ROMI3: uma small cap dividendeira

romi3 small cap

Caro leitor,

O dilema de comprar uma ação de crescimento ou de dividendos é a grande questão do investidor em ações.

Se você perguntar para os entendidos no assunto, eles vão dizer que não dá para ter os dois.

Você precisa fazer uma espécie escolha de Sofia.

Ou você investe numa empresa menor que está em franco crescimento e que destina tudo o quanto pode do seu lucro a reinvestir no próprio negócio, ou então você investe numa empresa grande, estável e dominante no seu segmento, que destina quase todo seu lucro para remunerar os seus acionistas.

A primeira é dita um investimento em crescimento.

Você não vai ganhar grandes dividendos, mas vai ter uma empresa se valorizando em função do tamanho que ela vai ganhando.

O risco é elevado, pois todo investimento em crescimento que a empresa faz é arriscado em maior ou menor grau.

O caixa dela vai todo para isso: crescer, crescer e crescer.

É como a piada do alpinista: só o cume interessa.

A segunda é o tal investimento em dividendos.

Você não vai ter uma grande valorização, mas em compensação vai receber uma boa renda de dividendos.

O risco é menor pois a empresa já é grande e consolidada.

Ela nem tem muito para onde crescer, a não ser que o próprio mercado cresça, cenário no qual ela vai precisar acompanhar para não ceder espaço a um concorrente.

Eu adoraria ter as duas coisas.

Será que é pedir demais?

Seria em condições normais de temperatura e pressão do mercado.

Acontece que não estamos vivendo estes tempos agora.

Estamos em meio a uma crise séria e carregada de incertezas.

Diferente de muitas que você ouviu falar mas não sentiu na pele, essa até te trancou em casa.

Provavelmente está lendo isso do seu celular na sala de casa, num dia útil e em horário comercial.

Mas essa tal crise que nos traz tanta coisa ruim, também cria situações onde podemos levar o melhor dos dois mundos.

É o caso da ROMI3, uma empresa da qual se espera um bom crescimento e que historicamente paga dividendos baixos.

Só que com essa crise e a queda nos preços de suas ações, o dividend yield, considerando um preço de compra como o atual, fica elevado até para os padrões das excelentes pagadoras de dividendos: 13,4 por cento.

Este é só um exemplo.

Existem vários como este na bolsa atualmente.

Já parou para ver como ficaram os dividend yields das ações que você gosta?

Dá vontade de encher o carrinho com elas!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

SEDI3: forte na subida, suave na descida

estrategias conservadoras bolsa

Caro leitor,

Quem são as empresas defensivas da bolsa para você?

Tem quem diga que são as empresas que têm suas receitas atreladas ao dólar.

Pois elas se beneficiariam num cenário de crise, onde o dólar costuma disparar.

Só que a crise atual está nos mostrando é que as verdadeiras ações defensivas são as que pagam os maiores dividendos.

Os motivos que fazem essa ações sofrerem menos do que as outras não são os dividendos em si.

Os dividendos são sim consequência de uma série de características presentes neste tipo de empresa.

Essas mesmas características que as fazem pagar bons dividendos, as deixam mais seguras para atravessar momentos de crise.

Algumas dessas características são:

Forte geração de caixa operacional.

São empresas que possuem margens elevadas e estáveis.

Em tempos de bonança isso se torna a origem do dinheiro que vai virar dividendos conforme as linhas vão descendo nas demonstrações financeiras da empresa.

Em tempos de crise, elas poderão ser espremidas e mesmo assim a empresa continuar gerando resultado positivo, mesmo que menor.

Ou seja, tem muito espaço de manobra antes de começar a dar prejuízo.

Baixo endividamento.

Em palavras bem diretas, são aquelas que devem pouco ou nada.

A dívida costuma ser confrontada com a geração de caixa da empresa para se verificar se está em nível seguro ou não.

Em cenário de crise, a dívida, mesmo que do mesmo tamanho de sempre, pode se tornar pesada demais pois a geração de caixa das empresas diminuirá.

