Bolsa brasileira: em que fase do ciclo estamos?

Com recorde atrás de recorde, surgem questões como essas. Aqui estão 2 investimentos para você fazer antes de 2020.
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.

Olá, como você vai?

Com o Ibovespa rondando por volta dos 112 mil pontos começam a surgir dois grupos divididos: os que querem entrar agora e os que já querem sair.

O primeiro grupo já não aguenta mais ver a bolsa se valorizar enquanto estão de fora da festa.

O segundo grupo está com medo de que a festa acabe e quer embolsar um lucro que é qualquer coisa acima do que estava acostumado a ganhar na renda fixa.

E a bolsa é isso aí mesmo: para alguém entrar é preciso que alguém saia. Só sai negociação quando há um acordo de compra e venda de determinada ação a um determinado preço.

Mas nessa história aí, quem está certo? Quem quer entrar agora ou quem quer sair?

Nem tanto ao céu e nem tanto à terra.

A bolsa, desde janeiro de 2016, teve uma alta muito considerável.

Saiu dos 38 mil para os 112 mil pontos, uma valorização de +194 por cento, o que equivale a praticamente triplicar o valor de mercado do principal índice de ações da bolsa brasileira.

Era o melhor momento para se e entrar. Quem pegou, pegou.

No entanto, para quem está chegando um pouco atrasado, na minha visão, a parte boa da festa ainda vai durar.

As empresas tem todo um ciclo de aumento de lucros para viver agora com a melhora da atividade econômica.

Os fundos ainda nem aumentaram a sua alocação em bolsa e os gringos ainda não chegaram em peso.

Depois disso tem toda aquela euforia de emprego, consumo e crédito melhorando.

A confiança vai nas alturas, a economia anda e chegam os selos de investment grade para o Brasil.

A verdadeira euforia, o verdadeiro oba-oba não chegou ainda.

Até lá ainda tem muito jogo pela frente.

Como disse o grande gestor Florían Bartunek, “ainda estamos nos 40 minutos do primeiro tempo, falta mais um pouquinho para chegarmos na metade do ciclo de alta da bolsa”.

Lógico, vão haver correções no meio do caminho.

Já tivemos Joesley Day, Greve dos Caminhoneiros, Eleições, Bebiano, filhos do presidente, Trump e mil outras coisas.

Razões para você não investir sempre vão existir aos montes.

Mas isso tudo não impediu que a bolsa chegasse onde chegou.

Diante disso, há 3 coisas importantes a apontarmos.

Primeiro, está na hora de começar. E em última análise, sempre é hora de começar, afinal, não dá para você deixar seu dinheiro no banco parado.

Segundo, hoje em dia, mesmo com as máximas, é insanidade não ter ao menos uma parcela pequena do patrimônio exposta ao ciclo de valorização da bolsa.

Se Florían estiver rigorosamente certo, ainda temos 4 anos e algo de bolsa subindo.

Bolsa de valores é tudo de bom, ainda mais em mercado de alta.

Terceiro, e não menos importante, “os tijolos ainda não estão voando”.

O que quero dizer com isso?

Em um ciclo de alta da bolsa, tudo começa pela alta das principais ações: Petrobras, Vale, Itaú, Banco do Brasil, etc.

Depois aquelas empresas de porte relevante e que sempre foram boas empresas começam a puxar: B3, Natura, Lojas Renner.

Depois é a vez das small caps.

Neste ciclo, as principais small caps a subirem foram a PetroRio (PRIO3) e a Unidas (LCAM3), fora o atípico caso da Magazine Luíza.

Mas ainda vai ter muita small cap disparando neste ciclo.

Por último, e mais perigoso, também há a supervalorização dos micos da bolsa, os verdadeiros tijolos voando.

São ações de empresas que não melhoraram, ou até pioraram, mas sobem só porque tudo subiu.

Essa é a verdadeira hora da euforia, em que você vai precisar ser racional e ficar de fora de uma festa que não tem mais como acabar bem.

É nessas horas é importante você estar focado na qualidade das empresas que você está investindo.

Só empresas boas mantém as suas supervalorizações por anos e anos.

Empresas ruins até disparam. Mas depois devolvem tudo de uma vez só. Tome muito cuidado.

Eu ajudei você nesse artigo de hoje?

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

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