A verdadeira definição de ações baratas

Olá, como você vai?

O mercado caiu 47 por cento desde a sua máxima em 119 mil pontos em janeiro.

O dia 23 de março foi marcado pela marca de 63 mil pontos junto com o avanço assustador do vírus mundo afora.

Ali no olho do furacão tudo caiu.

Ainda não dava para ter muita clareza de quais seriam as consequências para cada empresa, mas dava para imaginar que nem todo mundo sofreria igualmente.

Preço todos perderam. Tudo caiu.

O momento de pânico não escolhe as vítimas. Mas as pessoas foram assimilando a nova condição.

Muitas empresas se ajustaram fazendo home office.

Vimos os Bancos Centrais jorrando dinheiro por tudo e os governos tomando medidas fiscais importantes.

O pânico foi embora e voltamos para a (nova) realidade.

Os fatos foram dando o tom de diferenciação: aos poucos foi ficando claro quem seriam os mais penalizados e os menos penalizados.

Vimos a força do e-commerce e as fragilidades das companhias aéreas.

Notamos também a resiliência dos setores de utilidade pública, como transmissão de energia elétrica e saneamento.

Vimos que mesmo na queda, o número de CPFs cadastrados na B3 aumentou significativamente.

Mas afinal, o que ficou barato?

Ora, vamos primeiro definir o que é barato…

Nem tudo que caiu ficou barato.

Vamos dizer que se uma empresa perde 50 por cento do seu valor e o preço da ação cai apenas 30, ela ficou mais cara, mesmo com uma cotação menor.

Barato e caro é algo que se mede contrastando o preço e o valor. Uma ação com muito valor e pouco preço é uma ação barata. A verdadeira definição de ação barata é essa.

Lojas Renner terá um ano péssimo. Chegou a cair 60 por cento em relação à sua máxima, mas certamente não perdeu tudo isso de valor.

Não estou recomendando o papel em si, mas querendo mostrar que, matematicamente, a gente infere que a empresa ficou mais barata do que antes.

Mais do que ficar procurando quais ações caíram mais, o importante agora é identificarmos quais as empresas que não perderam valor.

Fazendo uma varredura completa pelas 330 empresas listadas através da ferramenta do GuiaInvest, chegamos a 23 papeis que estão em promoçãovalor preservado, negócios sólidos e preço descontado.

Mas esses são os 23 papeis que estão baratos no contexto atual.

Mas se analisarmos o Brasil como um único ativo, é possível dizer que Brasil está barato demais.

Batemos 12 mil pontos em dólar no Ibovespa em março, vindo de 29 mil pontos em janeiro.

O real foi a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar em uma cesta de moedas emergentes.

O investidor estrangeiro, novamente, está assustadoramente sub-alocado no Brasil, de forma que qualquer inclusão de Brasil em seus portfólios, pode puxar as coisas para cima aqui.

Tudo, de fato a imagem do Brasil lá fora não é das melhores, mas embutir isso nos preços também significa que não há mais muito como piorar.

Somado a isso, vivemos o que Armínio Fraga cunhou de tempestade perfeita: a tríade de das crises econômica, sanitária e política, ainda que esta terceira tenha se amenizado com o diálogo entre Executivo e Congresso.

Estamos em um fundo de poço.

Você acha ruim comprar quando tudo está no fundo do poço?

Claro, é muito desconfortável, pois sempre cogitamos a existência de um alçapão no fundo do poço.

Mas temos razões para acreditar em um futuro melhor.

Os estudos avançam na direção de conquista de uma vacina ou tratamento para o Novo Coronavírus.

Não sabemos quando, mas a pandemia vai passar.

E temos alguma peculiaridade nos ajudando.

Temos uma taxa de juro muito baixa, o que vai forçar, no menor sinal de melhora do quadro econômico, uma entrada massiva de dinheiro na bolsa brasileira, o que puxaria os preços para cima.

Como disse Henrique Bredda, em 2025 a gente vai sentir saudades dos preços que víamos em 2020.

Obviamente não é para se atirar comprando ações.

Temos que pensar em portfólio e diversificação, sempre prezando por qualidade.

Mas pegar uma dessas barbadas aqui e esperar um tempo não vai fazer mal a ninguém.

Seguimos adiante.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Armínio, Tempestade Perfeita e tendências seculares

arminio crise coronavirus

Olá, como você vai?

Quinta-feira passada assisti a live de Armínio Fraga em que ele monta a sua tese de tempestade perfeita acerca do Brasil.

Ela seria composta de uma tríade de crises: a sanitária, a econômica e a política, com as 3 se retroalimentando entre si em um círculo vicioso.

Apesar de toda argumentação lógica do ex-presidente do Banco Central fazer todo sentido, ela é bastante pessimista.

A 3 crises são latentes, sem dúvida nenhuma.

A sanitária, a mais grave de todas, deve tomar os seus piores contornos nas próximas semanas.

