Os 9 Vilões dos Investimentos

Andre Fogaca

Andre Fogaca

Sócio-fundador do GuiaInvest e formado em Administração e pós-graduado em Economia pela UFRGS.
Os 9 Vilões dos Investimentos

Será que a vida imita mesmo a arte? Através das analogias que preparei neste artigo, você vai saber se está sendo vítima de algum dos 9 vilões dos investimentos. Vamos lá?

Não há nada como um bom vilão no cinema, na televisão, nos livros, nos quadrinhos. Muitas vezes, eles roubam a cena, nos entretêm mais do que qualquer outro personagem e nos deixam com um sorriso no rosto quando finalmente são derrotados.

Mas na vida real, e particularmente nos investimentos, eles não são nada divertidos.

Hoje quero apresentar os principais vilões dos investimentos para você e traçar paralelos a respeito do investimento em ações.

Prepare-se para conhecer alguns que você deve derrotar na hora de investir.

1. Síndrome: O começo é difícil

Síndrome: O começo é difícil

O grande vilão de Os incríveis da Disney/Pixar se enveredou pelo caminho do mal porque teve uma infância difícil. Como se todos que sofreram quando criança virassem adultos problemáticos para a sociedade.

Concordo que investir na bolsa não é como, por exemplo, uma poupança.

Todos tivemos nossos cofrinhos desde bebezinhos, onde íamos colocando as moedas (menos os que cresceram na hiperinflação dos anos 1980 – esses aprenderam a gastar tudo hoje, porque na outra semana tudo – dos gibis ao carro zero – subia assustadoramente) e dali para o banco, onde nosso dinheirinho crescia para que, quando adultos, bem, não era nada.

Ao contrário, se os pais ensinassem os filhos a investir, se comprassem poucas ações a cada mês, se fossem criando uma carteira que gerasse dividendos e possíveis desdobramentos, a criança chegaria aos 18 anos com uma posição financeira mais confortável.

Basta se informar um pouco, visitar os sites das empresas em que se quer investir, escolher seu home broker – todos os maiores bancos do país têm um – e abrir sua conta.

Operar um home broker é tão fácil quanto fazer qualquer investimento no aplicativo do banco.

Começar é fácil. O mais difícil é ter disciplina para continuar a comprar ações e paciência para não vendê-las enquanto estiver formando patrimônio.

2. Le Chiffre: Bolsa e Cassino são a mesma coisa

Le Chiffre

O vilão de 007 – Cassino Royale ganha a vida lavando dinheiro para bandidos, mas é visto com mais frequência em cassinos, apostando o que tem e o que não tem.

Muitos acham que existe mesmo uma conexão: investir na Bolsa equivaleria a uma viagem a Las Vegas ou a Monte Carlo.

Mas vamos comparar: nos cassinos, as variáveis são fixas: a casa sempre vence. Ponto.

Em alguns jogos o apostador está em desvantagem menor (Blackjack), em outros, em desvantagem maior (caça-níqueis), mas sempre está em desvantagem.

Não existem métodos ou segredos para ganhar na roleta. E, por mais que você estude e treine para ser um craque no pôquer, ainda assim não reverterá as probabilidades nem terá vitórias garantidas.

Ao investir em ações, ao contrário, você tem muitas informações a seu dispor. Visite o site da BMF&Bovespa, o site das empresas e o GuiaInvest PRO.

Você terá uma boa ideia de quais são as empresas mais sólidas, quais os setores da economia estão em ascensão, quais papéis você pode comprar para compor sua carteira de aposentadoria. Dica: elas tendem a ser boas pagadoras de dividendos.

Saiba mais sobre como investir em boas pagadoras de dividendos em minha videoaula gratuita sobre o assunto.

No cassino, você aposta. Na bolsa, você toma decisões racionais baseadas em fatos, números e dados.

Quanto mais informação de qualidade você conseguir, maiores as chances de tomar a decisão mais acertada e que irá ajudá-lo a aumentar seu patrimônio.

Tome um cuidado extra na hora de se informar. Existem muitos sites duvidosos por aí, concentre-se nos mais conhecidos e sólidos. Esta é a forma mais inteligente de fugir dos vilões dos investimentos.

3. Lex Luthor: Bolsa é só para quem tem dinheiro

3. Lex Luthor: Bolsa é só para quem tem dinheiro

O arquirrival do Superman consegue fazer suas maldades porque nada em dinheiro. Em suas histórias, já fez de tudo, desde criar mega-robôs até comprar a presidência dos Estados Unidos (qualquer semelhança é mera coincidência. E Lex, pelo menos, assume a careca).

E, lógico, vez por outra causa uma bagunça na bolsa comprando concorrentes e ameaçando levar adversários à bancarrota. Por isso, pode ser um dos maiores vilões dos investimentos.