O dinheiro que é destinado ao pagamento de juros e principal, em épocas de crise faz falta para o bom funcionamento das operações da empresa.

É aí que mora o perigo.

A chance de uma endividada ficar pelo caminho em meio a crise é muito maior do que uma não endividada.

Essas são características presentes em quase todas as ações do Seleção de Dividendos (SEDI3).

Uma carteira de ações que acumula queda de 25 por cento (em verde no gráfico) contra 45 por cento do Ibovespa (em vermelho) neste ano.

ibov vs seleção de divididendos

Isso sim é ser defensivo.

Na queda, caímos menos. Na retomada, subimos mais.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PETR4 e MRVE3: em terra de Selic, quem tem yield é Rei

investir em petr4 e mrve3

Caro leitor,

Até duas semanas atrás, quando você olhava um ranking de dividendos, os campeões da lista eram bancos, elétricas e saneamento.

Eram eles os habituais dividend yields recorrentes acima de 6% ao ano.

Hoje, depois dessas quedas drásticas, esse topo da lista passou a ter habitantes diferentes.

Tem siderúrgica, indústrias, construtoras, petrolíferas (adivinha quem…), educacionais entre outras.

Uma carteira focada em dividendos está mais atrativa do que há muito não se via.

Isso não quer dizer que os clássicos pagadores de dividendos não estejam mais valendo a pena.

Eles continuam sendo os clássicos.

Acontece que as outras empresas caíram tanto nas últimas semanas que os seus dividendos, se não forem permanentemente afetados, se tornaram muito mais atrativos do que o normal.

Nos atuais níveis de preço, você não precisa mais abrir mão de crescimento das empresas para ter dividendos gordos.

Em condições normais de mercado é impossível ter os dois.

Acontece que essa loucura toda da bolsa está te permitindo ter um excelente dividendo e um grande potencial de crescimento ao mesmo tempo.

Dividend on cost é um conceito importantíssimo para você entender o tamanho da oportunidade que está diante de você.

Este é o conceito de o quanto você vai receber de dividendos não sobre o valor atual da ação, mas sobre o seu valor de compra.

É o seguinte: se hoje você compra uma ação a 10 reais e ela paga 1 real de dividendo, você tem um yield on cost de 10 por cento.

Se no futuro ela pagar 3 reais de dividendos e estiver valendo 30 reais, você vai ter um yield on cost de 30 por cento.

Enquanto o mercado vai continuar falando em 10 por cento de yield.

Pois o que interessa para você é o quanto você pagou versus o quanto de dividendo você recebe e para o mercado o que interessa é sempre a cotação atual.

A verdade é que a cotação do dia é para quem quer comprar ou vender.

Não vai ser o seu caso, né? Ou você vai querer vender e abrir mão de um dividendos desse?

Hoje você consegue comprar um ação que tem potencial elevado de crescimento a preços tão baixos que o pouco dividendo que ela distribui representa um percentual acima de 6% (patamar digno das grandes pagadoras de dividendos).

É o exemplo de MRVE3.

Ela historicamente paga um dividend yield de próximo de 3 por cento ao ano.

Mas com a atual queda no preço de suas ações, os dividendos dos últimos doze meses representam 8 por cento de rendimento ao ano.

E ela continua com seu mesmo potencial de crescimento de sempre.

Ou seja, você compra crescimento e leva um baita dividendo de brinde! Mas é só para quem aproveitar os preços de agora.

Existem vários outros exemplos, pesquise que está fácil de encontrar.

Já os yields da minha Seleção de Dividendos estão mais altos do que nunca, vários deles acima de 8 por cento ao ano para quem compra nos patamares atuais.

Em terra de Selic a 3% ao ano (que vem por aí), quem tem yield de 8% é rei.

Aproveite que bolsa de valores nunca ofereceu tantas obviedades de uma única vez.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PETR4: foi pelo ralo tudo o que falei bem dela?

queda da petrobras

Caro leitor,

Sabe o que sobe num dia em que tudo cai na bolsa?

