O que fazer com os dividendos que caem na conta

Caro leitor,

Nos últimos quatro anos precisei me mudar três vezes. Em duas dessas mudanças envolveram mudanças profissionais e de cidade.

A primeira delas foi mais tranquila. Apesar de envolver troca de cidade, era só eu e minha esposa envolvidos.

Pouco mais de um ano depois, veio a segunda mudança. Dessa vez não mudamos de cidade mais tínhamos um bebê de colo.

Mais dois anos e lá vem outra mudança, desta vez troca cidade, troca atividade profissional e agora com mais uma criança no colo.

Sim, dois pimpolhos.

Será que foi estressante? Óbvio que sim.

Mas nem tão óbvio assim. O estressante em todos os casos foi DECIDIR.

Decidir ir ou não. Decidir para onde ir. Decidir quando ir.

Pensar em prós e contras, analisar cenários, pensar no que pode acontecer, planejar, ajustar expectativas, entre tantas outras coisas para decidir.

Enfim… um inferno do cão!

Mas depois de DECIDIR, a execução é tranquila.

Nessa hora, a cabeça se recupera e o corpo paga o trabalho.

Existe um termo para esse stress causado pela necessidade de tomar decisões importantes: fadiga de decisão.

Basicamente se descobriu que a qualidade das nossas decisões vai caindo conforme o dia vai passando.

Cansamos de decidir tanta coisa, mesmo as mais básicas e rotineiras.

Sabe aquelas decisões que parecem inofensivas, como decidir a roupa, o que comer, se atende ou não o celular no trabalho?

Elas gastam parte da sua energia que vai fazer falta para decisões realmente importantes que você precisa tomar no seu trabalho ou na sua vida pessoal.

Por que eu estou falando isso em um texto sobre dividendos?

Pois eu tenho certeza que uma das decisões mais difíceis de tomar é onde investir nosso suado dinheiro.

Também sou investidor. Falo por mim também. Investir em ações que pagam constantemente dividendos é se colocar em situação de estar seguidamente decidindo onde reinvestir este dinheiro.

A questão é simplificar essa decisão. Decidir uma vez só. E depois só executar.

Minha sugestão é: com o dividendo recebido dá para comprar mais ações da mesma empresa?

  1. Sim, então compre da mesma e facilite sua vida.
  2. Não, então junte com os dividendos das outras ações ou FIIs e compre aquele que subiu menos (ou caiu mais) desde sua última compra. ​

Essa é a solução simples e de fácil execução.

A condução dos seus investimentos precisa ser leve. Você precisa focar mesmo é no seu trabalho e na sua vida.

 Investimento só é possível pois você tem uma renda do seu trabalho para começar.

Então foque nisso e coloque o reinvestimento no piloto automático.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Os dias que cada ação paga dividendo

Caro leitor,

Hoje trago um presente de Natal para você!

Uma ferramenta que vai te ajudar a montar uma carteira de dividendos com pagamentos durante o ano todo.

Eu fiz um estudo que mostra quando as empresas do Ibovespa mais pagam proventos.

Essa tabela​ responde uma das dúvidas mais pertinentes dos investidores em dividendos.

Afinal de contas, quando essas empresas costumam pagar seus dividendos?

Eles são em datas completamente aleatórias? Pagam todos os meses? Ou sempre na mesma época do ano?

Com base no comportamento das empresas dos últimos cinco anos, pude observar que há empresas que pagam, sim, todos os meses.

Tem aquelas que pagam todo final de ano.

Tem aquelas que pagam todo abril.

Enfim… cada uma com o seu padrão.

O setor bancário é o que paga com mais frequência. E de quebra tem os melhores Yields.

Telefonia é outro setor com frequência alta nos pagamentos.

As elétricas apesar de ótimas pagadoras de dividendos, tem os pagamentos concentrados em abril, maio e final do ano.

E por aí vai… Com essa informação você vai conseguir se planejar melhor para montar uma carteira que faça pingar na sua conta dividendos quase todo mês.

Nada mal, hein?

De nada.

É meu presentinho​ de Natal nesse dia 24.

Ah, tem mais.

Essas empresas já anunciaram que vão pagar Juros Sobre Capital Próprio para quem tiver ações no dia 30 de dezembro (dá tempo de comprar ainda e ganhar): Sanepar, Banco ABC e Telefônica Brasil.

