Quando o (mau) Comportamento Afeta seus Resultados nos Investimentos

Seus investimentos vão bem? Ou será que estão sendo afetados por algum tipo de comportamento nocivo para qualquer investidor? Acompanhe comigo, nas linhas abaixo, alguns fatores determinantes para que você não deixe o mau comportamento afetar seu desempenho.
Andre Fogaca

Andre Fogaca

Sócio-fundador do GuiaInvest e formado em Administração e pós-graduado em Economia pela UFRGS.

Seus investimentos vão bem? Ou será que estão sendo afetados por algum tipo de comportamento nocivo para qualquer investidor? Acompanhe comigo, nas linhas abaixo, alguns fatores determinantes para que você não deixe o mau comportamento afetar seu desempenho.

Dois dos tópicos que mais me fascinam em meus estudos sobre a ciência por trás da arte de investir são as finanças comportamentais e os aspectos psicológicos que podem tanto prejudicar como contribuir para o sucesso de um investidor.

Tanto é que já escrevi diversos artigos relacionados a esses temas:

Hoje, dando continuidade à produção de artigos sobre esse campo de estudos, quero falar sobre dois vieses comportamentais que estão intimamente ligados às decisões que você toma e, portanto, ao desempenho dos seus investimentos.

Proteja seus investimentos: as lacunas de empatia podem derrubá-lo

lacunas de empatia

O primeiro viés é chamado de “lacunas de empatia quente-frio” – em uma tradução literal (hot-cold empathy gaps).

O termo foi criado por George Loewenstein, professor de economia e psicologia da Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos.

É muito fácil explicá-lo e compreendê-lo. A lógica é a de que o ser humano tem enorme dificuldade em interpretar acontecimentos de forma racional quando está abalado emocionalmente.

Tem a ver com não conseguir enxergar com clareza, nem se colocar no lugar do outro – que pensa ou age contrário ao que você acredita. Tome como exemplo a polarização política que o Brasil vive por “petralhas” e “coxinhas”.

Não dá pra imaginar um lado concordando e em sintonia com o outro, certo? É aquela coisa parecida com a rivalidade no futebol. Perigosíssima, aliás. Temos que ter muito cuidado com essa postura, pois ela muitas vezes nos cega.

Importante ressaltar, também, que a lacuna de empatia evidencia-se em momentos de grande alegria, tristeza e instabilidade emocional.

Esse viés faz com que as pessoas subestimem a influência do próprio estado emocional no momento de tomar decisões, levando-as a se arrependerem de determinadas escolhas feitas no calor da emoção“, aponta um estudo publicado pela CVM que é coordenado por Vera Rita de Mello Ferreira, uma das maiores autoridades do Brasil nas finanças comportamentais.

Como evitá-lo

Ao investir, você deve desenvolver sua estratégia e tomar suas decisões sempre durante o estado frio. Ou seja, quando não está com as emoções à flor da pele, evitando colocar seus investimentos em risco.

Mas, para fazer um viés negativo trabalhar a seu favor, o material da CVM recomenda uma atuação nos dois extremos:

“Podemos aproveitar os momentos em que estamos no estado frio para organizar nossos investimentos e nos proteger contra os impulsos destrutivos que surgirem quando as emoções ficarem acaloradas. Por outro lado, podemos tentar evitar que o estado quente seja despertado, no que diz respeito a decisões de investimento“, recomenda o documento.

As seguintes dicas são muito úteis nesse sentido:

  1. Programe operações ligadas aos seus investimentos para acontecerem de forma automática;
  2. Nunca tome uma decisão e/ou execute uma ordem sem antes ter uma ou duas noites de sono entre a ideia e a execução;
  3. Desenvolva o hábito de não acompanhar o mercado diariamente. Estabeleça um período mínimo, como uma vez por mês, para monitorar o desempenho dos seus investimentos. Assim, você evitará o desgaste provocado pelas oscilações diárias;
  4. Antes de tomar qualquer grande decisão sobre seus investimentos, procure conversar com alguém de confiança e registre seu raciocínio em uma planilha para futuras consultas. Com o passar do tempo, você conseguirá traçar um perfil de suas próprias decisões e encontrará os erros mais facilmente;
  5. Adie decisões ligadas ao seu dinheiro em tempos de crise (pessoal ou econômica) ou de forte abalo emocional.

Cuidado com a autoconfiança excessiva

Cuidado com a autoconfiança excessiva

O nome desse viés é autoexplicável, mas compreender suas razões e consequências é importante.

Você já cometeu um erro por acreditar piamente em seus conhecimentos e considerar seus argumentos inquestionáveis? Se sim, você já foi vítima desse aspecto comportamental, que prejudica muito mais pessoas do que deveria, sempre por causa dela: a arrogância.

O mesmo estudo da CVM explica que a origem do excesso de confiança vem do fato de “acreditarmos que a informação em nosso poder é suficiente para a tomada de decisão, que somos mais hábeis em controlar os eventos e riscos do que realmente somos ou, ainda, que possuímos capacidade de análise acima da média dos outros agentes do mercado“.

Isso acontece, por exemplo, após uma rodada de sucessos consecutivos. Convenhamos, não é difícil superestimar a própria capacidade após bons resultados nos seus investimentos, não é?

Mas e quando esses acertos estão atrelados simplesmente a um senhor Mercado em dias bem humorados e a outros fatores que podem não ter nada a ver como seu dom superior para investir? Cautela nunca é demais!

Como evitá-lo

  1. Tome cuidado com as fontes que utiliza para obter informações para seus investimentos. Será que as bases de seu conhecimento são confiáveis e têm qualidade?
  1. Questione seus métodos e competências debatendo com quem você confia, conversando com profissionais isentos e ouvindo pessoas que pensam diferente.
  1. Se obteve um bom lucro, comemore, mas não se deixe afetar. Analise se o resultado foi realmente fruto de uma estratégia que pode ser repetida no futuro em seus investimentos ou, como disse há pouco, do bom humor do mercado.
  1. Controle de perto seus custos de transação, calcule seu impacto no retorno e analise se é possível reduzir os gastos visando obter um melhor retorno.
  1. Conte com a velha e boa regra da diversificação em seus investimentos. Evite colocar todos os ovos na mesma cesta.

Que lição você tira disso tudo?

Que lição você tira disso tudo? Quando o (mau) Comportamento Afeta seus Resultados nos Investimentos

Meu objetivo ao escrever é sempre ajudá-lo a aprender, refletir, corrigir erros e evoluir como investidor. Se o artigo de hoje lhe ajudou nisso, conte para mim.

Além disso, se você tiver alguma sugestão de tema para eu escrever que seja relacionado às finanças comportamentais, deixe um comentário apresentando a sua ideia que terei grande prazer em atendê-la futuramente.

Bons investimentos!

 

P.S.: Bem como o artigo você acabou de ler, os dois abaixo apresentam aspectos comportamentais que afetam suas decisões e seus investimentos de forma muito mais forte do que você talvez imagine.

É interessante que saiba, ainda, que eles vão muito além do que diz respeito aos seus investimentos . São lições para a vida:

Crédito das imagens: www.shutterstock.com

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