Ainda sobre a queda do século: lições que podemos tirar

Queda do século: as lições que podemos tirar
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.

Olá, como você vai?

A última segunda-feira (9) vai ficar marcada na história.

Foi a maior queda do século no Índice Bovespa, que em um único pregão caiu mais de 12 por cento, fechando em 86.067 pontos.

Soma-se a isso a alta do dólar que tivemos.

O Ibovespa dolarizado voltou aos 19.000 pontos, sendo que estava em 29.000 pontos no início de janeiro.

Tivemos a maior correção em dólares do atual bull-market: queda de -36 por cento.

E é justamente por isso que a segunda-feira será lembrada.

Daqui a 10 anos você poderá lembrar desse dia como “o dia que eu deveria ter investido na bolsa…”.

O fato é que não temos nenhuma quebra estrutural no Brasil e no mundo.

As tendências seguem as mesmas.

Correções como essas são raras, claro, e acontecem justamente quando não esperamos.

Se o Coronavírus​ já parecia ser razão suficiente para se preocupar, no silêncio de um final de semana, Rússia e a Opep e entram em desacordo em relação aos níveis de produção do petróleo.

Com o preço barril operando na casa dos 20 e poucos dólares seria muito difícil para uma empresa como a Petrobras trabalhar com margens mais confortáveis, comprometendo os fundamentos da empresa.

Calma, não é para vender Petrobras (PETR4), nem desistir da compra dela.

Até porque nem mesmo os países da Opep aguentam o tranco por tanto tempo.

A questão é que a percepção por risco do investidor global aumentou.

Os gringos encontraram uma desculpa adicional para realizar lucros.

Os traders e investidores que operam alavancados acabaram vendendo muita coisa forçada ontem, uma vez que muitos stop-loss foram acionados.

Teve venda consciente, venda forçada e venda por pânico.

Os investidores inteligentes foram às compras.

Para quem é um acumulador de ativos, nada melhor que um dia de quedas acentuadas.

Ficou até difícil saber o que comprar.

E claro, sem ser leviano, os riscos postos não foram eliminados.

Coronavírus já havia dado um bom ponto de entrada para bolsa​.

O número de casos fora da China segue crescendo.

Veio o imbróglio relacionado ao petróleo e derrubou ainda mais a bolsa, o que na visão de quem é acumulador de ativo, melhorou ainda mais a condição de entrada.

Vimos empresas consolidadas negociando a 5x lucros.

Há tempos não se via uma chance de comprar o óbvio.

E a parte mais bonita do processo é que não sabemos para onde vai a bolsa nos próximos dias.

Poderemos ter mais quedas.

Podemos ver a bolsa bater os 70 mil pontos novamente. Por que não?

Assim como em um piscar de olhos podemos retomar os 120 mil pontos.

A questão é que por mais que o Brasil possa sofrer um pouco nesse primeiro semestre por conta do Coronavírus, o efeito é passageiro e a retomada pode vir rapidamente, seguindo um efeito de mola comprimida.

A economia brasileira não está nem perto de estar exausta, pelo contrário.

Temos muita capacidade ociosa e hoje ainda poderemos ter mais um corte na Selic.

Ainda não sentimos o efeito dos juros baixos na economia, mas o fato é que isso é uma quebra de paradigma grande demais e que, na minha visão, está sendo subestimada.

Um juro baixo duradouro vai ter um efeito estrutural positivo em alguns anos.

Novos projetos se tornam viáveis.

E insisto: o Brasil ainda não voltou a crescer.

A fase “forte” do nosso bull-market só irá se concretizar no momento em que a economia estiver crescendo mais pujantemente, o que naturalmente vai puxar para cima os lucros das empresas.

Não temos muito mais espaço para bolsa crescer via expansão de múltiplos.

Isso pode nos levar para, no máximo, até os cento e poucos mil pontos.

Mas o fato é que as empresas listadas tem muito a entregar ainda.

O fundamento das melhores empresas deve seguir melhorando.

O que talvez angustie o brasileiro é o fato de que sempre parece que o crescimento de fato “só virá no ano que vem”, ano após ano.

Enquanto isso, reforçamos a importância de seguirmos aportando mensalmente em ações de boas e sólidas empresas.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Compartilhe essa publicação:

Introdução a
Bolsa de Valores

Partindo do zero até a compra da sua primeira ação

Assista à primeira aula gratuita

Outras Publicações