Será que elas vão pagar a sua fatura do cartão de crédito pós-Natal?

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

A ação que paga o melhor dividendo da bolsa

Caro leitor,

Você sabe quem são as queridinhas do segmento de dividendos?

O segmento mais queridinho pelos investidores focados em dividendos é o elétrico.

O resto da carteira o investidor fica procurando quem colocar para não ter tudo num segmento só.

No passado já deu confusão essa história de concentração no setor elétrico.

Lembra da MP 579?

Ela deu uma sacudida no setor em 2012 com essa canetada do governo.

Mas hoje eu estou aqui para falar de coisa boa.

O segmento elétrico é dividido em três tipos de empresa:

Geradoras: são as usinas que produzem a energia, seja eólica, hidrelétrica ou térmica.

Transmissoras: é quem leva essa energia das geradoras, normalmente em lugares isolados e distantes até as cidades.

Distribuidoras: quem recebe essa energia das transmissoras e distribui para cada unidade consumidora, sua casa por exemplo.

Dentro do segmento tem a queridinha das queridinhas: as transmissoras.

Elas são as preferidas por causa da segurança e previsibilidade das suas receitas e custos.

Parece complicado mas é simples. Vem comigo:

As transmissoras se parecem com uma concessionária de rodovia, com a diferença que ela ganha uma pedágio fixo independente da quantidade de carros que passam por ela.

Se passar muito ou pouco, a sua receita está garantida pelo RAP – Receita Anual Permitida.

Experimente perguntar para um empresário, grande ou pequeno, quanto será a receita no próximo ano.

Ele vai responder, claro. Mas no fundo ele não faz muita idéia. Ele diz um número com uma certeza na cabeça: “vai ser diferente…”.

A única coisa capaz de diminuir a receita de uma transmissora é uma eventual indisponibilidade da linha de transmissão. O equivalente a estrada fechar por algum motivo (buraco, acidente ou outra coisa qualquer).

Antes de se preocupar achando que aqui está o grande risco escondido, saiba que a Taesa por exemplo tem um índice de disponibilidade consolidado (considerando todas as linhas dela) de 99,88%.

Partindo daí, a conta é simples.

As variáveis que vão deduzir o resultado são: a disponibilidade das linhas e os custos de operação.

Os custos são algo que a empresa, se bem administrada consegue manter sob controle com certa facilidade.

Por isso elas conseguem dar a tranquilidade aos investidores que gostam de dividendos.

Mas não dá para se apoiar integralmente nesse setor pois sempre haverá o risco de se repetir o que houve em 2012.

As transmissoras são as mais queridinhas, mas tem mais ação boa nessa tal de bolsa de valores.

Estude um pouco mais e monte um portfólio balanceado com foco em dividendos. O setor mais legal de todos eu já te dei.

Quer saber quais os outros eu colocaria no portfólio?

Aqui eu te mostro a minha estratégia​.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Os melhores dividendos de 2019 não são os melhores de 2020

Caro leitor,

Final do ano está chegando e todo mundo que trabalha com conteúdo de investimentos está com tudo pronto para divulgar o ranking das melhores pagadoras de dividendos do ano de 2019.

Eu mesmo vou fazer um e mandar para você. Mas não sem antes cometer um “sincericídio” agora:

Esses rankings falam sobre o passado.

O que nos interessa são os melhores dividendos de 2020, certo?

Acontece que todo mundo adora receber essa informação. Então eu vou mandar. A voz do povo é a voz de Deus.

Ocorre que esses rankings são imprecisos quando o assunto é ajudar a onde investir.

O indicador utilizado para ordenar essa lista e apontar os campeões tem algumas inconsistências.

Ele considera a cotação atual da ação e os dividendos dos últimos doze meses. Acontece que quem comprar a ação agora, pelo preço atual, não vai receber aqueles dividendos.

Eles já foram pagos. Alguém recebeu e não foi você.

Uma variação da fórmula do indicador é usar o preço de um ano atrás, pois daí está se considerando o preço em um tempo compatível com os dividendos pagos.

Legal né? Mas e você tem uma máquina do tempo para voltar um ano e comprar a ação por aquele preço? A comparação é igualmente incompatível com a realidade.

O certo seria projetar o dividendo para os próximos doze meses para calcular o Dividend Yield e fazer o ranking.

