TAEE11: deve muito, mas quem se importa?

TAEE11: deve muito, mas quem se importa?
Marcelo Fayh

Marcelo Fayh

Sócio do GuiaInvest, especialista na geração de renda através de bons investimentos.
Taee11 devo muito

Caro leitor,

Na semana passada mostrei um estudo com os setores mais lucrativos da bolsa.

Não por acaso, os setores que pagam os melhores dividendos estão entre eles.

O setor de energia elétrica era o segundo colocado, atrás apenas dos bancos.

Bem, estes nós já sabemos que são os campeões de ganhar dinheiro. Tanto é que neste final de semana o Itaú divulgou que vai empenhar 1 bilhão de reais para ações de combate ao coronavírus.

A maior cifra já divulgada por uma empresa privada.

Palmas para o maior de todos os bancos!

Como investidor de dividendos, palmas maiores ainda pois ele disse que essa doação não afetaria a distribuição de dividendos aos sócios.

Bem, vamos ao que viemos: essa semana a Economática divulgou outro estudo mostrando os setores com as maiores dívidas da bolsa.

Dívidas por setor

No topo da lista estão as elétricas. As preferidas dos investidores de dividendos.

Antes que você pense que isso é ruim, já aviso que olhar para este número sozinho não diz muita coisa sobre as empresas.

É que as elétricas tem receitas tão previsíveis e margens operacionais tão elevadas, que não faz o menor sentido elas não terem dívidas.

Bancos e investidores querem emprestar dinheiro para elas. O risco de calote é muito baixo. Logo, os juros acabam sendo atrativos para as empresas.

As elétricas conseguem, através de dívidas bem estruturadas participar de mais projetos onde o retorno deles é maior do que o juros pago a serviço da dívida.

Ou seja, gera-se mais retorno ao acionista dessa forma do que sem tomar dinheiro emprestado.

Uma elétrica que não possui dívida não é melhor do que outra que possui.

Ela está deixando dinheiro na mesa ao não aproveitar oportunidades que o mercado proporciona.

Claro que tudo tem um limite.

A melhor forma de verificar esse limite é comparar o tamanho da dívida líquida com o EBITDA da empresa.

Quando essa relação é de até 3 vezes, está confortável. Acima disso é sinal amarelo. Acima de 4 vezes então, daí a empresa está em apuros e precisa fazer algo a respeito imediatamente.

Pega o exemplo da Taesa (TAEE11), que reportou aumento em sua dívida líquida em 2019, se comparado com a ano anterior.

Será que é ruim isso? Bem, ela está com uma relação Dívida Líquida / EBITDA em 2,2 vezes.

Muito confortável.

Além do que, das três atividades do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição), ela atua exclusivamente na transmissão, que a parte mais segura do negócio elétrico todo. Enfim, dívida boa não é problema.

Dívida ruim é.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos só entram empresas com dívida saudável e posição confortável de caixa.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

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