A verdadeira definição de ações baratas

Olá, como você vai?

O mercado caiu 47 por cento desde a sua máxima em 119 mil pontos em janeiro.

O dia 23 de março foi marcado pela marca de 63 mil pontos junto com o avanço assustador do vírus mundo afora.

Ali no olho do furacão tudo caiu.

Ainda não dava para ter muita clareza de quais seriam as consequências para cada empresa, mas dava para imaginar que nem todo mundo sofreria igualmente.

Preço todos perderam. Tudo caiu.

O momento de pânico não escolhe as vítimas. Mas as pessoas foram assimilando a nova condição.

Muitas empresas se ajustaram fazendo home office.

Vimos os Bancos Centrais jorrando dinheiro por tudo e os governos tomando medidas fiscais importantes.

O pânico foi embora e voltamos para a (nova) realidade.

Os fatos foram dando o tom de diferenciação: aos poucos foi ficando claro quem seriam os mais penalizados e os menos penalizados.

Vimos a força do e-commerce e as fragilidades das companhias aéreas.

Notamos também a resiliência dos setores de utilidade pública, como transmissão de energia elétrica e saneamento.

Vimos que mesmo na queda, o número de CPFs cadastrados na B3 aumentou significativamente.

Mas afinal, o que ficou barato?

Ora, vamos primeiro definir o que é barato…

Nem tudo que caiu ficou barato.

Vamos dizer que se uma empresa perde 50 por cento do seu valor e o preço da ação cai apenas 30, ela ficou mais cara, mesmo com uma cotação menor.

Barato e caro é algo que se mede contrastando o preço e o valor. Uma ação com muito valor e pouco preço é uma ação barata. A verdadeira definição de ação barata é essa.

Lojas Renner terá um ano péssimo. Chegou a cair 60 por cento em relação à sua máxima, mas certamente não perdeu tudo isso de valor.

Não estou recomendando o papel em si, mas querendo mostrar que, matematicamente, a gente infere que a empresa ficou mais barata do que antes.

Mais do que ficar procurando quais ações caíram mais, o importante agora é identificarmos quais as empresas que não perderam valor.

Fazendo uma varredura completa pelas 330 empresas listadas através da ferramenta do GuiaInvest, chegamos a 23 papeis que estão em promoçãovalor preservado, negócios sólidos e preço descontado.

Mas esses são os 23 papeis que estão baratos no contexto atual.

Mas se analisarmos o Brasil como um único ativo, é possível dizer que Brasil está barato demais.

Batemos 12 mil pontos em dólar no Ibovespa em março, vindo de 29 mil pontos em janeiro.

O real foi a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar em uma cesta de moedas emergentes.

O investidor estrangeiro, novamente, está assustadoramente sub-alocado no Brasil, de forma que qualquer inclusão de Brasil em seus portfólios, pode puxar as coisas para cima aqui.

Tudo, de fato a imagem do Brasil lá fora não é das melhores, mas embutir isso nos preços também significa que não há mais muito como piorar.

Somado a isso, vivemos o que Armínio Fraga cunhou de tempestade perfeita: a tríade de das crises econômica, sanitária e política, ainda que esta terceira tenha se amenizado com o diálogo entre Executivo e Congresso.

Estamos em um fundo de poço.

Você acha ruim comprar quando tudo está no fundo do poço?

Claro, é muito desconfortável, pois sempre cogitamos a existência de um alçapão no fundo do poço.

Mas temos razões para acreditar em um futuro melhor.

Os estudos avançam na direção de conquista de uma vacina ou tratamento para o Novo Coronavírus.

Não sabemos quando, mas a pandemia vai passar.

E temos alguma peculiaridade nos ajudando.

Temos uma taxa de juro muito baixa, o que vai forçar, no menor sinal de melhora do quadro econômico, uma entrada massiva de dinheiro na bolsa brasileira, o que puxaria os preços para cima.

Como disse Henrique Bredda, em 2025 a gente vai sentir saudades dos preços que víamos em 2020.

Obviamente não é para se atirar comprando ações.

Temos que pensar em portfólio e diversificação, sempre prezando por qualidade.

Mas pegar uma dessas barbadas aqui e esperar um tempo não vai fazer mal a ninguém.

