Ainda sobre a queda do século: lições que podemos tirar

Olá, como você vai?

A última segunda-feira (9) vai ficar marcada na história.

Foi a maior queda do século no Índice Bovespa, que em um único pregão caiu mais de 12 por cento, fechando em 86.067 pontos.

Soma-se a isso a alta do dólar que tivemos.

O Ibovespa dolarizado voltou aos 19.000 pontos, sendo que estava em 29.000 pontos no início de janeiro.

Tivemos a maior correção em dólares do atual bull-market: queda de -36 por cento.

E é justamente por isso que a segunda-feira será lembrada.

Daqui a 10 anos você poderá lembrar desse dia como “o dia que eu deveria ter investido na bolsa…”.

O fato é que não temos nenhuma quebra estrutural no Brasil e no mundo.

As tendências seguem as mesmas.

Correções como essas são raras, claro, e acontecem justamente quando não esperamos.

Se o Coronavírus​ já parecia ser razão suficiente para se preocupar, no silêncio de um final de semana, Rússia e a Opep e entram em desacordo em relação aos níveis de produção do petróleo.

Com o preço barril operando na casa dos 20 e poucos dólares seria muito difícil para uma empresa como a Petrobras trabalhar com margens mais confortáveis, comprometendo os fundamentos da empresa.

Calma, não é para vender Petrobras (PETR4), nem desistir da compra dela.

Até porque nem mesmo os países da Opep aguentam o tranco por tanto tempo.

A questão é que a percepção por risco do investidor global aumentou.

Os gringos encontraram uma desculpa adicional para realizar lucros.

Os traders e investidores que operam alavancados acabaram vendendo muita coisa forçada ontem, uma vez que muitos stop-loss foram acionados.

Teve venda consciente, venda forçada e venda por pânico.

Os investidores inteligentes foram às compras.

Para quem é um acumulador de ativos, nada melhor que um dia de quedas acentuadas.

Ficou até difícil saber o que comprar.

E claro, sem ser leviano, os riscos postos não foram eliminados.

Coronavírus já havia dado um bom ponto de entrada para bolsa​.

O número de casos fora da China segue crescendo.

Veio o imbróglio relacionado ao petróleo e derrubou ainda mais a bolsa, o que na visão de quem é acumulador de ativo, melhorou ainda mais a condição de entrada.

Vimos empresas consolidadas negociando a 5x lucros.

Há tempos não se via uma chance de comprar o óbvio.

E a parte mais bonita do processo é que não sabemos para onde vai a bolsa nos próximos dias.

Poderemos ter mais quedas.

Podemos ver a bolsa bater os 70 mil pontos novamente. Por que não?

Assim como em um piscar de olhos podemos retomar os 120 mil pontos.

A questão é que por mais que o Brasil possa sofrer um pouco nesse primeiro semestre por conta do Coronavírus, o efeito é passageiro e a retomada pode vir rapidamente, seguindo um efeito de mola comprimida.

A economia brasileira não está nem perto de estar exausta, pelo contrário.

Temos muita capacidade ociosa e hoje ainda poderemos ter mais um corte na Selic.

Ainda não sentimos o efeito dos juros baixos na economia, mas o fato é que isso é uma quebra de paradigma grande demais e que, na minha visão, está sendo subestimada.

Um juro baixo duradouro vai ter um efeito estrutural positivo em alguns anos.

Novos projetos se tornam viáveis.

E insisto: o Brasil ainda não voltou a crescer.

A fase “forte” do nosso bull-market só irá se concretizar no momento em que a economia estiver crescendo mais pujantemente, o que naturalmente vai puxar para cima os lucros das empresas.

Não temos muito mais espaço para bolsa crescer via expansão de múltiplos.

Isso pode nos levar para, no máximo, até os cento e poucos mil pontos.

Mas o fato é que as empresas listadas tem muito a entregar ainda.

O fundamento das melhores empresas deve seguir melhorando.

O que talvez angustie o brasileiro é o fato de que sempre parece que o crescimento de fato “só virá no ano que vem”, ano após ano.

Enquanto isso, reforçamos a importância de seguirmos aportando mensalmente em ações de boas e sólidas empresas.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

CORO3: compre e seja feliz

Acoes de dividendos

Caro leitor,

Coronavírus vai acabar com o mundo​.

O Coronavírus é só uma gripezinha que logo passa.

O mercado se apavora, acha que o mundo vai acabar e derrete mundo afora.

O mercado vê que não é bem assim e recupera tudo em um dia.

Enquanto isso os investidores estão no meio de um fogo cruzado sendo bombardeados por notícias ora apocalípticas ora esperançosas.

E o preço de suas ações subindo e descendo como a mais radical das montanhas russas.

Agora acalme o seu coraçãozinho, caro investidor de dividendos.

Ouça uma voz razoável e sensata.

Saiba que quando você compra uma ação, você está comprando uma remuneração para si mesmo.

Essa remuneração é para durar uma vida toda.

Portanto, vários anos.

Ela vem dos lucros das empresas investidas.

Então é isso que importa para você: o lucro das empresas pelos próximos 20 anos ou mais.

Como saber como eles estarão daqui a 20 anos?

Bem, não tem como.

Agora, o que dá para fazer é colocar as probabilidades a seu favor.

Primeira coisa: para dar certo, tem que primeiro não dar errado.

Portanto evite fazer besteiras no meio do caminho.

Faça pelo menos a sua parte, lembra?