No mundo real, essas situações caricatas são raríssimas. Tanto que incorporações hostis, como quando uma empresa é adquirida independentemente de sua vontade, viram notícia no mundo inteiro, como o caso da InBev e Anheuser-Busch, que resultou na atual AB InBev. Não é coisa que acontece todo dia, nem todo ano.

A bolsa não fala só em milhões, fala também em comprar umas poucas ações a cada mês, fazer o trabalho de formiguinha, construir patrimônio conforme suas possibilidades.

E, conforme o tempo passa, essa acumulação se torna mais fácil, pois você pode começar a receber dividendos que podem ser reinvestidos na empresa.

Bolsa é para quem tem um milhão de reais sobrando, mas também para quem tem uma modesta economia para construir seu futuro.

4. Duas caras: Bolsa é um jogo de cartas marcadas

Duas caras: Bolsa é um jogo de cartas marcadas

Esse vilão do Batman define suas ações de acordo com o lançamento de uma moeda. Se cair o lado limpo, ele se entrega às autoridades. Se cair o lado riscado, ele vai em frente com seu plano.

Da mesma maneira, algumas pessoas acreditam que os resultados da bolsa são predeterminados, que algumas pessoas sempre vencem.

É fácil vencer esse personagem no mundo dos maiores vilões dos investimentos. É só lembrar que ações são pedaços de empresas, cujos presidentes e diretores precisam que ela vá bem para sustentarem suas famílias, que não vão conseguir outro emprego se tiverem fama de ter levado uma companhia à falência.

E que tem dezenas, centenas de outras famílias que dependem do seu bom funcionamento.

Mais, na Bovespa são dúzias e dúzias de empresas listadas, fora a possibilidade de comprar papéis estrangeiros, de investir em índices e não em uma empresa isolada.

E não vou nem mencionar a macroeconomia, as ações do governo nacional e de outros países. E nem o que o nosso planetinha apronta de quando em quando. Seca aqui, supersafra acolá, e pronto. Uma reação em cadeia que afeta as bolsas do mundo inteiro.

Você acha mesmo que é possível interferir nesse sistema para beneficiar seguidamente um grupo de pessoas?

O máximo que pode acontecer é um ataque especulativo, que dura normalmente um pregão – alguém espalha uma notícia sobre uma empresa, e investidores pouco informados correm comprar ou vender aquele papel, gerando ganhos para poucos. Contra isso, dê uma olhada no número 7 desta lista.

5. Espantalho: Tenho medo de perder tudo

Espantalho: Tenho medo de perder tudo

Outro vilão do Batman, esse espalha seu gás do medo que deixa as pessoas apavoradas, sem condições de fazer nada.

Da mesma forma, pessoas que investem na Bolsa têm medo que seu investimento vire pó.

É bom lembrar da frase atribuída a Delfim Netto: “nenhum banco quebra de repente“. Nenhuma empresa vai à bancarrota sem dar sinais claros antes.

Veja, por exemplo, a Sony: há alguns anos ela vem vendendo unidades de negócios – a mais recente foi a sua fábrica de pilhas e baterias – e concentrando seus investimentos nas áreas de videogames e celulares, e ativos imateriais, como música.

Em julho de 2016, a empresa foi ultrapassada em valor na Bolsa de Tóquio pela rival Nintendo. Isso não significa que o quarto maior conglomerado de mídia do mundo vai quebrar – mas o mercado entende que a Sony não é mais a bambambã que era.

Da mesma forma, a empresa em que você investe dará sinais de alerta. Além disso, você provavelmente investe em mais de uma empresa, até para receber os dividendos em datas diferentes e administrar melhor seu patrimônio. Quais as possibilidades de duas ou três empresas irem mal ao mesmo tempo?

E, se você preferir investir em empresas boas pagadoras de dividendos, você sabe que tem uma vantagem a mais: elas tendem a ser as empresas mais sólidas do mercado, poupando você de algumas dores de cabeça.

Apesar da analogia do Espantalho representar um dos grandes vilões dos investimentos, é perfeitamente possível escapar dele.

6. Maga Patalójika: Compre essa ação que está barata

Maga Patalójika: Compre essa ação que está barata

Sabe porque ela é uma das maiores vilões dos investimentos? Essa vilã está sempre atrás da moedinha número 1 do Tio Patinhas.

Enquanto outros correm atrás de grandes fortunas, objetos que não têm preço, ou de dominação mundial, ela quer só uma moeda. Certo, teoricamente, aquela moeda daria a ela grandes poderes, mas vamos deixar isso de lado nesse exemplo.

Assim como ela, muitas pessoas não resistem ao que parece ser uma pechincha e compram uma ação só porque ela está no fundo do poço e só pode subir daqui para diante.

Só que o preço é um péssimo indicador para comprar uma ação. Muitas vezes, sua valorização está lá embaixo devido a um motivo específico.

