A diferenciação pós-pânico

Onde investir pos panico

Olá, como você vai?

Estamos há dois dias vendo o mercado se recuperar forte.

A redução no número de mortos e infectados pelo Covid-19 na Ásia e Europa animam.

No entanto, não estamos ainda imunes a novas correções nos mercados globais e aqui mesmo, onde ainda não atingimos o pico de contaminação do vírus.

Mas devemos ficar atentos.

O movimento agora é de diferenciação pós-pânico.

Pense aqui comigo…

No início, tudo cai.

O mercado não quer nem saber.

Posições estopadas, fundos quantitativos fazendo força vendedora, investidores alavancados com vendas forçadas, investidores desavisados se desfazendo das posições sem nem saber o porquê…

O resultado disso foi uma queda de 47 por cento no Ibovespa.

Nada foi poupado. Tudo caiu.

Neste momento inicial, não há diferenciação e todas ações caem na mesma magnitude. Umas um pouco mais e outras um pouco menos, mas não sobra nada.

Porém, no pós-pânico ocorre a diferenciação e, então, questões particulares, das individualidades das empresas passam a ser relevantes.

A divulgação dos resultados do 1T2020 vai deixar isso bem evidente.

Deve haver uma rodada de novas punições e absolvições na bolsa.

Mas vamos ponderar…

Não há motivo para uma empresa de transmissão de energia elétrica sofrer tanto quanto uma empresa de aviação.

Não há razão para as ações da B3 (B3SA3), por exemplo, sofrerem tanto quanto um empresa de lojas varejistas.

De modo geral, os preços estão bons.

É hora de uma migração para qualidade.

Não há por que se aventurar em teses mais complexas em meio a tanta coisa óbvia com preço atrativo.

Correções pelo caminho devem ser encaradas com naturalidade.

Talvez voltemos a experimentar a casa dos 60.000 pontos em breve, mas também não seria chocante voltarmos para a acasa dos 80.000 ainda essa semana.

Não sabemos do futuro, não sabemos para onde o mercado vai.

Conhecemos a história e sabemos que o mercado se recupera, às vezes, mais rápido do que imaginamos.

Não é hora de fazer grandes movimentos nos portfólios.

Não tem essa de sair entrando pesado só porque a bolsa caiu ou então sair comprando fundos de dólar e de ouro depois que a merda já está feita.

A hora é de não mudar de estratégia.

De toda forma, temos que pensar no que vem daqui para frente.

Vale a pena vender as ações de uma empresa X que caiu 70 por cento?

Se você acha que essa empresa está com os fundamentos comprometidos e, ao mesmo tempo, enxerga uma empresa Y que daqui para frente possa “recuperar” esse montante perdido com a empresa X, faça-o.

Dinheiro não tem marca.

O que você perdeu com Petrobras, você pode recuperar com Vale.

Reforço sempre o cuidado de não ficar pulando de galho em galho, não mexer muito no portfólio, apenas movimentos pontuais.

Dê sequência à regularidade dos aportes.

Atento apenas para se manter focado em qualidade.

As crises nos ensinam a ser investidores mais chatos, mas não podemos ser paranoicos.

Sim, teremos recessão, a crise fiscal vai se agravar e o desemprego também.

Isso não nos impede de sermos otimistas com o desenrolar pós-crise.

A retomada da vida ao seu curso normal nos meses seguintes a crise também deverão ocorrer em velocidade semelhante a da parada.

Enquanto isso, o contexto macroeconômico nos obrigada a aprender a conviver com a uma taxa de juros muito baixa e um câmbio depreciado, o que, no longo prazo, pode ser a semente para um ciclo virtuoso do país.

Seguimos vivos.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.