Por Que Não Vale a Pena Deixar seu Dinheiro Aplicado na Poupança

Investir na poupança continua não valendo a pena mesmo com a alta da Selic.
André Fogaça

André Fogaça

Co-fundador do GuiaInvest, pós-graduado em Economia e Consultor de Investimentos CVM

Por Que Não Vale a Pena Deixar seu Dinheiro Aplicado na Poupança

Apesar de ser a aplicação mais popular entre os brasileiros, não vale a pena deixar seu dinheiro aplicado na poupança. Nem mesmo com o aumento da taxa básica de juros (Selic).

Depois de alcançar suas mínimas históricas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou uma elevação da Taxa Selic para tentar conter o aumento da inflação.

Ao todo, já são nove aumentos consecutivos na taxa que está atualmente em 11,75% ao ano. 

Embora o rendimento da poupança tenha correlação com a Selic e a poupança tenha voltado a funcionar na regra anterior, conforme você verá adiante, a rentabilidade da poupança continua não sendo atrativa em relação aos outros produtos conservadores.

Se seu objetivo é fazer o dinheiro render ou, pelo menos, preservar seu poder de compra, a poupança não vale a pena, pois continua sendo uma das alternativas menos rentáveis do mercado.

Seu rendimento fica abaixo do CDI, índice de referência mais utilizado nos investimentos de renda fixa.

Ou seja, mesmo com a alta da taxa Selic, sempre existirão alternativas de investimentos mais atraentes, pois a rentabilidade de outros investimentos de renda fixa também tendem a subir.

Mesmo assim, a poupança ainda é o investimento preferido dos brasileiros e destino de 29% das economias, segundo dados do Raio-X do Investidor Brasileiro de 2021, realizado pela Anbima.

Isso é o equivalente a 30 milhões de pessoas das classes A, B e C que ainda estão perdendo dinheiro ao deixar ele aplicado na poupança.

Para entender o porquê isso ocorre é fundamental compreender o rendimento da poupança e quais as alternativas mais rentáveis e igualmente seguras para substituí-la.

Continue a leitura e descubra por que não vale a pena deixar seu dinheiro na caderneta de poupança.

O que é caderneta​ de poupança?

A caderneta de poupança, ou apenas de poupança, é um tipo de conta registrada em um banco que paga um prêmio mensal sobre o valor aplicado.

Além de sua praticidade e liquidez, esse tipo de aplicação se tornou muito popular também pelo contexto histórico, já que foi o primeiro investimento dos brasileiros.

A caderneta de poupança foi criada juntamente com a Caixa Econômica Federal, em 1861, por meio de um decreto do Imperador D. Pedro II.

A ideia era garantir que todas as pessoas tivessem acesso a uma opção de investimento seguro, que inicialmente pagava 6% de juros por ano.

Curiosamente, o termo “caderneta de poupança” vem da forma como o processo era feito.

Na época, todas as informações sobre o investidor, o dinheiro poupado e os juros recebidos eram feitas em cadernos pequenos (cadernetas) pelos próprios funcionários da Caixa Econômica.

De lá para cá, muita coisa mudou, inclusive seu rendimento.

Durante muito tempo, a poupança era uma das únicas formas de diversificar a carteira de investimentos. Hoje, há uma variedade de aplicações em renda fixa que são mais vantajosas e igualmente ou até mais seguras.

A caderneta é regulada pelo Banco Central do Brasil que estabelece regras como:

  • Alta liquidez: é possível sacar o dinheiro guardado na conta poupança a qualquer hora;
  • Ausência de taxas: o banco não cobra nenhum tipo de taxa para abertura de conta ou manutenção;
  • Isenção de impostos: não é cobrado Imposto de Renda ou IOF sobre os rendimentos;
  • Rentabilidade definida: a rentabilidade é a mesma em qualquer banco​ que disponha dessa modalidade de aplicação. 

Com funciona o rendimento da Poupança

O rendimento da poupança depende basicamente de duas taxas: a taxa básica de juros da economia (Taxa Selic) e a Taxa Referencial (TR).

Os valores depositados na poupança a partir de 4 de maio de 2012 seguem um novo modelo de rendimento conforme o valor da Selic.

