Acerte no tempero de sua carteira

Depois de termos explorado a seção de Fundos de Renda Fixa na semana passada, caminharemos um pouco mais pelos corredores do supermercado até chegar à seção de Fundos de Ações.

É lá que estão os temperos e condimentos para nossa receita.

A cestinha já não está mais vazia. Nela está já nosso primeiro ingrediente: um bom fundo de renda fixa (pós-fixados, SEM crédito privado e com a menor taxa de administração possível).

A escolha certa dos temperos e condimentos é primordial para darmos o sabor que desejamos para nossa receita.

Aqui definiremos se ela será apimentada ou não, se terá um gosto marcante ou mais suave, se será exótica ou tradicional.

É esta importância que os Fundos de Ações têm no seu portfólio de investimentos.

Eles são uma parte pequena do todo, mas que fazem toda a diferença.

Por esse motivo, vou falar dos tipos de temperos, quer dizer, dos Fundos de Ações que você precisa conhecer antes de fazer as suas escolhas.

A primeira seleção que temos que fazer é: queremos um tempero pronto, daqueles que já vem tudo misturado? Ou queremos escolher nossos temperos, dar a nossa cara e diferenciar a receita?

Se queremos o tempero pronto, então podemos escolher um Fundo de Ações Passivo. Esse tipo de fundo busca replicar um índice de mercado como o Ibovespa ou o IBrX, por exemplo.

São chamados passivos exatamente pois eles apenas replicam os índices, sem o intuito de tentar superá-los.

Com o fundo passivo, a refeição sai – e o tempero até cumprirá o seu papel. Mas é a certeza de que estaremos fazendo algo que ficará só na média.

E a média é para medíocres.

Prefira fazer receitas diferenciadas. Elas podem até causar certo receio, mas quando bem feitas fazem sucesso.

Por esse motivo, vou te mostrar os Fundos de Ações Ativos, as suas classificações e que gosto eles têm.

Estes fundos usam diferentes estratégias para, no longo prazo, superar a média do mercado. Eles compram, vendem e se movimentam sempre que precisam, daí vem o nome ativo.

Vamos às classificações que esses fundos podem ter:

Fundos de Dividendos

São fundos onde o gestor vai comprar ações de empresas boas pagadoras de dividendos.

Normalmente são fundos menos voláteis do que os outros.

Para quem gosta de comida apimentada e bem temperada, esse tempero pode ser um pouco sem graça.

Então, para quem não gosta muito de ousar, este é o seu tempero!

Fundos de Small Caps

Compram ações de pequenas empresas na bolsa.

Na bolsa, pequena significa companhias valem até módicos 6 bilhões de reais.

Não é o boteco do seu Zé, mas também não é um Itaú da vida.

Uma estratégia com alto potencial de ganho, mas também de alto risco.

É pimenta pura! Daquelas de arder os olhos e soltar fogo pelas ventas.

Não é para todo mundo. Mas, para quem gosta, é puro prazer. Para quem não gosta, é tortura.

Fundos de Sustentabilidade e Governança

São fundos temáticos.

Só podem comprar ações de empresas engajadas na causa da sustentabilidade e que adotam boas práticas de governança corporativa.

Não gosto de qualquer temática que restrinja o gestor, principalmente se ela não estiver relacionada a resultado.

Estamos falando de investimentos, afinal de contas. E haters, um recado: se quiserem me xingar agora, basta responder esse e-mail (vem direto para mim).

Fundos Setoriais

Também são fundos temáticos.

O gestor só pode comprar ações de empresa de um determinado segmento da economia, por exemplo energia elétrica ou bancos.

Não gosto deles pelo mesmo motivo do anterior.

Fundos Valor/Crescimento

Um tempero com a cara do Warren Buffet.

O gestor do fundo vai avaliar o quanto vale a empresa e vai comparar com o preço de suas ações. Se as ações estiverem muito baratas, ele vai comprar.

Se não estiverem tão baratas assim, mas tiverem potencial de crescer muito, ele poderá comprar também.

Este tempero pode ser uma delícia!

Eu, particularmente, gosto muito. Não é apimentado demais e está longe de ser sem graça.

Fundos Ações Livre

Neste tipo de fundo o gestor pode fazer o que bem entender para buscar o melhor retorno.

Nesta classe você vai encontrar os mais variados sabores, mas todos bem balanceados e sem extremos. Ou seja, sem muita pimenta e ao mesmo tempo bastante saborosos.

Gosto muito deles também.

Resumindo…

Esqueça os setoriais e os de Sustentabilidade e Governança (oi, haters! lembrem do meu e-mail aqui).

Se está começando ou não gosta de emoções fortes? Vá de fundos de Dividendos.

Gosta de fortes emoções? Escolha um fundo de Small Caps.

Não é nem um nem outro acima? Então você pode escolher entre os fundos Valor/Crescimento e os Livres.

Mas lembre-se: os bons chefs misturam um pouco de cada para ajustar o sabor do prato ao paladar de quem vai degustá-lo.

