7 Ensinamentos de Howard Marks que Todo Investidor Precisa Conhecer

Aprenda com Howard Marks o que é mais importante para o investidor.
André Fogaça

André Fogaça

Co-fundador do GuiaInvest, pós-graduado em Economia e Consultor de Investimentos CVM

7 Ensinamentos de Howard Marks que Todo Investidor Precisa Conhecer

Certamente você já se perguntou o que é preciso para ter sucesso no mercado de ações? Quais os ensinamentos que todo investidor precisa conhecer? Howard Marks tem a resposta.

Em seu livro “O Mais Importante para o Investidor: Lições de um Gênio do Mercado Financeiro“, Howard Marks, considerado um dos maiores investidores do mundo, apresenta as principais lições que ele aprendeu e testou ao longo de seus mais de cinquenta anos de carreira.

O título do livro pode sugerir a existência de uma única coisa a ser chamada de “o mais importante”, mas logo na introdução, ele deixa claro que isto não existe. 

Segundo ele próprio, a ideia não foi preparar um manual de como investir, mas sim compartilhar sua filosofia de investimentos.

Marks faz reflexões sobre a eficiência do mercado e suas limitações, em como os fatores psicológicos levam a grandes erros e ineficiências, mas também abrem espaço para oportunidades.

Howard Marks é sócio-fundador da Oaktree Capital Management, gestora de recursos especializada em ativos de risco, e se destaca como um dos gestores que mais deu retorno na Bolsa de Valores norte-americana.

O livro “O Mais Importante para o Investidor” se tornou um best-seller e é referência para grandes investidores mundiais, como Warren Buffet, Joel Greenblatt, Ray Dalio, entre outros.

Aqui estão os 7 ensinamentos de Howard Marks que todo investidor precisa conhecer para melhorar seus resultados:

1- Tenha um pensamento de segundo nível

Howard Marks chama de pensamento de segundo nível aquele que vai além dos consensos, ou seja, que busca uma forma mais profunda e complexa de pensar.

Esta é uma característica dos grandes investidores para superar o investidor médio e conquistar resultados superiores, uma vez que eles conseguem analisar o cenário de uma forma mais sofisticada e assertiva.

Enquanto o pensamento de primeiro nível concentra-se em fórmulas simples e respostas fáceis para resolver um problema imediato, o pensamento de segundo nível olha além do óbvio.

Segundo Marks, “o pensamento de primeiro nível é simplista e superficial, e quase todo mundo pode fazê-lo”, mas a maioria das decisões precisa de um nível mais profundo de exploração.

É isso que lhe dará uma chance maior de um resultado positivo a longo prazo.

Uma pessoa com pensamento de primeiro nível diz: “Essa empresa é boa, vamos comprar a ação”. 

Já uma pessoa com pensamento de segundo nível vai questionar esse argumento. “Será que só porque a empresa é boa, deveríamos comprar a ação?”

Com essa pergunta pode-se chegar à conclusão de que “é uma boa empresa, mas todos acham isso e, por isso, a ação é supervalorizada e está cara. Então, vamos vender.”

Segundo ele, o investidor que consegue construir uma abordagem intuitiva, adaptável e mais perceptiva, tem mais chances de atingir o sucesso.

Howard Marks deixa claro que, para ele, investir bem é o oposto da simplicidade. É preciso desenvolver um pensamento profundo e complexo, levando em conta diferentes fatores, prováveis resultados futuros e a probabilidade de estar certo.

2- Relação entre preço e valor

Segundo Howard Marks, estabelecer uma relação saudável entre os fundamentos valor e preço é uma das coisas mais importantes para um investimento bem-sucedido.

O preço deve ser o ponto de partida, uma vez que sua lucratividade vai depender disso, mas é necessário também avaliá-lo em relação ao seu valor.

Portanto, o melhor investimento é o que está a um preço atrativo em relação ao seu valor.

Marks pergunta: “Quanto as empresas valem? No final, tudo se resume a isso. Não basta comprar uma participação em uma boa ideia, ou mesmo em um bom negócio. Você deve comprá-lo por um preço razoável (ou, se possível, a uma pechincha). ”

O gestor segue uma regras de investimento mais antigas, que consiste em comprar de um ativo abaixo de seu valor intrínseco e vender por um preço acima. 

Ele resume: “Tentar comprar um ativo por preços abaixo do valor intrínseco não é infalível, mas é a melhor chance que se pode ter”.

Isso significa que, de todos os caminhos possíveis para investir, esse é o mais confiável para realizar investimentos estáveis, racionais e que possam gerar bons retornos.

Ele observa que nenhum investimento ou mesmo classe de ativos é mais lucrativo do que outro. Assim como nenhum investimento é tão bom que não possa se tornar ruim caso compre a um preço muito alto.