O dividend yield das suas ações boas pagadoras de dividendos.

Ontem foi um dia histórico para muitos investidores.

Teve muita gente entrando no mercado desde 2018 até agora.

Toda essa turma ainda não tinha visto uma queda grande e com certeza não tinham visto um circuit breaker tão de perto.

O que teve de gente desesperada ligando, mandando mensagem e querendo entender o que aconteceu não foi mole.

Rapidinho aqui: o mundo está apavorado com o coronavírus, isso já nem é novidade.

Novidade ficou a cargo da briga na OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) que a grosso modo é um cartel que controla a oferta de petróleo no mundo.

Funciona assim: eles sentam numa sala, combinam o quanto cada um vai produzir de petróleo, cumprem o combinado e o preço do óleo fica num patamar confortável para eles.

Acontece que essa turma aí brigou.

Jogaram o combinado para o ar e agora cada um vende o quanto quer da commodity, gerando uma oferta enorme que derrubou seu preço drasticamente.

Foi isso que aconteceu na segunda-feira.

No Brasil, a Petrobras puxou a queda das ações.

Lembra que falamos bem dela a duas semanas atrás? O que foi dito lá continua de pé.

Só que hoje precisamos adicionar esse fato acima ao cenário.

Meu palpite é que esse desentendimento do cartel não dura muito tempo.

Custa tão caro ficar brigando para todo mundo que logo eles vão se entender.

Mas vamos voltar ao assunto do início.

O Dividend Yield é o quanto a empresa paga de dividendos, dividido pelo seu preço atual.

Se o preço atual cai, o yield sobe. Matemática pura.

O legal disso é quando o preço das ações caem muito e os lucros das empresas não caem.

A Petrobrás vai ter seu lucro afetado com certeza, o quanto vai ser afetado dependerá da duração desse impasse na OPEP+.

Pode ser pouco ou muito, ainda não dá para saber.

Mas existem várias outras empresas caindo muito hoje que não terão seus lucros afetados e outras que até podem se beneficiar com esse preço mais baixo do petróleo.

Isso gera uma oportunidade gigante de “comprar renda” de dividendos por um preço muito mais em conta.

Os Yields da minha Seleção de Dividendos estão mais altos do que nunca, e os lucros das empresas não devem sofrer grandes alterações.

Essa renda nunca esteve tão barata!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

CORO3: compre e seja feliz

Acoes de dividendos

Caro leitor,

Coronavírus vai acabar com o mundo​.

O Coronavírus é só uma gripezinha que logo passa.

O mercado se apavora, acha que o mundo vai acabar e derrete mundo afora.

O mercado vê que não é bem assim e recupera tudo em um dia.

Enquanto isso os investidores estão no meio de um fogo cruzado sendo bombardeados por notícias ora apocalípticas ora esperançosas.

E o preço de suas ações subindo e descendo como a mais radical das montanhas russas.

Agora acalme o seu coraçãozinho, caro investidor de dividendos.

Ouça uma voz razoável e sensata.

Saiba que quando você compra uma ação, você está comprando uma remuneração para si mesmo.

Essa remuneração é para durar uma vida toda.

Portanto, vários anos.

Ela vem dos lucros das empresas investidas.

Então é isso que importa para você: o lucro das empresas pelos próximos 20 anos ou mais.

Como saber como eles estarão daqui a 20 anos?

Bem, não tem como.

Agora, o que dá para fazer é colocar as probabilidades a seu favor.

Primeira coisa: para dar certo, tem que primeiro não dar errado.

Portanto evite fazer besteiras no meio do caminho.

Faça pelo menos a sua parte, lembra?

Eu gosto de pensar assim nesses momentos de crise: se o mundo realmente acabar, ele vai acabar para todos.

O dinheiro vai ser a minha última preocupação antes de morrer.