Para o cálculo considere-se a seguinte regra pré-estabelecida:

  • Selic igual ou menor que 8,5% ao ano: poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial (TR);
  • Selic acima de 8,5% ao ano: a poupança rende 0,5% ao mês + TR.

Já para depósitos em poupanças anteriores a essa data, o rendimento segue em: 0,5% ao mês mais a variação da TR, independente do valor da Selic.

Em meio à escalada da Selic, a TR, que estava nula desde setembro de 2017, saiu do zero desde o final de 2021. Com isso, o rendimento da caderneta de poupança teve um pequeno ajuste.

A Taxa Referencial (TR) foi criada na década de 1990 para ser uma taxa de referência aos juros praticados no Brasil, em um papel semelhante ao que a taxa Selic exerce atualmente.

Hoje, ela serve como um indicador para a atualização monetária de algumas aplicações financeiras e operações de crédito como financiamentos.

O valor da TR é proporcional à variação de um outro indicador, a Taxa Básica Financeira (TBF), que é calculada a partir da média ponderada das taxas de juros dos títulos públicos prefixados no mercado secundário, o ambiente em que os investidores compram e vendem os títulos entre si.

Não se preocupe com todas essas definições, já que a Taxa Selic é definida e divulgada pelo Copom e o valor da TR é calculado diariamente pelo Banco Central. 

Em dezembro de 2021, a Taxa Referencial passou a ser 0,048% ao ano. Em janeiro, por exemplo, variou de 0,0231% a 0,1436% ao mês e atualmente está em torno de 0,0971%.

Resumidamente, o rendimento nominal da poupança está diretamente atrelado à variação da taxa de juros do país, a Taxa Selic.

Para saber mais da Taxa Selic e como ela impacta nos seus investimentos, veja o vídeo no nosso canal do YouTube.

Nos últimos anos, as taxas de juros viveram dias turbulentos no mercado financeiro brasileiro. 

A Selic se manteve alta desde 2016, quando iniciou um processo de queda gradual que se estendeu até 2021, quando a Selic atingiu seu mínimo histórico de 2% ao ano.

Logo em seguida, os juros começaram um movimento de elevação em resposta aos impactos econômicos da pandemia e a alta da inflação que levou a Selic ao patamar de 9,25% ao ano até o final de 2021 e os atuais 11,75% ao ano em março de 2022.

Consequentemente, essas mudanças afetaram a rentabilidade da poupança.

Isso fica claro quando analisamos, no gráfico abaixo, a evolução histórica do rendimento mensal da poupança de junho de 2012 até janeiro de 2022:

Mas só observar a rentabilidade da poupança não é suficiente para decidir se o investimento vale a pena.

Apesar de seu rendimento estar atrelado à Selic, é preciso comparar seu rendimento nominal com o da inflação do período.

Na prática, a inflação impacta o rendimento real da poupança.

Afinal, quanto maior a elevação dos preços na economia, menor o ganho de poder de compra.

Por exemplo, se a inflação de um ano foi de 10%, significa que é preciso gastar 10% a mais para comprar exatamente os mesmos bens que comprava há um ano. 

Seguindo este mesmo exemplo, um investimento só preserva seu poder de compra se render no mínimo 10% ao ano.

Esse efeito da inflação é facilmente ignorado, pois não o vemos.

Quando acessamos o extrato dos investimentos, verificamos apenas que os investimentos estão se valorizando, mas não observamos o “retorno real” que o investimento entrega, ou seja, aquele depois de descontado o efeito da inflação.

No gráfico a seguir podemos ver a rentabilidade real da poupança desde 2012. 

Perceba que em muitos momentos ela ficou abaixo da linha do nível zero. Isso significa que a poupança teve retorno real negativo. Em outras palavras, ela perdeu para a inflação

Quanto rende a poupança hoje

Para exemplificar tudo o que falamos, vamos calcular quanto a poupança rende hoje.

Com a Taxa Selic atualmente em 11,75%, a regra para o cálculo da poupança é segue a seguinte equação (Selic maior que 8,5%): 

Rendimento da poupança = rendimento fixo de 0,5% ao mês + TR

Nesse cenário, o rendimento atual da poupança é 6,17% ao ano. 

