Invista em ações com riscos reduzidos

Olá amigo investidor,

Investir em ações é arriscado. Tenho certeza que você já sabe disso. 

Mas será que sabe que existem maneiras eficientes de reduzir os riscos? 

Vou te apresentar maneiras de minimizar o risco sem precisar fazer nada fora do comum. 

As dicas que irei te ensinar foram aprendidas diretamente com o maior investidor do mundo: Warren Buffett. 

Buffett prega a filosofia do Value Investing –comprar boas empresas e preços baratos. Sou um grande adepto da estratégia e posso afirmar que a muitos anos obtenho sucesso.

Na filosofia do Value Investing, antes de pensar no potencial de retorno de um investimento, os investidores em valor focam seus esforços na preservação do capital.

Não é muito comum encontrarmos investidores que pensam desse modo. A grande maioria está mais preocupada com o retorno e menos atento aos riscos de perder seu suado dinheiro, o que é um grande erro.

Lembre-se da célebre frase de Warren Buffett: 

Regra número 1: nunca perca dinheiro; 

regra número 2: nunca esqueça a regra número 1.

Portanto, para reduzir risco, temos que reduzir a probabilidade de perda ou reduzir a quantidade de dinheiro que podemos perder. 

Basicamente, Buffett adota 3 atitudes para gerenciar o risco das ações:

1 – Investir dentro do seu círculo de competência:

A ideia central de investir dentro do seu círculo de competência tem relação direta com o conceito de evitar erros. 

Embora pareça óbvio que investidores devam se focar no que eles sabem, a tentação de sair do seu círculo de competência pode ser muito forte.

Concorda que é razoável considerar que, quanto mais você entende o funcionamento de um negócio, menores serão as chances de cometer erros de avaliação?

Segundo Buffett, para investir com sucesso, você não precisará se preocupar  em entender investimentos fora seu círculo de competência. 

Você deve simplesmente comprar um negócio que compreende e que esteja sendo vendido a um preço razoável.

Warren Buffett explica:

“Você não precisa ser um expert sobre todas empresas. Você somente precisa ser capaz de avaliar companhias dentro do seu círculo de competência. O tamanho do seu círculo não é o mais importante; mas é vital conhecer seu limite.”

A ideia por trás do conceito é bastante elementar. Porém, parece que quando o assunto é investimentos, muitos pessoas esquecem desse conceito.

Em suma, a dica é investir em empresas e setores que você compreende. Essa é uma forma simples de reduzir seus riscos.

2 – Margem de segurança: 

Não importa o quanto você é cuidadoso, o risco que nenhum investidor consegue eliminar por completo é o risco de errar.

Uma forma de minimizar o risco de errar é nunca pagar um preço elevado demais por uma empresa, independentemente de quanto um investimento possa ser atraente.

Benjamin Graham – pai do Value Investing – usou o termo “margem de segurança” para descrever esse conceito. 

A margem de segurança é a diferença entre o valor intrínseco da empresa e o seu preço no mercado. Essa diferença entre valor e preço funciona como uma zona de proteção.

Para descrever esse conceito, Warren Buffett chamou de “as 3 palavras mais importantes sobre investimentos”. 

Margem de Segurança.

O que isso significa e porque é tão importante?

Mesmo que a companhia não desempenhe tão bem quanto espera, você continua tendo uma grande chance de obter lucro ou pelo menos irá proteger você de eventuais perdas.

Quanto maior a margem de segurança de uma empresa, menor é o seu preço de aquisição em comparação ao valor intrínseco. Logo, menor é o risco que você corre e maior é o seu potencial de retorno. 

Adquirir ações com um grande desconto sobre seu valor intrínseco minimiza o risco de eventuais quedas porque os fatores negativos já foram precificados.

As chances do preço da ação baixar ainda mais do que já baixou são pequenas, visto que o preço da ação está muito abaixo do seu valor intrínseco.

O conceito de margem de segurança pode ser comparado a empurrar uma bola dentro da água. 

Quando mais fundo você empurra a bola, maior é a pressão que a bola exerce para cima e mais difícil fica de continuar empurrando a bola para baixo.

A dinâmica é a mesma com as ações. Se você comprar uma ação que está com o preço muito abaixo do seu valor intrínseco, a força que impulsiona para cima tenderá a ser mais forte do que a força que empurra para baixo..

Um dos grandes ensinamentos da filosofia do Value Investing é a de fazer uma estimativa conservadora do valor intrínseco e apenas comprar se o preço da ação  está bem abaixo desse valor.