Essa crise exige aumento de gastos do governo em meio a uma quarentena, ou seja, em um ambiente em que a arrecadação tributária irá sofrer uma queda forte e os gastos precisarão subir para se evitar o pior.

Não sobrou fiscalista para defender o contrário.

Enquanto isso, a relação entre os poderes parece disfuncional, somado a isso as recentes saídas de dois ministros importantes, Sérgio Moro e Henrique Mandetta.

A constante presença do presidente Bolsonaro em manifestações e uma união do governo com o Centrão também são fatores que deixam a trajetória da estrada ainda mais nebulosa.

Dito tudo isso, uma piora do quadro fiscal está dada.

Teremos de fato um déficit primário (resultado das contas do governo antes do pagamento de juros e amortização da dívida pública) na casa dos 8-10 por cento do PIB, um resultado sem precedentes mas que será temporariamente necessário.

O Brasil, na posição de país emergente, já sofre com isso e, não à toa, o dólar já chegou a morder a casa dos 5,70.

Só não temos inflação por conta disso por já estarmos vindo de um cenário econômico ruim antes do Coronavírus e por toda capacidade ociosa que temos na economia.

2020 selou uma década perdida.

Triste, mas vida que segue.

Armínio se mostrou muito preocupado com a situação das pessoas mais vulneráveis, do meio ambiente e das empresas no Brasil, dada a nossa falta de infraestrutura e educação.

A partir disso ele pontuou que não acha que a bolsa brasileira esteja tão barata.

De toda forma, Armínio colocou dois pontos importantes sobre investimento em bolsa:

  • Se ele não tivesse nada em ações, agora seria um momento para entrar em alguma coisa;
  • Se o seu prazo de investimento é longo, acima de 20 anos, agora é um bom momento;
  • No momento, ele tem mais medo de entrar errado do que perder uma pernada de alta.

Digamos que concordo com tudo que Fraga falou, mas tomo a liberdade de pontuar além.

A questão central aqui é que se você pretende estar ganhando daqui a um ano, talvez a bolsa não seja para você.

Em nenhuma hipótese, mesmo estivéssemos vivendo sob um céu de brigadeiro.

Não que você não possa estar ganhando daqui a um ano, inclusive acho bem provável que isso aconteça.

Mas isso não validaria a entrada na bolsa com intenção de ganhos de curto prazo ou para quem entrar de qualquer jeito.

Discordo de Armínio que a bolsa não esteja barata, mas talvez estejamos de acordo se a hipótese for de que a bolsa não esteja barata para se entrar de qualquer jeito nela.

Quando o mercado está bombando, quanto pior a ação que você tiver, mais ela pode se valorizar, pois você está em um ponto do ciclo em que o que é bom já se valorizou.

De fato correr mais riscos se torna um pouco necessário, daí uma fuga para small caps ou até mesmo cases de turnaround faz algum sentido. Mas não agora.

Agora, mais do que nunca, é preciso focar em qualidade.

Acredito ter falado disso em todas as semanas desde que os riscos do Coronavírus foram postos.

A chave daqui para adiante está na simplicidade e na humildade.

Humildade para assumirmos que não conhecemos o vírus, não entendemos sua dinâmica, os seus possíveis remédios, nem a sua cura.

Vamos deixar paro os infectologistas e para os pesquisadores que procuram vacinas e tratamentos.

Me desculpem os conspiracionistas, mas até mesmo a China ainda está sofrendo muito com esse baque que o mundo sofreu.

Não sabemos do futuro e temos que trilhar os caminhos mais previsíveis possíveis, se é que existe algo previsível.

Falo também da simplicidade porque é preciso investir em boas empresas tentar fazer projeções ou modelos (têm como projetar ou modelar algo agora?).

O momento é de olhar para a reputação e histórico das empresas.

Claro, é importante levar em conta tendências seculares.

O e-commerce está mais forte do que nunca, o que é bom para Magazine Luíza (MGLU3), ViaVarejo (VVAR3), B2W (BTOW3), Centauro (CNTO3).

O brasileiro está mais educado financeiramente e as plataformas estão crescendo, assim como o número de CPFs em bolsa. Bom para B3 (B3SA3) e BTG Pactual (BPAC11).

O serviço de um banco digital é realmente disruptivo e de agradável experiência.

Mas na hora do aperto, da necessidade de se financiar, as empresas estão correndo para Santander (SANB11), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4 ou ITSA4, tanto faz) e Banco do Brasil (BBAS3), que além de grandes e sólidos, possuem capacidade de atender uma demanda por liquidez das empresas e população em geral.

O ensino a distância vai se fortalecer. Ponto para Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3).

A Vivo (VIVT4) surfa essa onda de carona.

Varejo farmacêutico se mostrou essencial: Raia Drogasil (RADL3) e Hypera (HYPE3) se destacam.

