QAGR11: o primeiro fundo de silo da B3

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Caro leitor,

Se você me acompanha, já deve ter ouvido eu dizer: “prefiro ficar de fora de bons negócios a ficar dentro de maus negócios”.

Digo isso pois já vi e vivi muita coisa no mercado de investimentos.

Hoje a cautela é algo que eu não abro mão.

Você também não deveria.

Afinal é o seu dinheiro que está em jogo.

Pouco meses atrás, ainda durante a euforia do mercado com os fundos imobiliários, surgiu uma novidade inovadora.

Um fundo estava vindo a mercado com uma proposta inédita: eles comprariam silos de armazenagem de grãos e os alugariam para grandes empresas do agronegócio.

Os silos são o galpão logístico do agronegócio.

Os produtores, plantam, colhem e estocam nestas grandes estruturas, enquanto esperam o melhor momento para vender sua mercadoria.

O Brasil, um grande produtor de grãos, tem uma carência enorme desse tipo de estrutura.

O Quasar Agro (QAGR11)​ veio para se tornar uma opção de investimento, segura e rentável ao mesmo tempo que resolvia (ou pelo menos ajudava a resolver) um gargalo e infraestrutura importante para o país.

Sua promessa durante o período de captação era muito boa: adquirir onze silos de grãos e imediatamente locar para o antigo dono, uma grande empresa do agronegócio.

Os contratos seriam atípicos e de vinte anos.

O que traria segurança jurídica e estabilidade a seus rendimentos.

​Parecia sensacional.

Mas eu alertava quem me perguntava para o fato de os imóveis serem ultra específicos e, portanto, de difícil recolocação no mercado para outro inquilino.

Ah, e também pelo fato de eles não dizerem quem seria o tal inquilino.

Daí me diziam: “ah, mas isso é problema para daqui a vinte anos”.

Não precisou passar nem três meses para que a cautela se justificasse.

A situação atual não passa nem perto daquilo que foi vendido.

O fundo não comprou nenhum dos imóveis que tinha prometido durante a oferta.

No final de fevereiro o fundo finalmente realizou sua primeira aquisição de quatro centros de recebimento de grãos, em um contrato de dez anos.

Com isso o fundo conseguiu alocar, até agora, apenas 89 milhões dos 484 milhões de reais que possui.

Nesse meio tempo houve a saída de membros importantes da gestora do fundo.

Você comprou ingresso para assistir o jogo dos titulares e na hora entrou em campo um time misto.

Aqueles 11 imóveis com contrato de vinte anos não vão mais acontecer.

A história está sendo bem diferente agora.

O fundo está tentando amenizar a situação, com a gestora decidindo, de forma “voluntária”, abrir mão da sua parcela da taxa de administração até que o fundo atinja a alocação de pelo menos 90 por cento do seu patrimônio.

Enfim, a iniciativa do fundo de atuar neste segmento da economia é louvável.

O Brasil de fato precisa dessa iniciativa.

Torço que ele tenha um futuro próspero e que cresça muito. Mas isso eu digo com o chapéu de brasileiro que torce pelo bem do país.

Com o chapéu de investidor a história é diferente.

O fundo vai ter que se redimir e provar o seu valor.

Até lá eu só observo e torço por ele. Qualquer hora ele pode vir a compor a carteira do Aluguel Inteligente​.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.