Conheça Irving Kahn, o investidor centenário que lucrou até durante a crise de 1929

Irving Kahn começou sua carreira em Wall Street em 1928, aos 23 anos. No ano seguinte, em meio à Grande Depressão, dobrou seu capital ao “prever” que o pior estava por vir. Antes da maior crise da história, vendeu uma posição antes da queda e foi um dos poucos a sorrir enquanto o mundo desabava para 99% dos investidores daquela época.

Irving Kahn, que nos deixou em fevereiro de 2015 com impressionantes 109 anos, é um investidor que sobreviveu à Grande Depressão, à Segunda Guerra Mundial e a outras dezenas de crises ao longo de quase 90 anos de Wall Street.

Como poucos, entendeu na prática e por dezenas de vezes, o quanto uma crise pode gerar excelentes oportunidades de investimento. Mas nunca abriu mão de uma premissa:

Se o mercado está caro, o investidor precisa saber esperar.

Ele é mais um discípulo do pai do investimento em valor. Foi professor assistente de Benjamin Graham na Columbia University. Na segunda edição do clássico “Security Analysis”, publicada em 1940, Graham credita a Irving Kahn um estudo sobre a relação entre o preço e lucro de uma ação. Warren Buffett foi um de seus alunos.

Uma curiosidade que impressiona é que, mesmo aos 109 anos, três vezes por semana pegava um táxi e ia para seu escritório, em Manhattan. Se você, como eu, ficou curioso para saber o segredo de tamanha longevidade, vale ressaltar que ele não levava uma vida regrada. Fumou até os 50 anos de idade e era um carnívoro assíduo.

Ele teve dois irmãos que também ultrapassaram a casa do cem anos. Sua família, inclusive, já foi estudada por cientistas que buscam decifrar a fórmula da vida longa. Certa vez, disse que a receita para viver por tanto tempo está muito ligado a “ter uma grande curiosidade sobre a vida”. Difícil discordar, não?

Segue algumas dicas desse grande investidor…

#1. Ninguém sabe quando a maré vai virar

Ninguém sabe quando a maré vai virar, diz Irving Kahn

O investidor centenário dizia que preferia ser lento e estável porque aqueles que fazem trades de curto prazo e compram a preços elevados estão expostos a permanentes perdas de capital.

Estudo empresas e penso sobre o retorno que elas podem oferecer em quatro ou cinco anos. Se a ação cai, eu tenho tempo para avaliar a tempestade e talvez comprar mais por um preço menor. Se meus argumentos para o investimento não mudaram, devo gostar ainda mais do papel se ele cair.

#2. Siga a filosofia “todo mundo precisa de uma camisa nova”

Siga a filosofia todo mundo precisa de uma camisa nova, diz Irving Kahn

As “companhias legítimas”, como Irving Kahn costumava chamar, são aquelas que vendem produtos ou serviços que estão presentes em nosso dia a dia (comercializando comida, roupas e outros itens do cotidiano de todo ser humano). Daí a origem da frase de sua autoria que está no título desta dica.

Nesse sentido, pergunto: você já parou para pensar nos motivos que levaram a Warren Buffett a ser dono de mais de 400 milhões de ações da Coca-Cola? Pois é…

#3. Tenha disciplina e temperamento para resistir aos seus impulsos

Tenha disciplina e temperamento para resistir aos seus impulsos, diz Irving Kahn

Já falei sobre a importância de controlar as emoções no artigo que escrevi sobre Walter Schloss e também no sobre Seth Klarman, mas é algo fundamental e que deve ser, sempre, relembrado. Irving Kahn reforça o coro quando diz:

Seres humanos têm os instintos errados quando falamos em mercado de capitais. Se você reconhece isso, pode resistir ao impulso de comprar em um rally e vender em uma queda. É importante, também, lembrar-se do poder dos juros compostos. Você não precisa fazer manobras para ter retorno no curso de sua vida.

#4. Saiba muito mais sobre a ação que deseja comprar do que aquele que está vendendo

Segundo Irving Kahn, saiba muito mais sobre a ação que deseja comprar do que aquele que está vendendo

O debate sobre o quanto somos racionais ou irracionais ao investir é extenso e merece um artigo dedicado (se for de seu interesse, deixa um comentário que eu incluo na lista de futuros textos), mas em uma entrevista concedida em 2012, Irving Kahn comentou sobre a natureza natural de Wall Street: o jogo, a aposta.

O interesse em entender seriamente a natureza das empresas é muito limitado e, muitas vezes, nulo. É por isso que preciso saber muito mais sobre a ação que estou comprando do que o homem que está me vendendo.

É esse tipo de conhecimento que vai ajudá-lo a se livrar das decisões emocionais ao investir.

#5. Seja extremamente analítico

Seja extremamente analítico, diz Irving Kahn

Se você deseja investir como Irving Kahn, cultive o hábito de ler e entender os relatórios anuais das empresas em que planeja investir. Esses materiais costumavam ser companheiros de jantar do mais antigo investidor de todos os tempos.

Seu filho, Thomas Graham Kahn, 73 anos, revelou que o pai gostava de começar a leitura dos relatórios de trás para frente. “É lá que você encontra as principais informações financeiras”, dizia. Irving Kahn sempre investiu baseado em muita leitura.

#6. Fique atento a empresas que apresentam problemas

Fique atento a empresas que apresentam problemas, diz Irving Kahn

Uma das estratégias de Irving Kahn para encontrar pechinchas era ficar de olho no Wall Street Journal (o jornal econômico de maior influência nos Estados Unidos) e procurar por empresas ou setores que estavam passando por dificuldades.

Ao encontrar algo que chamava a atenção, ele estudava a fundo para detectar oportunidades que se encaixavam em sua filosofia de encontrar empresas sólidas, mas subavaliadas pelo mercado, com um caixa forte, pouco débito e boas perspectivas no longo prazo.

Cinco frases de Irving Kahn para nunca mais esquecer

  1. Sua primeira missão é preservar seu capital. A segunda é buscar retorno.
  2. Não dependa de números recentes para projetar preços futuros.
  3. Seu capital está sempre em risco se você não compra a ação por um bom preço.
  4. Não acredite em lucros trimestrais.
  5. Olhe além das duas principais empresas de uma determinada indústria.

Se você gostou deste artigo, vai adorar os outros da série que fizemos sobre grandes investidores:

Condensar ensinamentos de quem respirou a bolsa de valores por quase um século em poucas palavras não é fácil.

Por isso reuni abaixo algumas dicas que reforçam os argumentos e a filosofia de investimento dos outros grandes investidores. Se não leu, aproveite:

6 Conselhos Valiosos de Charlie Munger, o Braço Direito de Warren Buffett

Como Garimpar Barganhas na Bolsa Segundo Walter Schloss – O Superinvestor de Ben Graham

7 Ensinamentos Reveladores de Seth Klarman, O Warren Buffett da Nova Geração

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14 Regras De Ouro De Peter Lynch para Investir

Peter Lynch é um dos grandes investidores em ações

Quem é o investidor Peter Lynch?