Seguimos adiante.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

A Grande Recessão vai ter empresas vencedoras

grande recessao

Olá, como você vai?

Entraremos na maior recessão da história da república.

Chega a ser tragicômico o fato de estarmos repetindo essa frase 4 anos após termos falado isso pela primeira vez.

Sendo brasileiro, é péssimo termos de carregar essa sina.

O Boletim Focus já prevê uma recessão acima de 3 por cento para esse ano.

Não é uma questão de ter bola de cristal.

A queacstão é que semana após semana essa expectativa se ajustará para baixo, por uma questão de calibragem de quem faz essas previsões.

Não consigo enxergar uma retração de menos de 5 por cento do PIB.

É inevitável.

Por muito menos tivemos retração de -3,5 por cento em dois anos seguidos, em 2015 e 2016.

A recuperação no pós-pandemia deve ser lenta e dolorida.

Não basta pensar apenas no fim da quarentena, temos que pensar em toda uma mudança de hábitos.

Sem uma vacina, sinceramente, você acredita que poderemos ter grandes eventos, como shows e festivais?

Os estádios de futebol continuarão lotando?

Você continuará indo à shoppings com a mesma frequência?

Será a máscara uma nova peça do nosso vestuário?

Haverá uma mudança de hábitos significativa e, com isso, consequências econômicas ainda desconhecidas.

Tão desconhecidas que não podemos nem julgar ainda se serão boas ou ruins.

São tempos de muita paciência, muita reflexão e que nada é óbvio.

Não somos infectologistas para saber exatamente a dinâmica do vírus.

Aceitar que não se sabe talvez seja o melhor remédio no momento.

A verdade é que sempre vivemos em um ambiente de incerteza, mas os “tempos normais” nos dão uma forte ilusão de controle.

Dessa vez não é diferente e os nossos instintos insistem em tentar achar uma explicação ou uma solução linear para tudo.

Calma.

Vamos raciocinar.

Estamos diante de uma Grande Recessão.

Mais do que todas as crises, essa é uma que vai fazer uma seleção natural radical.

Empresas quebrarão.

As que ficarem, uma parte ficará fragilizada, mas viva.

Uma minoria, ficará muito forte, explorando um terreno fertil com bem menos concorrência.

Isso não vai acontecer, já está acontecendo.

O Santander Brasil (SANB11) teve lucro recorde no 1º trimestre de 2020.

O maior lucro que a empresa já deu em um primeiro trimestre.

Isso não é pouca coisa.

“Ah, mas banco sempre lucra”.

Ora, então é aí mesmo que devemos investir, sem inventar moda.

As crises selecionam.

Os vencedores levam tudo.

Com 8 milhões de CNPJs no Brasil e apenas 200 e poucas empresas listadas na bolsa brasileira, definitivamente não dá para dizer que as empresas da bolsa refletem a realidade das empresas do país.

São empresas gigantes, com muito mais acesso a crédito, com histórias longas, que já passaram por diversas crises.

Dessas 200 e poucas empresas, cerca de 50 são excelentes, muito acima da média.

Dessas 50 excelentes, existem 13 formidáveis sendo negociadas a preços de barganha.

Não cogite qualquer coisa que não seja investir em empresas excelentes.

No longo prazo, são as que sempre vão se manter de pé.

São essas empresas que construíram fortunas para os investidores de cabelos brancos.

Seguimos em frente.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

A diferenciação pós-pânico

Onde investir pos panico

Olá, como você vai?

Estamos há dois dias vendo o mercado se recuperar forte.

A redução no número de mortos e infectados pelo Covid-19 na Ásia e Europa animam.

No entanto, não estamos ainda imunes a novas correções nos mercados globais e aqui mesmo, onde ainda não atingimos o pico de contaminação do vírus.

Mas devemos ficar atentos.

O movimento agora é de diferenciação pós-pânico.

Pense aqui comigo…

No início, tudo cai.

O mercado não quer nem saber.

Posições estopadas, fundos quantitativos fazendo força vendedora, investidores alavancados com vendas forçadas, investidores desavisados se desfazendo das posições sem nem saber o porquê…

O resultado disso foi uma queda de 47 por cento no Ibovespa.

