O tal do Efeito Mola: chega quando?

efeito mola

Olá, como você vai?

Pode parecer pretensioso, mas não deixa de ser verdadeira a boa notícia que vou dar: vamos nos recuperar dessa crise.

Se há algo previsível no cenário atual é que essa crise possui início, meio e fim.

A quarentena limita a circulação de pessoas e barra muitos serviços e, sim, causa um sério problema de fluxo de caixa, principalmente para famílias, autônomos e empresas pequenas.

A economia fica presa como uma mola que se comprime.

Nessa horas, é válido recorrermos às leis da física para ilustrar o cenário.

Com o perdão do simplismo, a analogia serve para mero entendimento.

Quanto maior a deformação de uma mola, maior a energia potencial elástica acumulada e maior o potencial de trabalho a ser realizado após o momento de descompressão da mola.

Lembrando que a energia potencial elástica não depende do tempo de compressão, mas tão somente do tamanho da deformação da mola, ao passo que na economia real, o tempo necessário de quarentena é crucial para muita gente.

Mas se valendo da analogia: quanto maior a repressão da economia com o lockdown, maior a demanda reprimida acumulada e, consequentemente, maior a intensidade da recuperação da economia.

Essa crise é diferente de uma crise normal.

É diferente do que uma economia com exaustão da capacidade produtiva, tal qual ocorre com os Estados Unidos, que estava em pleno emprego e com o mercado de ações subindo há uma década.

É diferente da crise que se iniciou no Brasil em 2015.

Teremos esse Efeito Mola na economia brasileira.

Não é questão de “se”, mas de “quando”.

Estamos passando por uma crise intensa, mas pouco duradora.

Salvando vidas, empregos e empresas, poderemos sair ainda mais fortes dessa crise.

Em alguns países isso já está acontecendo.

A economia chinesa está se recuperando mais depressa do que o esperado.

Nesta terça-feira (31), o índice chinês dos Gerentes de Compras (PMI) de março subiu para 52,0 pontos, acima dos 35,7 pontos de fevereiro e superando as expectativas dos economistas internacionais, que previam um PMI de 45 pontos.

A alta no PMI mostra uma recuperação mais precoce da atividade industrial na China.

Esse processo vai se estender da Ásia para Europa.

Mais tarde chegará aos Estados Unidos e depois disso no Brasil e, posteriormente, na África, último continente atingido pelo vírus.

Não só as autoridades de fora anunciaram medidas massivas, como por aqui também temos muitas medidas relacionadas a auxílio a mais vulneráveis, solvência de empresas, ajuda à autônomos e aumento da liquidez do sistema financeiro.

As medidas são muito mais drásticas do que as tomadas em 2008, por exemplo.

E bem ou mal, sempre é importante lembrar que as empresas listadas em bolsa não refletem a realidade das empresas do país.

Estamos falando de pouco mais de 200 empresas viáveis para se negociar em bolsa frente a mais 5 milhões de CNPJs cadastrados no país.

As empresas são a elite da elite das empresas, não vão quebrar.

Nesse jogo de incertezas, a visão de longo prazo é o segredo para sobrevivência e também para manter a sanidade mental.

Chegamos em um cenário em que prejuízo parcial em bolsa só se recupera continuando na bolsa.

A travessia é crucial.

Sair agora da bolsa para um CDI de 3 por cento ao ano significa tornar definitiva uma perda parcial.

Os preços atuais ainda embutem um impacto negativo permanente nos fundamentos de empresas que possuem capacidade para se recuperar em poucos meses, uma desconexão muito grande entre preço e valor.

Se o valor justo de uma empresa é igual a seu fluxo de caixa, de hoje até o infinito, descontado a valor presente e só teremos quedas significativas nos próximos 3 ou talvez 4 trimestres, não faz sentido que algumas ações tenham caído 40, 50, 60, 70 por cento…

No frigir dos ovos, pressupondo que a partir de 2021 a empresa passaria a gerar os mesmos resultados do que em 2019, uma queda de mais de 10 já seria demasiada em termos matemáticos.

Mas o comportamento do mercado não é nosso simples modelo matemático.

É justamente por isso que há oportunidades postas na mesa.

Reforçando, o que está dando chance agora é o óbvio.

Compre com parcimônia, foque no óbvio, na qualidade e tenha visão de longo prazo.

Passaremos por essa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.