Diversificação é o nome do jogo

Uma forma simples de reduzir risco é associar qualidade a diversificação.
Marcelo Fayh

Marcelo Fayh

Sócio do GuiaInvest, especialista na geração de renda através de bons investimentos.
Diversificação de investimentos

Caro leitor,

Passamos de um mês de suspensão de atividades não essenciais por causa do coronavírus.

Os impactos nas empresas já começam a ficar dramáticos e muitas tem dificuldades de arcar com seus custos fixos mais básicos como o aluguel.

Claro que isso se manifesta de forma muito desigual de empresa para empresa e segmento para segmento.

O reflexo disso nos fundos imobiliários são também diferentes em cada segmento.

O de shopping centers é o mais afetado.

Com suas operações fechadas, suas vendas foram a quase zero.

Mesmo com alguns shoppings reabrindo portas, o volume de vendas reportado foi até 80 por cento menor do que o de antes da pandemia.

Os administradores estão se virando para encontrar um ponto que equilibre os dois lados dessa balança: shopping e lojista.

Não a toa, foram os que mais sofreram entre todos os FIIs.

O gráfico abaixo mostra o desempenho dos FIIs por segmento desde fevereiro.

desempenho fiis segmento

Na outra ponta, estão os ativos logísticos que de forma geral sairão fortalecidos dessa pandemia.

Claro que sofrerão baixas pontuais dependendo do inquilino que o ocupa.

É consenso que o e-commerce é o grande beneficiado disso tudo e que por sua vez depende de uma logística eficiente.

O e-commerce é tendência, não há dúvidas, mas enfrentava a restrição de algumas pessoas que ainda não tinham experimentado comprar online.

Agora, muita gente experimentou.

Se a experiência foi boa, essa pessoa certamente voltará a consumir por este canal.

FIIs de agências, os que menos sofreram agora, tem seu futuro já traçado de lenta e gradual perda de utilidade.

Por ora, ficaram seguros em função de seus contratos fortes e de seus inquilinos bons pagadores.

Mesmo assim, não me animo com eles.

Seu destino está traçado, só não se sabe quando isso irá acabar.

Os FIIs de recebíveis também sofreram pouco frente aos demais.

Até dar problema com eles, há um longo caminho de garantias e outros dispositivos nos CRIs.

Mas a depender do que ainda está por vir nessa crise, o mercado pode somente ainda não ter visto o risco escondido.

Analisar um fundo de recebíveis é tarefa árdua.

Avaliar um CRI apenas já é complexo.

Agora multiplica isso por 50 deles lá dentro do fundo. Impraticável.

Acabamos por nos defender do desconhecido através da diversificação.

Um fundo de CRI é tão seguro quanto mais diversificado ele for.

Voltando para o lado dos que mais apanharam, as lajes corporativas não seguem um padrão de comportamento.

O tamanho do problema de cada fundo passa pelo segmento dos seus inquilinos.

Mais uma vez a diversificação é a grande boia salva-vidas.

O varejo, por sua vez, sofre as dores de uma transformação forçada e repentina.

De um dia para o outro, o canal digital virou o mais importante da empresa.

Um desafio gigante para um segmento de margens apertadas.

Isso é o que deu para ver até agora.

Para o futuro é difícil saber como as coisas serão.

Nossa defesa ao desconhecido? O famoso único almoço grátis do mercado: diversificação.

Fazemos isso tanto com ações e vale o mesmo para os FIIs.

Abraço,


Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

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