ROMI3: uma small cap dividendeira

romi3 small cap

Caro leitor,

O dilema de comprar uma ação de crescimento ou de dividendos é a grande questão do investidor em ações.

Se você perguntar para os entendidos no assunto, eles vão dizer que não dá para ter os dois.

Você precisa fazer uma espécie escolha de Sofia.

Ou você investe numa empresa menor que está em franco crescimento e que destina tudo o quanto pode do seu lucro a reinvestir no próprio negócio, ou então você investe numa empresa grande, estável e dominante no seu segmento, que destina quase todo seu lucro para remunerar os seus acionistas.

A primeira é dita um investimento em crescimento.

Você não vai ganhar grandes dividendos, mas vai ter uma empresa se valorizando em função do tamanho que ela vai ganhando.

O risco é elevado, pois todo investimento em crescimento que a empresa faz é arriscado em maior ou menor grau.

O caixa dela vai todo para isso: crescer, crescer e crescer.

É como a piada do alpinista: só o cume interessa.

A segunda é o tal investimento em dividendos.

Você não vai ter uma grande valorização, mas em compensação vai receber uma boa renda de dividendos.

O risco é menor pois a empresa já é grande e consolidada.

Ela nem tem muito para onde crescer, a não ser que o próprio mercado cresça, cenário no qual ela vai precisar acompanhar para não ceder espaço a um concorrente.

Eu adoraria ter as duas coisas.

Será que é pedir demais?

Seria em condições normais de temperatura e pressão do mercado.

Acontece que não estamos vivendo estes tempos agora.

Estamos em meio a uma crise séria e carregada de incertezas.

Diferente de muitas que você ouviu falar mas não sentiu na pele, essa até te trancou em casa.

Provavelmente está lendo isso do seu celular na sala de casa, num dia útil e em horário comercial.

Mas essa tal crise que nos traz tanta coisa ruim, também cria situações onde podemos levar o melhor dos dois mundos.

É o caso da ROMI3, uma empresa da qual se espera um bom crescimento e que historicamente paga dividendos baixos.

Só que com essa crise e a queda nos preços de suas ações, o dividend yield, considerando um preço de compra como o atual, fica elevado até para os padrões das excelentes pagadoras de dividendos: 13,4 por cento.

Este é só um exemplo.

Existem vários como este na bolsa atualmente.

Já parou para ver como ficaram os dividend yields das ações que você gosta?

Dá vontade de encher o carrinho com elas!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

MTSA4 ou uma caixa de sapatos

desconto na bolsa

Olá, investidor!

Tenho uma caixa de sapato que está sendo negociada no mercado a 8 reais.

Dentro da caixa existem 15 reais guardados.

Quer comprar minha caixa de sapato?

Acredito que a sua resposta seja um sonoro SIM.

Parabéns, você estaria fazendo um excelente negócio.

Você sabia que esse mesmo tipo de oportunidade é possível encontrar na bolsa de valores?

São situações pontuais.

Em determinado momento do mercado uma empresa pode estar sendo negociada em bolsa, com um valor de mercado inferior ao seu caixa líquido.

Em tese, mesmo que a empresa não esteja demonstrando resultados sólidos, como estaríamos pagando menos do que a empresa possui em caixa, estaríamos nos apropriando de uma excelente margem de segurança.

Embora, isso não garanta que a empresa possua qualidade em seu fundamentos, não podemos negar que essa distorção chame a atenção.

A título de curiosidade, separei uma empresa que possui essa característica.

Só faço uma observação: assim como a caixa de sapato pode ser de péssima qualidade e os 15 reais guardados no seu interior, podem não justificar a compra.

Não é coerente considerar apenas a variável que estamos avaliando para tomada de decisão.

Não é uma recomendação de compra.

A Metisa Metalúrgica Timboense S.A (MTSA4) é uma empresa que atua na fabricação e comercialização de ferramentas agrícolas.

Conforme sua última apresentação de resultados, ela possui:

metisa mtsa4 ativo circulante vs passivo circulante

Em Ativo Circulante estão os ativos mais líquidos, como caixa, valores a receber de clientes, estoques, etc.

Já em passivo circulante, estão as necessidades de “desembolso” de curto prazo da empresa.

Subtraindo Ativo Circulante do Passivo Circulante, nós temos o caixa líquido da empresa, que pode ser positivo ou negativo.