Peter Lynch, é um dos investidores de maior sucesso do mundo.

Isso porque durante os 13 anos em que esteve à frente do fundo de investimentos Fidelity Magellan, superou o índice da bolsa americana S&P 500 em 29%, ano após ano.

Quem é que não gostaria de ter o conhecimento para ter um retorno desses?

Veja esse exemplo: Se você tivesse investido dez mil dólares com Peter Lynch em 1977, teria visto seu dinheiro valer nada menos do que 280 mil dólares em 1990, quando ele se aposentou, aos 46 anos, para se dedicar à família e à filantropia.

Alguém com esse currículo certamente merece uns minutos de sua atenção, concorda? É por isso que hoje trago para você os ensinamentos de mais uma lenda viva de Wall Street.

Se alguém perguntar agora para você os motivos pelos quais você comprou sua última ação, você saberia responder defendendo os fundamentos e explicando os números da empresa?

Essa é uma das regras fundamentais de Peter Lynch que todo investidor deve conhecer.

“Antes de comprar qualquer ação, você precisa saber explicar o que está comprando.”

Ele acredita que investidores individuais, como você e eu, têm vantagens sobre os profissionais porque são mais livres para agir de forma independente e explorar o mercado sem sofrer pressões externas.

Para isso, sugere que você investigue a fundo as empresas em que pretende investir e torne-se familiar a elas antes de colocar a mão no bolso.

Não é à toa que possuía em seu portfólio pessoal empresas como Apple e Dunkin’ Donuts.

Peter Lynch explicou certa vez:

“Meus filhos têm os computadores em casa e o gerente de sistemas da empresa comprou vários para o escritório. E eu adoro o café do Dunkin’.”

Mas, sua decisão não deve se basear unicamente em argumentos como esse. Porém, estudar empresas das quais você é cliente e admira certamente é um bom ponto de partida para planejar os seus investimentos. Pois, como diz Peter Lynch:

“Se você gosta da loja, há boas chances de você se apaixonar pela ação.”

A arte de procurar e investir em boas histórias

Mas esse não era o único norte de Peter Lynch. Ele gostava de trazer um outro conceito (esse um tanto inusitado) aos investimentos.

Ele defendia o seguinte:

“Quanto mais se sabe sobre uma empresa, seu negócio, produtos e concorrentes, mais chances temos de encontrar uma boa história para se investir.”

Ou seja, ele enxergava as empresas como boas histórias a serem encontradas. Interessante, não?

E como toda história tem seu fim, o investidor defendia ainda que você deve vender as ações quando a história acaba.

Ou seja, quando a ação atingir os objetivos que você traçou ou quando a empresa não estiver indo na direção ao final feliz que você imaginava, é a hora certa de tirar seu dinheiro dela.

Esse conceito pode até soar subjetivo, mas lembre-se da essência: Invista em empresas que lhe são familiares.

Aliás, essa lógica é bem parecida com a que contei no artigo sobre Irving Kahn, o homem centenário que lucrou até durante a crise de 1929: “Todo mundo precisa de uma camisa nova”. O que você acha?

Outra característica da maneira como Peter Lynch investia que merece destaque era seu interesse nas chamadas empresas em crescimento: small caps com potencial de maturação e retorno futuro maior do que as seguras, mas já consolidadas, blue chips.

Diversificar demais é um erro

Segundo Peter Lynch, diversificar demais é um erro

Outro destaque da forma de investir de Peter Lynch é um pensamento que vai na contramão do que muitos dos grandes investidores defendem. Para ele, a diversificação do portfólio reduz a habilidade do investidor de fazer uma pesquisa eficiente a analisar os papéis.

Para defender sua tese, ele faz a seguinte analogia.

“Ter ações é como ter crianças: não se envolva com mais do que o que consegue você lidar. O investidor que não acompanha o mercado em 100% do tempo consegue acompanhar algo entre 8 e 12 empresas e não deveria ter mais do que 5 empresas em seu portfólio ao mesmo tempo.”

Você já tentou tomar conta de 15 crianças ao mesmo tempo para ver o que acontece?

14 regras de ouro de investimento de Peter Lynch

14 regras de ouro de investimento de Peter Lynch

Para encerrar as dicas de uma das lendas vivas de Wall Street, vou resumir alguns ensinamentos que foram publicados em Beating the Street, um de seus três livros, que infelizmente não chegou ao mercado brasileiro em português.

1ª Regra: Geralmente não existe relação entre o sucesso da operação de uma empresa e o sucesso de uma ação em alguns meses ou anos. No longo prazo, porém, essa relação é de 100%. Essa é a chave para fazer dinheiro. Ser paciente e sócio de empresas de sucesso é algo que, cedo ou tarde, se paga.

2ª Regra: Você tem que conhecer o que você tem e saber por que você tem.

3ª Regra: Se você não consegue encontrar nenhuma empresa que considera atrativa, deixe seu dinheiro no banco até encontrar o que busca.

4ª Regra: Nunca invista em uma empresa sem entender suas finanças. As maiores perdas vêm de empresas com planilhas de balanço frágeis.

5ª Regra: Se estiver buscando uma empresa pequena para investir (growth investing), espere ela se tornar lucrativa para apostar suas fichas nela.

6ª Regra: Um declínio do mercado de ações é tão esperado quanto fortes nevascas no inverno dos EUA. Se você estiver preparado não vai se machucar. Quedas são grande oportunidades para comprar barganhas dos investidores que estão em pânico.

7ª Regra: Todos têm cérebro para ganhar dinheiro com ações. Nem todos têm estômago. Se você acha que pode se desesperar e vender tudo em um momento de pânico evite o mercado de ações.

8ª Regra: Sempre existe algo para se preocupar. Evite ficar pensando sobre o mercado no fim de semana e ignore as últimas previsões catastróficas do notíciário. Venda um papel porque os fundamentos da empresa deterioram, não porque o céu está desabando.

9ª Regra: Ninguém pode prever a taxa de juros, os rumos da economia ou do mercado de ações. Concentre-se no que, de fato, está acontecendo com as empresa que você investe.

10ª Regra: Se você estuda dez empresas irá encontrar uma que tem uma história melhor que o esperado. Se estudar 50, encontrará cinco. Sempre haverá boas surpresas na bolsa – companhias cujas conquistas estão sendo negligenciadas pelo mercado.

11ª Regra: Se você não estuda nenhuma empresa terá a mesma chance de sucesso comprando ações do que no poker se você apostar sem olhar suas cartas.

12ª Regra: Lembre que empresas que não têm dívidas não podem falir.

13ª Regra: Desconfie de empresas que têm taxas de crescimento anuais entre 50 e 100%.

