OIBR3: não tente ganhar dinheiro fazendo a coisa errada

OIBR3: não tente ganhar dinheiro errando. Buscar o turnaround perfeito é a receita para o insucesso.
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.
investir em oibr3

Olá, como você vai?

Hoje vou retomar um assunto que ainda está rendendo muito nos fóruns e no YouTube: OIBR3 e turnarounds em geral.

Processos de turnaround ocorrem quando uma empresa com uma situação difícil dá um reviravolta no negócio.

Entra uma nova equipe de executivos, há uma reestruturação do negócio, há uma mudança nas práticas de governança ou mesmo, de maneira exagerada, alguma disrupção que ajuda a empresa a sair de um buraco e ir para o topo.

O caso mais conhecido de turnaround é o de Magazine Luíza (MGLU3).

É inegável que processos bem-sucedidos de turnaround geram os processos mais absurdos de valorização.

Os incríveis 40.000 por cento de valorização da MGLU3 em 5 anos são uma prova material.

Hoje a bolsa oferece diversos candidatos a turnaroundOIBR3, CIEL3, VVAR3, TASA4, etc.

Mas qual é o problema disso tudo?

O problema é que os turnarounds bem-sucedidos são minoria. A regra é que a empresa ruim siga ruim.

No entanto, antes mesmo de vermos os investidores darem com a boca no chão, ouvimos histórias maravilhosas de como linearmente uma determinada empresa irá ressurgir das cinzas.

​Mas o mundo real não é assim.

A história vai contar o que foi, não o que poderia ter sido.

Diversos casos poderiam ter dado certo, mas não deram.

E o mercado pune. A realidade aparece. O caso de Lupatech é um clássico.

Ela ganharia rios de dinheiro prestando serviços para extração do pré-sal.

A história contada era plausível e crível. Isso basta para a ação da empresa subir um bocado.

Como o próprio Henrique Bredda falou que caiu na conversa, ele viu as ações subirem +185 por cento antes de caírem -96 por cento.

Veja: você não precisa estar certo para ter ganho os primeiros +185 por cento.

Mas depois a verdade veio.

A história do que a Lupatech poderia ter sido ninguém mais lembra.

Sobraram as cicatrizes.

E de toda forma, mesmo que o turnaround emplaque (o que é não é a regra), o risco assumido é muito grande.

Em termos de princípios de um investidor inteligente, é uma decisão errada antes mesmo do resultado ser conhecido.

Mas o que afinal é uma boa decisão?

Investir em ações de boas e já consolidadas empresas visando o longo prazo.

Antes do resultado ser conhecido, será uma decisão muito mais acertada.

Os resultados históricos dessa estratégia falam por si.

Não busque o turnaround perfeito. Fazendo o simples bem feito se gasta menos energia e as chances de você ter um resultado maior aumentam demais.

Coloque as probabilidades a seu favor.

A OIBR3 é uma empresa com uma dívida bilionária e que acumula prejuízos há mais de 5 anos.

Hoje a direção da empresa promete investimentos em fibra, venda de ativos para fazer caixa, renegociação de dívidas e toda uma remodelação na estrutura da empresa.

Mesmo que tudo isso seja executado com toda diligência, o resultado é incerto. Vão ter que combinar com os russos.

É aquela coisa: basta driblar o time adversário inteiro e entrar com bola e tudo para fazer um gol de placa.

Depois que aconteceu é maravilhoso, mas não é o método mais eficaz.

Fique em paz com o seu gol de canela dentro da pequena área.

​O esforço é menor e o resultado positivo é muito mais provável.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

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