Quanto custa um carro? Acredite, você pode viver sem um!

Andre Fogaca

Andre Fogaca

Sócio-fundador do GuiaInvest e formado em Administração e pós-graduado em Economia pela UFRGS.
quanto custa um carro

Você se lembra daquela propaganda que afirmava que todo brasileiro é apaixonado por carro? Aliás, não me recordo o que ela anunciava. A questão é: você já parou para pensar quanto custa um carro na prática? Acredite, este pode ser o grande culpado por você não conseguir economizar mais!

Pare para pensar: seríamos mesmo apaixonados por um meio de transporte? Não, porque, na verdade, o carro nunca foi um meio de transporte. Quer dizer, talvez Karl Benz o considerasse como tal, lá nos tempos do Benz Patent-Motorwage, mas a primeira vez que tirou o triciclo estranho, com motor de menos de um cavalo de força da garagem em 1886 e deu uma voltinha, ele percebeu algo: as pessoas viravam as cabeças nas ruas. Pessoas a cavalo ficavam de queixo caído. Isso porque o que ele tinha nas mãos era mais do que um simples meio de transporte, era um símbolo de status.

Mas vamos por partes.

Em 1908 Henry Ford teve uma ideia. O carro não deveria separar quem tem muito de quem não tem. Deveria ser barato, acessível a um grande número de famílias. Assim, o famoso Modelo T, em qualquer cor desde que preto, ganhou as ruas das cidades. E as modificou para sempre. A partir de então, as cidades não precisavam limitar seu tamanho à boa vontade das linhas de bondes e ônibus. Os carros davam às aglomerações humanas a capacidade de se expandir quase indefinidamente.

Se você mora em uma grande metrópole, com infindáveis opções de lazer e cultura, agradeça ao vovô Ford. Se você leva mais de uma hora para ir e uma para voltar todo dia do trabalho, xingue o vovô Ford.

Um carro, então, é um meio de transporte, um símbolo de status e uma forma de mudanças sociais.

Estamos chegando lá.

O Ford T saiu de linha em 1927. Em 1928, Washington Luís, que se elegeu presidente do Brasil com o lema “Governar é abrir estradas”, inaugurou a primeira rodovia asfaltada do país, ligando a cidade do Rio de Janeiro a Petrópolis.

Vamos parar um pouco para refletir sobre isso. A primeira rodovia asfaltada do Brasil surgiu em 1928. Há menos de 90 anos.

Um carro, então, é um meio de transporte, um símbolo de status, uma forma de mudanças políticas e sociais. Bom. Mas ainda tem mais.

A Alemanha destruída do pós-Segunda Guerra contava com o lado dos Estados Unidos e o lado Soviético dividindo os espólios. No primeiro lado, havia uma cidade com uma grande fábrica de automóvel, que ficou a cargo dos britânicos. Entre os modelos estava um carro pequeno, arredondado, desenhado por Ferdinand Porsche. Ao contrário do que muitos dizem, o carrinho não foi uma encomenda de Hitler. Já se buscava um carro popular na Alemanha antes da ascensão do partido nazista, e Ferdinand já tinha levado seu desenho a uma e outra fábrica que, devido ao caos econômico alemão no entre-guerras, não conseguiram levar o projeto adiante.

O modelo de Ferdinand ganhou a concorrência e passou a ser fabricado em uma nova empresa estatal. Enfim, o exército britânico assumiu a fábrica, no maior estilo “vamos fazer carros para nossos soldados e para a população local”. Logo em seguida, os ingleses chegaram à conclusão de que não era função das forças armadas fabricar automóveis. Acabaram vendendo a fábrica, a preço de banana, a alguns de seus antigos diretores dos tempos de estatal nazista. E não é que o Volkswagen vendeu bem, ganhou vários nomes, de Fusca a Beetle, virou o grande ícone automotivo do século XX e ajudou a Alemanha a se reerguer?

Então, um carro é um meio de transporte, um símbolo de status, uma forma de mudanças políticas e sociais e uma grande arma econômica. De outra forma, não haveria, no Brasil, as vantagens para se fabricar o carro popular e as recentes mudanças nas alíquotas de imposto. Se as vendas de carro vão bem, boa parte da economia vai bem.

Só falta uma característica em nossa lista: o carro particular é algo que pode estar causando mais problemas do que benefícios. E está a caminho de se tornar ultrapassado.

O carro hoje – mas vamos com calma. Vamos analisar o cenário hoje. O automóvel é onipresente. Pessoas moram de aluguel em casas modestas, mas estacionam um carro estalando de novo na porta. Ou se afogam em dívidas, mas não podem ser vistos com um carro velho. Afinal, o que os vizinhos iriam pensar?

Talvez por isso mesmo, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que o financiamento de carro é a terceira dívida mais frequente nas famílias brasileiras, perdendo apenas para o famigerado cartão de crédito e, ainda firme em segundo lugar, o carnê. O dado apareceu em sua Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada em setembro de 2016.