Mas daí seria chute né? Ou você é a Mãe Diná? Eu não sou…

Brincadeiras a parte, ficamos naquela de se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

Então pegamos o melhor que dá, mesmo que seja meia boca: cotação de hoje e dividendos dos últimos doze meses.

Fiz um exercício de “Comprou e Levou” para demonstrar a imprecisão dos rankings.

Se você, na virada de 2016 para 2017 você viu o ranking das melhores pagadoras de dividendos, você viu a seguinte lista:

Dividend Yield 12 meses

Acontece que o dividendo que quem comprou esses papéis na virada deste ano, foi bem diferente.

Veja o que você “comprou” neste ranking versus o que você “levou”.

Dividendo real

Se isso fosse uma Black Friday da vida, você teria devolvido nove dos dez papéis pois eles pagaram menos dividendos do que o Dividend Yield indicava.

Montar uma carteira de dividendos é muito mais do que o Dividend Yield. Eu diria que esse é inclusive um dos últimos indicadores a ser usados.

Primeiro você precisa separar o que é bom.

Depois, só com as ações boas na sua frente, você separa por segmento e então busca os melhores Yields.

Ainda assim, veja o comportamento desse indicador ao longo do tempo. Você quer um maratonista, não quer o velocista que cansa depois da primeira disparada.

Antes de eu ir embora, um aviso: nos primeiros dias de janeiro, se prepare. Eu mesmo vou te mandar um ranking destes. A voz do povo é a voz de Deus…

Mas melhor do que isso, nesse exato momento eu quero que você veja a lista das 10 ações que vão te pagar os “dividendos gordos” de 2020.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Ps.: o Natal do GuiaInvest começou. Estamos dando a oportunidade de você fazer o Último Investimento da Década​.

DIVO11 e BBSD11 valem a pena?

Caro leitor,

Para quem gosta do que é bom, simples e barato, tenho boas notícias.

Existe uma forma de ganhar com dividendos sem precisar ficar escolhendo ações e reinvestindo os seus dividendos todo mês.

Confesso que eu adoro essa função. Não entendo muito bem quem não gosta, mas também me coloco à disposição para ajudar esse grupo.

Já ouviu falar em ETF?

É a sigla para Exchange Traded Funds. São fundos de investimentos que têm suas cotas negociadas em bolsa.

Ao invés de fazer aplicação e pedir resgate para entrar e sair do investimento, aqui você compra a cota na Bolsa e vende quando quiser. Igual aos Fundos Imobiliários.

A diferença é que as ETFs compram ações e não imóveis.

Quero me ater a dois fundos que fazem a mesma coisa de forma diferente.

Eles investem em ações de dividendos. Mas cada um a seu jeito.

Um deles é o DIVO11, o irmão famoso. Ele é o mais conhecido e sua carteira de ações replica o IDIV (Índice Dividendos da B3).

O outro é o BBSD11, o irmão discreto. Ele é ainda pouco lembrado e sua carteira segue o índice S&P Dividend Aristocrats Brasil Index.

São metodologias diferentes para se chegar no mesmo lugar: comprar boas pagadoras de dividendos.

Os dois fundos cobram a mesmo taxa de administração e tinham tudo para andar exatamente igual.

Mas veja a diferença no comportamento deles (BBSD11 em verde e DIVO11 em amarelo):

Perceba que o BBSD11 historicamente se comportou um pouco melhor.

Investir em ETFs têm vantagens e desvantagens, como tudo na vida.

Desvantagens:

  1. Tributação Indireta dos dividendos: os dividendos recebidos não são distribuídos, eles são reinvestidos na compra de mais ações e isso valoriza a sua cota. Ao vender a cota, você paga quinze por cento de IR sobre o ganho de capital e estará pagando indiretamente sobre os dividendos;
  2. Critérios puramente quantitativos: uma seleção de ativos passa por pontos que vão além da análise quantitativa de dividend yield, valor de mercado entre outros. Pergunte a qualquer gestor de fundo de ações e ele vai te dizer que boa parte da análise é qualitativa;
  3. Existência de Taxas: ao comprar os ativos diretamente não existe a cobrança de taxa de administração, que no caso desses dois fundos é de meio por cento ao ano.