Além disso, serviços de utilidade pública mostram sua perenidade. Ponto para Sanepar (SAPR11), Taesa (TAEE11), Transmissão Paulista (TRPL4) e diversas outras.

Descolada das demais, Weg (WEGE3) segue voando.

Dólar lá nas alturas beneficia muito Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11).

Atendendo a uma cadeia de suprimentos básicos que não podem parar, Rumo (RAIL3 ou RLOG3) segue a todo vapor.

Outras empresas top de linha podem sofrer agora mas sem dúvida se fortalecerão no pós-crise vendo a concorrência definhar: Lojas Renner (LREN3), Natura (NTCO3), Localiza (RENT3).

Vale citar aqui também Vale (VALE3), Pão de Açúcar (PCAR3) e frigoríficos (JBBS3, MRFG3, BRFS3, BEEF3).

A questão aqui é sempre do foco na qualidade.Repito.

Se você comprar ações agora, em 2025 vai lembrar de como eram bons os preços de 2020.

O que você não pode é assumir riscos desnecessários, esqueça Azul e Gol por um momento.

Petro Rio pode ser ótima, mas vale a pena correr esse risco se uma Itaúsa está barata?

Para Banco Inter, Banco Pan e afins vale a mesma ideia.

Não há razão para inventar moda no momento.

A bolsa brasileira estar barata não significa que ela não possa cair. Pode piorar antes de melhorar e me soa bem razoável que isso aconteça.

Eu achava bolsa barata em 120 mil pontos.

Hoje estamos em 80 mil, sem que as empresas tenham perdido ⅓ do seu valor.

Estamos muito perto de encarar a pior parte da crise.

Se cuidem que logo mais poderemos falar de retomada.

Seguimos adiante.

Tudo passa.

Obs.: para quem quer entender como selecionamos empresas de qualidade, aqui está um tutorial simples.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

A Grande Recessão vai ter empresas vencedoras

grande recessao

Olá, como você vai?

Entraremos na maior recessão da história da república.

Chega a ser tragicômico o fato de estarmos repetindo essa frase 4 anos após termos falado isso pela primeira vez.

Sendo brasileiro, é péssimo termos de carregar essa sina.

O Boletim Focus já prevê uma recessão acima de 3 por cento para esse ano.

Não é uma questão de ter bola de cristal.

A queacstão é que semana após semana essa expectativa se ajustará para baixo, por uma questão de calibragem de quem faz essas previsões.

Não consigo enxergar uma retração de menos de 5 por cento do PIB.

É inevitável.

Por muito menos tivemos retração de -3,5 por cento em dois anos seguidos, em 2015 e 2016.

A recuperação no pós-pandemia deve ser lenta e dolorida.

Não basta pensar apenas no fim da quarentena, temos que pensar em toda uma mudança de hábitos.

Sem uma vacina, sinceramente, você acredita que poderemos ter grandes eventos, como shows e festivais?

Os estádios de futebol continuarão lotando?

Você continuará indo à shoppings com a mesma frequência?

Será a máscara uma nova peça do nosso vestuário?

Haverá uma mudança de hábitos significativa e, com isso, consequências econômicas ainda desconhecidas.

Tão desconhecidas que não podemos nem julgar ainda se serão boas ou ruins.

São tempos de muita paciência, muita reflexão e que nada é óbvio.

Não somos infectologistas para saber exatamente a dinâmica do vírus.

Aceitar que não se sabe talvez seja o melhor remédio no momento.

A verdade é que sempre vivemos em um ambiente de incerteza, mas os “tempos normais” nos dão uma forte ilusão de controle.

Dessa vez não é diferente e os nossos instintos insistem em tentar achar uma explicação ou uma solução linear para tudo.

Calma.

Vamos raciocinar.

Estamos diante de uma Grande Recessão.

Mais do que todas as crises, essa é uma que vai fazer uma seleção natural radical.

Empresas quebrarão.

As que ficarem, uma parte ficará fragilizada, mas viva.

Uma minoria, ficará muito forte, explorando um terreno fertil com bem menos concorrência.

Isso não vai acontecer, já está acontecendo.

O Santander Brasil (SANB11) teve lucro recorde no 1º trimestre de 2020.

O maior lucro que a empresa já deu em um primeiro trimestre.

Isso não é pouca coisa.

“Ah, mas banco sempre lucra”.

Ora, então é aí mesmo que devemos investir, sem inventar moda.

As crises selecionam.

Os vencedores levam tudo.

Com 8 milhões de CNPJs no Brasil e apenas 200 e poucas empresas listadas na bolsa brasileira, definitivamente não dá para dizer que as empresas da bolsa refletem a realidade das empresas do país.

São empresas gigantes, com muito mais acesso a crédito, com histórias longas, que já passaram por diversas crises.

Dessas 200 e poucas empresas, cerca de 50 são excelentes, muito acima da média.

Dessas 50 excelentes, existem 13 formidáveis sendo negociadas a preços de barganha.