No caso da Metisa, nós temos um resultado de aproximadamente 162 milhões positivo. Definitivamente a empresa possui um caixa saudável.

Mas o que chama a atenção é que a empresa possui um valor de mercado (total de ações x cotação) de aproximadamente 155 milhões.

Isso significa que ela está sendo negociada no mercado a um valor inferior que ela possui em caixa.

Um desconto de aproximadamente 7 milhões.

O Deep Value Investing, estratégia que Warren Buffett utilizou muito no início de sua carreira como investidor, busca justamente situações como da Metisa.

O famoso “comprar 1 real pagando 50 centavos”.

É claro que devemos considerar outros fatores para decidir comprar ou não uma ação.

Mas não podemos negar que chama muito a atenção quando existe mais dinheiro em caixa do que o próprio valor de negociação da empresa.

Será que Metisa seria mais uma integrante da carteira do Canal Joias da Bolsa?

Talvez, estou de olhos abertos!

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

KNRI11: o FII que mais comprei na crise

KNRI11 fundo imobiliario

Caro leitor,

Sabe aquele produto que você namora a tempos e só não comprava por que era muito caro?

A muito tempo eu namorava o KNRI11.

O fundo mais diversificado que tem na bolsa hoje em dia.

Ele é gerido pela competente e tradicional Kinea Asset Management, a “gestora independente do Itaú”.

Seus números são formidáveis:

Seu patrimônio de 3,6 bilhões de reais é composto por dezenove imóveis, sendo dez edifícios comerciais e nove centros logísticos localizados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

São mais de 578 mil m² de área locável.

São oitenta e quatro contratos de locação e mais de cinquenta inquilinos compostos por grandes empresas nacionais e multinacionais.

Sua receita é composta 45 por cento de contratos atípicos, que possuem maior solidez jurídica.

Não há concentração de inquilinos em algum segmento específico da economia e quase 60 por cento dos contratos vencem somente a partir de 2024.

Os imóveis são de bom padrão construtivo e historicamente vêm apresentando vacância abaixo da média observada nos seus mercados.

Como eu queria ser dono de uma parte disso tudo…

Mas claro que eu não estava disposto a pagar qualquer preço. Portanto só me restava esperar.

Foi um exercício de paciência árduo.

Nas últimas semanas as oscilações (para baixo) nos preços das cotas foram tão grandes e não refletiam nem de perto a qualidade da carteira imobiliária do fundo.

Foi a minha chance: enchi o carrinho.

Comprei tudo que eu queria para compor minha carteira.

Nessa crise, o fundo que eu mais gostei de comprar foi o KNRI11.

E você?

Comprou o que mais nesses dias malucos?

Os assinantes do Canal Aluguel Inteligente plantaram muita renda para o pós-crise.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

2020: igual a 1929, 1994, 2000, 2001 e 2008.

Crises economicas passadas

Olá, investidor!

Sim! Estamos passando por uma crise e ela irá gerar fortes consequências econômicas.

Recessão é uma delas.

Você deve estar com a sensação que o fim do mundo chegou, que as bolsas mundiais irão quebrar, que você irá falir e que todo seu capital investido irá virar pó.

Mas, trago boas notícias. Fique calmo.

Essa não é a primeira vez que o mundo passa por um momento crise, onde o pânico toma conta dos mercados.

Em todas as crises o sentimento é sempre o mesmo.

Se você não estivesse com a sensação que o mercado financeiro está quebrando, não seria uma crise.

A sensação de fim do mundo é um sintoma de crise.

Como falei antes, já passamos por diversas crises, nos mais variados períodos: 1929, 1971, 1973, 1979, 1980, 1987, 1994, 1997, 1998, 2000, 2001 e 2008.

Aconteceram algumas mais relevantes, outras menos.

Dentre elas, destaco:

1929 – A Grande Depressão

Depois da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos entraram em um momento de grande crescimento econômico, mais precisamente nos 20.

A Europa no pós-guerra, começou a se reerguer, a partir de 1925, mas importando cada vez menos dos Estados Unidos.

A produção dos americanos continuou intensa, gerando um excessivo estoque de produtos e consequentemente uma queda de preços.

Muitas empresas quebram nesse momento e em 29 de Outubro de 1929, iniciou-se a queda das ações.

O crescimento da economia mundial, parou. O PIB encolheu 15%.

O mundo passou por momentos desafiadores.