Para comprar pelo preço certo, primeiro é necessário saber em que os preços se baseiam. 

No longo prazo, os preços tendem a acompanhar os fundamentos. Isso se refere à capacidade de uma empresa de gerar lucros e reinvestir, da competência da gestão, entre outros aspectos da análise fundamentalista.

No curto prazo, o preço é afetado por fatores psicológicos e outras questões não fundamentais que influenciam a oferta e a demanda. 

3- Entender, reconhecer e controlar o risco

Ao investir, o investidor faz uma projeção de como esse ativo irá se comportar no futuro, mas o futuro é incerto. Por isso, o risco torna-se o elemento essencial e inevitável para a realização de bons investimentos.

Segundo Howard Marks, isto é uma das coisas que os investidores têm mais dificuldade de entender. 

O risco de um investimento é justamente a incerteza quanto ao futuro. Ou seja, a probabilidade de algo não sair conforme o planejado ou em desacordo com o esperado.

Para lidar bem com isso, Marks sugere realizar três passos que configuram o risco:

  • Entendê-lo;
  • Reconhecê-lo;
  • Controlá-lo.

Primeiro, entenda qual é o risco, depois reconheça-o em seu contexto e, a partir, saiba como controlá-lo da melhor forma.

Uma das frases mais comuns que ouvimos em investimentos diz que quanto maior o risco, maiores as chances de retorno.

Para Marks, ela leva a grandes erros de interpretação.

“Nós ouvimos isso o tempo todo: ‘Investimentos mais arriscados produzem retornos mais altos’ e ‘Se você quer ganhar mais dinheiro, arrisque mais, ambas as formulações são terríveis”, diz Marks.

Muitos pensam que para se ter maiores retornos basta tomar mais risco, mas esse não é necessariamente o caso.

Marks começa analisando o gráfico tradicional que mostra a relação entre risco e retorno:

O Mais Importante para o Investidor: gráfico risco-retorno tradicional
O Mais Importante para o Investidor: gráfico risco-retorno tradicional.

Nele, a “linha do mercado de capitais” possui um comportamento ascendente indicando a relação positiva entre risco e retorno.

O problema é que este famoso gráfico dá a entender que quanto mais risco corrermos, mais dinheiro ganhamos.

Marks questiona esse pensamento afirmando que se os investimentos mais arriscados produzissem mesmo maiores retornos de forma confiável, eles não seriam mais arriscados.

Porém, não há nenhuma garantia que esse maior retorno esperado vai efetivamente acontecer.

Para ele, existe uma forma melhor de expressar a linha do risco-retorno:

O Mais Importante para o Investidor: gráfico risco-retorno adaptado
O Mais Importante para o Investidor: gráfico risco-retorno segundo Howard Marks.

Da mesma forma que o gráfico tradicional, à medida que o risco aumenta, o retorno esperado também aumenta, mas inevitavelmente, a gama de resultados possíveis se torna mais ampla.

Com isso, os resultados podem se tornar extremos, seja para o positivo, quanto para o negativo.

“Esta é a essência do risco de investimento”, escreve Marks. 

“Investimentos mais arriscados são aqueles em que o investidor fica menos seguro quanto ao eventual resultado e enfrenta a possibilidade de se sair pior do que quem se apega a investimentos mais seguros, e até mesmo de perder dinheiro. Esses investimentos são realizados porque o retorno esperado é maior.”

“Mas as coisas podem acontecer diferente do que se espera. Algumas das possibilidades são superiores ao retorno esperado, mas outras são decididamente pouco atraentes. “

O que ele quer dizer é que quanto maior o risco, mais são os resultados possíveis e menos certo se torna o seu retorno.

Para obter retornos acima da média, você precisa ter a capacidade de reconhecer os riscos e escolher aqueles com a melhor relação risco-retorno.

O controle de risco é o que distingue um investidor inteligente de todos os outros

Existem diferentes maneiras de gerenciar o risco, como a diversificação, rebalanceamento da carteira, ter um longo horizonte de tempo, pensar globalmente, alocação de ativos, etc. 

É tudo uma questão de equilibrar sua tolerância ao risco com seus objetivos.

Howard Marks fundamenta suas decisões em duas premissas que tendem a aumentar a segurança de um investimento:

  • Convicção a respeito do valor;
  • Boa margem de segurança.

Como investidor em valor, ele procura ativos com o preço abaixo do seu valor intrínseco, ou seja, compra ativo por menos do que valem, pois a tendência é que, no longo prazo, o preço se ajuste ao valor.

Assim, quanto maior for a diferença entre preço e valor, menor seu risco.