Portanto ter entrado em parafuso achando que o mundo vai acabar e vender tudo, comprar ouro e correr para as montanhas não faz o menor sentido.

Se o mundo acabar, acabou para mim também.

Agora… se ele não acabar, eu posso sair mais rico (ou menos pobre) do que muita gente só por não ter feito besteira e vendido minhas geradoras de renda no meio do pânico e das preocupações generalizadas.

Pensando que a probabilidade de o mundo acabar é de quase 0 por cento, vale mais a pena ser sensato e não fazer nada ou até ser corajoso e investir um pouco mais quando estiver todo mundo apavorado.

As grandes valorizações vem de decisões extraordinárias.

Seja comprar na baixa, seja segurar por muito tempo.

As duas são difíceis de fazer.

Uma requer uma frieza que não é natural do ser humano.

A outra requer uma disciplina e paciência que também não são naturais do ser humano.

Se você investiu em boas empresas, elas vão encontrar seu caminho para fora dessa e de outras crises que virão.

Se você diversificou, mesmo que algumas não consigam resistir e quebrem, as outras vão cobrir o prejuízo e mesmo assim você vai ter obtido ótimos resultados.

O mercado de ações não é linear.

Não tente prever o fim do mundo.

Faça a coisa certa. Sempre.

Enquanto o mundo não acabar, você estará acumulando fortunas​.

Se acabar, então foi um prazer ter escrito para você. Tchau.

​Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PETR4 ressurge das cinzas: vem dividendo aí…

Pagamento de dividendos Petrobras (petr4)

Caro leitor,

Petrobras (PETR4)​ voltou com tudo ao radar dos investidores.

Claro que foi enquanto ela era alvo de desconfiança que ela saiu dos 5 reais para os 30.

Mas para quem esperava a empresa se provar antes de entrar, aparentemente chegou a hora.

Os últimos resultados da companhia despertaram o interesse até de investidores mais conservadores.

Planos de desinvestimentos em atividades que não são focadas na exploração e produção de petróleo e também venda de ativos.

Só em 2019, a Petrobras obteve uma receita de 15 bilhões de reais vendendo ativos, dos quais se destacaram a refinaria polêmica de Pasadena, parte das ações da BR Distribuidora (BRDT3) e a Transportadora Associada de Gás (TAG).

​Tudo permitiu uma forma desalavancagem, com a Dívida Líquida/EBITDA vindo de 4,8x em 2016 para atuais 2,3x.

Os números da alavancagem ainda precisam melhorar. Mas está claro que a empresa está fazendo seu dever de casa.

​Os lucros voltaram a aparecer e, pelo terceiro ano consecutivo, a empresa distribuirá dividendos aos seus acionistas:

Lucro liquido Petrobras (petr4)

Na bolsa existe uma única verdade: no longo prazo, os preços seguem os lucros da empresa e PETR4 é a prova disso.

​Observe o preço na linha azul e os lucros na linha laranja.

Preco vs. Lucro Petrobras (petr4)

O lucro de 40 bilhões de reais em 2019 injetam esperanças no investidor.

Ademais, empresa que tem lucro remunera os seus acionistas.

Serão distribuídos 0,23 reais por ação ordinária (PETR3), com a data-com em 22 de abril.

Quem dormir com as ações nesse dia receberá os pagamentos no dia 20 de maio.

Com mais esses proventos, o valor total distribuído pela Petrobras a seus acionistas referente a 2019 será de 10,6 bilhões, 0,73 por ação ordinária e R$ 0,92 por ação preferencial em circulação.

Mas será que Petrobras pode integrar a nossa Carteira do Canal Seleção de Dividendos?

Antes de qualquer coisa, vamos reconhecer o trabalho que está sendo feito na empresa.

É bom voltar a olhar para Petrobras como um ativo de valor e com um horizonte cheio de perspectivas positivas.

Estamos novamente diante de uma boa empresa.

No entanto, com um dividend yield na casa dos 3 por cento, enxergamos outras oportunidades mais atrativas para o recebimento de proventos.

