ETFs: Principais Vantagens e Desvantagens Desta Modalidade de Investimento

Os fundos de índices podem ser uma boa opção para quem busca diversificação de um jeito simples.
André Fogaça

André Fogaça

Co-fundador do GuiaInvest, pós-graduado em Economia e Consultor de Investimentos CVM

ETFs: Principais Vantagens e Desvantagens Desta Modalidade de Investimento

Os ETFs são uma excelente maneira de começar a investir na bolsa de valores de um jeito simples, diversificado e de baixo custo.

Quando comparada ao investimento em ações, o investimento mais conhecido de renda variável, os ETFs oferecem uma exposição indireta a diferentes mercados.

Isso pode ser muito bom para quem está começando e ainda tem receio de investir por conta própria.

Se for seu caso, analise as possibilidades de investimento na Bolsa de Valores. Existem 3 Investimentos Acessíveis para Iniciantes que Ninguém te Conta, é o caso dos ETFs.

Quando você compra uma ação em específico, tem o poder de administrar esse investimento do jeito que desejar e tomar suas decisões de quando é o melhor momento de comprar mais ou vendê-las.

Ao investir em um ETF, não é você quem determina quais ativos comprar ou vender, mas o gestor do fundo.

Além disso, seu rendimento não acompanha o desempenho de uma só ação, mas de diferentes ativos que compõem um índice de referência. 

Por isso, esse tipo de investimento também é muito procurado por investidores que querem diversificar a carteira.

Com uma única cota você está exposto indiretamente a dezenas ou centenas de ativos diferentes. 

Os ETFs negociados na bolsa brasileira permitem investir em diferentes mercados do Brasil e do mundo. Seja em ações, fundos imobiliários, metais, moedas e até títulos de renda fixa. 

Basta escolher aquele que está mais alinhado aos seus objetivos.

Para saber mais sobre esse investimento, suas vantagens, desvantagens, rentabilidades e os custos envolvidos, continue a leitura e entenda de uma vez por todas o que é um ETF.

O que é ETF (Exchange Traded Fund)?

ETF é a sigla para Exchange Traded Funds, ou Fundo de Índice.

Esses fundos negociados em Bolsa são uma cesta de ativos financeiros, administrada por uma gestora e que tem como referência um índice da renda variável.

O gestor ajusta a composição do ETF para que seja a mais parecida possível com a do indicador utilizado.

O ETF é passivo, ou seja, ele não tem o objetivo de passar a rentabilidade de um índice, mas de replicar a estratégia e atingir um rendimento próximo a ele.

Como funciona o ETF

O ETF é um investimento que reflete o desempenho de um índice do mercado em geral ou de um setor específico. 

Alguns exemplos de índices de referência são o índice Bovespa (IBOV), que representa uma carteira teórica composta pelas ações mais negociadas da Bolsa de Valores Brasileira, a B3, ou o S&P 500, que compreende as 500 maiores empresas da Bolsa Norte-Americana.

O desempenho do índice oscila conforme a performance dos papéis que o compõem e consequentemente, o desempenho do ETF seguirá muito próximo disso.

Assim, quando o índice se valoriza, o ETF se valoriza. Quando o índice tem uma desvalorização, o ETF também cai.

Por ser um fundo de investimento, o patrimônio do ETF é dividido em cotas que são negociadas na bolsa de valores.

De modo geral, uma gestora adquire as ações que fazem parte de determinado índice e negocia as cotas.

O investidor que quer investir nas empresas que o compõem, entra no home broker de sua corretora e compra cotas do ETF.

No exemplo do Índice Bovespa (IBOV), é muito mais fácil e ágil investir em um índice do que adquirir individualmente nos mais de 90 papéis que fazem parte do índice. 

Tipos de ETFs

Há uma variedade de ETFs disponíveis no mercado, desde aqueles que acompanham índices gerais do mercado, quanto de setores específicos, nacionais ou internacionais.

Existem também fundos de outros tipos de índices, como ETFs de moedas, de criptomoedas, de commodities ou de papéis de renda fixa.

Atualmente existem 65 ETFs de Renda Variável disponíveis na B3 e 7 ETFs de Renda Fixa.

Também pode existir mais de um ETF de gestores diferentes para o mesmo índice

No caso do principal índice da Bolsa de Valores Brasileira, o Índice Bovespa, alguns exemplos de ETFs que investe na carteira de ações que fazem parte dele é o BOVA11, da gestora BlackRock, o BOVV11, gerido pelo Itaú, o BBOV11, do Banco do Brasil, entre outros.

Alguns exemplos de ETFs setoriais são os que investem em ações do setor financeiro como o FIND11 e materiais básicos (IMAT11). 

Um ETF do segmento de tecnologia da B3 é o TECB11. de commodities, o CMDB11.

Existe também o ETF que investe nas empresas de menor capitalização (Small Cap) como SMAL11, SMAC11 e XMAL11. 

Para diversificar em ações do exterior tem o IVVB11, que segue o S&P500 e investe nas 500 maiores ações negociadas nas bolsas americanas.