Vantagens:

  1. Grande Diversificação: ao investir em um único ativo, você está comprando uma carteira inteira de ações de diferentes segmentos da economia;
  2. Praticidade: o investimento é muito fácil de ser feito. Você compra uma cota e pronto. Não precisa fazer mais nada até o dia em que decide vendê-la. O fundo atualiza a carteira e reinveste os dividendos quando eles são pagos;
  3. Taxas menores: os ETF por serem fundos passivos (que replicam um determinado índice de ações), são bem mais baratos do que os fundos ativos de ações. É meio por cento ao ano versus os dois por cento ao ano dos fundos ativos (normalmente);
  4. Segurança: ao selecionar boas pagadoras de dividendos e diversificar bem a carteira o fundo provavelmente vai ter uma rentabilidade satisfatória. O raciocínio é simples. Empresas que pagam bons dividendos são normalmente saudáveis, bem administradas e lucrativas. Tudo que você quer ao investir a longo prazo.

Investir em empresas pagadoras de dividendos a longo prazo é comprovadamente uma boa estratégia.

Esses dois ETFs são uma forma simples, barata e prática de embarcar nessa estratégia.

Agora, se você está interessado investir diretamente nas melhores empresas pagadoras de dividendos da bolsa, aqui eu falo da lista de ações que vão te dar a possibilidade de receber até 6 salários extras.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Essa sigla pode te depositar muito dinheiro na conta

Caro leitor,

Os dividendos são os proventos pagos em dinheiro para os acionistas da empresa.

Eles são a parte do lucro da empresa que é distribuída para os seus acionistas.

Mas ele não é o único provento pago em dinheiro. Devido às peculiaridades tributárias do nosso país, existe outro tipo de provento pago aos acionistas: os Juros Sobre Capital Próprio (JSCP).

Em termos práticos, para você investidor eles não tem diferença.

Você simplesmente vai receber o valor na sua conta na corretora.

Contudo, existe uma diferença tributária para a empresa:

  • Os Dividendos são pagos para os investidores após a empresa pagar os impostos. Logo, eles são pagos líquidos de impostos (Imposto de Renda e outras contribuições).
  • Os JSCP são pagos aos investidores antes da empresa pagar os impostos. Logo, eles são pagos na forma bruta para o investidor, que paga na fonte uma alíquota de Imposto de Renda de quinze por cento. Esse valor retido na fonte aparece em sua conta na corretora junto com o valor bruto dos JSCP. Assim, você recebe o valor líquido.

No Brasil, as empresas devem por lei pagar o dividendo mínimo obrigatório aos seus acionistas em cada exercício.

Na maioria dos casos, esse valor é estipulado no Estatuto Social da empresa e é medido como porcentagem dos lucros.

Esses proventos obrigatórios podem ser o resultado da soma de JSCP e Dividendos.

Normalmente as empresas distribuem seus lucros sob as duas formas.

Uma porque existe um limite máximo que pode ser distribuído sob a forma de JSCP, senão ia tudo dessa forma e você vai entender o porquê.

Outra, porque ter que pagar o IR pode desagradar os acionistas.

Vou dar um exemplo para você entender:

A empresa ABC obteve um lucro por ação de R$ 4,00.

Sua política de dividendos é pagar 25% do lucro como dividendos.

Assim, o dividendo por ação a ser recebido é de R$ 1,00.

Contudo, a empresa tem duas opções:

  • Distribuir os R$ 1,00 como Dividendos.
  • Distribuir os R$ 1,00 entre Dividendos (metade) + JSCP (outra metade).

Na opção A) cairia na conta do Investidor R$1 por ação.

Na opção B) temos um cenário diferente.

O investidor receberia R$ 0,50 como Dividendos e R$ 0,50 como JSCP.

Contudo, ele teria que pagar o IR de quinze por cento sobre os JSCP.

Assim, ele receberia:

Dividendos: 0,50

JSCP: 0,50

– IR – 0,075 (15 por cento da quantia distribuída em forma de JSCP)

Total 0,925

No cenário B o investidor receberia menos do que no cenário A.

Contudo, a empresa pagaria menos impostos no cenário B, fortalecendo o seu balanço com mais caixa.

Em termos de valor gerado, não há diferença relevante. Só que um favorece mais a empresa e outro o investidor.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Sabia que dividendos é um saque compulsório?