Mas desde já ficaremos de olho no papel.

Bom carnaval.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

4 bancos que distribuiram uma NTCO3 inteira em dividendos

4 grandes bancos pagam dividendos

Caro leitor,

O investidor iniciante costuma dizer que o dividendo é muito pequeno e que isso é desestimulante.

Você sabe de quem é a culpa de o dividendo ser tão pequeno?

Sua (contém ironia: leia até o fim antes de ficar brabo comigo).

As empresas que pagam dividendos fazem a parte delas. Faça você a sua.

Vamos começar falando da parte das empresas.

Pega o exemplo dos quatro maiores bancos brasileiros, que em 2019 distribuíram o equivalente ao valor de mercado do Grupo Natura.

Os responsáveis por inundar a carteira dos sócios com dividendos são Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander.

​Veja a evolução ano a ano dos pagamentos deles aos sócios:

Dividendos pagos pelos 4 grandes bancos

O Itaú, sozinho foi responsável por uma fatia de 26 bilhões, quase metade do total.

Muitos falam que os bancões estão com os dias contados por causa das fintechs e suas disrupções.

Tem muita gritaria e, ainda, pouco efeito prático sobre os balanços dos grandes bancos.

O último resultado do Itaú foi surpreendente.

Melhorou em quase todas as métricas que o mercado considera relevante.

​Mas e as ameaças das fintechs que vão (no futuro, ou seja ainda não fizeram nada) tomar conta deste mercado?

Por enquanto, quem realmente fez algo que poderia incomodar os bancões até agora foi a XP.

O que o Itaú fez?

Foi lá e comprou 49% da empresa.

Só não comprou tudo, por que o CADE e Bacen impediram.

Na época o Itauzão desembolsou o equivalente ao lucro de um trimestre.

Ele fez do limão uma limonada.

Esse foi o melhor investimento do banco nos últimos muitos anos.

E veja que história louca…

Esses dias conversei com um amigo que trabalha no Itaú BBA, segmento do Itaú que atende grandes empresas.

Ele me contou que em um evento com os colaboradores, os sócios controladores (Setúbal e Moreira Salles) foram questionados sobre a compra da XP e sobre o mercado que eles estavam perdendo para a XP.

A resposta foi maravilhosa.

Foi algo do tipo: “Olha eu estou perdendo somente metade deste mercado. Perceba que somos donos de metade da XP. Portanto a metade desse resultado volta para mim. Quando a vocês? Bem, corram atrás. Não vão deixar eles passarem vocês, né?”.

Se você é acionista do Itaú, portanto saiba que você possui indiretamente, metade da XP também.

Eu me sinto seguro investindo neste banco.

Eles foram inteligentes e ágeis no caso da XP, acredito que conseguirão ser em outros casos.

Você acha que eles vão assistir sentados o avanço das fintechs?

Antes de ir embora, vamos fechar aquele assunto lá do início…

culpa de receber poucos dividendos é sua.

Organize suas finanças e trate logo de comprar os quatro maiores bancos do país!

Moleza: vai dizer que em um ano não dá para juntar uns 951 “bilhõezinhos”.

Vai sair um pouco caro, mas ano que vem além deles você poderia comprar a Natura só com os proventos.

Se isso ficar um pouco longe do seu alcance, comece com uma ação que seja. Vá comprando aos poucos até que isso vire um bom dinheiro.

Quanto mais dividendos, mais ações você compra e, consequentemente, mais dividendos recebe. Esse ciclo virtuoso é exponencial e, no bom sentido, foge do seu controle.

Isso depende de você. Eu tenho 10 empresas para sugerir para você.

Quanto antes começar, melhor.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

E a dobradinha IRBR3 e BBSE3, vamos falar dessa dupla?

irbr3 ou bbse3

Caro leitor,

O ano mal começou e a BBSE3 (BB Seguridade) já anunciou que vai depositar na conta dos seus acionistas 3,15 reais por ação, o que equivale a 9 por cento da cotação atual dela.

