Dividendo na conta ou crescimento da carteira?

Olá, amigo investidor, 

Um dúvida que recai frequentemente sobre os investidores é sobre qual tipo de ações escolher para compor uma carteira de longo prazo: ações de crescimento ou pagadoras de dividendos?

É sobre esse assunto que irei falar hoje.

Para se ter clareza sobre o assunto, faz-se necessário compreender que todas as empresas possuem ciclos.f

Basicamente, os ciclos são divididos em três fases:

A fase de crescimento é o momento em que a empresa utiliza todo ou a maior parte de seus lucros para reinvestir em seu próprio negócio, buscando a expansão de sua operação. 

São empresas que possuem muito pouca participação no mercado. Dessa forma, existe muito espaço para o crescimento.

Por outro lado, as empresas, na fase da estabilidade, não possuem tanto espaço de crescimento, visto que já dominam boa parte do mercado, e sobra pouco espaço para grandes expansões. 

Por não necessitar de muitos reinvestimentos na própria operação, as empresas em períodos de maturidade distribuem boa parte dos lucros na forma de dividendos para os acionistas. 

Mas, afinal: qual é a melhor opção?

Bom, depende da fase que você está. 

Veja:

Da mesma forma que ocorrem com as empresas, você também possui fases de investimentos.

Se estiver na etapa de crescimento do patrimônio (acumulação), fará todo o sentido que o investidor possua uma maior alocação de ações de crescimento. Como já foi visto, empresas nessa fase têm muito espaço para expandir suas operações e aumentar seus lucros, refletindo diretamente no preço de negociação. 

Por outro lado, mesmo o investidor, na fase de acumulação, receberá dividendos, ainda que não sejam tão significativos, sugiro que utilize os dividendos para recomprar mais ações. Essa atitude acelera o crescimento do patrimônio.

Já os investidores que se encontram na fase de renda, basta direcionar a maior parte do capital para empresas pagadoras de dividendos.

A sugestão para quem está nesta fase é que utilize parte dos dividendos e preferencialmente reinvista o restante. Assim o patrimônio permanecerá em crescimento.

Nada impede o investidor de montar uma carteira combinando os dois tipos de ações, este equilíbrio irá reduzir o risco que as empresas em crescimento geram na carteira e irá potencializar o resultado.

O mais importante é quebrar a crença que só se ganha dinheiro com ações que distribuem dividendos. 

Reforçando a tese:

Imagine duas empresas:

Empresa A: Está na fase de maturidade, crescendo 3% ao ano e possui um Dividend Yield de 5%. Ela gera um crescimento financeiro de 8% ao ano para o acionista.

Empresa B: Está na fase de crescimento, crescendo 12% ao ano e possui um Dividend Yield de 1%. Ela gera um crescimento financeiro de 13% ao ano para o acionista.

Por isso reforço sobre a necessidade do equilíbrio. 

Em ambos cenários o que demonstra a capacidade da empresa não é o quanto ela distribui ou não em dividendos, mas a sua capacidade de lucro. 

Para crescer as empresas precisam gerar lucro, para distribuir dividendos as empresas também precisam gerar lucro.

Avalie sempre a consistência dos lucros em qualquer uma das fases das empresa. Faça isso e você evitará grandes problemas futuros.

Forte abraço!


Eduardo Voglino atua no mercado financeiro desde 2007 e já assessorou diretamente centenas de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta de buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.