Ainda o NASD11 investe nas 100 principais ações de tecnologia da Nasdaq. 

O XINA11 investe nas principais ações de empresas chinesas, o EURP11 em ações de empresas europeias e o EMEG11 investe em diversas ações de grandes empresas em países emergentes. 

Para investir em ouro existe o GOLD11. Já para quem quer se expor aos criptoativos, existe o HASH11, BITH11, QBTC11 e ETHE11.

A lista de ETFs é longa e pode ser encontrada no site da B3.

Vantagens de investir em ETFs

Com a ajuda dos ETFs o pequeno investidor pode diversificar sua carteira de investimentos com baixo custo, alta liquidez e transparência.

Os ETF são muito úteis tanto para quem está iniciando no mercado de renda variável, quanto para aqueles que buscam uma maior diversificação de um jeito passivo.

Investir em ETF é uma forma mais conservadora de começar na renda variável, pois você não estará escolhendo entre um ativo ou outro, mas sim, comprando todas as ações de um índice específico.

Além disso, não precisa se preocupar em escolher as ações sozinho, existe um gestor que vai replicar a rentabilidade de um índice.

Ao investir em diferentes ETFs, é possível diluir os riscos ao diversificar entre segmentos e setores.

Veja as principais vantagens de investir em ETF:

Gestão passiva

A rentabilidade do ETF está atrelada a um índice de referência da renda variável. 

Dessa forma, a composição do ETF é ajustada conforme as modificações no índice, sempre com o objetivo de obter um resultado igual ou superior ao referencial.

Tudo isso fica a cargo dos gestores do fundo. O investidor apenas compra cotas do ETF.

Diversificação

O potencial de diversificação do ETF é uma de suas características mais interessantes. 

Com apenas uma cota se tem acesso a diversos ativos que compõem o índice de referência.

Valor inicial

O valor de entrada das cotas de ETFs é bem acessível. É possível encontrar bons ETFs a partir de R$ 100. 

Liquidez

Os ETFs são ativos negociados diariamente na bolsa de valores.  Sua liquidez é alta, sendo fácil adquirir ou vender as cotas a qualquer momento.

Transparência

Como o ETF segue um índice de referência, é possível saber exatamente quais os ativos que o compõem.

O investidor tem acesso a todas as documentações e sabe tudo o que acontece no seu fundo de índice.

Reinvestimento 

Os ETFs da Bolsa de Valores do Brasil adotam a política de reinvestir os proventos recebidos das empresas nas próprias posições do fundo.

Dessa forma, eles não pagam dividendos, mas usam esse dinheiro para reinvestir e rebalancear as posições do Fundo.

O investidor ganha com a valorização da cota.

Volatilidade mais baixa

Como o ETF é uma cesta de ativos, sua volatilidade tende a ser mais baixa do que as suas ações de forma isolada.

Assim, quando um ativo tem uma queda maior, outro que valorizou tende a compensar a perda e vice-versa.

Portanto, um ETF tende a ter um comportamento mais estável.

Aluguel de ações

Os ETFs permitem ganhar dinheiro com o aluguel de ações.

Então, se você investe em BOVA11 com uma estratégia de longo prazo, pode emprestar esse ativo e receber juros pelo período de aluguel.

Existem investidores de curto prazo que, prevendo a queda de um ativo, tomam emprestado um ativo, em um operação de aluguel, com o objetivo de vendê-lo no mercado e recomprá-lo por um preço menor no futuro, lucrando a diferença.

Para o doador, a pessoa que deixa seus ativos disponíveis para o aluguel, isso representa mais uma possibilidade de ganho com a aplicação, além da valorização das cotas. 

Desvantagens de investir em ETFs

Apesar de todas suas vantagens, é importante ressaltar que o investimento em ETFs também possui algumas desvantagens em comparação ao investimento direto em ações.

Se por um lado ele oferece maior comodidade, a gestão profissional tem um custo, o qual é cobrado pela taxa de administração.

Como o ETF oferece mais segurança em relação ao investimento direto em ações, ele também traz certas limitações de ganhos.

Dificilmente um ETF apresentará ganhos expressivos se comparado ao investimento em ações, por exemplo.

Veja em detalhes as principais desvantagens de investir em um ETF:

Carteira pouco estratégica

Por ser formada de acordo com índices, a composição da carteira dos ETFs não é feita de maneira estratégica. 

Isso quer dizer que não existe uma escolha ativa dos melhores ativos, com as melhores possibilidades de resultados.

Embora seja um investimento simples para diversificar e acompanhar o desempenho geral do mercado, não leva em consideração fatores que o investidor mais experiente analisaria na gestão individual dos seus ativos.

Custos

Mesmo tendo custos menores do que outros fundos de investimento com gestão ativa, os ETFs cobram taxa de administração.

Dependendo do valor da taxa e da quantia que tenha investido, esse valor pode fazer diferença no seu retorno final.

Rentabilidade dos ETFs

A rentabilidade média de um ETF tende a ser a mesma, ou muito próxima, a de seu índice de referência. 