14ª Regra: O tempo é seu aliado quando você é dono de ações de empresas de qualidade. Você pode se dar o luxo de esperar para ela gerar retorno.

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6 conselhos valiosos de Charlie Munger, o braço direito de Warren Buffett

Quem é Charlie Munger?

No auge de impressionantes 91 anos, Charlie Munger é o braço direito de Warren Buffett na Berkshire Hathaway.

Muitos o consideram como o grande segredo por trás do sucesso de Buffett. O próprio megainvestidor, aliás, confirma a importância do parceiro para o seu sucesso:

“É melhor se relacionar com pessoas melhores que você. Escolha associados cujos comportamentos são melhores que os seus. Isso vai lhe conduzir na direção correta.”

Os seguidores de Buffett acreditam que Charlie Munger teve uma influência significativa na filosofia de investimento do mago de Omaha. Por isso, as dicas que revelo nesse artigo são tão importantes.

Dono de uma fortuna de 1.43 bilhões de dólares, Charlie Munger é o número 1.415 na lista dos homens mais ricos do mundo e o 465 nos Estados Unidos, segundo a revista Forbes.

Charlie Munger é um senhor reservado. Raramente é visto em público, mas quando aparece não poupa palavras. A fortuna e a idade lhe deram a liberdade para falar o que pensa, mesmo quando se trata de criticar os poderosos de Wall Street.

Uma de suas obrigações é discursar ao lado de Buffett na grandiosa reunião anual da Berkshire.

Essa reunião é tão importante que mais de 40 mil acionistas viajam o mundo inteiro para ouvir as palavras de dois dos maiores investidores de todos os tempos.

É de Omaha, cidade do estado de Nebrasca nos Estados Unidos que, ano após ano, Charlie Munger entrega ao mundo seu conhecimento.

Esses conhecimentos são lições fundamentais a todo investidor que acredita no value investing como metodologia de investimento. Entretanto, suas lições vão muito além do mercado financeiro.

Ele fala, por exemplo, sobre a lei da inversão.

“Muito do sucesso na vida e nos negócios vem de saber o que você quer evitar. Seja a morte prematura, um mau casamento, etc.”

Ou seja, o fim justifica as escolhas do presente e é o que deve dar a base para as suas ações. Isso se aplica nos investimentos e na vida.

Mas essa é apenas uma amostra dos ensinamentos desse grande investidor. A seguir, confira as dicas que separei especialmente para ajudar você.

As 6 incontestáveis lições sobre value de Charlie Munger

Essas são algumas das maiores lições que você pode aprender com uma lenda viva a respeito de investimento em valor, no mercado e na vida. Dedicando um tempo para conhecer essas lições, você já terá dado um passo no mesmo caminho percorrido por Munger e Buffet:

“Warren e eu não somos espertos o suficiente para tomar decisões sem ter um tempo para pensar. Mas, de fato, conseguimos tomar decisões rápidas porque investimos muito tempo nos preparando, calados, lendo e pensando.”

Lição 1 – Se você se mantiver racional, a estupidez do mundo irá ajudá-lo

Certa vez, em entrevista ao Wall Street Journal, Charlie Munger disse que ele e Warren não são prodígios, mas seus resultados são prodigiosos porque eles têm uma vantagem temperamental que compensa a falta de pontos extras de QI.

Cronicamente as pessoas avaliam mal os limites sobre seu próprio conhecimento. Warren e eu entendemos melhor o que sabemos e o que não sabemos do que a maioria das pessoas. Conhecer suas competências é uma das coisas mais difíceis para um ser humano fazer e é muito mais importante e útil na vida e nos negócios do que ser brilhante.

Lição 2 – A paciência é uma das maiores virtudes de um investidor

Charlie Munger diz que saber esperar ajuda a transformar investidores medianos em bons investidores – mas muitas pessoas não suportam esperar!

Ele defende a tese de que investimentos de sucesso requerem “esta maluca combinação de bom senso e paciência e estar preparado para aproveitar a oportunidade quando ela se apresenta. Você tem que encontrar o equilíbrio entre competência e bom senso. Muito de um ou de outro não é bom. Quanto mais você conhece os limites de seu conhecimento, mais valioso o bom senso será.”

Lição 3 – Compre e sente em cima

Encontre algumas empresas excepcionais, compre suas ações e segure-as para sempre. Essa é a filosofia do “sit on your ass investing”, termo empregado por Munger pela primeira vez na reunião anual de 2000 da Berkshire.

Há algumas vantagens para o investidor entrar em uma posição em que você faz alguns poucos bons investimentos e simplesmente espera. Você estará pagando menos para sua corretora, ficará imune a muitas besteiras ditas por aí e será beneficiado pelos juros compostos.

Lição 4: Os sete fatores que, combinados, explicam o sucesso de Buffett

A lista abaixo foi apresentada por Charlie Munger durante a convenção anual de 2000. Segundo ele, estas são as principais características de Buffett que o levaram a onde ele está hoje:

  • Atitude mental: você é forte e positivo emocionalmente?
  • Ter grande interesse em aprender sobre investimentos. Qual foi o último livro que leu?
  • Começar cedo – se algo demora muito para ser alcançado, quanto antes começar, melhor
  • Ser uma máquina de aprendizado – nunca parar de aprender
  • Receber elogios e recompensas – seres humanos trabalham melhor quando ganham prêmios por seus bons resultados, o que faz com que façam mais do mesmo (com o objetivo de ganhar mais prêmios)
  • Ser uma pessoa confiável
  • Evitar inveja, ciúmes, auto piedade, vingança e ideologias extremas

Lição 5 – Não baseie suas aquisições em fatores macroeconômicos

Esta lição está intimamente ligada à primeira. “Nós sabemos o que não sabemos”.

A tese é a de que se preocupar com a taxa de juros e com a economia global é estressante e você não pode controlar nenhum evento macroeconômico. Foque no que você pode prever e controlar.

Ou você acha que pode prever a próxima grande crise, como aconteceu com a Grécia?

Lição 6 – Certifique-se de estar rodeado de pessoas de quem gosta e em quem possa confiar

Novamente, investimentos e vida se encontram. Quando perguntado sobre o perfil dos profissionais que gostam de ter na Berkshire, Charlie respondeu:

Nós queremos pessoas em quem todos os aspectos de sua personalidade fazem com que você queira estar perto delas. Confiança, primeiro. Habilidades, depois.

O mesmo vale para seus parceiros de negócio. Sejam as empresas em que você tem ações ou deseja ter, as pessoas que a dirigem, a corretora na qual você faz seus investimentos e o time que faz parte dela.

Você já parou para olhar por essa perspectiva?

E você, conhece alguma dica extra de Charlie Munger?

