 bilhão para comprar o Tower Bridge, um prédio AAA, no Berrini, uma área nobre de São Paulo.

A transação foi feita por cerca de R$ 950 milhões, bem acima dos padrões para a época.

A oferta do fundo foi possível graças a um dispositivo que é uma verdadeira armadilha para o investidor desavisado: a Renda Mínima Garantida.

Independentemente da ocupação do prédio e das receitas com aluguel, o fundo distribuiu rendimentos equivalentes a oito por cento ao ano pelos primeiros doze meses.

Preciso dizer de onde saiu esse dinheiro usado para pagar a renda mínima? O valor em questão estava embutido no preço do imóvel e, portanto, saiu do bolso do próprio investidor.

Esse dispositivo foi muito usado na primeira onda de ofertas públicas de FIIs na bolsa. Era um argumento e tanto para o seu assessor te convencer a investir. Muita gente olhou para isso e esqueceu de olhar para o que importa: o valor do ativo, a qualidade dele e a renda que ele efetivamente gerava.

O ativo é inegavelmente bom. A renda foi maquiada. O valor do ativo… Bem, nessa hora o investidor já tinha feito a reserva, entrando, assim, na armadilha.

Os cotistas que entraram na oferta em 2013, e seguraram até hoje, chegaram a estar amargando 30 por cento de desvalorização em meados de 2015, mesmo considerando o rendimento pago mensalmente.

Por muito tempo o fundo sofreu com uma grande vacância enquanto a consultoria imobiliária – que foi quem vendeu o imóvel para o fundo – se negava a diminuir o valor do aluguel pedido, mesmo no auge da crise.

Atualmente a vacância não é um problema, está a caminho de 4,5% apenas, depois da última locação divulgada. Toda essa melhora no desempenho do ativo levou a recuperar os preços e atualmente está 12 por cento acima do preço inicial, considerando os rendimentos pagos.

Ruim. Mas pelo menos se recuperou.

Seis anos depois, quando parecia que a saga do fundo tinha acabado, começa o segundo ato.

Eis que aparece um interessado em comprar o prédio: o fundo imobiliário HAAA11 da Hedge Investments – guarde esse nome. Ele fez uma proposta de R$ 910 milhões.

Esse valor é menor do que o fundo pagou lá no início e abaixo do preço constante no último laudo de avaliação.

Até aí tudo bem, parecia apenas mais uma oferta indecorosa por um ativo qualquer.

Acontece que outro fundo da Hedge Investments – olha ela aqui de novo –, o HFOF11, é dono de uma quantidade relevante de cotas do TBOFF11 e pode fazer aprovar a venda do imóvel e posterior liquidação do fundo em assembléia a ser realizada.

Será que tem um conflito de interesses aqui? Chega a ser gritante.

Em seu relatório gerencial, a Hedge justifica, aos cotistas do HFOF11 – que serão prejudicados ao vender um ativo barato demais –, que irão votar a favor da venda, pois a recém compraram as cotas por um valor mais baixo e que então poderiam realizar um bom lucro.

Ora, fala sério! Só porque comprou barato não é justificativa que sirva para vender um ativo de altíssima qualidade abaixo do valor de avaliação.

Já o BTG, administrador do TBOF11, mandou carta aos cotistas do fundo dizendo para eles comparecerem à assembleia e votem contra a venda.

Essa história ainda vai se desenrolar e teremos novidades.

Agora, isso tudo ilustra alguns dos riscos decorrentes do investimento em FIIs.

A boa notícia é que é muito fácil escapar dele.

Se você me acompanha, sabe que eu não entro em fundo que esteja em período de Renda Mínima Garantida. Portanto, jamais entraria nessa oferta pública lá atrás.

Sabe também que eu não compro fundo imobiliário mono ativo, justamente porque, se uma história como a desse imóvel ocorrer, ele não represente todo o patrimônio do fundo.

Escrevi sobre minha forma de selecionar os Fundos Imobiliários em outro artigo.

