BOVA11: o pior já passou?

A hora do óbvio - Parte 2. Será que o BOVA11 já caiu o bastante?
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.
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Olá, como você vai?

Depois de bater os 63.300 pontos, menor patamar para o Ibovespa desde maio de 2017, ontem tivemos uma forte alta do índice (e consequentemente da ETF BOVA11), voltando a casa do 70.000 pontos.

Banco Central Europeu prometendo estímulos de 800 bilhões de euros.

Ásia controlando bem o vírus e lançando pacotes de estímulos.

Federal Reserve anunciando que irá comprar whatever it takes (o que for necessário) para não entrar em uma crise de liquidez.

Trump ainda anunciaria um pacote anti-coronavirus, o que puxava forte os mercados globais no momento em que escrevi essa newsletter.

Por aqui, o Banco Central, o BNDES e o Tesouro já se alinham para uma ação coordenada.

E pode vir mais.

Não parecemos viver um momento em que os governos irão economizar munição para combater uma eventual recessão global.

Pegando como referência o BOVA11, do pico histórico em janeiro ao fundo na segunda-feira, acumulamos uma queda de 47 por cento.

A história se repete…

Em 1998, 1999 e 2008 tivemos quedas semelhantes no Ibovespa: intensas e rápidas, tais quais foram as suas recuperações.

Na crise do subprime em 2008, a bolsa caiu 44% e se recuperou em 8 meses.

Em 1999, quando alteramos o regime das taxas de câmbio de 1 real para cada dólar para o câmbio flutuante, a bolsa caiu 45% e se recuperou em 3 meses.

Em 1998, com a crise russa que criou um temor nos mercados financeiros emergentes, a bolsa caiu 57% e voltou aos patamares originais em 7 meses.

Hoje, olhando em retrospectiva, tudo parece óbvio e nos questionamos por que houve tanto pânico a época, já que era certo que se encontraria alguma maneira de se resolver aquele problema, por mais grave que fosse.

Além disso, em todos esses casos se dizia que “dessa vez é diferente, as outras crises não foram assim”.

A questão é que os mercados, em situações extremas, sofrem mais do que o justificável e, do lado oposto, sobem muito mais do que o justificável.

Cada dia que passa, vamos nos acostumando com a dor do status quo e o cenário vai ficando mais claro.

Já sabemos que essa crise é passageira, que deve se estender de 6 a 12 meses.

Só não conseguimos ainda dimensionar o impacto dela ainda.

De toda forma, ainda que muitas empresas sofram nos seus fundamentos, a correção que sofreram no preço parece desmedida.

Estamos diante de uma ótima matriz de risco x retorno: já não temos muito a perder, o Ibovespa já não pode cair substancialmente abaixo dos 63.000 pontos.

Por outro lado, temos bastante a ganhar: um simples retorno do Ibovespa aos 119.500 significaria, na média, dobrar o seu capital.

Como você viu nas crises passadas, isso pode levar meses.

Mas não sabemos.

Também não sabemos até onde o mercado pode cair e, sinceramente, tentar encontrar o fundo pode deixar você ainda mais angustiado nesse momento.

Compre aos poucos, em movimentos lentos.

Se você estiver líquido, com caixa de sobra, esse é o melhor momento.

Compre devagar, uma compra por semana ou mês, tanto faz.

Dessa forma você não ficará ancorado em um único nível de preço.

Não coloque um dinheiro que você possa precisar pelo próximos 5 anos.

Esqueça o timing, você necessariamente vai errar ele e talvez tenha que ver a coisa piorar um pouco antes de ver o rally de retomada.

O importante agora é você investir em boas empresas, afinal, está tudo com desconto, tanto o que é bom, quanto o que é ruim.

Bancos, elétricas, empresas de saneamento são opções mais óbvias nesse momento.

Lembre que dinheiro não tem marca.

Dobrar o capital com Itaúsa (ITSA4) ou com small caps é exatamente a mesma coisa.

Opte pelo bom e barato, o clássico feijão com arroz.

Aqui estão as melhores opções para o momento.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

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