Seu objetivo é exatamente este, manter a carteira o mais próximo possível da composição do seu índice de referência e, por consequência, replicar sua rentabilidade.

Assim, um ETF referenciado no Ibovespa, seguirá as variações do IBOV. 

Se o índice subir 10% em determinado período, espera-se que a rentabilidade do ETF esteja muito perto disso. 

Em contrapartida, se o índice cair 10% no período, o mesmo deverá acontecer com o ETF.

Geralmente a rentabilidade do ETF tem pequenas variações em relação ao seu índice de referência por causa das taxas e operações.

A primeira é a taxa de administração, que embora seja baixa, abocanha uma pequena parte do retorno do fundo.

A segunda diz respeito às operações na composição do fundo. Dependendo do momento em que são feitas, o gestor pode ter dificuldade para replicar exatamente o índice de referência, seja por uma redução da liquidez dos papéis ou variações abruptas do mercado. 

Isso pode afetar ligeiramente a rentabilidade do ETF. No entanto, são variações pequenas e momentâneas.

Custos de investir em ETF

Um fator importante que você deve levar em consideração antes de investir, são os custos que ele pode ter.

No caso dos ETFs eles são semelhantes aos que existem para comprar e vender ações na bolsa de valores. 

Pode ser aplicada uma taxa de corretagem pela corretora que intermediou a operação e, além disso, existem as taxas de negociação à B3, conhecidas como emolumentos.

A grande diferença está na cobrança de taxa de administração paga ao gestor do ETF.

Confira os principais custos deste investimento:

Taxa de administração

A taxa de administração é cobrada anualmente pela administradora do fundo de índice. 

Essa taxa remunera o trabalho realizado pelo gestor, responsável por fazer a negociação dos ativos que compõem o fundo.

Essa taxa varia conforme a corretora e o índice de referência. 

Como a gestão do ETF é passiva, ou seja, não requer acompanhamento direto e elaboração de estratégias específicas, uma vez que replica um índice de referência, a taxa de administração costuma ser menor do que a de fundos tradicionais.

Para ETFs a taxa de administração costuma variar entre 0,20% e 0,80% ao ano. 

Taxa de corretagem 

Dependendo da corretora que utilizar para negociar as cotas do ETF, pode ser necessário pagar uma taxa de corretagem referente à intermediação das operações. 

Entretanto, muitas corretoras já zeraram essa taxa.

Emolumentos

Os emolumentos são as taxas cobradas pela B3 para as operações realizadas.

No caso de pessoas físicas negociando ETFs, a taxa é de 0,0300% por operação.

Tributação dos ETFs

Tanto os ETFs de renda variável quanto os de renda fixa estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda.

A alíquota é a mesma aplicada sobre o mercado de ações em geral.

Para operações comuns, em que a abertura e o fechamento de posição acontecem em dias diferentes, a taxa é de 15% sobre os ganhos.

Para posições abertas e fechadas no mesmo dia, a alíquota é de 20% sobre os ganhos.

No entanto, não há a isenção nas vendas de até R$ 20 mil como acontece nas ações, independentemente da natureza da operação e dos valores.

Para os ETFs de renda variável, o recolhimento do Imposto de Renda não acontece na fonte. 

É responsabilidade do investidor calcular o tributo devido e realizar o pagamento por meio de um Documento de Arrecadação da Receita Federal (DARF) até o último dia útil do mês seguinte à operação.

Já nos ETFs de renda fixa, o imposto é retido na fonte, com recolhimento pela corretora intermediadora.

Como Investir em ETF 

Para investir em ETFs é necessário ter conta em uma corretora de valores.

Se você ainda não possui uma, o primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora de confiança.

Depois, basta acessar a plataforma de investimentos (home broker), pesquisar pelo ETF que deseja comprar, escolher a quantidade de cotas e o valor da compra desejada.

Cuidados ao escolher um ETF

Antes de escolher um ETF para investir é preciso tomar alguns cuidados para evitar resultados diferentes das suas expectativas. 

1. Administradora

O primeiro é verificar quem é a administradora do fundo e sua reputação.

Confira no site da B3 os ETFs listados

2. Índice

Depois analise o índice de referência utilizado pelo ETF e se sua composição é de seu interesse.

Compare também as composições do índice e do ETF, eles devem ser semelhantes.

3. Custos

Por fim, verifique o valor cobrado para investir e se as taxas de administração estão dentro do aceitável para fundos de gestão passiva.

Veja também qual o valor mínimo que precisa ser investido.

Resumindo

ETF é um fundo de índice que busca reproduzir um indicador de referência do mercado.

O investimento em ETF oferece uma carteira diversificada, e pode ser uma opção interessante para quem busca se expor indiretamente ao mercado em geral ou setores específicos.

Ao comprar cotas de um ETF você está escolhendo todos os ativos que compõem o índice de referência.

Por isso, são considerados uma alternativa interessante para quem quer começar a investir, mas não tem tempo, conhecimento ou ainda não se sente seguro sobre quais ações escolher individualmente. 

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