Portanto, o que entra na nossa cestinha é Dividendos, Small Caps, Valor/Crescimento e Ações Livre. Um pouco de cada.

Na hora de cozinhar a gente decide o quanto de cada um usaremos, combinado?

Ah, estou ficando animado com nossos ingredientes. Ansioso para preparar a receita.

Mas, espera aí…

Ainda temos que conhecer e escolher os outros ingredientes para completar o prato principal.

Na seção de multimercados a gente vai encontrar o que falta.

Até semana que vem.

Aqui o arroz é de graça!

A escolha bem-feita dos ingredientes é meio caminho andado para uma receita de sucesso.

Lista de compras na mão, faremos um tour no supermercado atrás dos ingredientes para fazer a receita da semana passada.

Seguindo os ensinamentos do chef, vou te ajudar a escolher o que entra e o que não entra no nosso carrinho.

Para começar, vamos conhecer e escolher o ingrediente mais abundante nas receitas de carteiras de investimentos: os fundos de renda fixa.

Eles estão para os portfólios de investimentos como o arroz está para a culinária brasileira. É o ingrediente base da maioria das receitas e está presente em quase todas as refeições.

Os fundos de renda fixa emprestam dinheiro para o governo ou empresas ao comprar seus títulos.

No dia do vencimento do título, o fundo recebe o dinheiro de volta com juros.

Assim que eles ganham dinheiro.

Agora vamos às compras.

Logo que chegamos na seção de renda fixa do supermercado, no primeiro corredor encontramos os fundos com a classificação Curto Prazo. Não queremos eles na nossa receita. Vamos direto para o segundo corredor, onde estão os de Longo Prazo.

Explico: tudo que você encontraria no primeiro corredor, vai encontrar semelhante no segundo.

Com a diferença que nos fundos de Longo Prazo, dependendo de quanto tempo seu dinheiro ficar aplicado lá, você pagará menos impostos.

A faixa de IR mínima para os fundos de curto prazo é de 20 por cento, enquanto nos de longo prazo é de 15 por cento. Vamos aproveitar e pagar menos imposto.

Aqui no segundo corredor a gente entra e começa a olhar o que tem em volta.

Do lado esquerdo tem os fundos que levam “Crédito Privado” no nome. Os fundos que investem mais da metade do seu patrimônio em títulos que não são títulos públicos federais devem levar este carimbo na embalagem.

Essa é uma exigência da CVM para que você não compre gato por lebre.

Emprestar dinheiro para o governo federal é considerado o investimento mais seguro do mercado.

Já emprestar para uma empresa privada pode ser extremamente arriscado. Uma embalagem igual para conteúdos tão diferentes levaria o investidor a erros graves.

Esses títulos até oferecem um pouquinho mais de rentabilidade, mas nada que justifique que você assuma muito mais risco.

Por esse motivo, Crédito Privado é um ingrediente que vai ficar fora da nossa receita.

A função do fundo de renda fixa na nossa receita é trazer segurança.

Rentabilidade a gente vai buscar em outros ingredientes como fundos multimercados e de ações.

De frente para o lado direito do corredor, vamos encontrar os fundos que compram majoritariamente títulos públicos.

Vamos ver na altura dos olhos os fundos que compram títulos pós-fixados.

Talvez por isso que quando se fala em fundo de renda fixa, só se pensa neste tipo de fundo.

Acontece que existem também os que compram títulos prefixados e os atrelados à inflação. Estes vão estar lá em cima ou lá nos pés da gente.

Cuidado com eles. Foque nos pós-fixados.

Os títulos prefixados e atrelados à inflação oscilam bastante e podem ter um efeito devastador na sua receita se você não souber usar esse ingrediente.

Veja o comportamento da linha vermelha (que representa os fundos atrelados à inflação) no período em amarelo no gráfico.

Para nossa receita, queremos os pós-fixados pois eles são mais estáveis e previsíveis.

Agora que sabemos o que queremos, vamos pesquisar preço.

Quanto mais barato melhor.

O custo destes fundos é a sua taxa de administração.

Não aceite pagar mais de 0,5 por cento ao ano. Qualquer coisa acima disso é caríssimo para estes fundos.

Você não pagaria preço de camarão pelo arroz nosso de cada dia, não é mesmo?

O mercado deste tipo de fundo é tão competitivo que já existem alguns que zeraram essa taxa.

São fundos literalmente gratuitos que estão à disposição dos investidores através de plataformas de investimentos.

É como se o supermercado dissesse para você: “aqui o arroz é de graça”.

Eles querem te atrair dando arroz de graça, com o intuito de ganhar dinheiro te vendendo os outros ingredientes.

Quem já foi no mercado e comprou só um saquinho de arroz?

Para resumir: escolha um fundo de longo prazo, sem crédito privado, que invista em títulos pós-fixados e que seja barato (se for gratuito, melhor ainda).

Só não vamos para o caixa pagar e empacotar as compras pois ainda não terminamos.

Ainda faltam os outros ingredientes que vão fazer parte de nossa receita: fundos de ações, cambiais e multimercados.