1994 – A crise dos mercados emergentes

Diversas crises atingiram os mercados emergentes em 1994.

O México foi o primeiro a sofrer os impactos. O país estava crescendo, seu PIB em 1993 alcançou 4% ao ano.

A crise ficou conhecida como “el horror de diciembre”. A soma de um ataque especulativo agravado pela inadimplência do México, gerou uma desvalorização do peso mexicano.

Seu efeito reverberou pela economia global, atingindo especialmente o Brasil. A imprensa mundial denominou como o “Efeito tequila”.

2000 – Bolha ponto com

A famosa bolha da internet, que alcançou seu pico em Março de 2000.

Foi gerada pela intensa e rápida valorização das ações de empresas ligadas a internet.

Um excesso de expectativas geradas em empresas que não iriam entregar os retornos esperados.

O efeito manada de vendas das ações derrubou a Nasdaq.

2008 – A crise do Subprime

Teve seu ínicio no setor imobiliário americano e se estendeu por todos os setores da economia.

O mundo sentiu duramente as consequências. Inclusive grandes bancos tradicionais quebraram, sendo o Lehman Brothers o primeiro deles.

O efeito dominó foi nas demais instituições foi impactante, gerando novas falências tanto de bancos, como seguradoras.

Os Governos de diversos países tiveram que criar pacotes de estímulos para evitar piores cenários.

Temendo que a crise tocasse a esfera da “economia real”, diversos bancos centrais foram conduzidos a injetar liquidez o mercado interbancário, tentando reduzir o efeito dominó.

O mundo passou por algo que não estava preparado!

Cabe entender que para que ocorra crescimento econômico, momentos de recessão se fazem necessário.

Crise é um efeito natural do darwinismo econômico.

A boa notícia é que o mundo superou todas as recessões, guerras, epidemias e escândalos.

Não será diferente agora.

Tudo vai passar!

É hora de fazer dinheiro em meio ao caos.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

BOVA11: o pior já passou?

bova11 pior ja passou

Olá, como você vai?

Depois de bater os 63.300 pontos, menor patamar para o Ibovespa desde maio de 2017, ontem tivemos uma forte alta do índice (e consequentemente da ETF BOVA11), voltando a casa do 70.000 pontos.

Banco Central Europeu prometendo estímulos de 800 bilhões de euros.

Ásia controlando bem o vírus e lançando pacotes de estímulos.

Federal Reserve anunciando que irá comprar whatever it takes (o que for necessário) para não entrar em uma crise de liquidez.

Trump ainda anunciaria um pacote anti-coronavirus, o que puxava forte os mercados globais no momento em que escrevi essa newsletter.

Por aqui, o Banco Central, o BNDES e o Tesouro já se alinham para uma ação coordenada.

E pode vir mais.

Não parecemos viver um momento em que os governos irão economizar munição para combater uma eventual recessão global.

Pegando como referência o BOVA11, do pico histórico em janeiro ao fundo na segunda-feira, acumulamos uma queda de 47 por cento.

A história se repete…

Em 1998, 1999 e 2008 tivemos quedas semelhantes no Ibovespa: intensas e rápidas, tais quais foram as suas recuperações.

Na crise do subprime em 2008, a bolsa caiu 44% e se recuperou em 8 meses.

Em 1999, quando alteramos o regime das taxas de câmbio de 1 real para cada dólar para o câmbio flutuante, a bolsa caiu 45% e se recuperou em 3 meses.

Em 1998, com a crise russa que criou um temor nos mercados financeiros emergentes, a bolsa caiu 57% e voltou aos patamares originais em 7 meses.

Hoje, olhando em retrospectiva, tudo parece óbvio e nos questionamos por que houve tanto pânico a época, já que era certo que se encontraria alguma maneira de se resolver aquele problema, por mais grave que fosse.

Além disso, em todos esses casos se dizia que “dessa vez é diferente, as outras crises não foram assim”.

A questão é que os mercados, em situações extremas, sofrem mais do que o justificável e, do lado oposto, sobem muito mais do que o justificável.

Cada dia que passa, vamos nos acostumando com a dor do status quo e o cenário vai ficando mais claro.

Já sabemos que essa crise é passageira, que deve se estender de 6 a 12 meses.

Só não conseguimos ainda dimensionar o impacto dela ainda.

De toda forma, ainda que muitas empresas sofram nos seus fundamentos, a correção que sofreram no preço parece desmedida.