Eu jamais teria a pretensão de condensar 91 anos de vida de Charlie em seis dicas. Reuni aqui alguns insights preciosos para sua carreira de investidor, mas a bibliografia de Munger é vasta.

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Conheça Philip Fisher, o Guru Responsável por 15% da Filosofia de Investimento de Warren Buffett

o guru de investimentos Philip Fisher

Uma frase de Philip Fisher (1907-2004), considerado por muitos como o pai do growth investing (investimento em crescimento), ilustra o começo do artigo de hoje:

O mercado de ações está repleto de indivíduos que sabem o preço de tudo, mas não conhecem o valor da nada.

Ele é autor de três livros clássicos, gestor de fundos private equity, mentor de grandes executivos e foi professor da Stanford Business School.

Já falei um pouco sobre growth investing neste artigo sobre Peter Lynch.

Philip Fisher não era um investidor em valor como Walter Schloss, Irving Kahn, Seth Klarman, Charlie Munger, que já foram apresentados aqui no blog anteriormente, mas teve um profundo impacto no value investing por sempre manter o foco no longo prazo e investir baseado em fundamentos.

Não seria errado dizer que sua filosofia equilibra-se entre o growth e o value investing

Warren Buffett, aliás, sempre se declarou um grande fã da visão de Philip Fisher, inclusive dizendo que sua estratégia de investimento é 85% baseada em Benjamin Graham e 15% em Phil Fisher.

Na prática: Buffett adquiriu suas técnicas quantitativas de encontrar ações baratas a partir dos pensamentos de Graham e os métodos qualitativos de encontrar bons negócios com Philip Fisher.

Um dos maiores legados do investidor que apresento hoje é uma polêmica tese de que um preço por lucro (P/L) alto nem sempre deve ser um fator para você desistir de um potencial investimento.

“Pelo contrário!”, defendia. Ao decorrer do artigo você vai entender a razão para tal argumento.

Pontos fundamentais a avaliar em uma empresa, segundo Philip Fisher

Pontos fundamentais a avaliar em uma empresa, segundo Philip Fisher

Em seu livro Common Stocks and Uncommon Profits, traduzido no Brasil como Ações comuns, lucros extraordinários, Philip Fisher recomenda que você analise os seguintes pontos a respeito de uma empresa em que pretende investir:

  • Qual é o potencial de crescimento das vendas da empresa no longo prazo?
  • Qual é o nível de competência, grau de inovação e visão dos gestores?
  • Como a empresa lida com pesquisa e desenvolvimento?
  • Ela tem sólidas margens de lucro?

As respostas para essas perguntas mostram o caminho para encontrar ações de empresas em crescimento para investir no longo prazo.

Essas reflexões são preciosas porque o livro, publicado em 1958, foi a primeira obra sobre investimentos a entrar na lista de best sellers do jornal The New York Times. Recomendo fortemente que o leia na íntegra. Você vai aprender muito!

A investigação é a chave para o investimento de sucesso

A investigação é a chave para o investimento de sucesso, segundo Philip Fisher

Philip Fisher diz no livro que:

Se o trabalho tiver sido feito corretamente, quando uma ação comum é comprada é muito improvável que você tenha que vendê-la.

Mas para acertar nas decisões é preciso ir além do básico. Para começar, atente-se a estes cinco pontos:

1. Saiba que uma simples análise dos balanços financeiros não basta (por mais profunda que seja)

Investigar os stakeholders internos e externos da empresa para ter uma perspectiva mais ampla do negócio é fundamental. Conversar com clientes, concorrentes, ex-funcionários e fornecedores, além dos gestores, é o caminho para desenvolver essa investigação.

2. Avalie se a empresa está deliberadamente e consistentemente criando novas fontes de ganhar poder e se a indústria da qual ela faz parte apresenta grande potencial de crescimento no futuro

Você já fez ou costuma fazer isso quando está em processo de avaliar sua próxima compra? É somente a partir de um estudo completo que você conseguirá entender se a empresa é capaz de realizar seu potencial de crescimento.  

3. Entenda que um P/L alto hoje pode ser um indicador positivo para o futuro

Lembra quando comentei no início do artigo sobre não se importar muito com um elevado P/L?

Quando você faz sua lição de casa a partir da investigação proposta por Philip Fisher, é extremamente provável que o P/L esteja muito acima do que está hoje em um horizonte de cinco ou dez anos.

É por isso que algumas ações que a princípio parecem caras são, na verdade, grandes barganhas. Mas, por favor, tenha cuidado! Não utilize apenas o critério de “P/L alto” como um sinal para comprar.

Considerar tudo o que está nesse artigo (além do conteúdo do livro de Philip Fisher e de tudo que você vem estudando ao longo dos anos) é primordial para garantir bons investimentos.

4. Não se importe tanto com os centavos

Na mesma esteira, outra dica importante que promete causar calafrios aos adeptos da análise técnica diz para você não se importar com os centavos.

Se os centavos importam tanto, sua análise está errada. Se você compra uma ação a 10 reais ou 10,50 e você acredita que ela irá valer muito mais do que isso no futuro, os 50 centavos realmente importam em uma visão de longo prazo?

Fica a reflexão.

5. Não compre empresas marqueteiras

Por fim, mas não menos importante, lembre que muitas empresas são muito melhores se promovendo para investidores do que fazendo o que deveriam fazer.

Tome cuidado com empresas que prometem muito e entregam pouco. De novo, não condicione sua decisão de investimento apenas por ter lido um aparentemente brilhante relatório anual.

Qual é a principal lição que fica para você?

Qual é a principal lição de Philip Fisher que fica para você?

Philip Fisher deixou um legado riquíssimo a nós investidores. Neste breve artigo procurei resumir alguns de seus principais ensinamentos, mas, novamente, reforço o convite para que você se aprofunde lendo os livros que ele escreveu.

Se Warren Buffett diz ser “15% Philip Fisher”, nada mais justo que você também siga seus passos, não?

Deixe seu comentário com a grande lição que tirou desse artigo. Isso me ajuda muito a pensar em novos temas para escrever.

Bônus!

Checklist da estratégia de Phil Fisher para escolher ações

No livro Ações comuns, lucros extraordinários, Philip Fisher apresenta alguns questionamentos que sempre orientaram sua estratégia para escolher ações. Achei importante resumi-los aqui para você ter mais motivos para ler o livro. Use os questionamentos como uma espécie de checklist para orientar sua decisão sobre em que empresas investir. Vamos lá?