Semana que vem eu te encontro na seção de fundos de ações.

Os temperos que salvam (ou estragam) a receita

Caro leitor,

 

Esses dias eu estava assistindo um programa de culinária e me chamou a atenção a importância que o renomado chef dava para a escolha dos ingredientes.

Ele foi na feira, escolheu cada um dos insumos, tocou, cheirou, conversou com o vendedor, perguntou de onde veio, quem produziu, fez questão de mostrar inclusive o por que estava escolhendo cada item.

Tudo isso parecia tão importante quanto o preparo em si.

E eu, ansioso, só queria ver o cara na frente da panela.

Eu deixaria passar metade do aprendizado que o chef quis me dar.

E daí?!

E daí que se você quiser montar um portfólio de fundos, lembre-se deste chef.

Depois lembre de mim, ansioso.

Agora me ouça: quem estava certo era ele. Não eu.

Montar o portfólio é fazer a receita. Cozinhar. Colocar os ingredientes na hora certa, da forma certa, deixar o tempo certo até que fique no ponto ideal.

Traduzindo para os seus investimentos, é o quanto de cada fundo que vai compor a sua carteira.

Uma boa base de fundos de renda fixa, cobertos com fundo multimercados e finalizados com um pouquinho de fundos de ações. No final, um chá digestivo sabor fundo cambial.

Uma bela receita…

Mas e os ingredientes? Você saberia me dizer quais deles fariam parte da sua refeição?

O chef nos ensinou que devemos conhecê-los bem e escolhê-los com cuidado.

Hoje vou fazer o papel do chef de te apresentar os ingredientes para uma boa receita.

Os fundos podem ser de renda fixa, de ações, multimercados ou cambiais. Dentro de cada uma destas categorias, existem várias subdivisões.

 

Fundos de Renda Fixa

Fundos de renda fixa são basicamente fundos que emprestam dinheiro para o governo ou empresas ao comprar seus títulos. Os fundos que compram títulos do governo são mais seguros, pois a chance de levar calote é mínima se comparado às empresas.

Os fundos de renda fixa podem ser pós fixados, prefixados ou atrelados à inflação.

Saber disso é importante. Sabe por que?

Pois tudo o que te disseram até hoje sobre fundos de renda fixa descreve somente os fundos de títulos pós fixados.

Aqueles fundos onde a cota só sobe, um pouquinho todo dia. Sem sobressaltos.

Os atrelados à inflação e os pré-fixados são mais voláteis, mesmo se tratando de renda fixa.

Podem ter rentabilidade negativa no curto prazo.

E isso provavelmente ninguém te contou.

No gráfico abaixo, a linha verde representa os fundos de renda fixa que compram títulos pós-fixados, a linha azul os prefixados e a vermelha os atrelados à inflação.

Voltando ao mundo da culinária, imagine fazer a base da sua receita na linha vermelha ao invés da verde, que é o que o gerente do banco sempre recomenda.

 

Fundos de Ações

Esse é o ingrediente que está lá para fazer toda a diferença na sua receita.

Exatamente por isso, não dá para errar a mão nele.

Todos os fundos de ações têm algo em comum. São obrigados a ficar possuir no mínimo em 67 por cento do seu patrimônio em ações.

A partir daí, eles começam a se diferenciar.

Uns vão comprar ações de boas pagadoras de dividendos.

Outros vão comprar ações de empresas menores, com mais potencial de ganho e mais risco.

Tem os que buscam ações de empresas preocupadas com sustentabilidade e governança corporativa.

E por aí vai.

Suas diferentes estratégias vão fazer diferença no seu paladar. Alguns gostos podem ser apimentados demais para você.

Outros fundos você pode achar até que estão sem sal.

 

Fundos Multimercado

Os fundos multimercado são um universo enorme de sabores, texturas e sensações.

Vão do gosto mais suave e bem recebido por todos até os mais exóticos sabores que você nem sabia que existia até experimentar.

Isso por que eles têm liberdade para investir seu dinheiro em qualquer ativo que julguem ser o melhor no momento.

Eles podem comprar ações, títulos de renda fixa do governo ou de empresas, derivativos de todos os tipos, moedas entre outras alternativas no Brasil e no exterior.

As combinações possíveis são infinitas.

 

Fundos Cambiais

Esses vão obrigatoriamente seguir o comportamento de uma ou mais moedas específicas que vão estar certamente no nome do fundo.

Pode ser muita informação, mas não se preocupe…

Meu compromisso é ajudar você a ganhar dinheiro.

Na próxima semana vamos tratar somente dos fundos de renda fixa. Trataremos dos outras nas semanas seguintes.

Afinal, você precisa conhecer bem cada fundo que vai para sua carteira.

Conhecer os ingredientes é uma coisa, fazer a receita é outra. São coisas diferentes e igualmente importantes.

Se escolher mal os ingredientes, não há chef que salve a receita.

Se há algo sobre o que você quer que eu escreva, me avise.

Conte comigo nesta jornada!