Estamos diante de uma ótima matriz de risco x retorno: já não temos muito a perder, o Ibovespa já não pode cair substancialmente abaixo dos 63.000 pontos.

Por outro lado, temos bastante a ganhar: um simples retorno do Ibovespa aos 119.500 significaria, na média, dobrar o seu capital.

Como você viu nas crises passadas, isso pode levar meses.

Mas não sabemos.

Também não sabemos até onde o mercado pode cair e, sinceramente, tentar encontrar o fundo pode deixar você ainda mais angustiado nesse momento.

Compre aos poucos, em movimentos lentos.

Se você estiver líquido, com caixa de sobra, esse é o melhor momento.

Compre devagar, uma compra por semana ou mês, tanto faz.

Dessa forma você não ficará ancorado em um único nível de preço.

Não coloque um dinheiro que você possa precisar pelo próximos 5 anos.

Esqueça o timing, você necessariamente vai errar ele e talvez tenha que ver a coisa piorar um pouco antes de ver o rally de retomada.

O importante agora é você investir em boas empresas, afinal, está tudo com desconto, tanto o que é bom, quanto o que é ruim.

Bancos, elétricas, empresas de saneamento são opções mais óbvias nesse momento.

Lembre que dinheiro não tem marca.

Dobrar o capital com Itaúsa (ITSA4) ou com small caps é exatamente a mesma coisa.

Opte pelo bom e barato, o clássico feijão com arroz.

Aqui estão as melhores opções para o momento.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

SEDI3: forte na subida, suave na descida

estrategias conservadoras bolsa

Caro leitor,

Quem são as empresas defensivas da bolsa para você?

Tem quem diga que são as empresas que têm suas receitas atreladas ao dólar.

Pois elas se beneficiariam num cenário de crise, onde o dólar costuma disparar.

Só que a crise atual está nos mostrando é que as verdadeiras ações defensivas são as que pagam os maiores dividendos.

Os motivos que fazem essa ações sofrerem menos do que as outras não são os dividendos em si.

Os dividendos são sim consequência de uma série de características presentes neste tipo de empresa.

Essas mesmas características que as fazem pagar bons dividendos, as deixam mais seguras para atravessar momentos de crise.

Algumas dessas características são:

Forte geração de caixa operacional.

São empresas que possuem margens elevadas e estáveis.

Em tempos de bonança isso se torna a origem do dinheiro que vai virar dividendos conforme as linhas vão descendo nas demonstrações financeiras da empresa.

Em tempos de crise, elas poderão ser espremidas e mesmo assim a empresa continuar gerando resultado positivo, mesmo que menor.

Ou seja, tem muito espaço de manobra antes de começar a dar prejuízo.

Baixo endividamento.

Em palavras bem diretas, são aquelas que devem pouco ou nada.

A dívida costuma ser confrontada com a geração de caixa da empresa para se verificar se está em nível seguro ou não.

Em cenário de crise, a dívida, mesmo que do mesmo tamanho de sempre, pode se tornar pesada demais pois a geração de caixa das empresas diminuirá.

O dinheiro que é destinado ao pagamento de juros e principal, em épocas de crise faz falta para o bom funcionamento das operações da empresa.

É aí que mora o perigo.

A chance de uma endividada ficar pelo caminho em meio a crise é muito maior do que uma não endividada.

Essas são características presentes em quase todas as ações do Seleção de Dividendos (SEDI3).

Uma carteira de ações que acumula queda de 25 por cento (em verde no gráfico) contra 45 por cento do Ibovespa (em vermelho) neste ano.

ibov vs seleção de divididendos

Isso sim é ser defensivo.

Na queda, caímos menos. Na retomada, subimos mais.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Vai aproveitar a baixa e comprar uma Small Cap?

Aproveitar oportunidades na bolsa small caps

Olá, investidor!

​Provavelmente você deve estar acompanhando a forte queda da bolsa na últimas semanas, decorrente do crescimento da transmissão do Covid-19​.

queda IBOV início de 2020

A queda já acumula mais de 40 por cento em 2020.

É impossível saber até quanto que a queda irá chegar, então não perca seu tempo com isso.

Por outro lado, muitas empresas estão sendo negociadas a preços atrativos, chamando a atenção de muitos investidores.

Empresas de qualidade negociando a metade dos seus múltiplos de 2019.

Quer dizer que temos claras oportunidades sem chances de dar errado?