Nada foi poupado. Tudo caiu.

Neste momento inicial, não há diferenciação e todas ações caem na mesma magnitude. Umas um pouco mais e outras um pouco menos, mas não sobra nada.

Porém, no pós-pânico ocorre a diferenciação e, então, questões particulares, das individualidades das empresas passam a ser relevantes.

A divulgação dos resultados do 1T2020 vai deixar isso bem evidente.

Deve haver uma rodada de novas punições e absolvições na bolsa.

Mas vamos ponderar…

Não há motivo para uma empresa de transmissão de energia elétrica sofrer tanto quanto uma empresa de aviação.

Não há razão para as ações da B3 (B3SA3), por exemplo, sofrerem tanto quanto um empresa de lojas varejistas.

De modo geral, os preços estão bons.

É hora de uma migração para qualidade.

Não há por que se aventurar em teses mais complexas em meio a tanta coisa óbvia com preço atrativo.

Correções pelo caminho devem ser encaradas com naturalidade.

Talvez voltemos a experimentar a casa dos 60.000 pontos em breve, mas também não seria chocante voltarmos para a acasa dos 80.000 ainda essa semana.

Não sabemos do futuro, não sabemos para onde o mercado vai.

Conhecemos a história e sabemos que o mercado se recupera, às vezes, mais rápido do que imaginamos.

Não é hora de fazer grandes movimentos nos portfólios.

Não tem essa de sair entrando pesado só porque a bolsa caiu ou então sair comprando fundos de dólar e de ouro depois que a merda já está feita.

A hora é de não mudar de estratégia.

De toda forma, temos que pensar no que vem daqui para frente.

Vale a pena vender as ações de uma empresa X que caiu 70 por cento?

Se você acha que essa empresa está com os fundamentos comprometidos e, ao mesmo tempo, enxerga uma empresa Y que daqui para frente possa “recuperar” esse montante perdido com a empresa X, faça-o.

Dinheiro não tem marca.

O que você perdeu com Petrobras, você pode recuperar com Vale.

Reforço sempre o cuidado de não ficar pulando de galho em galho, não mexer muito no portfólio, apenas movimentos pontuais.

Dê sequência à regularidade dos aportes.

Atento apenas para se manter focado em qualidade.

As crises nos ensinam a ser investidores mais chatos, mas não podemos ser paranoicos.

Sim, teremos recessão, a crise fiscal vai se agravar e o desemprego também.

Isso não nos impede de sermos otimistas com o desenrolar pós-crise.

A retomada da vida ao seu curso normal nos meses seguintes a crise também deverão ocorrer em velocidade semelhante a da parada.

Enquanto isso, o contexto macroeconômico nos obrigada a aprender a conviver com a uma taxa de juros muito baixa e um câmbio depreciado, o que, no longo prazo, pode ser a semente para um ciclo virtuoso do país.

Seguimos vivos.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

KNRI11: o FII que mais comprei na crise

KNRI11 fundo imobiliario

Caro leitor,

Sabe aquele produto que você namora a tempos e só não comprava por que era muito caro?

A muito tempo eu namorava o KNRI11.

O fundo mais diversificado que tem na bolsa hoje em dia.

Ele é gerido pela competente e tradicional Kinea Asset Management, a “gestora independente do Itaú”.

Seus números são formidáveis:

Seu patrimônio de 3,6 bilhões de reais é composto por dezenove imóveis, sendo dez edifícios comerciais e nove centros logísticos localizados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

São mais de 578 mil m² de área locável.

São oitenta e quatro contratos de locação e mais de cinquenta inquilinos compostos por grandes empresas nacionais e multinacionais.

Sua receita é composta 45 por cento de contratos atípicos, que possuem maior solidez jurídica.

Não há concentração de inquilinos em algum segmento específico da economia e quase 60 por cento dos contratos vencem somente a partir de 2024.

Os imóveis são de bom padrão construtivo e historicamente vêm apresentando vacância abaixo da média observada nos seus mercados.

Como eu queria ser dono de uma parte disso tudo…

Mas claro que eu não estava disposto a pagar qualquer preço. Portanto só me restava esperar.