Não cogite qualquer coisa que não seja investir em empresas excelentes.

No longo prazo, são as que sempre vão se manter de pé.

São essas empresas que construíram fortunas para os investidores de cabelos brancos.

Seguimos em frente.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

O tal do Efeito Mola: chega quando?

efeito mola

Olá, como você vai?

Pode parecer pretensioso, mas não deixa de ser verdadeira a boa notícia que vou dar: vamos nos recuperar dessa crise.

Se há algo previsível no cenário atual é que essa crise possui início, meio e fim.

A quarentena limita a circulação de pessoas e barra muitos serviços e, sim, causa um sério problema de fluxo de caixa, principalmente para famílias, autônomos e empresas pequenas.

A economia fica presa como uma mola que se comprime.

Nessa horas, é válido recorrermos às leis da física para ilustrar o cenário.

Com o perdão do simplismo, a analogia serve para mero entendimento.

Quanto maior a deformação de uma mola, maior a energia potencial elástica acumulada e maior o potencial de trabalho a ser realizado após o momento de descompressão da mola.

Lembrando que a energia potencial elástica não depende do tempo de compressão, mas tão somente do tamanho da deformação da mola, ao passo que na economia real, o tempo necessário de quarentena é crucial para muita gente.

Mas se valendo da analogia: quanto maior a repressão da economia com o lockdown, maior a demanda reprimida acumulada e, consequentemente, maior a intensidade da recuperação da economia.

Essa crise é diferente de uma crise normal.

É diferente do que uma economia com exaustão da capacidade produtiva, tal qual ocorre com os Estados Unidos, que estava em pleno emprego e com o mercado de ações subindo há uma década.

É diferente da crise que se iniciou no Brasil em 2015.

Teremos esse Efeito Mola na economia brasileira.

Não é questão de “se”, mas de “quando”.

Estamos passando por uma crise intensa, mas pouco duradora.

Salvando vidas, empregos e empresas, poderemos sair ainda mais fortes dessa crise.

Em alguns países isso já está acontecendo.

A economia chinesa está se recuperando mais depressa do que o esperado.

Nesta terça-feira (31), o índice chinês dos Gerentes de Compras (PMI) de março subiu para 52,0 pontos, acima dos 35,7 pontos de fevereiro e superando as expectativas dos economistas internacionais, que previam um PMI de 45 pontos.

A alta no PMI mostra uma recuperação mais precoce da atividade industrial na China.

Esse processo vai se estender da Ásia para Europa.

Mais tarde chegará aos Estados Unidos e depois disso no Brasil e, posteriormente, na África, último continente atingido pelo vírus.

Não só as autoridades de fora anunciaram medidas massivas, como por aqui também temos muitas medidas relacionadas a auxílio a mais vulneráveis, solvência de empresas, ajuda à autônomos e aumento da liquidez do sistema financeiro.

As medidas são muito mais drásticas do que as tomadas em 2008, por exemplo.

E bem ou mal, sempre é importante lembrar que as empresas listadas em bolsa não refletem a realidade das empresas do país.

Estamos falando de pouco mais de 200 empresas viáveis para se negociar em bolsa frente a mais 5 milhões de CNPJs cadastrados no país.

As empresas são a elite da elite das empresas, não vão quebrar.

Nesse jogo de incertezas, a visão de longo prazo é o segredo para sobrevivência e também para manter a sanidade mental.

Chegamos em um cenário em que prejuízo parcial em bolsa só se recupera continuando na bolsa.

A travessia é crucial.

Sair agora da bolsa para um CDI de 3 por cento ao ano significa tornar definitiva uma perda parcial.

Os preços atuais ainda embutem um impacto negativo permanente nos fundamentos de empresas que possuem capacidade para se recuperar em poucos meses, uma desconexão muito grande entre preço e valor.

Se o valor justo de uma empresa é igual a seu fluxo de caixa, de hoje até o infinito, descontado a valor presente e só teremos quedas significativas nos próximos 3 ou talvez 4 trimestres, não faz sentido que algumas ações tenham caído 40, 50, 60, 70 por cento…

No frigir dos ovos, pressupondo que a partir de 2021 a empresa passaria a gerar os mesmos resultados do que em 2019, uma queda de mais de 10 já seria demasiada em termos matemáticos.

Mas o comportamento do mercado não é nosso simples modelo matemático.

É justamente por isso que há oportunidades postas na mesa.

Reforçando, o que está dando chance agora é o óbvio.

Compre com parcimônia, foque no óbvio, na qualidade e tenha visão de longo prazo.

Passaremos por essa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

BOVA11: o pior já passou?

bova11 pior ja passou

Olá, como você vai?

Depois de bater os 63.300 pontos, menor patamar para o Ibovespa desde maio de 2017, ontem tivemos uma forte alta do índice (e consequentemente da ETF BOVA11), voltando a casa do 70.000 pontos.

Banco Central Europeu prometendo estímulos de 800 bilhões de euros.