A seleção de FIIs, que é resultado deste método, pode ser vista no Canal Aluguel Inteligente.

Abraço,

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

OIBR4 ou VOGL3

Game changer

Olá, investidor!

Talvez poucos aqui saibam minhas origens…

Em 2006, após uma crise financeira familiar, compreendi como era importante entender sobre finanças.

Na época, atuava em outro segmento profissional e resolvi aprender sobre finanças com os “melhores”.

Iniciei uma nova faculdade e ingressei minha carreira bancária em um grande banco do mercado.

Minha primeira semana foi inesquecível: ficava no balcão do pré-atendimento e, por conta disso, acabava interagindo com muita gente.Era legal conhecer novas pessoas todos os dias, a maioria delas vinham de origem humilde e de pouca capacidade financeira.

A parte ruim vem agora: para o banco, pouco importava as condições dos clientes. Era inadmissível o profissional do pré-atendimento não “vender” um título de capitalização ou seguro de vida para o cliente.

Veja bem: muitas vezes, esses produtos correspondiam a mais de 10% da renda do cliente.

Pensei na época: “Essa situação deve ocorrer só com os estagiários, preciso crescer rápido na carreira”.

Em menos de 2 anos, me tornei Gerente de Negócios de Empresas.

Nada mudou: agora tinha que tirar vantagens de empresas e não mais de pessoas.

Mudei de empresa (banco) 3x… Acreditava que o problema era o banco em que eu estava.

Buscava trabalhar fazendo o que amava e ao mesmo tempo ajudando as pessoas; porém, sem sucesso.

Passaram-se 9 anos (2014) e ainda tentava encontrar justificativas para seguir nesta carreira.

Nesse momento, o senhor destino pregou uma peça.Tive um grave problema de saúde, corria risco de vida e, por conta disso, fui submetido a uma perigosa cirurgia.

Os 5 minutos que antecederam a cirurgia pareceram um longa-metragem.

Pensava em o quanto era jovem, pensava na minha família, no apartamento que recém havia comprado com minha noiva e no que havia feito até então da minha vida.

Meu último pensamento antes de ser anestesiado foi: “Papai” do Céu, me ajuda nessa, tenho muito o que fazer lá fora”.

No momento do aperto, todos se tornam religiosos…

Bom, se estou aqui escrevendo este e-mail é porque tudo deu certo!

Pedi demissão do banco e, hoje, utilizo todo o conhecimento adquirido ao longo da carreira para ajudar as pessoas a investir melhor.

Mas qual a ligação dessa história com investimentos?

Ações são empresas e empresas podem passar por “problemas” em sua saúde financeira e, em diversos momentos, necessitarão passar por grandes mudanças para alcançar novos patamares, semelhantes à mudança de carreira e ao procedimento cirúrgico que passei…

Quando tudo dá certo, voltamos com mais força e gerando mais resultados.

É exatamente essa virada de jogo que no mundo dos negócios chamamos de turnaround.

Recuperar-se e revitalizar-se são as palavras-chave para quem passa por esse momento. Os objetivos, claro, envolvem a restauração do equilíbrio financeiro e a volta à competitividade para uma recuperação empresarial por completo.

Existem hoje na bolsa 4 empresas importantes passando por esse processo:

Perceba que essas empresas estão com números ruins no geral.

O único motivo para uma decisão de investimentos nesses ativos seria a possibilidade de um real turnaround bem sucedido.

O risco é grande! Se der errado, o prejuízo pode ser integral.

Por outro lado, se der certo o benefício gerado é considerável.

Magazine Luiza passou por processo com grande sucesso…

Se eu fosse uma ação (VOGL3), diria que também passei por um turnaround muito bem sucedido…

Como já mencionei, quando a reestruturação ocorre com sucesso, os ganhos são enormes.

Qual será a próxima empresa que vivenciará uma mudança para alcançar um novo patamar?

Forte abraço!

Eduardo Voglino atua no mercado financeiro desde 2007 e já assessorou diretamente centenas de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta de buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.