Foi um exercício de paciência árduo.

Nas últimas semanas as oscilações (para baixo) nos preços das cotas foram tão grandes e não refletiam nem de perto a qualidade da carteira imobiliária do fundo.

Foi a minha chance: enchi o carrinho.

Comprei tudo que eu queria para compor minha carteira.

Nessa crise, o fundo que eu mais gostei de comprar foi o KNRI11.

E você?

Comprou o que mais nesses dias malucos?

Os assinantes do Canal Aluguel Inteligente plantaram muita renda para o pós-crise.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

2020: igual a 1929, 1994, 2000, 2001 e 2008.

Crises economicas passadas

Olá, investidor!

Sim! Estamos passando por uma crise e ela irá gerar fortes consequências econômicas.

Recessão é uma delas.

Você deve estar com a sensação que o fim do mundo chegou, que as bolsas mundiais irão quebrar, que você irá falir e que todo seu capital investido irá virar pó.

Mas, trago boas notícias. Fique calmo.

Essa não é a primeira vez que o mundo passa por um momento crise, onde o pânico toma conta dos mercados.

Em todas as crises o sentimento é sempre o mesmo.

Se você não estivesse com a sensação que o mercado financeiro está quebrando, não seria uma crise.

A sensação de fim do mundo é um sintoma de crise.

Como falei antes, já passamos por diversas crises, nos mais variados períodos: 1929, 1971, 1973, 1979, 1980, 1987, 1994, 1997, 1998, 2000, 2001 e 2008.

Aconteceram algumas mais relevantes, outras menos.

Dentre elas, destaco:

1929 – A Grande Depressão

Depois da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos entraram em um momento de grande crescimento econômico, mais precisamente nos 20.

A Europa no pós-guerra, começou a se reerguer, a partir de 1925, mas importando cada vez menos dos Estados Unidos.

A produção dos americanos continuou intensa, gerando um excessivo estoque de produtos e consequentemente uma queda de preços.

Muitas empresas quebram nesse momento e em 29 de Outubro de 1929, iniciou-se a queda das ações.

O crescimento da economia mundial, parou. O PIB encolheu 15%.

O mundo passou por momentos desafiadores.

1994 – A crise dos mercados emergentes

Diversas crises atingiram os mercados emergentes em 1994.

O México foi o primeiro a sofrer os impactos. O país estava crescendo, seu PIB em 1993 alcançou 4% ao ano.

A crise ficou conhecida como “el horror de diciembre”. A soma de um ataque especulativo agravado pela inadimplência do México, gerou uma desvalorização do peso mexicano.

Seu efeito reverberou pela economia global, atingindo especialmente o Brasil. A imprensa mundial denominou como o “Efeito tequila”.

2000 – Bolha ponto com

A famosa bolha da internet, que alcançou seu pico em Março de 2000.

Foi gerada pela intensa e rápida valorização das ações de empresas ligadas a internet.

Um excesso de expectativas geradas em empresas que não iriam entregar os retornos esperados.

O efeito manada de vendas das ações derrubou a Nasdaq.

2008 – A crise do Subprime

Teve seu ínicio no setor imobiliário americano e se estendeu por todos os setores da economia.

O mundo sentiu duramente as consequências. Inclusive grandes bancos tradicionais quebraram, sendo o Lehman Brothers o primeiro deles.

O efeito dominó foi nas demais instituições foi impactante, gerando novas falências tanto de bancos, como seguradoras.

Os Governos de diversos países tiveram que criar pacotes de estímulos para evitar piores cenários.

Temendo que a crise tocasse a esfera da “economia real”, diversos bancos centrais foram conduzidos a injetar liquidez o mercado interbancário, tentando reduzir o efeito dominó.

O mundo passou por algo que não estava preparado!

Cabe entender que para que ocorra crescimento econômico, momentos de recessão se fazem necessário.

Crise é um efeito natural do darwinismo econômico.

A boa notícia é que o mundo superou todas as recessões, guerras, epidemias e escândalos.

Não será diferente agora.

Tudo vai passar!

É hora de fazer dinheiro em meio ao caos.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

BOVA11: o pior já passou?

bova11 pior ja passou

Olá, como você vai?

