SMAL11: onde há fumaça, há fogo

SMAL11 vale a pena? Muitas a vezes, buscar o caminho mais fácil para investir seu dinheiro, poderá te tornar sócio de empresas ruins.
Eduardo Voglino

Eduardo Voglino

Sócio do GuiaInvest, especialista em ações e seguidor da filosofia de Value Investing.
SMAL11 onde há fumaça, há fogo

Olá, investidor!

Já ouviu falar em SMAL11? Já adianto: não é o melhor investimento do mundo.

Trata-se de um ETF (Exchange traded funds), não precisa se assustar com o nome. Basicamente é um fundo negociado na bolsa de valores.

Não tenho nada contra fundos, aliás admiro vários gestores de fundos brasileiros, acontece que ETFs são fundos passivos.

Na prática isso significa que a escolha de ações passa apenas por filtros superficiais, sem uma análise profunda da empresa.

Atualmente ela é composta por 78 ações, sendo que 20 delas possuem GI SCORE abaixo de 50 pontos.

O que isso significa?

Significa que boa parte da carteira são compostas por empresa de fundamentos ruins.

Veja alguns exemplos:

acoes ruins small11

Empresas com prejuízos não fazem parte da minha carteira de ações e também não deveriam fazer parte da sua.

Acontece que ao comprar um ETF, você está adquirindo 78 empresas e, entre elas, figuram ações como as citadas acima.

Agora veja que interessante:

small11 ou bova11

Nos últimos 10 anos, o ETF SMAL11 performou o dobro do IBOV, acumulando cerca de 260 por cento.

Quase consigo ler seus pensamentos:

“Mas Edu, você acabou de dizer que é ruim investir em SMAL11.”

Graças a assimetria do mercado de ações, as ações Small Caps tem capacidade de gerar retornos muitos significativos, multiplicando muitas vezes o seu valor.

Sendo assim, a performance das boas ações da carteira muito mais do que superam as ações problemáticas.

Agora reflita comigo: se uma carteira composta por muitas Small Caps ruins consegue performar bem, imagine uma carteira exclusivamente com Small Caps de qualidade.

Não vamos ficar apenas no campo da imaginação, vamos ver na prática.

Se em 2010 você tivesse feito uma simples análise dos fundamentos, considerando ROE, endividamento e capacidade de geração de caixa, talvez você tivesse investido nas ações abaixo:

ABCB4, MYPK3, ROMI3, RAPT4, VLID3, GRND3, GUAR3, CYRE3, FLRY3, POMO4, TGMA3, ODPV3 E ENGI11.

Veja os resultados acumulados em comparação ao SMAL11:

carteira ficticia ou small11

A linha verde é essa carteira teórica que construímos no estudo, a linha vermelha é o SMAL11.

Veja que o acumulado é da carteira é de quase 400 por cento e da SMAL11 é de 260 por cento.

Diferença significativa!

Embora seja mais prático e fácil investir diretamente em SMAL11, tenha certeza que NÃO é o melhor caminho.

OBS: As ações selecionadas para a carteira do estudo foram avaliadas com
os fundamentos de 2010, ou seja, não significa que ainda sejam boas. 

A ideia do e-mail pode ser resumida em uma única frase: não seja preguiçoso no momento de investir seu dinheiro.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

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