Oportunidade Aberta: O erro do gringo é o acerto tupiniquim

Oportunidade Aberta: O erro do gringo pode ser o acerto tupiniquim. O gringo deu brecha, aproveite.
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.
saida do investidor estrangeiro é bom?

Olá, como você vai?

Vamos pôr os pés no chão e vamos refletir juntos.

Pensando com a cabeça tudo vai fazer mais sentido.

O bull-market que estamos vivendo se iniciou em janeiro de 2016, quando a bolsa brasileira negociava a míseros 38.000 pontos, cerca de 9.000 pontos em dólar.

​Em 4 anos de alta, já tivemos 10 correções, umas mais severas, outras menos.

Correcoes da bolsa

Veja que essa correção que estamos tendo com a questão do Coronavírus​ não é a mais grave de todas.

Durante a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, tivemos uma correção de 33 por cento em dólar.

Nenhuma delas impediu que saíssemos dos 38.000 para os 119.500 pontos.

Correções são normais até em mercados de alta.

Temos, em média, uma a cada 5 meses no atual bull-market.

Isso quer dizer que provavelmente teremos outra correção ao longo de 2020.

Tudo normal, dentro do esperado.

A bolsa brasileira caiu por uma simples realização de lucros do investidor estrangeiro… e é exatamente aí que mora a oportunidade.

Vou recorrer mais uma vez ao mestre Henrique Bredda, gestor na Alaska Asset.

Ele pergunta provocativamente: “Será que o investidor estrangeiro sabe de algo que não sabemos?”.

O investidor estrangeiro é um ser humano comum, que acerta e erra como qualquer outro.

Fato é que aqui no Brasil o gringo também já comprou no topo e vendeu no fundo.

O gringo entrou forte em 2007 (alta) e vendeu muito em 2008 (baixa).

No segundo semestre de 2002, quando o Ibovespa iniciou o seu 4º bull-market, o gringo saiu.

Os melhores preços na bolsa ficam disponíveis justamente quando o gringo está saindo forte.

Isso ocorreu em 2002, 2008 e está acontecendo nos últimos meses.

As empresas seguem divulgando os balanços fortes referentes ao 4T2019.

As nossas empresas listadas seguem melhorando e estão mais baratas com essa última queda.

Enquanto isso, teve gringo que comprou bolsa em 119.500 pontos e vendeu em 99.000 menos de dois meses depois.

O erro do investidor estrangeiro pode ser o acerto do investidor local.

Se o gringo saiu, é porque alguém de dentro do Brasil entrou.

Antes de qualquer coisa, não posso ser leviano…

O Coronavírus vai, sim, ter um impacto negativo na atividade econômica global e esse impacto não deve ser pequeno.

O crescimento da economia mundial previsto pelo FMI era de 3,3 por cento em 2020, mas não deve chegar a 2 por cento.

A China, motor de crescimento do mundo, será severamente impactada, com fábricas ainda paradas, e isso vai refletir pontualmente nos balanços de algumas empresas brasileiras ao longo do primeiro e segundo trimestre de 2020.

Vale, Gerdau, JBS, Azul, Gol, CVC… essas devem sofrer mais do que a média.

Mas de nada adianta esperar tudo passar (a disseminação do vírus e os resultados das empresas voltarem ao normal) para investir na bolsa.

Quem esperar tudo se normalizar vai comprar bolsa brasileira a 130.000 pontos.

ponto de entrada ideal é agora​.

Quem esteve fora da bolsa na última sexta-feira, na segunda-feira e ontem, já perdeu uma boa parte da recuperação.

Apenas 3 pregões foram o suficiente para andarmos dos 99.000 pontos de volta para os 107.000.

Teve de tudo nesse curto período: ação coordenada dos Bancos Centrais das economias avançadas, rumores de novos cortes da Selic e a desaceleração do avanço do Covid-19.

Logo mais as coisas voltam ao normal e as eleições norte-americanas irão ofuscar o Coronavírus.

No curto prazo, bolsa é sobe e desce, euforia e pânico.

Todos os dias o mercado vai te dar mil motivos para você colocar todo o seu dinheiro na bolsa, para no outro dia te dar um motivo bem convincente para ficar de fora dele.

Nada disso importa.

No longo prazo, bolsa de valores é o lucro das empresas listadas.

Foque no que realmente importa.

Obs.: vem aí mais um corte na Selic, viu?

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

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