TAEE11, SAPR11, ITSA4: a hora do óbvio

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Olá, como você vai?

Espero que você esteja bem.

Os últimos dias têm sido totalmente atípicos não só para os mercados, mas também para a nossa rotina.

Temos muitos investidores de primeira viagem recebendo o seu primeiro batizado logo nos primeiros meses de bolsa.

Pode parecer banal, mas isso certamente vai expurgar os curiosos e calejar quem entrou na parada para fazer como se deve fazer.

Em tempos de realidades complexas e imprevisíveis, temos de manter o nosso foco no longo prazo e simplificar ao máximo as coisas no curto prazo.

Processos de investimento complexos perderam o sentido nesse momento.

A experiência vai nos ensinando a simplificar cada vez mais.

Antes de você perguntar se investimentos em ouro e dólar são válidos, eu já afirmo que são sim, mas cuide para não “contratar um seguro de carro logo após o carro ter batido”.

Proteção boa é caixa.

Esses investimentos deveriam ter sido feitos quando a bolsa subia e, convenhamos, ninguém quer saber de ouro e dólar quando as ações brasileiras subiam dia após dia.

Por isso reforço: nada contra esses investimentos defensivos, mas no momento eles irão custar muito para proteger pouco, já não há mais muito o que se proteger.

A melhor defesa nesse momento é possuir caixa e aproveitar as oportunidades mais óbvias.

Nesse momento, ações tradicionais pagadoras de dividendos ou empresas high quality (geralmente caras, mas agora significativamente descontadas) são as ações com a melhor relação de risco retorno para a conjuntura.

Tenha caixa sempre.

Aproveite quedas nas ações de boas empresas e tenha cuidado com o excesso de exposição.

Taesa (TAEE11), Sanepar (SAPR11) e a nossa clássica e forte Itaúsa (ITSA4): definitivamente não será aqui o fim da linha para elas.

Compre aos poucos pois sempre pode cair mais.

E repito: escolha ações de boas companhias e não daquelas que você acha que podem se tornar boas.

Se quiser fazer alguma aposta em small caps, vá com pouco capital e escolha empresas que apesar de pequenas, estão nadando a braçadas nos últimos tempos.

Fora isso, algumas ponderações a serem feitas:

  1. A China deve passar por forte desaceleração ou quem sabe até uma recessão bem forte. Em que pese o seu caixa em dólar e possibilidade de compra massiva de insumos baratos, uma possível recessão não é nada conveniente para o Partido Comunista Chinês e joga pelo ralo qualquer possibilidade de conspiração de que a própria China teria plantado a crise do Covid-19.
  2. O bear market americano parece finalmente ter chegado após quase 10 anos consecutivos de altas no mercado. Os Estados Unidos podem passar por uma recessão temporária seguida de uma forte desaceleração na taxa de crescimento econômico. Trump certamente quer enfrentar as eleições em uma condição mais confortável e por isso deve seguir com estímulos.
  3. A Europa, atual epicentro de disseminação do Coronavírus, também deve passar por uma recessão e passa a voltar os olhos para solvência do Deutsche Bank. Não me parece ser do perfil do Banco Central Europeu deixar um banco de tal quilate quebrar. É aquela coisa, too big to fail.
  4. Com fortes estímulos nas economias avançadas e um impacto iminente na economia real brasileira, tem se o aval não só de termos uma Taxa Selic em patamares nunca antes imagináveis, na casa dos 3 por cento ao ano, como também força o governo a se valer da política fiscal como ferramenta de combate a uma possível recessão. Se em condições normais de temperatura e pressão a ordem era controlar gastos e fazer reformas, em situações extremas a imagem de Lord Keynes emerge até a frente de Paulo Guedes e companhia.
  5. Mais do que tudo isso, o ambiente pode favorecer a tramitação das reformas administrativa e tributária no Congresso, uma vez que a circunstância encoraja uma maior aproximação e colaboração entre Legislativo e Executivo.
    De forma geral, não abandonamos a tese e bull-market estrutural no Brasil, temos muita coisa para melhorar ainda dentro da economia doméstica.

Se por um lado essa atual crise vai impactar o resultados das empresas listadas em um primeiro momento, esse impacto é passageiro e dentro de 6 meses a um ano já terá sido absorvido.

Nesse momento eu me coloco à disposição para quem estiver com dúvidas.

Fiquem bem e em casa, caso possam.

Lavem bem as mãos e cuidem dos familiares.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

PETR4 e MRVE3: em terra de Selic, quem tem yield é Rei

investir em petr4 e mrve3

Caro leitor,

Até duas semanas atrás, quando você olhava um ranking de dividendos, os campeões da lista eram bancos, elétricas e saneamento.

Eram eles os habituais dividend yields recorrentes acima de 6% ao ano.

Hoje, depois dessas quedas drásticas, esse topo da lista passou a ter habitantes diferentes.

Tem siderúrgica, indústrias, construtoras, petrolíferas (adivinha quem…), educacionais entre outras.

Uma carteira focada em dividendos está mais atrativa do que há muito não se via.

Isso não quer dizer que os clássicos pagadores de dividendos não estejam mais valendo a pena.

Eles continuam sendo os clássicos.

Acontece que as outras empresas caíram tanto nas últimas semanas que os seus dividendos, se não forem permanentemente afetados, se tornaram muito mais atrativos do que o normal.

Nos atuais níveis de preço, você não precisa mais abrir mão de crescimento das empresas para ter dividendos gordos.

Em condições normais de mercado é impossível ter os dois.

Acontece que essa loucura toda da bolsa está te permitindo ter um excelente dividendo e um grande potencial de crescimento ao mesmo tempo.

Dividend on cost é um conceito importantíssimo para você entender o tamanho da oportunidade que está diante de você.

Este é o conceito de o quanto você vai receber de dividendos não sobre o valor atual da ação, mas sobre o seu valor de compra.

É o seguinte: se hoje você compra uma ação a 10 reais e ela paga 1 real de dividendo, você tem um yield on cost de 10 por cento.

Se no futuro ela pagar 3 reais de dividendos e estiver valendo 30 reais, você vai ter um yield on cost de 30 por cento.

Enquanto o mercado vai continuar falando em 10 por cento de yield.

Pois o que interessa para você é o quanto você pagou versus o quanto de dividendo você recebe e para o mercado o que interessa é sempre a cotação atual.

A verdade é que a cotação do dia é para quem quer comprar ou vender.

Não vai ser o seu caso, né? Ou você vai querer vender e abrir mão de um dividendos desse?

Hoje você consegue comprar um ação que tem potencial elevado de crescimento a preços tão baixos que o pouco dividendo que ela distribui representa um percentual acima de 6% (patamar digno das grandes pagadoras de dividendos).

É o exemplo de MRVE3.

Ela historicamente paga um dividend yield de próximo de 3 por cento ao ano.

Mas com a atual queda no preço de suas ações, os dividendos dos últimos doze meses representam 8 por cento de rendimento ao ano.

E ela continua com seu mesmo potencial de crescimento de sempre.

Ou seja, você compra crescimento e leva um baita dividendo de brinde! Mas é só para quem aproveitar os preços de agora.

Existem vários outros exemplos, pesquise que está fácil de encontrar.

Já os yields da minha Seleção de Dividendos estão mais altos do que nunca, vários deles acima de 8 por cento ao ano para quem compra nos patamares atuais.

Em terra de Selic a 3% ao ano (que vem por aí), quem tem yield de 8% é rei.

Aproveite que bolsa de valores nunca ofereceu tantas obviedades de uma única vez.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.