Caro leitor,

Hoje quero falar com quem não reinveste os dividendos recebidos de suas ações.

Ou com quem quer revisitar este assunto sob uma ótica diferente. Mais uma vez você não vai ler o óbvio aqui.

Pense comigo: faz sentido para você fazer resgates regulares dos seus investimentos se você quer fazer o seu patrimônio crescer?

Tenho um amigo que gosta de dizer que “para responder essa pergunta difícil tem que ter a 1ª série bem feitinha”.

Não faz sentido né? Se quer fazer o patrimônio crescer, deixe o dinheiro investido lá e, se puder, ajude com mais aportes.

Pois bem… o recebimento de dividendos nada mais é do que um saque realizado sem que você tenha solicitado.

Cabe a você devolver este dinheiro para o lugar certo: investido nas ações da empresa.

Exemplificando: uma ação que vale R$ 10,00 e paga R$ 0,50 de dividendos, abre na data ex corrigida tecnicamente a R$ 9,50. Se ela não subir nem cair, vai ser negociada neste valor.

Significa que o investidor perdeu 50 centavos? Não. Ele tem os mesmos dez reais de antes, só que agora é 50 centavos na sua conta e R$ 9,50 em ações.

Houve um resgate de R$ 0,50 para sua conta.

Essa correção técnica no preço da ação é reflexo do que acontece no patrimônio da empresa.

Aquele dinheiro saiu do seu caixa, e portanto a empresa passou a valer menos. O valor migrou da empresa (investimento) para o acionista (investidor).

Para esta ação voltar aos R$ 10,00 ela vai precisar se valorizar em 5,26 por cento.

Fui operador de bolsa durante muitos anos e já vi de um tudo neste mercado.

Uma das coisas que mais me chamava atenção eram os investidores que compravam as ações na data com (dia em que as ações ainda carregam o direito aos dividendos) para vender na data ex (dia seguinte à data com, quando as ações abrem o pregão corrigidas tecnicamente).

Eles ficavam felizes da vida que iriam receber dividendos e torcendo para que elas subissem ao mesmo preço de ontem para que tivessem algum lucro com essa operação.

Não fazia o menor sentido.

Mas isso é outra história.

O foco aqui é entender os efeitos do pagamento dos dividendos.

Na empresa ficou claro que é diminuição no seu patrimônio e consequentemente no seu valor.

No seu patrimônio o efeito é zero na hora, pois o valor total agora está dividido entre ações e o dinheiro na sua conta.

O que você faz com este dinheiro na conta é que muda toda a história.

Se deixar lá, estará aceitando o resgate e indo na direção contrária da acumulação de patrimônio.

Se comprar mais ações, então estará devolvendo o valor para onde ele deveria estar: investido em ações.

A diferença é brutal a longo prazo e vai definir se você atingirá sua liberdade financeira ou não. No gráfico abaixo, dois investidores de Itaú partem dos mesmos R$ 100,00 investidos no ano 2000.

O vermelho recebe os dividendos e não compra mais ações.

O verde reinveste o valor comprando mais ações.

Enquanto o vermelho acumulou R$ 1.400, o verde acumulou mais do que o dobro, R$ 3.000.

Para ser o verdinho da história, é simples: não faça resgates periódicos, reinvista os dividendos.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

O impacto de Lula nos seus investimentos

Caro leitor,

O Brasil voltou a ser Brasil de novo:

  • STF revogou a prisão em segunda instância e Lula foi libertado.
  • Bolsa despencou, dólar disparou.

Você acha que os fatos ocorridos no final da semana passada estão correlacionados? 

Tenho minha posição política. Sim. 

Mas vou tentar me ater ao ponto de vista financeiro dos fatos.

A insegurança jurídica deu as caras novamente. 

A politização de uma decisão que deveria ser técnica é um péssimo sinal. O STF mudou seu entendimento novamente, em um curto espaço de tempo, sobre um ponto importante no combate à corrupção. 

Digam os ministros o que quiserem, todos nós sabemos o por que(m) isso ocorreu. Se fosse eu o preso, essa votação do STF nunca entraria na pauta.

Esse é o primeiro ponto que desagrada muito qualquer investidor, seja estrangeiro ou local.

Saber que a influência tem mais peso do que a razão, afugenta qualquer um. 

