A verdadeira definição de ações baratas

Você acha ruim comprar quando tudo está no fundo do poço?
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.

Olá, como você vai?

O mercado caiu 47 por cento desde a sua máxima em 119 mil pontos em janeiro.

O dia 23 de março foi marcado pela marca de 63 mil pontos junto com o avanço assustador do vírus mundo afora.

Ali no olho do furacão tudo caiu.

Ainda não dava para ter muita clareza de quais seriam as consequências para cada empresa, mas dava para imaginar que nem todo mundo sofreria igualmente.

Preço todos perderam. Tudo caiu.

O momento de pânico não escolhe as vítimas. Mas as pessoas foram assimilando a nova condição.

Muitas empresas se ajustaram fazendo home office.

Vimos os Bancos Centrais jorrando dinheiro por tudo e os governos tomando medidas fiscais importantes.

O pânico foi embora e voltamos para a (nova) realidade.

Os fatos foram dando o tom de diferenciação: aos poucos foi ficando claro quem seriam os mais penalizados e os menos penalizados.

Vimos a força do e-commerce e as fragilidades das companhias aéreas.

Notamos também a resiliência dos setores de utilidade pública, como transmissão de energia elétrica e saneamento.

Vimos que mesmo na queda, o número de CPFs cadastrados na B3 aumentou significativamente.

Mas afinal, o que ficou barato?

Ora, vamos primeiro definir o que é barato…

Nem tudo que caiu ficou barato.

Vamos dizer que se uma empresa perde 50 por cento do seu valor e o preço da ação cai apenas 30, ela ficou mais cara, mesmo com uma cotação menor.

Barato e caro é algo que se mede contrastando o preço e o valor. Uma ação com muito valor e pouco preço é uma ação barata. A verdadeira definição de ação barata é essa.

Lojas Renner terá um ano péssimo. Chegou a cair 60 por cento em relação à sua máxima, mas certamente não perdeu tudo isso de valor.

Não estou recomendando o papel em si, mas querendo mostrar que, matematicamente, a gente infere que a empresa ficou mais barata do que antes.

Mais do que ficar procurando quais ações caíram mais, o importante agora é identificarmos quais as empresas que não perderam valor.

Fazendo uma varredura completa pelas 330 empresas listadas através da ferramenta do GuiaInvest, chegamos a 23 papeis que estão em promoçãovalor preservado, negócios sólidos e preço descontado.

Mas esses são os 23 papeis que estão baratos no contexto atual.

Mas se analisarmos o Brasil como um único ativo, é possível dizer que Brasil está barato demais.

Batemos 12 mil pontos em dólar no Ibovespa em março, vindo de 29 mil pontos em janeiro.

O real foi a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar em uma cesta de moedas emergentes.

O investidor estrangeiro, novamente, está assustadoramente sub-alocado no Brasil, de forma que qualquer inclusão de Brasil em seus portfólios, pode puxar as coisas para cima aqui.

Tudo, de fato a imagem do Brasil lá fora não é das melhores, mas embutir isso nos preços também significa que não há mais muito como piorar.

Somado a isso, vivemos o que Armínio Fraga cunhou de tempestade perfeita: a tríade de das crises econômica, sanitária e política, ainda que esta terceira tenha se amenizado com o diálogo entre Executivo e Congresso.

Estamos em um fundo de poço.

Você acha ruim comprar quando tudo está no fundo do poço?

Claro, é muito desconfortável, pois sempre cogitamos a existência de um alçapão no fundo do poço.

Mas temos razões para acreditar em um futuro melhor.

Os estudos avançam na direção de conquista de uma vacina ou tratamento para o Novo Coronavírus.

Não sabemos quando, mas a pandemia vai passar.

E temos alguma peculiaridade nos ajudando.

Temos uma taxa de juro muito baixa, o que vai forçar, no menor sinal de melhora do quadro econômico, uma entrada massiva de dinheiro na bolsa brasileira, o que puxaria os preços para cima.

Como disse Henrique Bredda, em 2025 a gente vai sentir saudades dos preços que víamos em 2020.

Obviamente não é para se atirar comprando ações.

Temos que pensar em portfólio e diversificação, sempre prezando por qualidade.

Mas pegar uma dessas barbadas aqui e esperar um tempo não vai fazer mal a ninguém.

Seguimos adiante.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

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