Olhar apenas o valor momentâneo da ação, sem pesquisar outros indicadores, histórico, possíveis problemas é uma péssima maneira de investir.

Fique com o conselho de Warren Buffett:

“Prefiro comprar ações de uma empresa excelente a um preço bom do que comprar uma empresa boa a um preço excelente.”

E uma empresa cuja ação pareça uma pechincha pode nem sequer ser boa. Analise outros fatores além do preço. Se precisa de um apoio, sugiro que leia os dois artigos abaixo:

7. Lobo Mau: Um pouco de conhecimento é melhor que nenhum

Lobo Mau: Um pouco de conhecimento é melhor que nenhum

Na história dos três porquinhos, o lobo se livra da casa de palha, da de madeira, mas não consegue derrubar a terceira, de tijolos.

Seu conhecimento e suas habilidades só chegavam até certo ponto. Enquanto concordo que um pouco de conhecimento pode evitar que você caia na situação de cima, ele não vai fornecer as ferramentas necessárias para aumentar o seu patrimônio.

Os investidores mais bem-sucedidos são aqueles que gastam algum tempo pesquisando antes de investir.

No setor de metalurgia e marcenaria há o seguinte ditado:

“meça duas vezes para só ter que cortar uma vez.”

Da mesma forma acontece com as ações. Se for preciso adiar uma semana ou alguns meses para pesquisar e comprar ação de uma empresa pela primeira vez com convicção, adie.

Nos próximos meses você não precisará desse trabalho, só de uma olhada pelas novidades.

Para escapar de um dos maiores vilões dos investimentos, não se contente em saber um pouquinho. O sucesso, como na história do lobo, pode estar atrás de uma parede de tijolos.

8. Matrix: Tudo será como antes

Matrix: Tudo será como antes

No mundo de Matrix, todos os seres humanos estão presos em um presente eterno, que se repete outra e outra vez, com poucos avanços e variações.

Da mesma maneira, muitos acreditam que uma ação que estava muito valorizada e despencou vai subir de novo, e uma ação com rápida valorização vai cair a seu nível anterior.

Descontando especulação pura que vimos no vilão número quatro (duas caras), essa volta ao nível de antes dificilmente ocorre. Este é um erro que está na lista dos grandes vilões dos investimentos.

Podemos separar o movimento das ações em duas partes. A primeira é influenciada por indicadores macroeconômicos, pela confiança das pessoas na economia do país, por ações de governos. Isso tudo gera um movimento similar nas ações, que você pode acompanhar nos índices.

Agora, existe também o movimento das ações devido ao que elas fazem. E isso independe de qualquer ação externa.

Vamos pegar a Petrobras como exemplo. O tipo de investidor Matrix espera que as ações da empresa voltem ao seu auge, que hoje parece que foi há milhares de anos. Só que existem fatores a considerar.

Devido ao desenvolvimento de novas tecnologias, que tiram petróleo de poços antes considerados secos, e às ações de estímulo mundial a combustíveis alternativos, o preço do óleo despencou mundialmente.

Até mesmo a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reconheceu que não pode mandar mais tanto no preço e oferta do produto. Esses são fatores externos.

Internamente, para se recuperar de problemas de governança e diminuir o prejuízo, a empresa vendeu muitas de suas operações no exterior, diminuindo de tamanho e se concentrando apenas no mercado interno.

Isso torna muito mais difícil uma recuperação dos papéis da empresa a curto e médio prazo. Não é impossível, mas improvável.

9. Loki: Aquela empresa de trade sempre bate o índice

Loki: Aquela empresa de trade sempre bate o índice

Loki, irmão e rival de Thor, é um dos deuses com mais recursos no panteão nórdico.

Esperto, com grande capacidade estratégica e capacidade de se transformar em qualquer coisa, Loki é considerado o deus dos trapaceiros e só é tolerado pelos outros porque, de uma forma ou de outra, todos os deuses acabam se beneficiando de suas malandragens. Entende porque ele está na lista dos maiores vilões dos investimentos?

No mundo real, isso é muito difícil. Não é possível dizer que uma ação vai oferecer retornos sempre superiores ao do mercado.

Pode-se conseguir tal performance de quando em quando aumentando o risco do investimento, algo não recomendável para quem está construindo seu patrimônio.

Siga novamente o conselho de Warren Buffett:

Se você não está disposto a ficar com uma ação por dez anos, não fique com ela por dez minutos.

Como se proteger contra os vilões dos investimentos

Como se proteger contra os vilões dos investimentos

Tenha disciplina e construa sua carteira aos poucos. Evite a armadilha de ganhar dinheiro rápido. Isso dificilmente acontece, a não ser que você seja um vilão. Mas, cuidado, nas grandes e melhores histórias, o bem sempre prevalece.

Você já teve que “enfrentar” algum dos vilões dos investimentos que citei? Conte sua história nos comentários e ajude a proteger outros investidores do bem!

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