Depois de bater os 63.300 pontos, menor patamar para o Ibovespa desde maio de 2017, ontem tivemos uma forte alta do índice (e consequentemente da ETF BOVA11), voltando a casa do 70.000 pontos.

Banco Central Europeu prometendo estímulos de 800 bilhões de euros.

Ásia controlando bem o vírus e lançando pacotes de estímulos.

Federal Reserve anunciando que irá comprar whatever it takes (o que for necessário) para não entrar em uma crise de liquidez.

Trump ainda anunciaria um pacote anti-coronavirus, o que puxava forte os mercados globais no momento em que escrevi essa newsletter.

Por aqui, o Banco Central, o BNDES e o Tesouro já se alinham para uma ação coordenada.

E pode vir mais.

Não parecemos viver um momento em que os governos irão economizar munição para combater uma eventual recessão global.

Pegando como referência o BOVA11, do pico histórico em janeiro ao fundo na segunda-feira, acumulamos uma queda de 47 por cento.

A história se repete…

Em 1998, 1999 e 2008 tivemos quedas semelhantes no Ibovespa: intensas e rápidas, tais quais foram as suas recuperações.

Na crise do subprime em 2008, a bolsa caiu 44% e se recuperou em 8 meses.

Em 1999, quando alteramos o regime das taxas de câmbio de 1 real para cada dólar para o câmbio flutuante, a bolsa caiu 45% e se recuperou em 3 meses.

Em 1998, com a crise russa que criou um temor nos mercados financeiros emergentes, a bolsa caiu 57% e voltou aos patamares originais em 7 meses.

Hoje, olhando em retrospectiva, tudo parece óbvio e nos questionamos por que houve tanto pânico a época, já que era certo que se encontraria alguma maneira de se resolver aquele problema, por mais grave que fosse.

Além disso, em todos esses casos se dizia que “dessa vez é diferente, as outras crises não foram assim”.

A questão é que os mercados, em situações extremas, sofrem mais do que o justificável e, do lado oposto, sobem muito mais do que o justificável.

Cada dia que passa, vamos nos acostumando com a dor do status quo e o cenário vai ficando mais claro.

Já sabemos que essa crise é passageira, que deve se estender de 6 a 12 meses.

Só não conseguimos ainda dimensionar o impacto dela ainda.

De toda forma, ainda que muitas empresas sofram nos seus fundamentos, a correção que sofreram no preço parece desmedida.

Estamos diante de uma ótima matriz de risco x retorno: já não temos muito a perder, o Ibovespa já não pode cair substancialmente abaixo dos 63.000 pontos.

Por outro lado, temos bastante a ganhar: um simples retorno do Ibovespa aos 119.500 significaria, na média, dobrar o seu capital.

Como você viu nas crises passadas, isso pode levar meses.

Mas não sabemos.

Também não sabemos até onde o mercado pode cair e, sinceramente, tentar encontrar o fundo pode deixar você ainda mais angustiado nesse momento.

Compre aos poucos, em movimentos lentos.

Se você estiver líquido, com caixa de sobra, esse é o melhor momento.

Compre devagar, uma compra por semana ou mês, tanto faz.

Dessa forma você não ficará ancorado em um único nível de preço.

Não coloque um dinheiro que você possa precisar pelo próximos 5 anos.

Esqueça o timing, você necessariamente vai errar ele e talvez tenha que ver a coisa piorar um pouco antes de ver o rally de retomada.

O importante agora é você investir em boas empresas, afinal, está tudo com desconto, tanto o que é bom, quanto o que é ruim.

Bancos, elétricas, empresas de saneamento são opções mais óbvias nesse momento.

Lembre que dinheiro não tem marca.

Dobrar o capital com Itaúsa (ITSA4) ou com small caps é exatamente a mesma coisa.

Opte pelo bom e barato, o clássico feijão com arroz.

Aqui estão as melhores opções para o momento.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

SEDI3: forte na subida, suave na descida

estrategias conservadoras bolsa

Caro leitor,

Quem são as empresas defensivas da bolsa para você?

Tem quem diga que são as empresas que têm suas receitas atreladas ao dólar.

Pois elas se beneficiariam num cenário de crise, onde o dólar costuma disparar.