  1. A empresa tem produtos ou serviços com potencial para gerar um forte crescimento nas vendas por vários anos?
  2. A gestão tem o foco em continuar a desenvolver produtos ou processos que continuarão a aumentar o potencial de vendas quando o potencial atual já tiver sido alcançado?
  3. Quão efetivo é a o esforço da empresa em pesquisa e desenvolvimento em relação ao seu tamanho?
  4. A empresa tem um21 departamento de vendas acima da média?
  5. A empresa tem uma margem de lucro considerável?
  6. O que a empresa está fazendo para manter ou aumentar sua margem de lucro?
  7. Os funcionários são apaixonados por trabalhar na empresa?
  8. Quão bem a empresa lida com a análise de custos e controles contábeis?
  9. A gestão fala livremente com investidores quando as coisas vão bem, mas se cala quando o cenário está atribulado? Cuidado! Para se proteger quanto a isso, prefira empresas inseridas no Novo Mercado.
  10. A gestão da empresa tem integridade inquestionável?

P.S: Agradeço ao leitor Paulo Ricardo Santos Souza por ter sugerido que eu escrevesse sobre Philip Fisher.

Se você gostou deste artigo, assista minha palestra gratuita baseada na estratégia dos grandes investidores para alcançar a liberdade financeira.

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24 vieses cognitivos que te impedem de ganhar mais dinheiro

A maioria dos investidores são guiados por vieses cognitivos que os levam a cometerem erros. Essas crenças e julgamentos pessoais podem distorcer a visão da realidade. Aprenda a detectar e evitar esses vieses que te impedem de ganhar dinheiro.

Você se acha uma pessoa objetiva, lógica e racional?

Gostamos de pensar que sim, que somos capazes de captar e interpretar informações baseados em evidências e na realidade.

Porém, o cérebro humano é programado para cometer diversos tipos de erros mentais quando estamos fazendo julgamentos e decisões. Esses vieses cognitivos podem afetar nossa capacidade de fazer julgamentos racionais e nos levar a cometer diversos erros nas tomadas de decisão.

Cada um de nós tem sua própria visão de mundo e toma suas decisões baseadas na sua percepção da situação. Ou seja, nosso cérebro tende a fazer uma análise tendenciosa.

É essencial controlar as emoções ao investir. Como já dizia Benjamin Graham, “O maior inimigo do investidor é ele mesmo”.

Quando estamos falando em investimentos, entender como sua mente funciona é de extrema importância para evitar julgamentos errados e estar atento à novas oportunidades. Uma vez que os vieses afetam de forma relevante a tomada de decisões financeira.

Daniel Kahneman e Amos Tversky foram pioneiros no trabalho em torno de vieses cognitivos, em 1972. Desde então, diferentes vieses cognitivos foram identificados.

No total, existem mais de 180 vieses cognitivos que interferem na forma como processamos os dados, pensamos e percebemos a realidade.

Listamos aqui 24 vieses cognitivos que estão distorcendo sua percepção da realidade e impedindo você de ganhar mais dinheiro.

#1 – Viés da ancoragem

É a tendência de se agarrar à primeira informação, ou uma referência do passado, na hora de tomar decisões. Esta, influenciará o julgamento de tudo que se segue.

A mente humana é de natureza associativa, de modo que a ordem em que recebemos informações ajuda a determinar o curso de nossos julgamentos e percepções. Assim, a primeira impressão é muito mais poderosa e todas as comparações posteriores serão “ancoradas” a partir dela.

Esse viés pode ser prejudicial ao investidor, uma vez que este pode ficar ancorado às cotações históricas do ativo.

#2- Falácia dos custos afundados

É a tendência das pessoas se apegarem e seguirem irracionalmente um pensamento ou atividade, mesmo que não cumpre com suas expectativas por causa do tempo e /ou dinheiro que já gastou com ele.

Quando investimos nosso tempo, dinheiro ou emoção em algo, é difícil simplesmente deixar ir. Essa insistência pode fazer o investidor perder dinheiro e fazer investimentos imprudentes.

Podemos estender viés para diversos temas, como por exemplo:

“Eu vou comer tudo porque paguei!”

“Não gostei desse filme, mas como paguei, eu não vou sair cinema! Vou ver até o fim”

Para recuperar a objetividade, pergunte a si mesmo: se eu ainda não tivesse investido alguma coisa, ainda faria isso agora? Eu aconselharia um amigo a fazer o mesmo se ele estivesse na mesma situação?

#3 – Viés da confirmação

Tendência de procurar maneiras de justificar suas crenças existentes. Esse é um ato inconsciente de buscar referências e ideias que se encaixam em nossos preconceitos. Enquanto que, ao mesmo tempo, ignoramos e desconsideramos não vão ao encontro do nosso ponto de vista.

Nós adoramos concordar com pessoas, que concordam conosco. E não gostamos de sermos contrariados.

“O primeiro princípio é que você não deve se enganar – e você é a pessoa mais fácil de enganar” – Richard Feynman

Esse viés é perigoso para o investido porque pode guia-lo a tomar decisões julgadas de forma errada. Por exemplo, um investidor pode buscar apenas por informações que confirmam com seu ponto de vista (ficando fechado a opiniões contrárias).

#4- Efeito dunning-kruger

Quanto mais você souber, menos confiante você estará. Ao passo que quanto menos você sabe, mais pensa que sabe.

Uma vez que os especialistas sabem o quanto eles não sabem, eles tendem a subestimar sua capacidade.

Portanto, é mais fácil ser confiante quando você tem apenas uma ideia simples de como as coisas são.

“Todo o problema com o mundo é que tolos e fanáticos são tão seguros de si mesmos, mas pessoas mais sábias, estão cheias de dúvidas” – Bertrand Russell

#5- Efeito Backfire – Tiro pela culatra

Quando sua crença é confrontada por fatos, ao invés de mudar de posicionamento, você acredita ainda mais fortemente nela.

Podemos experimentar estar errado sobre algumas ideias como um ataque a nós mesmos. Isso pode nos levar a dobrar nossa crença, apesar das evidências.

“Não é o que você não sabe que te coloca em apuros. É o que você sabe com certeza que não é assim” – Mark Twain

#6- Efeito de Barnum – Validação Subjetiva

Tendência a crer que eventos sem ligação lógica pode ter algum tipo de ligação de acordo com nossas crenças.
Isso acontece porque nossas mentes são dadas para fazer conexões. Desse modo, é fácil para nós tomar declarações nebulosas e encontrar maneiras de interpretá-las para que pareçam específicas e pessoais.

Um exemplo disso é a astrologia. Onde as informações podem ser interpretadas e aplicadas a qualquer um, não apenas a você.

#7- Declinismo

Você se lembra do passado como melhor do que era e espera que o futuro seja pior do que provavelmente será.

É a crença que a sociedade tende ao declínio. Apesar de vivermos no tempo mais pacífico e próspero da história, muitas pessoas acreditam que as coisas estão piorando. É aquele papo de que “bom mesmo era antigamente.”

Em vez de ser nostálgico, use métricas atuais que podem ser consideradas prósperas.

#8- Efeito de enquadramento

As pessoas tendem a serem influenciadas dependendo do contexto e da forma que é apresentada.