Então, viagens e cursos que podem nos desenvolver profissionalmente são deixados de lado. Muitos adiam até o “sonho da casa própria”, tudo em nome do carro. Um carro com seu Seguro Obrigatório, emplacamento, IPVA, pedágios e tudo o mais é um bem obrigatório, ali, junto com a televisão e a geladeira. Quem mora em apartamento provavelmente já presenciou guerras homéricas por vagas de garagem.

Pensando em quanto custa um carro, será que vale a pena ter um?

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Se formos olhar esforços feitos pela maioria das cidades do mundo, a resposta parece ser simples. E é “não”. O que é mais comum no primeiro mundo são ruas bloqueadas para carros de passeio, faixas em que quem está rodando sem carona não entra, pedágios urbanos, facilidades para se andar de transporte público, a pé ou bicicleta. Onde se permite carros, exige-se que, se ele vai ocupar espaço de qualquer jeito, que pelo menos não polua.

O carro nem é mesmo o meio de transporte mais rápido! Em desafios intermodais, em Curitiba e São Paulo, os veículos particulares de quatro rodas frequentemente estão em desvantagem frente a ônibus e bicicletas. As magrelas, aliás, finalmente estão ganhando seu espaço nas cidades. Foram pegas, sem merecimento, na polarização esquerda/direita que assola o país, mas seu avanço não pode ser detido. E, se você quer mais facilidade, existem as elétricas, que diminuem seu esforço. Mas vamos olhar para a questão por um viés econômico.

Quanto custa rodar com seu carro durante um mês?

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Como você já é um frequentador assíduo do GuiaInvest, não vai cair na armadilha de calcular apenas o combustível gasto em um mês. Também irá dividir o gasto do Seguro Obrigatório e do IPVA por doze, e acrescentar essas parcelas ao custo. Mas há mais. A vida útil média de um pneu, por exemplo, é de 60 mil quilômetros, e deve entrar na conta, assim como outras peças e fluidos do carro que se espera trocar. Óleo, bateria. Outras peças, como correias, chips etc., você não espera ter que trocar, então não entra nessa conta. Entra, sim, na depreciação.

Pois essa é outra conta cruel a qual os donos de carros devem prestar atenção. A partir do momento que sai da concessionária, seja novo ou usado, seu carro está perdendo valor. Uma hora você irá vendê-lo, e receberá bem menos do que pagou. A não ser que seu carro seja antigo, de colecionador, mas nesse caso ele perde a função de lhe ser útil no dia a dia. Carro de colecionador só sai da garagem para desfilar um domingo por mês, e olhe lá. Vamos voltar ao carro normal.

Vamos imaginar que carro popular XPTO custe hoje R$ 31.290. Conta rápida:

Desvalorização não é uma ciência exata, mas, para efeito de cálculo, pode colocar que, só de usar esse carro, você perde R$ 166 por mês. E esse é um cálculo generoso. Se você ficar três anos com esse carrinho, prepare-se para notícias piores: uma rápida pesquisa na internet não encontrou nenhum XPTO por mais do que 20 mil. E mais doze meses na poupança elevaria seu investimento para quase R$ 37.500.

Mas existem outros cálculos mais a longo prazo. Para efeitos de exercício, vamos comprar um carrinho melhor que o XPTO básico. Ainda popular, mas com alguns acessórios, espaço, design, assistência técnica em todo lugar. Digamos que esse carro custe R$ 40 mil.

A seguir, vamos considerar a vida média de um motorista. Você compra o primeiro carro aos 20 anos, e dirige bem, sem problemas, pelo menos até os 60. Isso dá 40 anos, na pior das hipóteses. Vamos em frente.

Pesquisa feita em 2016 pela Telefónica mundial mostrou que o brasileiro é o povo que mais troca de carro no mundo. Ficamos com um carro, em média, 1,7 anos. Alemães ficam com o mesmo carrinho por 2,8 anos, e norte-americanos e britânicos, três anos. Só isso já é um alerta para quanto dinheiro desperdiçamos em carros. Mas, para efeitos de cálculos, vamos arredondar para dois anos.

Um carro popular perde, aproximadamente, R$ 4 mil de valor em dois anos. Para trocar de carro, então, você tem que colocar mais quatro mil reais. Então, baseando-se nessa média, um brasileiro dirige, em sua vida de motorista, 13 carros. E, a cada troca de carro, deve colocar mais 4 mil para conseguir um de igual valor.

Acrescentemos o IPVA. Vamos usar nesse exemplo a alíquota base de 4%. Para um carro de R$ 40 mil, novo, o valor desse imposto é R$ 1.600. Com dois anos de uso, passa a ser R$ 1.440. Com um ano, uns R$ 1.500. Mais. Segundo levantamento do portal R7, um carro popular consome, por ano, aproximadamente R$ 5 mil em combustível e mais R$ 600 em manutenção. Com base nisso, vamos lá:

*A bolsa de valores é renda variável, e, como expliquei várias vezes, o grande objetivo desse investimento são os juros compostos. Mas em 2016, o índice Bovespa teve uma valorização de 38,9%. Calculamos apenas um ano, por ser muito difícil a extrapolação. Lembre-se, entretanto, que quanto mais tempo você permanecer com uma ação, maiores as possibilidades de lucrar.

