QAGR11: se beber, não case

As anomalias que surgem em mercados de alta
Marcelo Fayh

Marcelo Fayh

Sócio do GuiaInvest, especialista na geração de renda através de bons investimentos.
Se beber nao case

Caro leitor,

O mercado tem o costume de dizer que o FII “xyz” é da gestora “abc”.

Isso dá a impressão de que a gestora é dona do fundo e que o cotista é mero passageiro deste veículo.

Nada mais equivocado do que isso.

O dono do fundo é o cotista.

O dinheiro é dele. Então o dono é ele.

O gestor é um mero prestador de serviço para o cotista.

Essa percepção de que o fundo pertence a gestora vem do fato de que quem toma a iniciativa de criar um fundo é a própria gestora.

Ela faz isso pois precisa criar mercado para si mesma.

É preciso ter para quem prestar o serviço. Caso contrário a gestora não terá razão de existir.

Vou dar um exemplo prático e bem atual, falando novamente da gestora do fundo QAGR11.

Só que agora com novos capítulos da novela.

Esse fundo não surgiu, da iniciativa de investidores que se juntaram para investir em silos e decidiram contratar a Quasar Asset Management.

Foi a gestora que tomou a iniciativa.

Ela montou uma tese de investimentos bonitinha, que versava sobre investir na carente infraestrutura de armazenagem de grãos no Brasil.

Prometeram boas aquisições, bons contratos, bom inquilino e boa remuneração.

Com isso, conseguiram convencer milhares de investidores a comprar cotas de um fundo que contrataria a própria gestora para colocar em prática a tal tese de investimentos.

Daí para frente a realidade foi muito diferente da promessa inicial.

A gestora não fez as aquisições prometidas, o principal cérebro por trás da tese se desligou da gestora, grande parte do dinheiro ficou parado no caixa do fundo e as poucas aquisições realizadas foram com contratos com a metade do prazo e com inquilinos nem de perto com a mesma solidez do prometido inicialmente.

Em bom português, a gestora do fundo não estava prestando um bom serviço.

Os verdadeiros donos do fundo, os cotistas, tomaram uma atitude.

Se juntaram num grupo que representava mais de 5% das cotas, e convocaram uma assembléia geral extraordinária.

Nessa assembléia serão votados alguns pedidos dos próprios cotistas.

O primeiro é amortizar 35 reais por cota. Ou seja, devolver esse dinheiro para os donos.

Faz todo sentido, afinal de contas se a gestora não está encontrando o que fazer com esse dinheiro, que devolva para os cotistas.

Esse é um duro golpe na gestora, que tem sua remuneração proporcional ao patrimônio total do fundo. Isso representa mais de um terço de redução.

As outras mudanças são no sentido de permitir que o fundo invista em imóveis urbanos industriais e logísticos.

Afinal, se está tão difícil assim encontrar imóveis relacionados ao agronegócio, então que se abra o leque para outras possibilidades.

Essa votação deverá ocorrer até o dia 14 de junho, mas ainda não teve data definida.

Toda essa história mostra e prova que os verdadeiros donos do fundo são os cotistas.

Você não é mero passageiro do seu FII.

Você também é dono dele.

Você até contrata um motorista para dirigi-lo.

Mas também o demite se ele não dirigir direito.

É o seu papel.

Claro que o caminho mais fácil é vender a cota e passar o problema adiante.

Apenas lembre-se que, no limite, o dono do FII é você.

Os FIIs recomendados na carteira Aluguel Inteligente estão sob a tutela de ótimos motoristas e você pode fazer uma viagem confortável na primeira classe.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

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