Apesar de gostarmos de pensar que não podemos ser manipulados, a verdade é que todos nós somos, de fato, influenciados pela entrega. É isso que a indústria publicitária faz.

Tudo depende de como as coisas estão sendo colocadas para você. Assim, é possível que a pessoa seja influenciada no sentido de buscar o risco apenas apresentado um ponto de vista diferente.

Por exemplo: Você tem 20% de chance de perder R$ 1000 e 80% de chance de ganhar R$ 2000.

#9- Hipótese do mundo justo

Sua preferência por um mundo justo faz você presumir que ele de fato existe. A realidade é que as pessoas nem sempre conseguem o que merecem, o trabalho árduo nem sempre dá resultado, e a injustiça acontece.

Ao invés de se sentir culpado, compreenda que todo mundo tem sua própria história de vida, somos todos falíveis e coisas ruins acontecem a pessoas boas.

#10- Viés de grupo

É a tendência de favorecer aqueles que pertencem ao seu grupo. Esse viés ocorre devido ao comportamento humano típico de formar grupos e identidades de grupo.

Apesar de presumirmos que somos justos e imparciais, a verdade é que nós favorecemos automaticamente aqueles que são mais parecidos conosco, ou pertencem aos nossos grupos.

#11- Erro de atribuição fundamental

Você julga os outros em seu caráter, mas você mesmo na situação. Temos a tendência de supervalorizar os fatores internos e subestimar o impacto de fatores externos, como clima ou economia, quando tentamos explicar o comportamento de outras pessoas. No entanto, ao justificarmos nosso próprio comportamento, damos maior peso às causas externas.

Funciona assim, se você não teve uma boa noite de sono, sabe porque está sendo um pouco lento, mas se observar alguém sendo lento, você não dá importância aos fatores externos e, presumir que é apenas uma pessoa vagarosa.

#12- Efeito halo

Tendência a atribuir julgamentos a pessoas/coisas/grupos/lugares de acordo com algumas características estereotipadas. Sendo assim, o quanto você gosta de alguém, ou o quão atraente eles são, influencia seus julgamentos sobre deles.

Portanto, se quisermos ser objetivos, precisamos conscientemente controlar as influências irrelevantes. Isso é especialmente importante no ambiente profissional.

#13- Efeito placebo

Tendência de você acreditar em algo mesmo que seja falso.

#14- Efeito espectador

Esse é um fenômeno social em que as pessoas estão menos propensas a oferecer ajuda, quando há mais pessoas ao redor que também podem fornecer assistência. Ou seja, você presume que alguém vai fazer algo e por isso não o faz.

Isso é comum em uma situação de emergência. Podemos experimentar um tipo de choque e paralisia que nos distrai do senso de responsabilidade em ajudar ou pedir ajuda.

#15- Heurística da disponibilidade

Este é um viés cognitivo onde seus julgamentos são influenciados de acordo com a facilidade de lembrar de algo.

O quão recentes, intensas ou incomuns são suas lembranças podem fazê-las parecer mais relevantes.  Por isso, tente obter diferentes perspectivas e informações estatísticas relevantes, em vez de confiar apenas nos primeiros julgamentos e influências emotivas.

#16- Maldição do conhecimento

Esse viés cognitivo fala da dificuldade em se comunicar efetivamente com pessoas que não tenham o mesmo nível de conhecimento sobre algo, uma vez que supõem que todos têm o mesmo entendimento que você.

Desde que você entende algo, que ela faz sentido para você, você tende a presumir que isso seja óbvio para todos.
No entanto, nos esquecemos do caminho que tivemos que percorrer para obter o conhecimento atual.

# 17- Viés da crença

Se uma conclusão sustentar suas crenças existentes, você racionalizará qualquer coisa que a apoie.

É difícil para nós deixar de lado nossas crenças existentes para considerar os diferentes argumentos. Nós tendemos a defender automaticamente nossas ideias sem realmente questioná-las. Se pergunte “quando e como consegui essa crença?”.

#18- Viés da Autoconveniência

Você acredita que suas falhas são devidas a fatores externos, como algum acontecimento ou ao comportamento de outra pessoa. Mas atribui o sucesso a fatores internos, como a inteligência.

É mais fácil dizer a nós mesmos que merecemos as coisas boas que nos acontecem, enquanto culpamos as circunstâncias quando as coisas não acontecem do nosso jeito.

#19- Pensamento de grupo

Pensamento de grupo é um tipo de pensamento evidenciado em grupos para minimizar conflitos e chegar ao consenso. Assim, você deixa de lado suas ideias e opiniões individuais em prol da harmonia em uma situação de grupo.

A discordância pode ser desconfortável e perigosa para uma posição social. Assim, frequentemente a voz mais confiante ou a primeira voz determinará as decisões de todo o grupo.

#20- Viés de negatividade

Esse viés cognitivo reflete a tendência das pessoas a deixarem as coisas negativas influenciem desproporcionalmente seu pensamento.

As pessoas tendem dar mais atenção às más notícias, percebendo-as como mais importantes ou profundas do que as notícias positivas.

#21- Viés de otimismo

Tendência a superestimar a probabilidade de resultados positivos, acreditando que você tem menos risco de sofrer um evento negativo em comparação aos outros.

Assim como pode haver benefícios de pensar positivo, é também insensato deixar tal atitude prejudicar a capacidade de fazer julgamentos racionais.

Se você fizer julgamentos racionais e realísticos, terá muito mais motivos para se sentir positivo.

#22- Viés de pessimismo

Esse viés cognitivo é o oposto do anterior. Ao ter um viés de pessimismo, você superestima a probabilidade de resultados negativos.

O pessimismo muitas vezes é um mecanismo de defesa contra o desapontamento, bem como resultado de transtornos depressivos e ansiosos.

#23- Reatância

É o desejo de fazer o oposto do que esperam e querem que você faça. Quando sentimos que nossa liberdade está sendo restringida, tentamos resistir.

#24- Efeito holofote

É a tendência a acreditar que está sendo mais notado pelos outros do que efetivamente é. Ou seja, você superestima o quanto as pessoas percebem você.

Porém, a maioria das pessoas está muito mais preocupada consigo mesma do que com você.Em vez de se preocupar com o modo que está sendo ou não julgado, pense em como você faz os outros se sentirem.

 

Veja mais armadilhas mentais do investidor.

Como você viu, nosso cérebro é projetado para resolver tomar decisões baseados em atalhos mentais que visam a sobrevivência e não para otimizar decisões de investimentos.

Portanto, conhecer o comportamento de nossa mente é vital para contornar esses vieses, ser mais racional e reduzir os riscos nos investimentos.

Agora que você já entende mais sobre a mentalidade do investidor, você pode conquistar a sua liberdade financeira em 3 simples passos.