Então, somando-se combustível, impostos e taxas, peças e fluidos novos, mais a desvalorização teremos o custo médio de um carro por mês. Sim, é mais do que a maioria das pessoas pensa. E não estamos levando em conta juros de financiamento e a tia distraída que arranha a nossa lataria com o carrinho de supermercado no estacionamento.

Mas existem alternativas para o carro?

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Sim, e muitas:

1 – Táxis, Uber e similares: Ah, nada como a concorrência. Mesmo em cidades nas quais o Uber (ainda) não atua, aplicativos de táxis fizeram o cenário mudar. Ao pedir um carro pelo celular, dificilmente você não encontra ofertas, descontos e outras facilidades que podem deixar a corrida bem mais barata. Em 2015, o jornal Zero Hora fez os cálculos e chegou à conclusão de que, se você mora a até quatro ou cinco quilômetros do seu trabalho, o táxi vale mais a pena do que o carro. O uso de promoções – ou até ficar amigo de um taxista e acertar um pagamento semanal ou mensal – pode aumentar a quilometragem. Até porque, se o trajeto de rotina for inferior a quatro quilômetros, para boa parte das pessoas, é mais vantajoso.

2 – Ir a pé ou de bicicleta: Talvez a melhor opção se a preocupação for a relação custo/benefício. Primeiro, o custo é imbatível. Você se lembra do exemplo do carro popular que se deprecia a R$ 166 por mês? Um sapato ou tênis de R$ 200 ou R$ 300 vai durar no mínimo seis meses. Depois, existem benefícios óbvios para a saúde e disposição para enfrentar o dia. A magrela enfrenta algumas desvantagens: o ideal é que seu local de trabalho ofereça chuveiro e lugar para trocar a roupa de ciclista, mas esses são uma raridade. Mas, como disse, conforme o uso da bicicleta se torna mais comum, esse cenário tende a mudar – é preciso ter esperança, certo?

3 – Use o transporte público: O mesmo estudo do Zero Hora apontou que, em média, se o trajeto for a partir de 11 quilômetros, a passagem de um ônibus passa a ser mais barata do que a gasolina que um carro particular gasta no mesmo percurso. Lembre que o constante parar e arrancar nos semáforos aumenta o consumo. Dependendo do trajeto, você pode ter uma grata surpresa: encontrar ônibus e trens mais vazios, com lugar para sentar, apreciar a paisagem, ler um pouco.

Um estudo da Universidade de York, no Reino Unido, revelou que pessoas que trocam o carro pelo transporte público sentem benefícios parecidos com quem usa bicicleta: ficam mais alegres, animadas. Um dos pesquisadores envolvidos declarou: “Você poderia pensar que problemas no transporte público ou multidões causam bastante estresse. Mas ônibus e trens também proporcionam oportunidades de conversa, leitura e normalmente as pessoas caminham para o ponto de ônibus ou estação de trem.” Faça a experiência um dia. Encontre o ônibus, metrô ou trem que o leve para perto de seu trabalho. Pode ser que esteja cheio demais, ou pode ser que os horários não lhe convenham, mas também pode ser que você encontre uma boa alternativa para deslocamentos.

4 – Peça carona: Esta é a melhor solução para quem tem família grande. É muito provável que os filhos de seus vizinhos estudem na mesma escola que os seus filhos, que você e os moradores do seu prédio façam compras no mesmo supermercado, e, como as regiões comerciais e industriais de uma cidade tendem a se concentrar, há uma boa chance de que alguém na sua quadra faça um trajeto muito similar ao seu todo dia, para ir trabalhar. Então, qual a lógica de se colocar dois carros na rua, ocupando espaço, gastando gasolina, cada um com uma ou duas pessoas dentro? Fale com seus vizinhos, combinem um rodízio, uma parceria.

O mais difícil é vencer o “ah, não posso ficar sem carro”, e em algumas situações, não pode mesmo. Mas o que eu quero aqui, como sempre gosto de fazer, é provocar uma reflexão. Faça um balanço de sua vida e coloque tudo na ponta do lápis. Quem sabe você acabe percebendo que, de repente, ficar sem carro pode fazer um bem danado para seu bolso e para as suas finanças.

O que acha da ideia? Vai tentar? Se por acaso você não usa carro justamente porque prefere investir o dinheiro, deixe seu comentário. Você pode (e vai) inspirar outras pessoas.

Agora que você sabe quanto custa um carro, pegue este dinheiro e faça ele trabalhar para você.

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Crédito das imagens: www.shutterstock.com.br

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