Isso significa que manter R$ 1 mil parado na caderneta de poupança durante 12 meses rende R$ 61,70.

Em um primeiro momento, não parece tão ruim, mas ainda precisamos descontar a inflação, que está estimada em 6,45%.

Nesse caso, a rentabilidade real da poupança será negativa, de – 0,26%. Ou seja, nem com a alta da Selic, a poupança continua não valendo a pena.

Quando analisamos a rentabilidade da poupança em 12 meses, os números são ainda piores.

São 18 meses seguidos em que a caderneta de poupança perde para a inflação, segundo levantamento da Economatica.

Rentabilidade real da poupança em 12 meses
Rentabilidade real da poupança em 12 meses. Imagem: Economia G1

Por que tanta gente continua perdendo dinheiro na poupança?

O principal motivo pelo qual a poupança continua sendo a aplicação mais popular entre os brasileiros, com saldo que supera um trilhão de reais, é cultural

Quem tem mais de 30 anos certamente ainda se lembra do jingle da poupança Bamerindus que dizia que: “o tempo passa / o tempo voa / e a poupança Bamerindus continua numa boa”.

Ou já puxando para os anos 2000 com os Poupançudos da Caixa, uma série de brinquedos promocionais distribuídos pela Caixa Econômica Federal voltada para o público infantil.

Um dos atrativos centrais apontados como os motivos para manter o dinheiro na caderneta de poupança é a facilidade de investir e de sacar o dinheiro. 

Como a poupança é oferecida pelos bancos, sua conta já tem automaticamente uma conta poupança atrelada.

Outro ponto destacados pelos investidores é a segurança, pois seu dinheiro estará nos grandes bancos, que são instituições fortes que faturam bilhões.

Conta também com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, limitada a R$ 250 mil por banco, com teto de R$ 1 milhão por CPF. 

O número de pessoas perdendo dinheiro na poupança é resumido com uma palavra: informação! 

Sabemos que muitas pessoas não têm conhecimento de outros investimentos ou acham eles complicados e, por isso, ficam na poupança.

Quando na verdade existem investimentos simples, fáceis e igualmente seguros, mas que rendem muito mais do que a poupança.

Além disso, diferente de outros investimentos de renda fixa, o rendimento da poupança conta com a regra do aniversário, que nada mais é do que a data em que sua aplicação rende.

Cada depósito que você realiza possui um aniversário, o dia em que o investimento foi realizado. 

Para render, o dinheiro precisa necessariamente permanecer investido até completar 30 dias.

Por exemplo, se você investiu R$ 100 no dia 16 de março, o rendimento só será creditado no próximo dia 16.

Caso o resgate seja efetuado antes deste tempo, perderá toda a rentabilidade do período, mesmo que a retirada ocorra após 29 dias do aporte.

Onde investir para sair da poupança

Decidido a tirar o dinheiro da poupança? Então veja quais as melhores opções para investir seu dinheiro.

O consenso do mercado é que existem outras alternativas de investimentos tão ou mais seguros que a poupança que proporcionam um rendimento superior.

Apesar de parecer algo difícil ou trabalhoso, sair da poupança não é complicado e a remuneração extra compensará qualquer esforço.

Com a atual Selic em dois dígitos, os investimentos em renda fixa ficam mais atrativos.

A principal opção são os títulos públicos vendidos por meio do Tesouro Direto, além de produtos como CDBs (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letras de Crédito Imobiliário), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), que também contam com a garantia do FGC.

Simulações do buscador de investimentos Yubb mostram que, com a Selic a 11,75%, o retorno líquido (rentabilidade descontada a inflação e o imposto de renda) de diferentes investimentos de renda fixa continuam superando o oferecido pela poupança.

Veja quadro abaixo:

Imagem: G1

Se a poupança rende muito pouco para nos proteger da inflação e ainda está oferecendo uma rentabilidade negativa, existem muitas alternativas que conseguem compensar os efeitos da inflação com segurança, mesmo colocando os impostos na conta.

São eles:

Tesouro Selic

A principal opção para sair da poupança são os títulos do Tesouro Nacional. 