Ásia controlando bem o vírus e lançando pacotes de estímulos.

Federal Reserve anunciando que irá comprar whatever it takes (o que for necessário) para não entrar em uma crise de liquidez.

Trump ainda anunciaria um pacote anti-coronavirus, o que puxava forte os mercados globais no momento em que escrevi essa newsletter.

Por aqui, o Banco Central, o BNDES e o Tesouro já se alinham para uma ação coordenada.

E pode vir mais.

Não parecemos viver um momento em que os governos irão economizar munição para combater uma eventual recessão global.

Pegando como referência o BOVA11, do pico histórico em janeiro ao fundo na segunda-feira, acumulamos uma queda de 47 por cento.

A história se repete…

Em 1998, 1999 e 2008 tivemos quedas semelhantes no Ibovespa: intensas e rápidas, tais quais foram as suas recuperações.

Na crise do subprime em 2008, a bolsa caiu 44% e se recuperou em 8 meses.

Em 1999, quando alteramos o regime das taxas de câmbio de 1 real para cada dólar para o câmbio flutuante, a bolsa caiu 45% e se recuperou em 3 meses.

Em 1998, com a crise russa que criou um temor nos mercados financeiros emergentes, a bolsa caiu 57% e voltou aos patamares originais em 7 meses.

Hoje, olhando em retrospectiva, tudo parece óbvio e nos questionamos por que houve tanto pânico a época, já que era certo que se encontraria alguma maneira de se resolver aquele problema, por mais grave que fosse.

Além disso, em todos esses casos se dizia que “dessa vez é diferente, as outras crises não foram assim”.

A questão é que os mercados, em situações extremas, sofrem mais do que o justificável e, do lado oposto, sobem muito mais do que o justificável.

Cada dia que passa, vamos nos acostumando com a dor do status quo e o cenário vai ficando mais claro.

Já sabemos que essa crise é passageira, que deve se estender de 6 a 12 meses.

Só não conseguimos ainda dimensionar o impacto dela ainda.

De toda forma, ainda que muitas empresas sofram nos seus fundamentos, a correção que sofreram no preço parece desmedida.

Estamos diante de uma ótima matriz de risco x retorno: já não temos muito a perder, o Ibovespa já não pode cair substancialmente abaixo dos 63.000 pontos.

Por outro lado, temos bastante a ganhar: um simples retorno do Ibovespa aos 119.500 significaria, na média, dobrar o seu capital.

Como você viu nas crises passadas, isso pode levar meses.

Mas não sabemos.

Também não sabemos até onde o mercado pode cair e, sinceramente, tentar encontrar o fundo pode deixar você ainda mais angustiado nesse momento.

Compre aos poucos, em movimentos lentos.

Se você estiver líquido, com caixa de sobra, esse é o melhor momento.

Compre devagar, uma compra por semana ou mês, tanto faz.

Dessa forma você não ficará ancorado em um único nível de preço.

Não coloque um dinheiro que você possa precisar pelo próximos 5 anos.

Esqueça o timing, você necessariamente vai errar ele e talvez tenha que ver a coisa piorar um pouco antes de ver o rally de retomada.

O importante agora é você investir em boas empresas, afinal, está tudo com desconto, tanto o que é bom, quanto o que é ruim.

Bancos, elétricas, empresas de saneamento são opções mais óbvias nesse momento.

Lembre que dinheiro não tem marca.

Dobrar o capital com Itaúsa (ITSA4) ou com small caps é exatamente a mesma coisa.

Opte pelo bom e barato, o clássico feijão com arroz.

Aqui estão as melhores opções para o momento.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

SEDI3: forte na subida, suave na descida

estrategias conservadoras bolsa

Caro leitor,

Quem são as empresas defensivas da bolsa para você?

Tem quem diga que são as empresas que têm suas receitas atreladas ao dólar.

Pois elas se beneficiariam num cenário de crise, onde o dólar costuma disparar.

Só que a crise atual está nos mostrando é que as verdadeiras ações defensivas são as que pagam os maiores dividendos.

Os motivos que fazem essa ações sofrerem menos do que as outras não são os dividendos em si.

Os dividendos são sim consequência de uma série de características presentes neste tipo de empresa.

Essas mesmas características que as fazem pagar bons dividendos, as deixam mais seguras para atravessar momentos de crise.

Algumas dessas características são:

Forte geração de caixa operacional.

São empresas que possuem margens elevadas e estáveis.

Em tempos de bonança isso se torna a origem do dinheiro que vai virar dividendos conforme as linhas vão descendo nas demonstrações financeiras da empresa.

Em tempos de crise, elas poderão ser espremidas e mesmo assim a empresa continuar gerando resultado positivo, mesmo que menor.

Ou seja, tem muito espaço de manobra antes de começar a dar prejuízo.

Baixo endividamento.

Em palavras bem diretas, são aquelas que devem pouco ou nada.