Lírio Parisotto: O ex-agricultor que virou bilionário na bolsa

De origem humilde, Lírio Parisotto construiu uma fortuna de cerca de R$ 2 bilhões. Mas a trajetória de um dos homens mais ricos do mundo no mercado de capitais também traz muitos tropeços. Sua história é uma lição de perseverança, gestão do risco e muito sucesso nos investimentos.

Casos de sucesso dos grandes investidores são fonte de inspiração e aprendizado para quem está iniciando na Bolsa de Valores. A história de Lírio Parisotto é uma delas.

Ele já fez escolhas equivocadas e perdeu dinheiro na Bolsa de Valores. Mas também aprendeu com os erros e alcançou um patrimônio considerável em ações.

O ex-agricultor não faz day trade, não investe em imóveis, e acredita que investir no próprio negócio pode ser até mais arriscado do que investir em ações.

Parisotto utiliza critérios de análise fundamentalista e acredita que o investimento de longo prazo (do tipo buy and hold), é uma das melhores maneiras de obter bons rendimentos em renda variável.

Quem é Lírio Parisotto

Lírio Albino Parisotto nasceu em 18 de dezembro de 1953 em Nova Bassano, no Rio Grande do Sul.

De acordo com a revista Forbes, Parisotto ocupa a 1477ª posição do ranking dos homens mais ricos do mundo de 2018, e a 33ª do Brasil, com uma fortuna estimada de 1,6 bilhão de dólares.

Mas nem sempre foi assim. De origem humilde, filho de agricultores, passou a infância ajudando seus pais no minifúndio da família.

Aos 13 anos decidiu que a vida no campo não era o que queria e correu atrás do seu objetivo. Abandonou a vida de agricultor e foi para o seminário e depois se formou em medicina, atividade a qual não exerceu por muito tempo.

Para pagar os estudos, Lírio fez de tudo um pouco. Foi bancário, comerciante, gerente de um frigorífico, até entrar no ramo industrial, quando inaugurou sua empresa, a Videolar.

A fábrica foi a primeira fabricante de videocassetes no Brasil e também uma das pioneiras na produção de DVDs e Blu-ray.

Junto com o crescimento da VideoLar, também começou a “nascer” a figura do investidor Lírio Parisotto.

O Investidor Lírio Parisotto

Lírio Parisotto: O ex-agricultor que virou bilionário na bolsa

A primeira experiência do ex-agricultor no mercado de ações não foi boa, mas nem por isso desistiu.

O bilionário brasileiro teve dois grandes fracassos antes de começar a colher os frutos dos investimentos em ações. Aprendeu com os erros e decidiu estudar o mercado para construir uma boa carteira de ações.

1ª experiência na bolsa de valores

Sem formação em economia, Lírio Parisotto ingressou pela primeira vez no mercado de ações em 1971. Nessa época ouvia muitas histórias sobre como ganhar dinheiro rápido e dobrar o investimento em poucos meses.

Na esperança de ganhar dinheiro fácil, abriu mão das economias reservadas para comprar um carro (valor equivalente a um Fusca na época) e investiu tudo em ações. Resultado: fracassou miseravelmente.

2ª vez na Bolsa

Apesar do primeiro fracasso, não desistiu. Em 1986, um pouco antes de abrir seu negócio, o gaúcho investiu US$ 500 mil na bolsa, que fazia parte do giro financeiro da Videolar.

Por conta de escolhas equivocadas, teve seu maior prejuízo e perdeu 40% da aplicação.

A volta por cima

Se por um lado, sua carreira de investidor parecia destinada ao fracasso, a de empresário ia a todo vapor. O então dono da Videolar lia muito sobre a economia brasileira e percebeu que mesmo com a queda do mercado muitas empresas continuavam crescendo. Decidiu que isso era uma boa maneira de investir.

Mesmo com as experiências anteriores frustradas, no início dos anos 90, Lírio entrou novamente na Bolsa logo depois que o mercado entrou em grande queda.

Investiu 2 milhões de dólares e estabeleceu um stop de ganho para sair do mercado assim que o valor dobrasse. Aplicou novamente em ações e conseguiu quadruplicar o valor inicial.

Com esse dinheiro, o empresário recuperou os prejuízos anteriores, fez a VideoLar crescer e comprou a outra parte da empresa para se tornar dono de 100% do negócio.

A carteira atual de ações

Depois de um período sem investir, somente em 1998 Parisotto voltou ao mercado de ações onde fez um investimento inicial de US$ 6 milhões e formou sua carteira atual de ações composta por cerca de 12 empresas.

Para obter lucros e alcançar o sucesso, se inspirou nas técnicas da análise fundamentalista e na estratégia buy and hold, usada por outros megainvestidores, tais como Warren Buffet.

Parisotto diz que atualmente compra ação para casar, mas que isso não quer dizer que não possa dar divórcio.

Ele reinveste os dividendos e só insere uma nova empresa na carteira para substituir outra. Em seu portfólio estão empresas dos setores de siderurgia, mineração, energia e bancário.

Durante a crise financeira de 2008, o investidor não vendeu suas ações e aproveitou o momento para comprar. Apesar de uma perda, seu patrimônio não só se recuperou rapidamente como cresceu com a retomada da economia.

10 dicas do bilionário Lírio Parisotto

A trajetória de sucessos e fracassos, fez Parisotto aprender muito sobre os investimentos e, inclusive, elaborar seus dez mandamentos para quem investe em ações.

Veja as dicas de um dos maiores investidores pessoa física da BM&FBovespa para investir:

1- Cuidado com ofertas públicas de ações – IPO

Lírio considera os IPOs muito mais marketing e que no período de lançamento de novas ações, elas geralmente estão mais caras do que deveriam ser e que nem sempre a expectativa se reflete em realidade.

Há exceções, mas são raras. Por isso, segundo Parisotto, não se deve perder tempo com a Oferta Pública de Ações (IPOs)

2- Diversifique, mas não tanto

Esse é um princípio bastante interessante. Em geral, as pessoas acreditam que quanto maior a diversificação, melhor, pois assim o risco diminui, uma vez que o desempenho não depende de apenas algumas poucas ações. O que não deixa de estar correto.

Porém, o grande problema está no excesso de ações, pois assim, você também não tem tempo de acompanhar todas de perto.

Por isso, tenha na sua carteira apenas a quantidade de ações que você possa acompanhar. Lírio não possuir mais do que 14 ações na sua carteira.

3- Cuidado com setores sensíveis

Parisotto considera setores aéreos e varejistas setores sensíveis por nunca apresentarem um desempenho surpreendente no longo prazo e sofrerem muitas oscilações.

Por outro lado, considera o setor siderúrgico e de energia mais robustos, pois dificilmente encontra alguma que quebrou.

4- Fique longe de empresas com sede em países exóticos

O investidor considera muito difícil confiar nos dados de empresas com sedes em países exóticos. Uma vez que elas obedecem outros regulamentos que nem sempre são transparentes com o investidor.