​Bom, não é bem assim que funciona.

Quando estamos passando por uma crise, como a atual, o consumo dos produtos e serviços apresentam significativa queda.

Quando uma empresa vende menos, recebe menos.

Se ela não possui caixa para saldar suas obrigações de curto prazo, teremos um problema de defasagem do fluxo de caixa.

A solução é a empresa utilizar recursos de terceiros (empréstimos).

Quando uma empresa vende menos e já é alavancada, temos um problema maior.

Ela precisará aumentar seu comprometimento em crédito e isso poderá danificar a estrutura financeira da empresa, a ponto de ficar insolvente.

Imagine que você irá parar de ter renda durante 2 meses, suas contas continuaram a chegar, mas você não gerou sobras financeiras nos meses passados e consequentemente não tem dinheiro em mãos.

O que você faria? Situação complicada…

Nas empresas, acontece da mesma formas.

A dica mais importante que você receber neste momento é a seguinte:

Compre apenas empresas geradoras de caixa e com baixo endividamento.

Não significa que estas empresas não irão sofrer em relação aos seu negócios e receitas, mas terão condições financeiras para se manter durante e após o período desafiador.

Em momentos críticos a liquidez é a salvação, não só para a empresa, mas também para você.

Estamos vivendo um momento único para comprar ativos de qualidade sendo negociados a preços incríveis.

Compre bolsa! Você não irá se arrepender.

Contudo, verifique antes, se a empresa está preparada para aguentar e superar os desafios de um queda de vendas.

A lista das melhores small caps do momento está aqui disponível para download​.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

XPML11: dado de tão barato

xpml11 esta barato

Caro leitor,

Vivemos uma semana surreal no mercado de Fundos Imobiliários.

Para o XPML11, a coisa chama ainda mais atenção.

O mercado mostrou toda a sua irracionalidade e destempero emocional nos últimos dias.

Vimos fundos imobiliários sendo negociados a metade do seu valor de um mês atrás.

Mas teve uma classe de fundos que me chamou a atenção em especial. Foi justamente os que mais caíram durante a semana: os fundos imobiliários de shopping centers.

O que desencadeou a queda deles foi o fato de diversos shopping centers no Brasil terem sido fechados em função do coronavírus.

Na quinta-feira eram mais de 300 nessa situação, mais alguns dias e TODOS estarão fechados.

No meio da semana um importante FII de shopping centers, o XPML11​, divulgou fato relevante dizendo que não pagaria rendimentos no mês seguinte e que os deixaria acumular até o final do semestre pois não sabia ao certo quais seriam os impactos desse fechamento temporário.

Esse fato foi a gota d’água para o mercado entrar em pânico.

A principal fonte de renda do shopping são os aluguéis que tem uma parte relevante atrelada às vendas.

E shopping fechado é venda zero. O estacionamento também é outra fonte de renda importante. Também vai a zero.

​O mais importante, no entanto, é a sobrevivência do lojista.

Este, especialmente o médio e pequeno, não tem capacidade financeira para ficar um ou dois meses sem vender.

A orientação da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers) para as redes de shoppings é de ajudar os lojistas, verificando caso a caso o que é possível fazer por cada um deles.

Ele diz: “Não vai ter quebradeira geral. Todos vão precisar ceder um pouco, é verdade. Vamos sair juntos desse período, machucados, mas juntos”.

Quando ele fala em “juntos”, eu incluo os cotistas dos FIIs de shoppings na questão.

Sim, os cotistas vão ficar alguns meses sem remuneração ou talvez com uma bem menor do que gostariam.

Depois de um tempo, que não sei quanto será, as coisas voltarão ao normal.

Do ponto de vista do investidor, vamos pegar o caso do XPML11 e pensar no seguinte.

O fundo vinha pagando o equivalente a 0,4 por cento ao mês de rendimentos, tomando por base a cotação de cerca de um mês atrás.

Se ele ficar 6 meses sem pagar, é o equivalente a deixar de receber 2,4 por cento de renda. Se ficar um ano, seria 4,8 por cento.

Daí o cotista fica pê da vida com o FII que deixou de pagar rendimentos temporariamente e decide que vai vender a sua cota pela metade do preço.

O cara prefere perder 50 por cento do seu investimento do que ficar sem receber 4,8 por cento de rendimento.

Faz sentido para você? Pois é… para mim também não faz.

Mas foi o que muita gente fez na quinta-feira passada.

Pergunta para as redes de shopping centers se elas preferem encarar essa crise, resolver e continuar com os shoppings ou se preferem vende-los pela metade do preço agora.

Pense como dono do negócio.

Dê-se conta do tamanho da oportunidade que está na sua frente.

Investir nessas horas não é confortável, mas pode ser muito rentável.

XPML11 está dado de tão barato.

Existem outros FIIs em situação parecida​.

Estude quais são eles e faça algo a respeito.

Abraço.


Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

10 dicas que vão fazer você se beneficiar do caos

dicas para se beneficar do coronavirus

Olá, investidor!

Se estivéssemos em uma luta de boxe, fossemos um lutador despreparado e circuit breakers fossem “cruzados”, possivelmente já teríamos caído por nocaute.

Acredito que no mercado existam muitos investidores despreparados, que estão sendo nocauteados dia após dia.

Bem ou mal, os últimos meses atraíram muitas pessoas para a bolsa de valores e isso faz com que, inevitavelmente, entrem curiosos e aventureiros.

A maioria de vocês podem estar passando pela primeira vez por um mercado de fortes e contínuas quedas.

O sentimento geral de pessimismo acaba tentando assumir o seu controle.

Seu pensamento se torna turvo, confuso e não chega a nenhuma conclusão.

Neste momento, você vive um ciclo de emoções.

Você quer vender, mas sofre com essa possibilidade, visto que assumirá o prejuízo. Por outro lado, você quer comprar para aproveitar a queda, mas tem medo que após a compra os preços continuem caindo.

Você simplesmente congela e uma ansiedade aperta seu peito.

Principais motivos que te levam a esse cenário:

  1. Você entrou no mercado por empolgação, sem saber direito como funciona.
  2. Você acreditava que o mercado subiria para sempre e nunca pensou como deveria reagir na queda.
  3. Você ouviu dicas do seu “influencer” e acreditou cegamente.
  4. Você não construiu reserva de emergência e expôs uma fatia de capital importante.
  5. Você entrou no mercado acreditando em ganhos rápidos e não compreendeu o racional real do investimento em ações.

Talvez você se identifique com algumas dessas questões, e está tudo bem.

Não é um demérito. Os mercados em alta acabam deixando as pessoas muito confortáveis e menos propensas a ponderar as coisas.

Se me permitir, gostaria de reforçar alguns pontos que considero importantes e que poderão te ajudar:

  1. Invista no MÁXIMO 30% do total dos seus investimentos.
  2. Entenda que o mercado não sobe em linha reta.
  3. Entenda que o preço de negociação, não determina se uma empresa é boa ou ruim.
  4. Entenda que no longo prazo, se a empresa for consistente nos resultados, o preço irá subir. Falei LONGO PRAZO (3, 5, 10, 15 ou mais anos).
  5. Só invista se possuir a reserva de emergência formada. Sugiro o equivalente a 6 vezes suas despesas mensais.
  6. Encontrar boas ações não é difícil. Difícil é você absorver o racional do investimento em ações, bem como todas suas consequências. Lembre-se, você é sócio da empresa e isso tem consequências.
  7. Não adianta você falar para si mesmo: “Investimentos em ações são para o longo prazo”, se você não acredita nisso.
  8. Crises acontecem e sempre irão acontecer, aprenda a se beneficiar com elas.
  9. Se o ativo é de qualidade, possui capacidade de manter consistência dos resultados no longo prazo, possui bons fundamentos, é composto por gestores competentes, possui produto/serviços que será útil no futuro e está sendo negociado com desconto, COMPRE!

O ativo poderá continuar caindo, e está tudo bem, nem você nem eu somos capazes de acertar o fundo… mas irá comprar ouro a preço de alumínio.

E não existem dúvidas que no futuro, o preço irá voltar a condizer com a realidade do negócio.

TENHA CONVICÇÕES E SIGA ELAS! Caso o contrário, o mercado poderá não ser para você.

Se entender isso e seguir o racional, você construirá grandes riquezas, praticamente impossíveis de serem construídas de outras formas.

10. Lave bem as mãos e, se puder, fique em casa

Estamos passando por um momento sério, mas que também nos deixou ótimas oportunidades.

Aproveite.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

TAEE11, SAPR11, ITSA4: a hora do óbvio

taee11 sapr11 itsa4

Olá, como você vai?