A dívida costuma ser confrontada com a geração de caixa da empresa para se verificar se está em nível seguro ou não.

Em cenário de crise, a dívida, mesmo que do mesmo tamanho de sempre, pode se tornar pesada demais pois a geração de caixa das empresas diminuirá.

O dinheiro que é destinado ao pagamento de juros e principal, em épocas de crise faz falta para o bom funcionamento das operações da empresa.

É aí que mora o perigo.

A chance de uma endividada ficar pelo caminho em meio a crise é muito maior do que uma não endividada.

Essas são características presentes em quase todas as ações do Seleção de Dividendos (SEDI3).

Uma carteira de ações que acumula queda de 25 por cento (em verde no gráfico) contra 45 por cento do Ibovespa (em vermelho) neste ano.

ibov vs seleção de divididendos

Isso sim é ser defensivo.

Na queda, caímos menos. Na retomada, subimos mais.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Vai aproveitar a baixa e comprar uma Small Cap?

Aproveitar oportunidades na bolsa small caps

Olá, investidor!

​Provavelmente você deve estar acompanhando a forte queda da bolsa na últimas semanas, decorrente do crescimento da transmissão do Covid-19​.

queda IBOV início de 2020

A queda já acumula mais de 40 por cento em 2020.

É impossível saber até quanto que a queda irá chegar, então não perca seu tempo com isso.

Por outro lado, muitas empresas estão sendo negociadas a preços atrativos, chamando a atenção de muitos investidores.

Empresas de qualidade negociando a metade dos seus múltiplos de 2019.

Quer dizer que temos claras oportunidades sem chances de dar errado?

​Bom, não é bem assim que funciona.

Quando estamos passando por uma crise, como a atual, o consumo dos produtos e serviços apresentam significativa queda.

Quando uma empresa vende menos, recebe menos.

Se ela não possui caixa para saldar suas obrigações de curto prazo, teremos um problema de defasagem do fluxo de caixa.

A solução é a empresa utilizar recursos de terceiros (empréstimos).

Quando uma empresa vende menos e já é alavancada, temos um problema maior.

Ela precisará aumentar seu comprometimento em crédito e isso poderá danificar a estrutura financeira da empresa, a ponto de ficar insolvente.

Imagine que você irá parar de ter renda durante 2 meses, suas contas continuaram a chegar, mas você não gerou sobras financeiras nos meses passados e consequentemente não tem dinheiro em mãos.

O que você faria? Situação complicada…

Nas empresas, acontece da mesma formas.

A dica mais importante que você receber neste momento é a seguinte:

Compre apenas empresas geradoras de caixa e com baixo endividamento.

Não significa que estas empresas não irão sofrer em relação aos seu negócios e receitas, mas terão condições financeiras para se manter durante e após o período desafiador.

Em momentos críticos a liquidez é a salvação, não só para a empresa, mas também para você.

Estamos vivendo um momento único para comprar ativos de qualidade sendo negociados a preços incríveis.

Compre bolsa! Você não irá se arrepender.

Contudo, verifique antes, se a empresa está preparada para aguentar e superar os desafios de um queda de vendas.

A lista das melhores small caps do momento está aqui disponível para download​.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

TAEE11, SAPR11, ITSA4: a hora do óbvio

taee11 sapr11 itsa4

Olá, como você vai?

Espero que você esteja bem.

Os últimos dias têm sido totalmente atípicos não só para os mercados, mas também para a nossa rotina.

Temos muitos investidores de primeira viagem recebendo o seu primeiro batizado logo nos primeiros meses de bolsa.

Pode parecer banal, mas isso certamente vai expurgar os curiosos e calejar quem entrou na parada para fazer como se deve fazer.

Em tempos de realidades complexas e imprevisíveis, temos de manter o nosso foco no longo prazo e simplificar ao máximo as coisas no curto prazo.

Processos de investimento complexos perderam o sentido nesse momento.

A experiência vai nos ensinando a simplificar cada vez mais.

Antes de você perguntar se investimentos em ouro e dólar são válidos, eu já afirmo que são sim, mas cuide para não “contratar um seguro de carro logo após o carro ter batido”.

Proteção boa é caixa.

Esses investimentos deveriam ter sido feitos quando a bolsa subia e, convenhamos, ninguém quer saber de ouro e dólar quando as ações brasileiras subiam dia após dia.

Por isso reforço: nada contra esses investimentos defensivos, mas no momento eles irão custar muito para proteger pouco, já não há mais muito o que se proteger.

A melhor defesa nesse momento é possuir caixa e aproveitar as oportunidades mais óbvias.

Nesse momento, ações tradicionais pagadoras de dividendos ou empresas high quality (geralmente caras, mas agora significativamente descontadas) são as ações com a melhor relação de risco retorno para a conjuntura.

Tenha caixa sempre.

Aproveite quedas nas ações de boas empresas e tenha cuidado com o excesso de exposição.