Eu gosto de pensar assim nesses momentos de crise: se o mundo realmente acabar, ele vai acabar para todos.

O dinheiro vai ser a minha última preocupação antes de morrer.

Portanto ter entrado em parafuso achando que o mundo vai acabar e vender tudo, comprar ouro e correr para as montanhas não faz o menor sentido.

Se o mundo acabar, acabou para mim também.

Agora… se ele não acabar, eu posso sair mais rico (ou menos pobre) do que muita gente só por não ter feito besteira e vendido minhas geradoras de renda no meio do pânico e das preocupações generalizadas.

Pensando que a probabilidade de o mundo acabar é de quase 0 por cento, vale mais a pena ser sensato e não fazer nada ou até ser corajoso e investir um pouco mais quando estiver todo mundo apavorado.

As grandes valorizações vem de decisões extraordinárias.

Seja comprar na baixa, seja segurar por muito tempo.

As duas são difíceis de fazer.

Uma requer uma frieza que não é natural do ser humano.

A outra requer uma disciplina e paciência que também não são naturais do ser humano.

Se você investiu em boas empresas, elas vão encontrar seu caminho para fora dessa e de outras crises que virão.

Se você diversificou, mesmo que algumas não consigam resistir e quebrem, as outras vão cobrir o prejuízo e mesmo assim você vai ter obtido ótimos resultados.

O mercado de ações não é linear.

Não tente prever o fim do mundo.

Faça a coisa certa. Sempre.

Enquanto o mundo não acabar, você estará acumulando fortunas​.

Se acabar, então foi um prazer ter escrito para você. Tchau.

​Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

O Coronavírus é uma péssima notícia para bolsa

Impacto do corona virus no Brasil

Olá, como você vai?

Quero que você entenda de uma vez por todas o impacto do Coronavírus no Brasil até agora.

Além de de ser uma infecção que já ultrapassou mais de 1.000 mortos, sendo que 108 baixas ocorreram somente na segunda-feira (10), a epidemia tem dado muito trabalho para o governo chinês.

O vírus se alastrou em uma velocidade maior que o vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que desencadeou um surto de pneumonia entre 2002 e 2003.

No Brasil há 7 casos suspeitos de infecção de Coronavírus e nenhum ainda confirmado.

Ainda não há vacina para prevenção do vírus e também não se sabe se uma pessoa uma vez contaminada poderá pegar o vírus novamente.

Também não se tem certeza sobre o período de incubação do vírus.

No entanto, está ocorrendo uma queda gradual do número de novos casos, o que faz com que as bolsas da China fechem o sexto pregão seguido em alta desde ontem.

No Brasil, o vírus também impactou a bolsa de valores, com uma queda de 7 por cento do Ibovespa desde o seu último recorde.

E isso foi péssimo.

Parece pouco e é pouco mesmo.

Mas depois de um mês de dezembro espetacular para a bolsa de valores no Brasil, uma leva de curiosos acabou chegando porque também queria participar da festa.

Obviamente que os meses de euforia que precederam a entrada dos curiosos geram uma expectativa enorme nos novos entrantes.

Existe aquele sentimento de que a bolsa só varia para cima.

Com uma correção de menos de 10 por cento (que não precisaria de nenhum Coronavírus para ter acontecido, aliás, não precisa sequer haver uma justificativa), já tem gente pensando em desistir, em sair da bolsa.

Já começa a aparecer um ou outro que se perguntam se a bolsa brasileira já não subiu demais.

De alguma forma, somos culpados por isso, porque isso é um sintoma claro de falta de educação financeira.

Para tentar ilustrar o caso, vou recorrer a dois gráficos que Henrique Bredda, o gestor na Alaska Asset, publicou nas suas redes sociais.

​Primeiro, o impacto do Coronavírus na bolsa brasileira no atual bull-market:

Grafico do Bredda - impacto corona vírus na bolsa

Sinceramente, talvez o investimento em bolsa não seja para quem sente calafrios com uma queda dessa… e isso não é demérito algum. As pessoas possuem diferentes apetites por risco.

Agora se você está achando que o Coronavírus vai interromper o ciclo de alta da bolsa, pense aqui comigo…

Desde 2016, tivemos Impeachement, Brexit, Joesley Day, Greve dos Caminhoneiros, Eleições, crise no atual governo, Guerra Comercial, bombardeios no Irã e milhares de outros motivos para se sentir medo.

No Brasil, o estrago do Coronavírus não é clínico.

Temos 7 suspeitos isolados, nenhuma confirmação de infecção e nenhuma morte.

O estrago do Coronavírus no Brasil foi no bolso dos impacientes de embolsaram prejuízos com posições de menos de 3 meses.

Não esperaram sequer uma divulgação de resultados das empresas que “investiram”.

Mas para onde vai a bolsa com o Coronavírus?

A bolsa vai para onde forem os lucros das empresas. No longo prazo, ela ignora qualquer Coronavírus, Sars, Ebola e H1N1.

​Abaixo você pode ver o gráfico do Ibovespa (linha azul) em dólares desde 1965 (desculpe Bredda, mas o meu ficou mais bonito que o seu):

Valorizacao do Ibov em dolar

A linha amarela apenas aponta para uma tendência que pode ou não se confirmar.

Se você quer investir em ações, foque no que importa: a qualidade das empresas​.

Nisso o GuiaInvest pode ajudar você.

Todo o resto é detalhe e é se apegando a esses detalhes que você acaba caindo em armadilhas.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.