Quando compramos um título do Tesouro, estamos emprestando o dinheiro para o Governo Federal, que vai devolvê-lo com juros em uma data futura. 

O Tesouro Direto é considerado o investimento mais seguro do país. Mesmo não contando com o FGC, o risco do investidor está atrelado ao governo, que é considerado o melhor pagador da economia.

Por isso, o risco de investir nos títulos do Tesouro Direto é menor do que o da poupança, já que esta última está atrelada à instituição financeira em que a aplicação foi realizada.

Dentre os títulos públicos, o Tesouro Selic é a aplicação que melhor substitui a poupança. Ele é seguro, possui liquidez diária e rende mais.

Diferente da poupança que tem a data de ‘mêsversário’, o tesouro selic possui remuneração diária.

Como o próprio nome diz, o Tesouro Selic acompanha a Taxa Selic. Sendo assim, ele sempre irá acompanhar o rendimento dessa taxa.

Vale destacar, que ainda, mesmo com a incidência de Imposto de Renda (IR), seu rendimento é superior ao da poupança.

Tesouro IPCA

Outro título público dentre os melhores investimentos de renda fixa é o Tesouro IPCA. 

Esse título está atrelado ao índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e é indicado para aqueles investidores que buscam um retorno financeiro real, acima da inflação. 

Como esse título possui vencimentos mais longos, é preciso estar atento para quando irá precisar do dinheiro.

Embora ele possa ser sacado a qualquer momento, resgates antes da data de vencimento estão sujeitos à marcação a mercado, ou seja, o valor que está sendo comercializado no dia.

Caso seu plano não seja usar o dinheiro logo, o Tesouro IPCA é uma ótima opção para preservar seu poder de compra.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Outra alternativa em renda fixa para investir o recurso da poupança são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com liquidez diária. 

Estes são títulos emitidos por instituições financeiras e possuem remuneração atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que por sua vez, acompanha de perto a Selic.

Provavelmente o banco que você tem conta oferece um CDB. Esse é um investimento bem fácil e pode ser realizado direto pelo aplicativo do seu banco.

Contudo, é preciso ficar atento, porque a maior parte dos grandes bancos costumam oferecer CDBs com remunerações baixas, como 70% ou 80% do CDI.

De modo geral, um percentual mais adequado estaria próximo de 100%. CDBs assim você encontra em instituições menores e são ofertados em corretoras de valores.

O CDB é um investimento seguro, com garantia do FGC e diferentes prazos. Por isso, fique atento a eles na hora de escolher a melhor opção.

O investimento possui Imposto de Renda, mas mesmo assim, seu rendimento é maior que o da poupança.

LCI e LCA

Aquele investidor que pode abrir mão da liquidez, encontra em produtos como a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), boas opções.

Além de poder render 95% do CDI e ainda ser isento de imposto de renda.

Para aqueles que querem ir além, existem outros investimentos de Renda Fixa que podem render mais, mas com maior risco.

Tem ótimas opções para diversificar seus investimentos também na renda variável. Já que o período atual pode conferir oportunidades interessantes e “papéis baratos” para os investimentos em ações e fundos imobiliários.

Aprenda mais sobre estes e outros investimentos no nosso Guia Definitivo para Leigos: Renda Fixa vs Renda Variável.

Resumindo

A poupança não é, e mesmo com as sucessivas altas da Taxa Selic, continua não sendo a melhor opção de investimento.

Por muito tempo a caderneta de poupança apresentou retorno real negativo. Isso significa que quem deixou seu dinheiro aplicado lá, perdeu poder de compra.

Ou seja, além de não ter obtido uma boa rentabilidade, seu dinheiro não acompanhou a inflação.

Por isso, não vale a pena deixar seu dinheiro na poupança, nem mesmo para sua reserva de emergência ou para objetivos de curto prazo. Para isso, utilize o Tesouro Selic.

Para outros objetivos, escolha entre as outras opções de renda fixa e renda variável disponíveis e pare de perder dinheiro.

Com um pouco de conhecimento, verá que investir é muito mais fácil do que imaginava e que bons investimentos são capazes de mudar sua vida financeira, sem que precise correr grandes riscos para isso.

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