Isso é maravilhoso para quem gosta de receber dividendos gordinhos.

Mas também é um ótimo exemplo para ficar ligado e se dar conta de que boa parte dessa festa é não recorrente, isto é, não vai acontecer novamente.

Não quero jogar água no seu chope, mas preciso te abrir os olhos.

Antes que ache que eu não gosto do papel, saiba que ela está entre as 10 ações pagadoras de dividendos que compõem a carteira do Canal Seleção de Dividendos​.

Dito isso, vamos aos fatos…

Em janeiro a empresa anunciou redução de capital.

Isso significa que ela achava a quantidade de dinheiro dos sócios era excessiva dentro da empresa.

Ela não precisava de tudo aquilo para manter suas atividades operacionais.

​ Portanto ela decidiu devolver parte dele para seus sócios.

Essa redução de capital é da ordem de 1,35 real por ação e representa 3,76 por cento da cotação atual dela.

Vai receber esse dinheiro quem tinha ações no dia 13 de janeiro de 2020.

Esse valor será pago no dia 30 de abril deste ano.

Esse tipo de evento é não recorrente, como já mencionei.

Portanto não conte com isso nos próximos semestres.

A outra parte do pagamento é de 1,90 real por ação que representa mais de cinco por cento do valor da ação.

Essa parte, sim, são dividendos referentes ao bom desempenho da companhia.

Vai ter direito a receber este valor quem tiver ações da empresa no dia 13 de fevereiro (dá tempo ainda).

“Marcelo, então pelo menos essa parte é recorrente?”

Não toda.

Esse valor é referente ao lucro da empresa no segundo semestre de 2019.

Neste semestre, houve um evento não recorrente grande. Foi neste semestre que a empresa vendeu sua participação na IRBR3 (lembra da semana passada?).

Com essa venda a companhia registrou um lucro muito grande.

E adivinhe?

Não tem outra IRBR3 para vender no semestre que vem. Portanto isso não vai ocorrer de novo no futuro.

Minha visão para o futuro da BB Seguridade é boa. Os lucros recorrentes da empresa apresentaram crescimento elevado em 2019.

Isso é excelente e é exatamente o que busco em uma ação boa pagadora de dividendos​.

Se você é acionista da empresa, abra uma champanhe e comemore.

Fique feliz com o seu resultado e também com os efeitos não recorrentes. Afinal eles foram (muito) positivos.

Só não perca contato com a torre. Mantenha sua expectativa no lugar.

Nos próximos semestres os proventos devem ser mais modestos.

​Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

IRBR3: bastou um pregão para desmoronar…

Caro leitor,

Você viu o que aconteceu com as ações da Irb Brasil (IRBR3) ontem?

As ações da IRBR3 abriram em queda vertiginosa no pregão de ontem e fecharam a 41,00 reais, uma queda de 8,54 por cento em um único pregão.

O papel, que foi assunto do dia, chegou a registrar uma queda parcial de 15 por cento na manhã de segunda…

Mas afinal, qual foi o motivo de uma queda tão acentuada?

Uma gestora que está com uma posição vendida (apostando na queda) em IRBR3 emitiu uma carta aos seus cotistas explicando o motivo dessa posição.

O mercado abraçou a ideia e uma força vendedora fez com que o papel despencasse.

A carta emitida pela gestora é muito detalhada e contém trinta páginas.

Chata para caramba… mas eu li e vou te contar a minha percepção:

Ela fala basicamente da diferença entre o lucro contábil da empresa e o lucro normalizado (recorrente) dela.

O que a gestora encontrou foi uma diferença muito grande gerada por fatores não recorrentes que fez com que o lucro da empresa chegasse onde chegou.

A gestora explica que esses efeitos contábeis tem acontecido todo ano e que em 2019 eles chegaram a níveis preocupantes.

Essa carta gerou uma polêmica gigante na qual eu não quero me envolver.