4- Ciclos do mercado

Para Howard Marks, todo investidor precisa estar atento aos ciclos do mercado, pois eles podem te dar uma grande vantagem.

Segundo o autor, os ciclos sempre existiram e sempre existirão porque as pessoas não são racionais ao tomar decisões.

Marks compara as oscilações do mercado a um pêndulo, sempre oscilando entre os extremos de seu arco.

Quando o pêndulo está perto de uma das extremidades, que ele chama de pontos de inflexão, mais cedo ou mais tarde é forçado a voltar pelo próprio peso.

Uma das extremidades é formada pela ganância, credulidade e tolerância, a outra pelo medo, ceticismo e aversão ao risco. 

Se de um lado existe o risco de perder dinheiro, do outro, o risco é de perder oportunidades. 

Embora o ponto médio do arco seja o que melhor descreva a localização do pêndulo, ele passa muito pouco tempo ali.

No entanto, sempre que está perto de uma das extremidades, mais cedo ou mais tarde, ele inevitavelmente volta para o ponto médio.

“As probabilidades mudam conforme a sua posição no ciclo muda. Se nós não mudarmos nossa posição, somos passivos a respeito dos ciclos. Em outras palavras nós ignoramos a chance de inclinar as chances ao nosso favor”

Enquanto a maioria dos investidores são seguidores de tendência, que contribuem no movimento do pêndulo pelo efeito manada, os bons investidores fazem o oposto.

Não dá para prever os ciclos, mas é certo que eles existirão. Por isso, Marks descreve o investidor inteligente como aquele que sabe reconhecer em qual extremo o pêndulo se encontra e toma as decisões com base nisso.

Ou seja, quando o pêndulo está na extremidade otimista, venda por um preço maior.

Quando está extremidade pessimista, compre ações por um preço menor do que valem.

5- Entenda o papel da sorte

Howard Marks acredita que a sorte desempenha um papel importante nos investimentos, mas isso é frequentemente mal compreendido pela maioria.

Para ele, a sorte faz parte da dinâmica natural e esperada do mercado financeiro, assim como a volatilidade. 

A partir do momento em que você se expõe ao mercado, consequentemente também se expõe à sorte. Esse é um fator que faz parte dos seus resultados.

Então, por mais que suas habilidades e estratégia sejam importantes, não se pode menosprezar o papel do acaso.

Às vezes, boas decisões produzem resultados ruins e decisões ruins produzem bons resultados. Já que a todo momento existem investidores apostando em um mercado em baixa. Em algum momento, alguns desses investidores estarão certos. 

Isso não significa necessariamente que eles eram gênios, foi apenas sorte.

Marks escreve: “Não há dúvida de que trabalho árduo, planejamento e persistência são essenciais para o sucesso repetido”. 

“Mas mesmo os trabalhadores mais árduos e os melhores tomadores de decisão entre nós não conseguirão ter sucesso de forma consistente sem sorte.”

6- Cuidado com as influências psicológicas

Howard Marks diz que os maiores erros dos investidores não estão relacionados a ter ou não ter as informações certas e suficientes, mas sim de fatores psicológicos.

As emoções e os vieses comportamentais levam a grandes erros e ineficiências, abrindo espaço para oportunidades.

Por isso, considere a influência e impacto que os fatores psicológicos têm e descubra como lucrar mais dominando as finanças comportamentais.

Para ter sucesso, combata suas influências negativas como ganância e medo.

Tão importantes quanto os fatores técnicos, o lado psicológico também deve estar posicionado de forma favorável ou poderá afetar negativamente em suas decisões e sua análise da relação entre preço e valor intrínseco de um ativo, por exemplo.

7-  Não seja uma ovelha em um rebanho

Todo investidor inteligente precisa ter cuidado com o efeito manada, pois isso pode levar populações inteiras a tomar más decisões.

A coisa mais importante neste caso é ir contra e não ser mais uma ovelha no rebanho.

Não é porque a maioria está seguindo uma tendência atual, que você deve seguir. Pelo contrário, os melhores investidores decidem fazer o oposto.

Como diz Warren Buffett, “seja ganancioso quando os outros estão com medo, tenha medo quando os outros estão gananciosos”.

No entanto, ser “do contra” não é fácil. 

Você precisa aplicar o pensamento de segundo nível, tentando identificar o que os outros não estão vendo, além de ter conhecimento e confiança para pensar dessa maneira. 

Reprograme seu cérebro para gostar de preços baixos e aproveitar as oportunidades dos ciclos do mercado.

Esses foram os principais ensinamentos de Howard Marks que todo investidor precisa conhecer.

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Como Marks diz: “Investir não é questão de ganhar dinheiro, mas de se preparar para o seu futuro financeiro”.

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