5- Não compre ações de empresas que deem prejuízo

Segundo o megainvestidor, muitas pessoas investem em ações de empresas que dão prejuízo porque elas estão mais baratas e tem a expectativa que elas se recuperem. Porém, isso raramente acontece.

6- Liquidez é fundamental

Mesmo no longo prazo, é importante que as ações tenham liquidez para que se consiga comprar ou vender ações quando necessário.

7- Procure ações boas e baratas

Ações baratas são facilmente encontradas, mas ações de qualidade é diferente. Não adianta esperar 50 anos para que a empresa gere lucro.

Momentos de crise são ótimos para se comprar ações boas e baratas.

8- Avalie ações por conta própria

O mercado só comenta ações queridinhas e que estão em alta no momento. Seguir os boatos é muito arriscado.

Aprender a investir por conta própria permite a você encontrar as melhores oportunidades antes dos outros.

9- Coragem na baixa e cautela na alta

Durante as quedas na Bolsa, não se deve sair vendendo desesperadamente suas ações. Controle o medo. Geralmente esses momentos trazem oportunidades para comprar ações ainda mais baratas.

10- Pense fora da caixa para investir

Invista uma parte do seu dinheiro em um investimento de maior risco e que está fora do radar dos outros, mas que ao mesmo tempo possa ter a possibilidade de um alto crescimento.

 

Para Lírio Parisotto, é fundamental que o investidor saiba onde está investindo seu dinheiro. E que muitos perdem dinheiro na bolsa de valores por ganância e falta de paciência.

Essas 10 dicas resumem importantes princípios de investimento usadas por grandes investidores. Inspire-se, aprenda sobre o mercado e comece a pensar como eles.

Faça como Lírio, invista em ações e faça parte da nova geração de milionários que está se formando.

Eufrásia Teixeira Leite: conheça a história da primeira mulher a investir na bolsa de valores brasileira

O ano era 1873 quando Eufrásia Teixeira Leite investiu a primeira vez em ações e multiplicou inúmeras vezes a fortuna herdada de seus pais.

Em uma época em que as mulheres tinham um papel secundário na sociedade, de dependência e obediência ao marido, Eufrásia viveu conforme suas escolhas. Nunca se casou e se tornou uma das mulheres mais ricas do seu tempo.

Apesar de pouco se falar sobre a primeira brasileira a investir na bolsa, sua história de sucesso merece ser compartilhada. Nos dias de hoje, as mulheres ainda são minoria no mundo dos investimentos. Do total de cadastros na B3, apenas 21,4% são mulheres.

Já está na hora de mudar isso. Conheça a história inspiradora dessa investidora.

Quem foi Eufrásia Teixeira Leite?

Eufrásia Teixeira Leite nasceu em 1850 na cidade de Vassouras, cidade no Vale do Paraíba, Rio de Janeiro. Filha caçula de Joaquim José Teixeira Leite e Ana Esméria Corrêa e Castro. Tinha uma única irmã, Francisca Bernardina Teixeira Leite e um irmão que morreu ainda na infância.

De família de barões e comissários de café, aprendeu a lidar com números desde muito nova, incentivada pelo pai para ser gestora de sua imensa fortuna.

Com a morte precoce de seus pais em 1872, ela e a irmã herdaram uma fortuna equivalente a 5% do PIB do café na época.

Em 1873, Eufrásia, com seus 22 anos, e a irmã mais velha, com 28, contrariaram todos os padrões da época e decidiram deixar o país e se mudar para Paris.

Foi em solo europeu que ela começou a multiplicar sua fortuna, operando nas principais Bolsas do mundo.

A primeira brasileira a investir na Bolsa

Com a morte dos seus pais, Eufrásia Teixeira Leite passou a administrar a herança dela e da irmã e, mais uma vez, desafiou os padrões e decidiu aplicar parte do capital na Bolsa de Valores.

Naquela época, a Bolsa era um universo considerado exclusivamente masculino. As mulheres eram proibidas de frequentar diversos espaços, inclusive o local onde eram realizadas as negociações.

Dessa forma, as investidoras tinham que ficar em um andar separado. Para fechar os negócios, era necessário o uso de um intermediador.

Investir na Bolsa de Valores em si era uma atividade bem diferente do que é hoje. Toda comunicação era feita através de aparelhos semelhantes a um telégrafo.

Apesar de todas as dificuldades impostas, o talento de Eufrásia para os negócios era notável. Ela multiplicou várias vezes o patrimônio familiar e deixou uma herança que poderia comprar 1850 quilos de ouro na época. Se vivesse hoje, Eufrásia seria considerada bilionária.

Os investimentos de Eufrásia

Eufrásia Teixeira Leite diversificou sua carteira de investimentos e aplicou sua herança em diversas modalidades. Na Bolsa de Valores, operou por 55 anos, em 17 países diferentes e em nove moedas.

Foi grande incentivadora do desenvolvimento industrial da época. Na Europa, comprou ações de indústrias extrativistas, companhias ferroviárias, companhias de energia elétrica, produção de petróleo, entre outras.

No Brasil, Eufrásia foi acionista de grandes empresas como a Companhia Antárctica Brasil, que hoje em dia compõe a Ambev. E também de companhias têxteis, tais como a Companhia América Fabril, Cia. de Fiação e Tecidos Aliança, Cia. Tecelagem de Seda Ítalo-Brasileira.

Comprou também ações do Banco do Brasil, Banco Comércio e Indústria de São Paulo, Banco Mercantil do Rio de Janeiro, e companhias ferroviárias, como Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Cia. Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

O legado de Eufrásia Teixeira Leite

Desde que se mudou para a Europa, Eufrásia veio somente duas vezes ao Brasil. Seu retorno definitivo ocorreu em 1928, onde se manteve reclusa na Casa da Hera, em Vassouras. Hoje, sua antiga residência é um museu que guarda um pouco de sua história.

A primeira investidora brasileira viveu seus últimos anos em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro e faleceu em 1930 sem deixar herdeiros diretos.

A maior parte de sua fortuna foi doada para instituições educacionais e assistenciais de sua cidade natal.

Eufrásia Teixeira Leite foi uma mulher inspiradora. Decidida e independente, serve de exemplo para muitas brasileiras que querem investir.

Mais informações sobre essa brasileira incrível podem ser encontradas no livro “Quero Ser Eufrásia” escrito pela pesquisadora e analista financeira Mariana Ribeiro.

Eufrásia Teixeira Leite: conheça a história da primeira mulher a investir na bolsa de valores brasileira

A cada ano, aumenta o número de mulheres no mercado de investimento, seja de forma profissional ou como investidoras de sucesso. Mas as mulheres podem muito mais. O potencial feminino para as finanças merece ser valorizado.

Veja mais exemplos de mulheres milionárias, se inspire e comece a trilhar seu caminho rumo à Liberdade Financeira.