Taesa (TAEE11), Sanepar (SAPR11) e a nossa clássica e forte Itaúsa (ITSA4): definitivamente não será aqui o fim da linha para elas.

Compre aos poucos pois sempre pode cair mais.

E repito: escolha ações de boas companhias e não daquelas que você acha que podem se tornar boas.

Se quiser fazer alguma aposta em small caps, vá com pouco capital e escolha empresas que apesar de pequenas, estão nadando a braçadas nos últimos tempos.

Fora isso, algumas ponderações a serem feitas:

  1. A China deve passar por forte desaceleração ou quem sabe até uma recessão bem forte. Em que pese o seu caixa em dólar e possibilidade de compra massiva de insumos baratos, uma possível recessão não é nada conveniente para o Partido Comunista Chinês e joga pelo ralo qualquer possibilidade de conspiração de que a própria China teria plantado a crise do Covid-19.
  2. O bear market americano parece finalmente ter chegado após quase 10 anos consecutivos de altas no mercado. Os Estados Unidos podem passar por uma recessão temporária seguida de uma forte desaceleração na taxa de crescimento econômico. Trump certamente quer enfrentar as eleições em uma condição mais confortável e por isso deve seguir com estímulos.
  3. A Europa, atual epicentro de disseminação do Coronavírus, também deve passar por uma recessão e passa a voltar os olhos para solvência do Deutsche Bank. Não me parece ser do perfil do Banco Central Europeu deixar um banco de tal quilate quebrar. É aquela coisa, too big to fail.
  4. Com fortes estímulos nas economias avançadas e um impacto iminente na economia real brasileira, tem se o aval não só de termos uma Taxa Selic em patamares nunca antes imagináveis, na casa dos 3 por cento ao ano, como também força o governo a se valer da política fiscal como ferramenta de combate a uma possível recessão. Se em condições normais de temperatura e pressão a ordem era controlar gastos e fazer reformas, em situações extremas a imagem de Lord Keynes emerge até a frente de Paulo Guedes e companhia.
  5. Mais do que tudo isso, o ambiente pode favorecer a tramitação das reformas administrativa e tributária no Congresso, uma vez que a circunstância encoraja uma maior aproximação e colaboração entre Legislativo e Executivo.
    De forma geral, não abandonamos a tese e bull-market estrutural no Brasil, temos muita coisa para melhorar ainda dentro da economia doméstica.

Se por um lado essa atual crise vai impactar o resultados das empresas listadas em um primeiro momento, esse impacto é passageiro e dentro de 6 meses a um ano já terá sido absorvido.

Nesse momento eu me coloco à disposição para quem estiver com dúvidas.

Fiquem bem e em casa, caso possam.

Lavem bem as mãos e cuidem dos familiares.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Ainda sobre a queda do século: lições que podemos tirar

Olá, como você vai?

A última segunda-feira (9) vai ficar marcada na história.

Foi a maior queda do século no Índice Bovespa, que em um único pregão caiu mais de 12 por cento, fechando em 86.067 pontos.

Soma-se a isso a alta do dólar que tivemos.

O Ibovespa dolarizado voltou aos 19.000 pontos, sendo que estava em 29.000 pontos no início de janeiro.

Tivemos a maior correção em dólares do atual bull-market: queda de -36 por cento.

E é justamente por isso que a segunda-feira será lembrada.

Daqui a 10 anos você poderá lembrar desse dia como “o dia que eu deveria ter investido na bolsa…”.

O fato é que não temos nenhuma quebra estrutural no Brasil e no mundo.

As tendências seguem as mesmas.

Correções como essas são raras, claro, e acontecem justamente quando não esperamos.

Se o Coronavírus​ já parecia ser razão suficiente para se preocupar, no silêncio de um final de semana, Rússia e a Opep e entram em desacordo em relação aos níveis de produção do petróleo.

Com o preço barril operando na casa dos 20 e poucos dólares seria muito difícil para uma empresa como a Petrobras trabalhar com margens mais confortáveis, comprometendo os fundamentos da empresa.

Calma, não é para vender Petrobras (PETR4), nem desistir da compra dela.

Até porque nem mesmo os países da Opep aguentam o tranco por tanto tempo.

A questão é que a percepção por risco do investidor global aumentou.

Os gringos encontraram uma desculpa adicional para realizar lucros.

Os traders e investidores que operam alavancados acabaram vendendo muita coisa forçada ontem, uma vez que muitos stop-loss foram acionados.

Teve venda consciente, venda forçada e venda por pânico.

Os investidores inteligentes foram às compras.

Para quem é um acumulador de ativos, nada melhor que um dia de quedas acentuadas.

Ficou até difícil saber o que comprar.

E claro, sem ser leviano, os riscos postos não foram eliminados.

Coronavírus já havia dado um bom ponto de entrada para bolsa​.

O número de casos fora da China segue crescendo.

