IRBR3: ainda cheirando mal

Caiu 80 por cento e ainda está cara
Marcelo Fayh

Marcelo Fayh

Sócio do GuiaInvest, especialista na geração de renda através de bons investimentos.
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Caro leitor,

Veja a frase abaixo: “As ações da IRBR3 abriram em queda vertiginosa no pregão de ontem e fecharam a 41,00 reais, uma queda de 8,54% em um único pregão”.

Assim começou o texto de um e-mail que enviei a todos os leitores do GuiaInvest no dia 04 de fevereiro deste mesmo ano.

Nele, me comprometi a continuar acompanhando o caso dela.

Hoje, esse mesmo papel é negociado a 7,80 reais.

Isso depois de uma alta de 8,79 por cento no pregão de ontem.

Dane-se a cotação dela.

Aliás, a essas alturas, dane-se o case todo.

Os pontos que a Squadra levantou a respeito da IRBR3 são graves e foram muito bem justificadas por uma série de indícios.

Se quiser entrar em detalhes, coloca no Google “carta Squadra IRB” que ela vai aparecer em primeiro lugar.

Logo após a divulgação da carta, a IRB se defendeu dizendo que a gestora estava operando vendida (apostando contra) no papel e que havia um claro conflito de interesse neste ato.

Até aí tudo bem, mas ela ainda precisava se explicar.

A empresa elevou o tom, dizendo que suas demonstrações contábeis são auditadas e que ela não teria cometido nenhuma irregularidade.

Quem é do mercado sabe que o fato de ser auditada não torna a contabilidade a prova de fraudes, só dificulta.

Outro ponto a ser levado em conta é o seguinte: o negócio da IRB é um negócio de confiança.

Afinal quando você faz o seguro você está pagando adiantado, confiando que a seguradora estará lá quando e se você precisar.

Se a empresa quebrar essa confiança, ninguém mais quer ser cliente dela.

Onde quero chegar é que ela não tinha outra opção que não fosse “dobrar a aposta”.

Ela escolheu um caminho (caso seja mesmo o de fraudar) sem volta.

Não dá para voltar atrás e dizer que está arrependida.

Não vai funcionar.

Assim ela o fez.

Passado pouco tempo, as notícias envolvendo ela ficavam cada vez piores.

E as cotações oscilaram para cima e para baixo ao sabor delas.

Na prática, muito mais para baixo do que para cima.

No final de fevereiro, ela teria dito que o Warren Buffett, através da Berkshire Hathaway (sua empresa de investimentos) teria uma participação na empresa.

Foi desmentida pelo próprio Buffett em seguida.

Esse episódio ocasionou a renúncia do vice presidente financeiro da IRB e a abertura de um processo administrativo por parte da CVM contra a empresa.

Em abril dois membros do conselho de administração e seus suplentes, indicados por Bradesco e Itaú, pediram renúncia de seus cargos.

A Susep (Superintendência de Seguros Privados), que regula o mercado de seguros no Brasil, instaurou uma fiscalização especial na empresa.

O motivo: insuficiência de “ativos garantidores de provisões técnicas”.

Em bom português, risco de insolvência para pagar os sinistros.

Em maio foi uma saraivada de notícias ruins.

Ela demitiu seu diretor de controladoria por fraude em contratos.

A Lazard, um banco de investimentos norte-americano, reduziu muito sua posição em ações da empresa, saindo de 5,28 para 3,78 por cento de participação.

Ela realizou reunião com clientes onde negou ter problemas de solvência e garantiu que cumprirá seus contratos.

E mais um suplente do Conselho de Administração pediu renúncia.

Enfim, no meio desse monte coisa ruim acontecendo com a empresa, os preços foram caindo e caindo.

Os indicadores relacionados ao preço como P/L, Dividend Yield, P/VP começaram a ficar muito “bons”.

Vários amigos compraram ações da empresa e em seguida vieram me perguntar o que eu achava dela, naquele caso clássico de viés de confirmação.

Quando primeiro você faz a bobagem e, depois, fica procurando alguém que te apoie.

Não foi o que encontraram em mim.

Eu respondia sempre a mesma coisa: “A IRBR3 tem cheiro de m_, forma de m_, cor de m_. Ela vai ser o que?!”

Para mim, tudo indica que a Squadra está certa e aparecer a verdade sobre IRBR3 é só uma questão de tempo.

IRBR3 deu uma ré de mais de 80 por cento e não está barata.

Se você está começando na bolsa, não tente fazer gol de bicicleta na sua primeira temporada.

A hora é de pragmatismo, tem ação de empresa espetacular sendo negociada a migalhas.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

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