O que eu quero é chamar a atenção para a lição que um investidor de dividendos deve tirar deste episódio independente do desfecho dele.

Quando investimos em busca de bons dividendos, precisamos de lucros constantes e recorrentes.

Não adianta olhar para trás e ver balanços maravilhosos se o futuro será claramente diferente… lembra da Cielo?

Não adianta olhar balanços maravilhosos mas recheados de itens que não se repetirão no futuro.

O dividendo que você terá quando comprar uma ação será o dos PRÓXIMOS anos e não o dos últimos anos.

Portanto fique esperto.

Não caia na armadilha do passado lindo e do presente que não se repetirá.

Sobre Irb, vamos seguir de olho e acompanhar o desdobramento do case.

Antes desse evento, IRBR3 já não era integrante do Canal Seleção de Dividendos.

A propósito, liberei por 7 dias o acesso à carteira de 10 ações pagadoras de dividendos.

Você pode conferir todas as ações da carteira sem nenhum compromisso financeiro definitivo.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Com dividendo de 7,3%, CIEL3 tá valendo?

Cielo vale a pena

Caro leitor,

Vamos falar sobre Cielo (CIEL3) e o que ela pode nos ensinar sobre a escolha de ações boas pagadoras de dividendos.

O grande desafio do investidor de dividendos é conseguir saber quem será a próxima grande pagadora de dividendos.

O passado quase sempre dá uma boa pista. Mas também nos prega boas peças.

Olhar para os maiores dividend yields (dividendo por ação/preço da ação) é uma forma comum de o investidor começar a sua procura.

Faz algum sentido até… Se for para começar por um lugar, que seja pelas maiores e não pelas menores.

O sentido também termina por aí.

Você está garimpando em um campo minado: está perto tanto do tesouro quanto das armadilhas escondidas.

Um caso clássico de armadilha (nem tão) escondida é a Cielo.

Uma empresa formidável, com margens absurdamente altas no passado, em um mercado com grandes barreiras de entrada.

Parecia blindada a qualquer mal.

A lógica era simples, cada vez que você passasse o cartão na sua maquininha, ela levava um pedacinho.

Acontece que um dia essas barreiras de entrada caíram.

Aí diversas empresas decidiram que também queriam entrar neste mercado de margens altíssimas.

Resultado é que várias de fato entraram no mercado, criando uma concorrência acirrada e derrubando as margens para todos.

Quem mais saiu ganhando foi o cliente com um serviço cada vez melhor e mais barato.

Olha o que ocorreu com os fabulosos números da empresa.

Receita líquida despencou:

Receita liquida ciel3

Lucro líquido foi junto:

Lucro liquido ciel3

E a sua geração de caixa das atividades operacionais:

caixa de atividades operacionais ciel3

Esse é um dos indicadores mais importantes.

Ela está gastando dinheiro para exercer a sua atividade. Das duas uma: ou ela reverte esse indicador, ou vai precisar se endividar para continuar funcionando.

Hoje a Cielo já mostra sinais claros de deterioração.

Apesar do Dividend Yield continuar bom.

dy ciel3

Que está bom muito mais em função da queda do valor da ação do que por causa do volume de lucros distribuídos:

dividendo pago por acao ciel3

Mas o investidor mais atento, aquele que se preocupa em entender o negócio da empresa mais do que só olhar indicadores, conseguiu ver que o seu futuro era duvidoso quando as barreiras de entrada caíram.

Esse investidor atento conseguiu cair fora antes.

Quem esperou os sinais claros (acima), já amargou algum prejuízo.

Quem esperar o Yield finalmente deixar de ser atrativo… Bom esse se ralou.

Lição: olhe para frente! Entenda o negócio no qual está investindo.

Esse é o tipo de cuidado que tenho com as ações no Canal Seleção de Dividendos​.

A propósito, na bolsa de valores hoje existem ações com resultados maravilhosos, cheias de gatilhos para terem um 2020 formidável. Você pode acessar essas ações formidáveis aqui.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.