Qual o tamanho ideal da margem de segurança?

Depende. Vai depender de quão precisa é a sua estimativa de valor intrínseco e do retorno de investimento que você está buscando.

Você pode se sentir bem dirigindo um caminhão de 9,5 toneladas em uma ponte que suporta 10 toneladas se a ponte está apenas alguns centímetros acima do solo.

Mas você vai precisar de uma margem de segurança muito maior se a mesma ponte estiver entre duas montanhas a uma altura de 500 metros do solo.

Para ilustrar com um exemplo dos esportes, o princípio da margem de segurança é usado nos equipamentos utilizados por montanhistas.

As cordas que esses escaladores utilizam são projetadas para resistir até 2.000 kg de peso, mas são usadas por escaladores que pesam entre 70 e 90 kg.

Por que tamanha diferença? Porque, quanto maior a margem de segurança, menor será o risco.

Se você considera que determinada ação é uma boa alternativa de investimento a R$ 100,00, ela será ainda melhor a R$ 80,00 concorda? Sim, porque agora você poderá adquirir o mesmo valor por um preço ainda mais baixo.

Em outras palavras, você faz dinheiro quando você compra e não quando você vende. Esse princípio funciona tanto para revendedores de carro, investidores no mercado imobiliário, quanto para investidores do mercado de ações que seguem a filosofia do Value Investing. 

3 –  Diversificar por setores:

A diversificação é uma das formas mais conhecidas de redução de risco em uma carteira de investimentos. 

É a prática de distribuir o risco em diversos tipos de ativos ao invés de colocar todo o dinheiro em um único tipo – ou em uma única ação, por exemplo.

Dessa forma, se o preço de uma ação cai, o preço de outra ação pode subir ao mesmo tempo. Na média, você não perde tanto dinheiro quanto poderia se tivesse investido tudo na ação que sofreu um queda, por exemplo.

O resultado da diversificação é trazer o retorno de sua carteira de ações para uma média e suavizar as eventuais quedas de preços de determinadas ações em particular.

Parece uma boa estratégia porque as grandes oscilações de valor da carteira são reduzidas e isso deixa os investidores confortáveis. 

Mas, lembre-se que oscilações – volatilidade – de preços dizem muito pouco sobre os fundamentos das empresas ou como elas estão realmente desempenhando no mercado.

A volatilidade não pode ser considerada uma medida de risco para os investidores em valor. Ela simplesmente cria oportunidades de comprar a preços baixos e vender a preços mais elevados. 

Muita diversificação gerará apenas retornos medianos. A diversificação exagerada apenas limita o seu potencial de retorno.

Se a diversificação exagerada não é uma boa ideia a seguir, como uma diversificação moderada pode nos ajudar?

Diversificar é uma boa ideia quando protege sua carteira de eventos que atingem setores específicos da economia.

Por exemplo, a alta do dólar afetará diretamente os negócios das empresas importadoras. Já, a queda no preço do minério de ferro afetará diretamente as mineradoras.

Enquanto que a queda do preço do barril de petróleo afetará o faturamento das petrolíferas, uma eventual redução do volume de crédito imobiliário atingirá em cheio as vendas das construtoras.

E assim por diante.

O lendário escritor Mark Twain disse certa vez: “Coloque todos os ovos em um única cesta e vigie a cesta.”

Dito isso, considere diversificar sua carteira de ações adquirindo empresas de diferentes setores. 

Por exemplo, imagine uma carteira composta por 6 empresas, no qual cada uma delas representa um setor da economia, tais como: financeiro, varejista, siderúrgico, petrolífero, mineração e aéreo.

Um eventual problema no setor varejista, por exemplo, terá pouco impacto no restante da carteira.

Mark Twain tem razão quando fez essa afirmação, porque, quando tratamos de diversificação em investimentos, menos é mais por diversas razões. 

Quando a carteira de ações é composta por uma grande quantidade de empresas, o acompanhamento de todas essas ações se torna muito trabalhoso.

Minha sugestão é observar o que os grandes investidores fazem nas suas carteiras. Assim, recomendaria manter sua carteira composta com no máximo 10 excelentes empresas.

Assim, você conseguirá entender com mais profundidade o negócio de cada uma delas.

Não esqueça! 

Essas dicas tornaram Warren Buffett o maior investidor do mundo.

Forte abraço!


Eduardo Voglino atua no mercado financeiro desde 2007 e já assessorou diretamente centenas de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta de buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett