A Grande Recessão vai ter empresas vencedoras

grande recessao

Olá, como você vai?

Entraremos na maior recessão da história da república.

Chega a ser tragicômico o fato de estarmos repetindo essa frase 4 anos após termos falado isso pela primeira vez.

Sendo brasileiro, é péssimo termos de carregar essa sina.

O Boletim Focus já prevê uma recessão acima de 3 por cento para esse ano.

Não é uma questão de ter bola de cristal.

A queacstão é que semana após semana essa expectativa se ajustará para baixo, por uma questão de calibragem de quem faz essas previsões.

Não consigo enxergar uma retração de menos de 5 por cento do PIB.

É inevitável.

Por muito menos tivemos retração de -3,5 por cento em dois anos seguidos, em 2015 e 2016.

A recuperação no pós-pandemia deve ser lenta e dolorida.

Não basta pensar apenas no fim da quarentena, temos que pensar em toda uma mudança de hábitos.

Sem uma vacina, sinceramente, você acredita que poderemos ter grandes eventos, como shows e festivais?

Os estádios de futebol continuarão lotando?

Você continuará indo à shoppings com a mesma frequência?

Será a máscara uma nova peça do nosso vestuário?

Haverá uma mudança de hábitos significativa e, com isso, consequências econômicas ainda desconhecidas.

Tão desconhecidas que não podemos nem julgar ainda se serão boas ou ruins.

São tempos de muita paciência, muita reflexão e que nada é óbvio.

Não somos infectologistas para saber exatamente a dinâmica do vírus.

Aceitar que não se sabe talvez seja o melhor remédio no momento.

A verdade é que sempre vivemos em um ambiente de incerteza, mas os “tempos normais” nos dão uma forte ilusão de controle.

Dessa vez não é diferente e os nossos instintos insistem em tentar achar uma explicação ou uma solução linear para tudo.

Calma.

Vamos raciocinar.

Estamos diante de uma Grande Recessão.

Mais do que todas as crises, essa é uma que vai fazer uma seleção natural radical.

Empresas quebrarão.

As que ficarem, uma parte ficará fragilizada, mas viva.

Uma minoria, ficará muito forte, explorando um terreno fertil com bem menos concorrência.

Isso não vai acontecer, já está acontecendo.

O Santander Brasil (SANB11) teve lucro recorde no 1º trimestre de 2020.

O maior lucro que a empresa já deu em um primeiro trimestre.

Isso não é pouca coisa.

“Ah, mas banco sempre lucra”.

Ora, então é aí mesmo que devemos investir, sem inventar moda.

As crises selecionam.

Os vencedores levam tudo.

Com 8 milhões de CNPJs no Brasil e apenas 200 e poucas empresas listadas na bolsa brasileira, definitivamente não dá para dizer que as empresas da bolsa refletem a realidade das empresas do país.

São empresas gigantes, com muito mais acesso a crédito, com histórias longas, que já passaram por diversas crises.

Dessas 200 e poucas empresas, cerca de 50 são excelentes, muito acima da média.

Dessas 50 excelentes, existem 13 formidáveis sendo negociadas a preços de barganha.

Não cogite qualquer coisa que não seja investir em empresas excelentes.

No longo prazo, são as que sempre vão se manter de pé.

São essas empresas que construíram fortunas para os investidores de cabelos brancos.

Seguimos em frente.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

ABCB4: a Small Cap pagadora de dividendos

abcb4 pagamento de dividendos

Caro leitor,

Pode uma small cap fazer parte de uma carteira de dividendos?

Normalmente as ações que fazem para de carteiras de dividendos são grandes empresas, consolidadas e líderes em seus mercados.

Mas veja bem, isso são características comuns nas ações boas pagadoras de dividendos.

Não significa que uma empresa menor, nichada não possa pagar bons proventos.

A característica que é realmente comum a TODAS boas pagadoras de dividendos é a consistência.

Essa sim, independente do tamanho e de todo resto, precisa estar presente.

Pense no setor bancário, que hoje são boa parte de qualquer carteira focada em dividendos.

Se você exigir que seja grande, vai sobrar apenas três alternativas para você: ITUB4, BBDC4 e BBAS3.

Mas e outros bancos como ABCB4, por exemplo?

Este é um banco pequeno, mas que sabe bem qual é a sua.

Ele sabe que não vai virar um “Itauzão” da vida.

Tudo bem, desde que você saiba disso e concorde.

Mas é um banco consistente.

A muito tempo entrega bons resultados e gera bons dividendos aos seus acionistas.

O Banco ABC está muito bem preparado para enfrentar momentos de crise como essa que estamos vivendo.

Seus executivos são experientes e já passaram por muitos momentos difíceis nas últimas décadas.

Até por que estamos no Brasil, um país que não é para amadores.

Aqui a porrada vem de onde menos se espera.

E de onde se espera, bem daí é que vem mesmo.

Ser banco por aqui não é tarefa fácil.

Não é a toa que são poucos os que se aventuram por terras tupiniquins e são menos ainda os que prosperam.

Gigantes como Citibank e HSBC tentaram e depois de muita peleia, saíram com o rabo entre as pernas.

Mas vamos voltar para o nosso pequeno notável.

O Banco ABC está bem capitalizado, possui grande credibilidade administrativa, uma marca reconhecida no seu ramo de atuação.

A sua exposição ao crédito está em sua maioria atrelada a setores como energia, serviços financeiros, transporte e logística.

São setores defensivos e que nessa crise estão sendo os menos afetados.

Em meio a crise, o banco investiu em infraestrutura de computação para viabilizar que 95 por cento de seus colaboradores pudesse trabalhar de casa e se mantivessem produtivos.

Esse investimento, por mais que forçado, deixa um legado positivo.

Atualmente houve um crescimento pela demanda de crédito e os spreads (margem) aumentaram bastante.

Mesmo assim, o banco prefere ser cauteloso e vai aumentar a sua exposição aos mesmos setores que já atende.

Sem inventar moda agora.

A ajuda do Banco Central aos bancos para melhorar sua liquidez ainda não foi usada pelo banco, que pretende nem usar se possível.

Esse pequeno mas consistente banco costuma distribuir entre 45 e 60 por cento de seu lucro sob a forma de dividendos.

O lucro por sua vez é consistente e crescente nos últimos anos.

lucro liquido banco abcb4

Já disse em outras ocasiões e repito: tamanho não é tudo.

Qualidade é mais importante.

Busque primeiro consistência.

O tamanho costuma ser uma consequência da primeira qualidade.

É isso que busco ao selecionar as ações para entrarem na carteira Seleção de Dividendos.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

E a minha small cap VULC3?

acertei em vulc3

Olá, investidor!

Você leva a sério seus investimentos?

Se sim, possivelmente já refletiu sobre as tantas estratégias e abordagens que existem sobre o mercado de ações.

São tantas estratégias por aí que nos sentimos completamente perdidos, concorda?

Isso acaba gerando um giro financeiro sobre diversas ações, derrubando qualquer consistência nos resultados.

Todos sabem da minha admiração por Warren Buffett.

Certa vez Warren Buffett disse:

“Eu poderia melhorar o seu bem-estar financeiro, dando-lhe um bilhete com apenas 20 buracos, representando todos os investimentos que você tem que fazer na vida. E uma vez que você tivesse perfurado todo o cartão, você não poderia fazer mais investimentos em nada.

Com essas regras, você realmente pensará cuidadosamente sobre o que você faz, e você será obrigado a se esforçar sobre em que você realmente tenha investido. 


Então, você fará muito melhor.”

O problema com a maioria dos investidores é que, com demasiada frequência, espalham o dinheiro por aí, enquanto dizem para eles mesmo:

“Tudo bem, vou investir um pouco de dinheiro nesta ação, um pouco nestra outro ação e depois ver o que acontece. 

Pelo menos, uma das ações vai ter subir!”

Saiba que isso não é investir!

Nessa situação você está especulando no mercado de ações na esperança de achar a ação “certa”.

A VULC3 é um buraco no bilhete.

Não comprei com intenção de especular, mas de investir.

Ela continua atendendo aos pré-requisitos?

Vamos ver:

indicadores vulc3

Empresa continua muito líquida, e isso é extremamente importante em um momento como o que estamos vivendo.

dividas vulc3

A empresa possui mais caixa do que dívidas.

E isso vem melhorando cada vez mais ao longo do tempo.

Terminou 2019 com 65 milhões em caixa! Momento bem oportuno.

Se o resultado cair demasiadamente, ela aguenta.

Sua recuperação desde 2017, segue forte, veja o lucro líquido histórico.

lucro liquido vulc3

O fato é que como todas as empresas do varejo, a queda das vendas decorrente da quarentena, irá impactar seus resultados.

Isto não é um problema de gestão ou estratégia, mas sim algo ligado ao mercado em geral.

Além de continuar atendendo os pré-requisitos, ela se tornou mais barata.

Nesse contexto, deveríamos vender ou comprar mais?

Não vou responder, aprendi na vida que o óbvio não se fala.

Além de Vulcabras, o documento lista-9-small-caps-ineditas.pdf aponta para outras small caps em uma situação igualmente confortável para o que nos aguarda.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

HGRE11: imagens estranhas de um filme bonito

hgre11 fundo imobiliario

Caro leitor,

Presumo que você saiba a diferença entre um filme e uma foto.

Mas só para garantir, uma foto é a representação estática de um instante. Mas não conta sua história. Você não sabe de onde veio nem para onde vai.

Num filme, a história está contada. Com início, meio e fim. Você consegue entender de onde vem, e ajuda a saber para onde vai.

Quando você for analisar um fundo imobiliário, você terá muitas “fotos” para olhar.

Elas podem ser bonitas ou não.

Se você fizer a análise em cima de fotos, é possível que dependendo do momento você tenha uma opinião diferente sobre o ativo. Pois vai depender se o FII saiu bem na foto ou não.

Veja o caso do HGRE11, fundo de lajes corporativas do Credit Suisse.

Se você olhar a vacância do fundo até setembro de 2019, vai parecer que o fundo era ruim, pois ela estava elevada.

vacancia hgre11 2019

Mas em outubro e novembro esse indicador melhorou muito:

vacancia hgre11 novembro 2019

Agora vai! Baita fundo!

Não… peraí:

vacancia hgre11 dezembro 2019

Em dezembro voltou a subir para patamares ainda mais altos do que antes.

Será que o fundo é daqueles que não consegue manter uma consistência minimamente decente?

Para responder, veja o filme.

Entenda o filme.

Não veja só a imagem, no filme tem mais informação do que isso.

Leia os relatórios gerenciais e tudo que a gestora divulga.

Ali está contada a história do fundo. Tem tudo que você precisa para fazer sua análise e seu juízo de valor.

Neles, você vai ler que o fundo comprou um edifício que estava quase todo vago, por um preço bastante competitivo.

Esse edifício, quando entrou na carteira, fez a média de vacância do fundo subir.

E isso não é ruim.

A estratégia faz todo sentido.

O fundo vai realizar um retrofit no imóvel, o deixar renovado e competitivo novamente.

Com isso espera alugar os seus espaços por um valor mais atrativo e, quando vender lá na frente, realizar um bom ganho de capital.

Isso faz muito sentido.

Este é o tipo de filme que eu gosto.

Tirar uma foto de um banho de sangue em um filme de Tarantino pode parecer que o filme não é bom, quando na verdade é maravilhoso.

Apesar de frames estranhos, vemos em HGRE11 um filme bonito.

É por isso que ela compõe a carteira do Canal Aluguel Inteligente.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

O que vem além da ITSA4 e WEGE3?

itsa4 e wege3

Olá, investidor!

Para começar gostaria de avisar que é inadmissível não incluir ITSA4 e WEGE3 em uma carteira de ações que tenha como objetivo investir nas melhores empresas da bolsa.

Não é atoa que as duas estão entre as três primeiras do canal Ações Para Vida.

Agora vai um recado principalmente para quem está começando…

Saiba que uma carteira de investimentos vai além de apenas investir em boas ações.

Sou enfático em sugerir que a sua parcela em ações você não ultrapasse 30 por cento do total do seu portfólio.

O motivo é muito simples e está diretamente ligado ao que está acontecendo em 2020.

Imagine que em fevereiro deste ano você tivesse 100 mil reais e que tivesse investido em ações.

No mês seguinte, você estaria com um saldo dos investimentos em cerca de 53 mil reais se o seu desempenho estivesse na média do mercado.

Mesmo que você saiba que o investimento em ações seja para o longo prazo, o desconforto de uma queda dessas é inevitável.

Nesse momento surge o medo de “perder” mais e consequentemente a chance de tomar decisões erradas.

Por outro lado, se você tivesse o equivalente a 30 por cento do seu portfólio em ações, em março você estaria com aproximadamente 86 mil reais.

Ruim, mas mais confortável, concorda?

A chance de você ser tomado por “pânico” e fazer algo errado, como vender as ações, é muito menor que aconteça.

Até agora tudo certo!

Mas e o restante?

O que você deve fazer com os outros 70 por cento do capital?

Tem uma frase que repito constantemente para quem me acompanha: o mais simples é o que melhor funciona no mercado.

Dito isso, segue o que eu considero saudável e principalmente simples de ser executado para o resto da carteira:

distribuicao de carteira 4x1

Eu chamo essa composição de 4×1, pois nela você:

  1. Cria riqueza através da compra de boas ações.
  2. Preservar sua reserva de emergência e estratégica em ativos de risco soberano.
  3. Protege o capital contra o risco inflacionário, quem passou pela década de 80 sabe do que estou falando.
  4. Durante uma crise existem ativos que se movimentam inversamente (na maioria das vezes), considerados como porto seguro durante grandes turbulências. Além disso reduzem a volatilidade geral da carteira.

Não fiz sugestão de nada sofisticado, são ativos e objetivos simples, porém, funcionais.

Vou te dar mais uma dica muito importante: a cada 6 meses faça rebalanceamento da carteira, isto é,mantenha as proporções de acordo com a proposta inicial, seja fazendo novos aportes, seja eventualmente vendendo ativos que subiram muito ou comprando ativos que caíram muito.

Essa atitude vai obrigar você a vender na alta e comprar na baixa, quase que no automático.

No fundo é o que todos dizem que é o certo, mas poucos conseguem fazer de fato.

Está na dúvida se realmente funciona?

Veja esse gráfico abaixo, a composição é exatamente a descrita na tabela:

carteira 4x1 vs ibov

A linha preta é a evolução da carteira e a vermelha é da nossa Bolsa de Valores (Ibovespa).

Veja que a carteira acompanha a alta do IBOV, por outro lado, a queda é muito menor.

Mesmo com apenas 30 por cento de ações, a carteira performou muito semelhante ao Ibovespa, isso só irá ocorrer se as ações selecionadas, realmente forem de empresas eficientes e de qualidade.

Na queda as empresas boas irão sofrer menos, além disso a proteção da carteira irá gerar uma grande eficiência para desacelerar a queda.

A estratégia 4 x 1 faz você ganhar dinheiro e simultaneamente protege seu patrimônio.

Mas o melhor de tudo é que além de eficiente, ela é muito simples de ser colocada em prática.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

Recessão de 2,96%, Selic a 3%

recessao e queda taxa selic

Olá, como você vai?

O boletim Focus trouxe dados importantes sobre as expectativas de mercado para esse ano.

Espera-se uma recessão de quase 3 por cento em 2020 e uma inflação ainda mais baixa, de apenas 2,23 por cento.

Ainda que isso seja só uma expectativa formada em Abril que diga respeito a um ano inteiro (e que provavelmente estará errada até lá), ela já diz muito sobre uma nova realidade da economia brasileira.

Estamos passando por uma crise deflacionária.

A brusca queda na demanda agregada conjunta com a necessidade de se queimar estoques em empresas dos mais diversos setores, acaba puxando para baixo as expectativas de aumento nos preços.

Serão comuns os meses que apresentaremos deflação ao longo de 2020.

Uma grande preocupação no radar dos investidores é a questão fiscal.

Ora, estamos em uma crise que exige gastos extraordinários por parte do governo e soma-se a isso uma intensa queda da arrecadação tributária.

A dívida pública irá subir, inevitavelmente. Essa é a única forma de reduzirmos um dilema entre saúde e economia.

Em tempos passados, seria comum pensarmos que teríamos inflação a frente, que seria causada por uma forte desvalorização cambial.

Mas a questão que fica é: como repassar uma eventual desvalorização do real frente ao dólar aos preços finais?

A preços atuais a demanda agregada já está represada.

Não há como haver um repasse geral aos preços finais.

Isso já leva a média do mercado acreditar em uma Selic a 3 por cento ao ano.

Conforme os efeitos recessivo (e deflacionários) se tornem mais agudos, mais quedas poderão ser computadas nas expectativas.

Se falar em Selic a 3 por cento há alguns meses parecia insanidade, pasme leitor, hoje falamos em Selic a zero.

Não acho que Selic a zero seja de fato um patamar viável, mas por que não veremos a nossa taxa básica na casa de 2 ou 1 por cento?

Quem diria que uma recessão causaria uma mudança tão drástica na forma de encararmos a nossa política monetária.

Esse também parece, cada vez mais, ser o novo normal do mundo.

Os Bancos Centrais colocam liquidez em escalas sem precedentes na economia e a inflação não sobe.

Estamos vivendo uma espécie de japanização do mundo: muita liquidez, dívidas corporativas astronômicas e estagnação econômica.

A questão é que, se por um lado, esse cenário parece ter vindo para ficar nas economias avançadas, por outro, no Brasil esse fenômeno parece ser mais passageiro.

A questão é que nos acostumaremos a conviver com uma Taxa Selic extremamente baixa e não acredito que ela deverá voltar aos patamares de 8 ou 9 por cento (tal qual estavam precificados os juros longos até semana passada).

Por conta de um evento passageiro, a taxa selic baixa no Brasil, mais do que nunca, veio para ficar.

No final da crise, teremos muita liquidez no mercado.

Esse dinheiro “de sobra” terá de ir para algum lugar.

Como falei semana passada, atividade econômica e bolsa não necessariamente andam juntas.

Com juro tão baixo, pagar pouco por muita qualidade me parece um jogo onde se tem pouco a perder e muito a ganhar.

Posso estar errado.

O tempo dirá.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

PMAM3 e HYPE3: foi dada a largada

pmam3 hype3

Caro leitor,

Vai ser dada a largada para temporada de resultados trimestrais das empresas listadas na bolsa.

Está todo mundo de olho nos impactos que o Coronavírus causou nas empresas.

O que os investidores mais vão buscar neste momento não são os grandes lucros, mas sim as que menos perderam.

Lembrando que dos meses do primeiro trimestre, apenas em março é que os efeitos bateram com força na maioria das empresas.

Portanto é possível que o pior ainda fique por vir só lá do meio do ano em diante.

Se você é como eu, que gosta de acompanhar o que interessa mesmo, que é o desempenho operacional das empresas, então essa temporada vai ser eletrizante.

Sinceramente ainda não sei se vai ajudar a clarear o horizonte ou se vai colocar mais interrogações na nossa cabeça.

Uma coisa é certa: Os editores de notícias econômicas estão sedentos por uma manchete matadora que vai atrair um milhão de cliques.

Tenha certeza de que essa manchete vai ser a mais sensacionalista e negativa possível.

Pois o caos e o medo vendem muitas notícias.

Tente ficar alheio às chamadas emocionais dessas matérias.

Foque no que realmente interessa: nos números.

Essa semana mesmo tem divulgação da Paranapanema (PMAM3) no dia 23 e da Hypera (HYPE3) no dia seguinte.

Espero que as empresas dêem o devido destaque aos efeitos do Coronavírus no mês de março, pois ele será uma importante pista do que nos aguarda para logo mais no meio do ano.

O Ibovespa já recuperou muito desde sua mínima em março, mas não se engane achando que os resultados não virão tão ruins assim.

O mercado sempre antecipa o que acontece na economia real.

Depois que a economia real mostra seus números, o mercado recalibra sua aposta e antecipa de novo.

E assim ele vai.

Por isso os movimentos de curtíssimo prazo são tão erráticos na bolsa.

Para você e para mim, que não temos bola de cristal e queremos viver dos dividendos das empresas, melhor esperar os resultados serem divulgados e depois pensar no que fazer.

Pensar a longuíssimo prazo, como ensinam os mestres Buffet e Barsi, faz a nossa missão muito mais tranquila e previsível.

Não tenho ansiedade de tomar a decisão com pressa, pois num horizonte de 10 ou 20 anos, um trimestre não muda muita coisa. Nem dois, nem três.

Uma decisão errada, essa sim, pode custar caro.

Portanto, nessa temporada é cabeça no lugar e serenidade para ver o provável banho de sangue nos balanços.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos as análises e tomadas de decisão são feitas com base nos resultados trimestrais, no plural mesmo.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

O Sistema 1 fará você comprar OIBR3

comprar oibr3

Olá, investidor!

Nada é mais natural do que identificar nosso pensamento com ideias, imagens, planos e sentimentos.

Se eu pergunto: “Porque você comprou aquele carro?”

Você irá justificar utilizando diversos motivos: “Modelo bonito. Ótimo Preço. Motor potente”.

Ocorre que poderá justificar os pensamentos apenas por meio da introspecção, ou seja, voltando sua atenção exclusivamente para dentro e examinando o que se passa em sua cabeça.

Isso é um problema, pois a introspecção pode captar apenas uma pequena fração dos processos complexos que se desenrolam em sua mente e que estão por trás de suas decisões.

Nosso universo mental se divide em dois sistemas.

Sistema 1 é o reino da percepção automática e das operações cognitivas, como o que você põe em funcionamento neste exato momento ao rolar a página deste e-mail.

Não temos consciência desses processo de gatilho rápido, mas não poderíamos funcionar sem eles, seríamos desligados.

Sistema 2 está diretamente ligado em tudo em que decidimos nos focar.

A ordem dos dois sistemas não é aleatória, O Sistema 1 vem primeiro.

Ele é rápido e está constantemente operando em segundo plano.

Se uma pergunta é feita e você sabe a resposta instantaneamente, é o Sistema 1 respondendo.

O Sistema 2 fica encarregado de interrogar essa pergunta.

Mas esse processo exige tempo e esforço, e é por isso que rotineiramente na maioria das vezes o Sistema 1 é quem decide.

Me responda a pergunta abaixo: “Um bastão e uma bola de beisebol custam juntos 1,10 reais. O bastão custa 1 real a mais do que a bola. Quanto custa a bola?”.

Se você é como praticamente todo mundo que um dia já respondeu essa famosa pergunta, instantaneamente sua resposta foi: “Dez centavos”.

Não pensou cuidadosamente para chegar a resposta, nem sequer fez algum cálculo.

A resposta simplesmente apareceu.

Culpa do Sistema 1, rápido, fácil e impreciso.

A resposta pode parecer, mas não é 10 centavos.

Não vou te dar a resposta, vou deixar o seu Sistema 2 refletir e buscar o racional e lógica do cálculo.

Mas qual a relação disso tudo com o mercado de ações?

Bom, a maioria das decisões tomadas pelos investidores se limita ao Sistema 1.

Afinal, é menos trabalhoso e mais rápido.

A resposta chegada praticamente “pronto”.

Pena que na maioria das vezes a decisão se baseia em respostas erradas.

O Sistema 1 faz com que você enxergue de forma clara que as ações da OIBR3, por exemplo, é uma grande oportunidade, afinal, seu preço caiu muito e estamos falando de uma importante empresa do segmento de telefonia do Brasil.

Mas realmente é isso?

Coloque seu Sistema 2 para trabalhar um pouco, vá mais afundo na avaliação.

Considere todos os riscos e veja se vale realmente a pena.

Se no atual contexto não existem oportunidades melhores.

Usar o Sistema 2 é chato, o 1 é mais divertido.

O seu Sistema 2 vai ajudar você a olhar para oportunidades bem mais óbvias que o mercado está dando no momento.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

VISC11, GGRC11, MALL11, XPML11 e HSML11: o fim de uma era?

VISC11. GGRC11, MALL11, XPML11 e HSML11

Caro leitor,

O Covid-19 continua mostrando suas caras e causando turbulência pelos Fundos Imobiliários.

O surgimento dessa pandemia está forçando o investidor de FIIs a rever suas convicções e suas crenças.

Até o surgimento do coronavírus, os fundos de shopping centers eram os fundos mais seguros e resilientes do mercado.

Hoje eles estão no olho do furacão e são os mais atingidos pelos efeitos desse novo vírus.

O poder de barganha entre inquilino e proprietário, que sempre esteve do lado do shopping, agora está do lado do lojista.

Pense comigo: um prédio com vacância de 20 ou 30 por cento é algo que acontece.

Não fica feio nem nada.

Mas um shopping com um terço de suas lojas tapadas com tapumes já não é aceitável.

Neste cenário, o shopping talvez se veja obrigado a ceder muito mais do que gostaria para o lojista pelo menos continuar lá dentro.

Vários FIIs são impactados aqui: VISC11. MALL11, XPML11 e HSML11.

Os paradigmas quebrados não ficam só por conta dos shoppings centers não.

Outro tipo de FII tido como um porto seguro em momentos de crise são os de galpões com contratos atípicos.

Esse tipo de contrato costuma ser de dez anos para mais e a multa por desocupação é equivalente a todos os aluguéis vincendos até o final do contrato.

Ou seja, o inquilino até pode sair do imóvel, mas não pode deixar de pagar um mês sequer.

Outro ponto interessante é que não existe revisional desse valor durante o contrato.

Ou seja, nem na pior das crises o inquilino vai ter amparo legal para reduzir o valor pago mensalmente.

Muito seguro.

Até o Covid-19 chegar.

GGRC11, por exemplo, é um fundo de galpões logísticos e industriais que só investe em operações e imóveis com contratos atípicos de locação.

Esse seu pré requisito traz segurança e estabilidade para seus rendimentos.

Isso funciona muito bem, quando o inquilino paga.

Essa semana o fundo comunicou que um inquilino que representa 13 por cento da sua receita total, não pagou o aluguel referente ao mês de março.

Agora, o tamanho desse problema vai ser conhecido com o desenrolar dessa situação. Pode ser amigável e negociada, ou pode ser judicializada e com a execução das garantias contratuais.

Está previsto a existência de um seguro fiança locatícia, que pode ser acionado caso a solução não seja amigável.

Enfim, veremos como isso se desenrola nas próximas semanas.

O que fica dessas situações descritas é que os portos seguros dos FIIs podem até ser seguros, mas não são imunes a problemas mais graves.

Como eu disse semana passada, ainda vamos ver muitas notícias ruins aparecerem antes de tudo isso acabar.

Até lá vamos aprendendo com elas.

No caso dos shoppings, é que por mais seguro que seja sempre pode ocorrer um Cisne Negro e mudar toda a dinâmica favorável ao proprietário que sempre existiu.

No caso dos de galpões com contratos atípicos, é que o contrato não é garantia de nada. A análise vai precisar passar pelo inquilino e pelas garantias do contrato.

Enquanto a pandemia durar, será uma lição nova a cada dia.

Quando ela passar, o desafio será não esquecer esse aprendizado.

Assim, mesmo que machucados, sairemos mais fortes dessa.

Na carteira do canal Aluguel Inteligente os FIIs estão muito bem escolhidos e, apesar dos impactos, vem fazendo uma travessia firme nessa crise.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

LCAM3, UNIP6, MAPT4: muito risco, muito retorno

Muito risco muito retorno

Olá, investidor!

Vou contar um segredo para vocês.

Existe outro mestre dos investimentos, além de Warren Buffett, que recebe minha admiração.

Trata-se de um mestre em filosofia, além de um dos maiores analistas de risco da atualidade: Nassim Nicholas Taleb.

Por que ele merece minha admiração?

Primeiro porque desconheço qualquer livro de sua autoria que seja no mínimo “muito bom”, aliás, recomendo a leitura de todos…

Sugiro que o primeiro deles seja o “Black Swan” (A lógica do cisne negro), onde ele compara o improvável e raro nascimento de um cisne negro, com acontecimentos inesperados e imprevisíveis que geram grandes impactos econômicos.

Depois leia o “Antifrágil”, nele ele explica sobre coisas que se beneficiam com o caos. Assim sendo, o Antifrágil pode se beneficiar com o situações de grande impacto.

O outro motivo é que ele é o criador de uma estratégia que considero muito racional, inclusive utilizo algumas premissas para a carteira de ações do canal Joias da Bolsa.

A estratégia é conhecida como Barbell Strategy?

Basicamente o racional por trás dessa estratégia, é que a carteira deve possuir muito valor em ativos de pouco risco e pouco valor em ativos de muito risco.

Dessa forma, em caso da ocorrência de um cisne negro, sua carteira estará protegida pela concentração em ativos de baixo risco, porém a pequena porção de muito risco, poderá em “tese” sofrer grande valorização.

Uma proporção sugerida é 90 por cento em ativos muito seguros e 10 por cento em ativos de muito risco.

No mercado Americano, a aplicabilidade desta estratégia é simples, pois existem ativos muito mais sofisticados que aqui no Brasil.

Independente disso, para a estratégia fazer sentido, os 10 por cento da carteira devem ser formados por ativos que possuam perfil convexo de retorno.

Grafico de ganho vs perda estrategia de Barbell

Basicamente são ativos assimétricos, onde você tem perdas limitadas e ganhos ilimitados.

Em sua essência, a estratégia sugere um portfólio mais ou menos assim:

  1. 90 por cento títulos do governo, dinheiro em caixa ou ouro.
  2. 10 por cento em ações e derivativos.

Como o mercado de derivativos brasileiro ainda engatinha frente a mercados mais desenvolvidos, devemos focar em acelerar o risco via posições em ações.

Abrasileirando a estratégia, poderíamos adaptar da seguinte forma:

Estrategia de Barbell adaptada a bolsa brasileira

Simples assim!

Os 90 por cento da carteira, não tem mistério, são investidos no Tesouro Selic, ativo mais seguro negociado no mercado brasileiro.

Já os 10 por cento que exigem risco, podemos incluir Small Caps e Micro Caps, buscando o benefício da assimetria.

A essa altura, você deve estar com dúvidas se somente os 10 por cento, seriam suficientes para gerar resultados satisfatórios.

Bom, você precisa entender que precisará comprar ações que apresentem grande potencial e consequentemente risco.

Nestes 10 por cento, não fará sentido incluir ITSA4, LREN3 ou as principais empresas do setor de energia elétrica.

São ótimas empresas, mas elas não irão se multiplicar por 10x em poucos anos.

São empresas que apresentam, de certo modo, pouco risco, logo, não geram a assimetria necessária.

Veja o que ativos podem fazer em espaços curtos de tempo:

Acoes com assimetria de risco

Algumas dessas ações superaram 1.000 por cento em 5 anos, uma em especial superou 6.000 por cento.

Não estou avaliando nenhuma característica ou qualidade dos fundamentos, estou apenas querendo provar o quão forte é a assimetria de algumas ações.

Mesmo que sejam somente 10 por cento da carteira composta por ações, se algumas performarem de forma semelhante aos exemplos acima, irão gerar um grande impacto no resultado da carteira com uma pequena exposição ao risco.

Na simplicidade da estratégia, ela oferece perdas limitadas em troca de ganhos ilimitados.

Caso queira, deixei disponível para download uma lista de 9 small caps inéditas que se enquadram nesse perfil de ativo.

lista-9-small-caps-ineditas.pdf

Valeu Taleb!

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.