Os mais vultosos investimentos são de longo prazo e o risco de mudança de regras (e de interpretação delas) são o seu pior inimigo.

O leilão da cessão onerosa foi um grande exemplo disso. O Brasil optou por um modelo com menor previsibilidade para os investidores, onde uma eventual surpresa positiva para o vencedor do certame teria que ser dividida com o governo. 


Resultado: ninguém na sala. 

A Petrobrás ficou praticamente sozinha nos leilões e arrematou três áreas de exploração. A arrecadação do governo foi muito aquém do esperado em função disso.

Além disso, com Lula solto, e sua capacidade de propagar narrativas, as condições de aprovação da agenda de reformas deve ficar mais tumultuada.

A muito o investidor estrangeiro não dá o benefício da dúvida ao Brasil. Agora, para atrair investimentos tem que entregar, não adianta mais prometer. 

Ao invés de estar discutindo e movimentando as reformas tão necessárias, tanto a Câmara quanto o Senado já começam a se mexer para aprovar uma PEC que instaure a prisão após condenação em segunda instância.

Com o foco das duas casas dividido, tudo vai demorar um pouco mais, para não dizer muito mais. Nenhum dos assuntos em pauta é de fácil aprovação. 

Outro ponto mais distante, mas também importante, é a força com que a esquerda chegaria nas Eleições de 2022.

Sem Lula e com o governo atual entregando bons resultados na área econômica, a esquerda já chegaria morta. 

Agora se Lula conseguir atrapalhar as reformas e articular bem a esquerda, tudo já fica mais indefinido.

Basicamente dá para se dizer que foram estes os pontos que pesaram sobre as primeiras impressões do mercado com relação a soltura do petista condenado.

O que isso tem a ver com seus investimentos?

Bem-vindo ao Brasil.

Lembro de uma palestra que assisti do Beto Sicupira em que perguntaram o que eles (grupo 3G) fariam caso o Brasil voltasse a enfrentar inflação e outros antigos problemas. 

Ele respondeu: “Vamos fazer o que sempre fizemos. O Brasil estável como está sendo desde meados dos anos 90 é que é a novidade. Vocês estão mal acostumados!

A verdade é que independente do que acontece em Brasília, com os atuais e ex-governantes, as empresas encontram seus caminhos para crescerem e lucrarem cada vez mais.

Como investidor é isso que importa. Os preços das ações sempre acompanharão seus lucros.

Tudo que aconteceu na sexta-feira é ruído quando olhado em perspectiva de longo prazo.

Já passamos por coisas bem piores nos últimos anos e cá estamos, com os lucros das empresas batendo recordes e a bolsa na máxima histórica.

Foque no que importa: como está o lucro das suas ações?

Se Lula derrubar o preço das ações novamente, aproveite o desconto e compre mais. No futuro receberá mais dividendos.

Faça deste limão uma limonada.

Abraço,

Marcelo.

Empresas de Crescimento ou de Dividendos?

Caro leitor,

Eu devo focar em empresas de dividendos ou em empresas de crescimento?

Essa pergunta é recorrente e gera bons debates.

Mas antes, é preciso saber o que é uma empresa de dividendos e uma de crescimento.

Vamos começar de forma simples:

Uma empresa de crescimento reinveste grande parte do seu lucro com objetivo de acelerar seu crescimento.

Uma empresa de dividendos distribui grande parte do seu lucro aos acionistas como forma de remunerá-los.

Então quer dizer que empresas de dividendos não crescem?

Não. Calma. Toda empresa cresce. Se não crescer, morre. Não tem moleza.

A diferença é que a de dividendo vai crescer menos. Ela já é grande, consolidada, dominante no seu setor. 

Espera-se que ela cresça no mínimo o equivalente a inflação mais o tamanho do seu mercado.

Enquanto isso, uma empresa de crescimento quer muito mais. Ela quer aumentar o seu tamanho, sua participação no mercado e quem sabe até entrar em outros mercados. Isso tudo custa dinheiro. 

A fonte de recursos próprios são os lucros da empresa. Portanto ela vai distribuir o mínimo de dividendos aos acionistas e destinar o máximo valor possível para se financiar.

Existe um indicador que nos mostra de forma bastante clara qual é a estratégia da empresa, crescimento ou dividendos.