Só que a crise atual está nos mostrando é que as verdadeiras ações defensivas são as que pagam os maiores dividendos.

Os motivos que fazem essa ações sofrerem menos do que as outras não são os dividendos em si.

Os dividendos são sim consequência de uma série de características presentes neste tipo de empresa.

Essas mesmas características que as fazem pagar bons dividendos, as deixam mais seguras para atravessar momentos de crise.

Algumas dessas características são:

Forte geração de caixa operacional.

São empresas que possuem margens elevadas e estáveis.

Em tempos de bonança isso se torna a origem do dinheiro que vai virar dividendos conforme as linhas vão descendo nas demonstrações financeiras da empresa.

Em tempos de crise, elas poderão ser espremidas e mesmo assim a empresa continuar gerando resultado positivo, mesmo que menor.

Ou seja, tem muito espaço de manobra antes de começar a dar prejuízo.

Baixo endividamento.

Em palavras bem diretas, são aquelas que devem pouco ou nada.

A dívida costuma ser confrontada com a geração de caixa da empresa para se verificar se está em nível seguro ou não.

Em cenário de crise, a dívida, mesmo que do mesmo tamanho de sempre, pode se tornar pesada demais pois a geração de caixa das empresas diminuirá.

O dinheiro que é destinado ao pagamento de juros e principal, em épocas de crise faz falta para o bom funcionamento das operações da empresa.

É aí que mora o perigo.

A chance de uma endividada ficar pelo caminho em meio a crise é muito maior do que uma não endividada.

Essas são características presentes em quase todas as ações do Seleção de Dividendos (SEDI3).

Uma carteira de ações que acumula queda de 25 por cento (em verde no gráfico) contra 45 por cento do Ibovespa (em vermelho) neste ano.

ibov vs seleção de divididendos

Isso sim é ser defensivo.

Na queda, caímos menos. Na retomada, subimos mais.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Vai aproveitar a baixa e comprar uma Small Cap?

Aproveitar oportunidades na bolsa small caps

Olá, investidor!

​Provavelmente você deve estar acompanhando a forte queda da bolsa na últimas semanas, decorrente do crescimento da transmissão do Covid-19​.

queda IBOV início de 2020

A queda já acumula mais de 40 por cento em 2020.

É impossível saber até quanto que a queda irá chegar, então não perca seu tempo com isso.

Por outro lado, muitas empresas estão sendo negociadas a preços atrativos, chamando a atenção de muitos investidores.

Empresas de qualidade negociando a metade dos seus múltiplos de 2019.

Quer dizer que temos claras oportunidades sem chances de dar errado?

​Bom, não é bem assim que funciona.

Quando estamos passando por uma crise, como a atual, o consumo dos produtos e serviços apresentam significativa queda.

Quando uma empresa vende menos, recebe menos.

Se ela não possui caixa para saldar suas obrigações de curto prazo, teremos um problema de defasagem do fluxo de caixa.

A solução é a empresa utilizar recursos de terceiros (empréstimos).

Quando uma empresa vende menos e já é alavancada, temos um problema maior.

Ela precisará aumentar seu comprometimento em crédito e isso poderá danificar a estrutura financeira da empresa, a ponto de ficar insolvente.

Imagine que você irá parar de ter renda durante 2 meses, suas contas continuaram a chegar, mas você não gerou sobras financeiras nos meses passados e consequentemente não tem dinheiro em mãos.

O que você faria? Situação complicada…

Nas empresas, acontece da mesma formas.

A dica mais importante que você receber neste momento é a seguinte:

Compre apenas empresas geradoras de caixa e com baixo endividamento.

Não significa que estas empresas não irão sofrer em relação aos seu negócios e receitas, mas terão condições financeiras para se manter durante e após o período desafiador.

Em momentos críticos a liquidez é a salvação, não só para a empresa, mas também para você.

Estamos vivendo um momento único para comprar ativos de qualidade sendo negociados a preços incríveis.

Compre bolsa! Você não irá se arrepender.

Contudo, verifique antes, se a empresa está preparada para aguentar e superar os desafios de um queda de vendas.

A lista das melhores small caps do momento está aqui disponível para download​.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.