Espero que você esteja bem.

Os últimos dias têm sido totalmente atípicos não só para os mercados, mas também para a nossa rotina.

Temos muitos investidores de primeira viagem recebendo o seu primeiro batizado logo nos primeiros meses de bolsa.

Pode parecer banal, mas isso certamente vai expurgar os curiosos e calejar quem entrou na parada para fazer como se deve fazer.

Em tempos de realidades complexas e imprevisíveis, temos de manter o nosso foco no longo prazo e simplificar ao máximo as coisas no curto prazo.

Processos de investimento complexos perderam o sentido nesse momento.

A experiência vai nos ensinando a simplificar cada vez mais.

Antes de você perguntar se investimentos em ouro e dólar são válidos, eu já afirmo que são sim, mas cuide para não “contratar um seguro de carro logo após o carro ter batido”.

Proteção boa é caixa.

Esses investimentos deveriam ter sido feitos quando a bolsa subia e, convenhamos, ninguém quer saber de ouro e dólar quando as ações brasileiras subiam dia após dia.

Por isso reforço: nada contra esses investimentos defensivos, mas no momento eles irão custar muito para proteger pouco, já não há mais muito o que se proteger.

A melhor defesa nesse momento é possuir caixa e aproveitar as oportunidades mais óbvias.

Nesse momento, ações tradicionais pagadoras de dividendos ou empresas high quality (geralmente caras, mas agora significativamente descontadas) são as ações com a melhor relação de risco retorno para a conjuntura.

Tenha caixa sempre.

Aproveite quedas nas ações de boas empresas e tenha cuidado com o excesso de exposição.

Taesa (TAEE11), Sanepar (SAPR11) e a nossa clássica e forte Itaúsa (ITSA4): definitivamente não será aqui o fim da linha para elas.

Compre aos poucos pois sempre pode cair mais.

E repito: escolha ações de boas companhias e não daquelas que você acha que podem se tornar boas.

Se quiser fazer alguma aposta em small caps, vá com pouco capital e escolha empresas que apesar de pequenas, estão nadando a braçadas nos últimos tempos.

Fora isso, algumas ponderações a serem feitas:

  1. A China deve passar por forte desaceleração ou quem sabe até uma recessão bem forte. Em que pese o seu caixa em dólar e possibilidade de compra massiva de insumos baratos, uma possível recessão não é nada conveniente para o Partido Comunista Chinês e joga pelo ralo qualquer possibilidade de conspiração de que a própria China teria plantado a crise do Covid-19.
  2. O bear market americano parece finalmente ter chegado após quase 10 anos consecutivos de altas no mercado. Os Estados Unidos podem passar por uma recessão temporária seguida de uma forte desaceleração na taxa de crescimento econômico. Trump certamente quer enfrentar as eleições em uma condição mais confortável e por isso deve seguir com estímulos.
  3. A Europa, atual epicentro de disseminação do Coronavírus, também deve passar por uma recessão e passa a voltar os olhos para solvência do Deutsche Bank. Não me parece ser do perfil do Banco Central Europeu deixar um banco de tal quilate quebrar. É aquela coisa, too big to fail.
  4. Com fortes estímulos nas economias avançadas e um impacto iminente na economia real brasileira, tem se o aval não só de termos uma Taxa Selic em patamares nunca antes imagináveis, na casa dos 3 por cento ao ano, como também força o governo a se valer da política fiscal como ferramenta de combate a uma possível recessão. Se em condições normais de temperatura e pressão a ordem era controlar gastos e fazer reformas, em situações extremas a imagem de Lord Keynes emerge até a frente de Paulo Guedes e companhia.
  5. Mais do que tudo isso, o ambiente pode favorecer a tramitação das reformas administrativa e tributária no Congresso, uma vez que a circunstância encoraja uma maior aproximação e colaboração entre Legislativo e Executivo.
    De forma geral, não abandonamos a tese e bull-market estrutural no Brasil, temos muita coisa para melhorar ainda dentro da economia doméstica.

Se por um lado essa atual crise vai impactar o resultados das empresas listadas em um primeiro momento, esse impacto é passageiro e dentro de 6 meses a um ano já terá sido absorvido.

Nesse momento eu me coloco à disposição para quem estiver com dúvidas.

Fiquem bem e em casa, caso possam.

Lavem bem as mãos e cuidem dos familiares.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.