O indicador é o Payout. É um percentual que indica o quanto do lucro da empresa é distribuído para seus acionistas na forma de dividendos. 

Se for 100 por cento, então todo o lucro é distribuído como dividendos.

Se for zero por cento, então todo o lucro fica no caixa da empresa.

Ficou mais fácil agora?

Payout alto, significa que a empresa vai crescer menos mas você terá o seu retorno na forma de dividendos.

Payout baixo, significa que a empresa está buscando alto crescimento e você terá seu retorno na valorização das suas ações.

E agora, em qual das duas devo focar?

Depende de seu perfil. Se segurança é importante para você, então vá de dividendos.

Empresas de dividendos são mais seguras, já estão consolidadas, seu retorno é mais previsível.

Antes que alguém diga que vão dar menos retorno, basta que você reinvista os dividendos nela mesma (é o que as de crescimento fazem).

Se você tem estômago para correr mais risco, então vá nas de crescimento. Elas têm potencial de multiplicar de tamanho. 

O risco é igualmente alto, pois todo investimento que a empresa faz tem o risco de não dar certo, ou simplesmente dar menos certo do que o investimento do concorrente.

Mais uma vez, o foco central da sua decisão de investimento é você mesmo. Escolha de acordo com seu perfil, pois é possível ganhar muito dinheiro com ambos os tipos de empresa. 

O mais legal de tudo é que a empresa de crescimento que der certo, vai se tornar uma de empresa de dividendos no futuro. 

Um dia ela vai crescer tanto quanto o seu mercado suporta, e não vai mais ter onde reinvestir seus lucros, logo, vai distribuí-los na forma de dividendos.

Peter Lynch já dizia: “O futuro de toda empresa de crescimento é se tornar uma empresa de dividendos”.

Consegui te ajudar a decidir em qual tipo de empresa investir?

Me diga qual delas você prefere?

Abraço

A Fórmula da Felicidade nos Investimentos

Caro leitor,

Felicidade pode significar muitas coisas para muita gente. 

Para mim, nos investimentos, ela tem uma fórmula matemática bem simples:

Felicidade = realidade – expectativa

Deixa eu explicar para você.

Quando a realidade é melhor do que estávamos esperando, ótimo. Por pior que seja. 

Algo muito bom pode até ser ruim, se o que você esperava era algo ótimo. 

O que quero dizer é que a mesma coisa pode te deixar feliz ou triste, dependendo apenas de qual era a sua expectativa sobre ela.

Quer saber como isso funciona na prática nos seus investimentos, mais especificamente quando estamos falando de dividendos?

Vamos destrinchar a tal fórmula:

A realidade de investimentos em empresas boas pagadoras de dividendos é que você estará se tornando sócio de grandes empresas, consolidadas, normalmente líderes e dominantes em seus mercados.

Sendo assim, é difícil imaginar que elas multipliquem de tamanho e valor em pouco tempo. Uma coisa é a PRIO3 dobrar de tamanho, outra coisa é a PETR4 dobrar. Capaz de faltar petróleo para tanta empresa… 

Por outro lado, com o tamanho todo, vem a musculatura e o poder de fogo para enfrentar momentos difíceis. Quem você acha que tem maiores chances de sair menos machucado de uma crise? PRIO3 ou PETR4?

A expectativa é você quem faz. Ou cria da sua cabeça. De um jeito ou de outro é a parte da fórmula que você pode controlar e definir.

Uma carteira de dividendos não está lá para ser a campeã de rentabilidade. Ela está lá para ser mais consistente, resiliente e conservadora. Não espere um velocista, um Usain Bolt da bolsa. Ela é a maratonista da turma. Corre mais lento, mas corre longe, sem parar.

Ela está lá para te fazer sentir o gostinho do dividendo caindo na sua conta. E você comprando mais ações com o dinheiro que elas mesmas te dão. E por aí vai até que o bolo seja tão grande que você poderá pagar suas contas com este dividendos.

Mantenha o foco no longo prazo e você verá um investimento que não sobe tanto quanto os melhores do mercado, mas também não cai tanto nos mercados de baixa.

Investir em dividendos é a melhor forma de se manter fiel a estratégia, pois eles renovam a sua convicção a cada distribuição que cai na sua conta.

Ajuste sua expectativa na sintonia correta dos dividendos e você será feliz com eles!

Abraço,

Marcelo.