Veio o imbróglio relacionado ao petróleo e derrubou ainda mais a bolsa, o que na visão de quem é acumulador de ativo, melhorou ainda mais a condição de entrada.

Vimos empresas consolidadas negociando a 5x lucros.

Há tempos não se via uma chance de comprar o óbvio.

E a parte mais bonita do processo é que não sabemos para onde vai a bolsa nos próximos dias.

Poderemos ter mais quedas.

Podemos ver a bolsa bater os 70 mil pontos novamente. Por que não?

Assim como em um piscar de olhos podemos retomar os 120 mil pontos.

A questão é que por mais que o Brasil possa sofrer um pouco nesse primeiro semestre por conta do Coronavírus, o efeito é passageiro e a retomada pode vir rapidamente, seguindo um efeito de mola comprimida.

A economia brasileira não está nem perto de estar exausta, pelo contrário.

Temos muita capacidade ociosa e hoje ainda poderemos ter mais um corte na Selic.

Ainda não sentimos o efeito dos juros baixos na economia, mas o fato é que isso é uma quebra de paradigma grande demais e que, na minha visão, está sendo subestimada.

Um juro baixo duradouro vai ter um efeito estrutural positivo em alguns anos.

Novos projetos se tornam viáveis.

E insisto: o Brasil ainda não voltou a crescer.

A fase “forte” do nosso bull-market só irá se concretizar no momento em que a economia estiver crescendo mais pujantemente, o que naturalmente vai puxar para cima os lucros das empresas.

Não temos muito mais espaço para bolsa crescer via expansão de múltiplos.

Isso pode nos levar para, no máximo, até os cento e poucos mil pontos.

Mas o fato é que as empresas listadas tem muito a entregar ainda.

O fundamento das melhores empresas deve seguir melhorando.

O que talvez angustie o brasileiro é o fato de que sempre parece que o crescimento de fato “só virá no ano que vem”, ano após ano.

Enquanto isso, reforçamos a importância de seguirmos aportando mensalmente em ações de boas e sólidas empresas.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

CORO3: compre e seja feliz

Acoes de dividendos

Caro leitor,

Coronavírus vai acabar com o mundo​.

O Coronavírus é só uma gripezinha que logo passa.

O mercado se apavora, acha que o mundo vai acabar e derrete mundo afora.

O mercado vê que não é bem assim e recupera tudo em um dia.

Enquanto isso os investidores estão no meio de um fogo cruzado sendo bombardeados por notícias ora apocalípticas ora esperançosas.

E o preço de suas ações subindo e descendo como a mais radical das montanhas russas.

Agora acalme o seu coraçãozinho, caro investidor de dividendos.

Ouça uma voz razoável e sensata.

Saiba que quando você compra uma ação, você está comprando uma remuneração para si mesmo.

Essa remuneração é para durar uma vida toda.

Portanto, vários anos.

Ela vem dos lucros das empresas investidas.

Então é isso que importa para você: o lucro das empresas pelos próximos 20 anos ou mais.

Como saber como eles estarão daqui a 20 anos?

Bem, não tem como.

Agora, o que dá para fazer é colocar as probabilidades a seu favor.

Primeira coisa: para dar certo, tem que primeiro não dar errado.

Portanto evite fazer besteiras no meio do caminho.

Faça pelo menos a sua parte, lembra?

Eu gosto de pensar assim nesses momentos de crise: se o mundo realmente acabar, ele vai acabar para todos.

O dinheiro vai ser a minha última preocupação antes de morrer.

Portanto ter entrado em parafuso achando que o mundo vai acabar e vender tudo, comprar ouro e correr para as montanhas não faz o menor sentido.

Se o mundo acabar, acabou para mim também.

Agora… se ele não acabar, eu posso sair mais rico (ou menos pobre) do que muita gente só por não ter feito besteira e vendido minhas geradoras de renda no meio do pânico e das preocupações generalizadas.

Pensando que a probabilidade de o mundo acabar é de quase 0 por cento, vale mais a pena ser sensato e não fazer nada ou até ser corajoso e investir um pouco mais quando estiver todo mundo apavorado.

As grandes valorizações vem de decisões extraordinárias.

Seja comprar na baixa, seja segurar por muito tempo.

As duas são difíceis de fazer.

Uma requer uma frieza que não é natural do ser humano.

A outra requer uma disciplina e paciência que também não são naturais do ser humano.

Se você investiu em boas empresas, elas vão encontrar seu caminho para fora dessa e de outras crises que virão.

Se você diversificou, mesmo que algumas não consigam resistir e quebrem, as outras vão cobrir o prejuízo e mesmo assim você vai ter obtido ótimos resultados.

O mercado de ações não é linear.

Não tente prever o fim do mundo.

Faça a coisa certa. Sempre.

Enquanto o mundo não acabar, você estará acumulando fortunas​.

Se acabar, então foi um prazer ter escrito para você. Tchau.

​Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.