IRBR3: ainda cheirando mal

irbr3 cheirando mal

Caro leitor,

Veja a frase abaixo: “As ações da IRBR3 abriram em queda vertiginosa no pregão de ontem e fecharam a 41,00 reais, uma queda de 8,54% em um único pregão”.

Assim começou o texto de um e-mail que enviei a todos os leitores do GuiaInvest no dia 04 de fevereiro deste mesmo ano.

Nele, me comprometi a continuar acompanhando o caso dela.

Hoje, esse mesmo papel é negociado a 7,80 reais.

Isso depois de uma alta de 8,79 por cento no pregão de ontem.

Dane-se a cotação dela.

Aliás, a essas alturas, dane-se o case todo.

Os pontos que a Squadra levantou a respeito da IRBR3 são graves e foram muito bem justificadas por uma série de indícios.

Se quiser entrar em detalhes, coloca no Google “carta Squadra IRB” que ela vai aparecer em primeiro lugar.

Logo após a divulgação da carta, a IRB se defendeu dizendo que a gestora estava operando vendida (apostando contra) no papel e que havia um claro conflito de interesse neste ato.

Até aí tudo bem, mas ela ainda precisava se explicar.

A empresa elevou o tom, dizendo que suas demonstrações contábeis são auditadas e que ela não teria cometido nenhuma irregularidade.

Quem é do mercado sabe que o fato de ser auditada não torna a contabilidade a prova de fraudes, só dificulta.

Outro ponto a ser levado em conta é o seguinte: o negócio da IRB é um negócio de confiança.

Afinal quando você faz o seguro você está pagando adiantado, confiando que a seguradora estará lá quando e se você precisar.

Se a empresa quebrar essa confiança, ninguém mais quer ser cliente dela.

Onde quero chegar é que ela não tinha outra opção que não fosse “dobrar a aposta”.

Ela escolheu um caminho (caso seja mesmo o de fraudar) sem volta.

Não dá para voltar atrás e dizer que está arrependida.

Não vai funcionar.

Assim ela o fez.

Passado pouco tempo, as notícias envolvendo ela ficavam cada vez piores.

E as cotações oscilaram para cima e para baixo ao sabor delas.

Na prática, muito mais para baixo do que para cima.

No final de fevereiro, ela teria dito que o Warren Buffett, através da Berkshire Hathaway (sua empresa de investimentos) teria uma participação na empresa.

Foi desmentida pelo próprio Buffett em seguida.

Esse episódio ocasionou a renúncia do vice presidente financeiro da IRB e a abertura de um processo administrativo por parte da CVM contra a empresa.

Em abril dois membros do conselho de administração e seus suplentes, indicados por Bradesco e Itaú, pediram renúncia de seus cargos.

A Susep (Superintendência de Seguros Privados), que regula o mercado de seguros no Brasil, instaurou uma fiscalização especial na empresa.

O motivo: insuficiência de “ativos garantidores de provisões técnicas”.

Em bom português, risco de insolvência para pagar os sinistros.

Em maio foi uma saraivada de notícias ruins.

Ela demitiu seu diretor de controladoria por fraude em contratos.

A Lazard, um banco de investimentos norte-americano, reduziu muito sua posição em ações da empresa, saindo de 5,28 para 3,78 por cento de participação.

Ela realizou reunião com clientes onde negou ter problemas de solvência e garantiu que cumprirá seus contratos.

E mais um suplente do Conselho de Administração pediu renúncia.

Enfim, no meio desse monte coisa ruim acontecendo com a empresa, os preços foram caindo e caindo.

Os indicadores relacionados ao preço como P/L, Dividend Yield, P/VP começaram a ficar muito “bons”.

Vários amigos compraram ações da empresa e em seguida vieram me perguntar o que eu achava dela, naquele caso clássico de viés de confirmação.

Quando primeiro você faz a bobagem e, depois, fica procurando alguém que te apoie.

Não foi o que encontraram em mim.

Eu respondia sempre a mesma coisa: “A IRBR3 tem cheiro de m_, forma de m_, cor de m_. Ela vai ser o que?!”

Para mim, tudo indica que a Squadra está certa e aparecer a verdade sobre IRBR3 é só uma questão de tempo.

IRBR3 deu uma ré de mais de 80 por cento e não está barata.

Se você está começando na bolsa, não tente fazer gol de bicicleta na sua primeira temporada.

A hora é de pragmatismo, tem ação de empresa espetacular sendo negociada a migalhas.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

Raio-X do mercado: de IRBR3 a MRFG3

raio x irbr3 mrfg3

Olá, investidor!

Estamos acompanhando um ano de quedas significativas no mercado de ações e que acaba deixando algumas oportunidades mais escancaradas.

Essas foram as 5 ações que mais caíram em 2020:

5 acoes que mais cairam

Minha estratégia de investimentos é o Value Investing.

Sou um caçador de assimetrias, busco empresas negociadas abaixo do valor intrínseco. Procuro Porsches a preços de Corsa.

É inegável que para uma empresa ficar barata, ela deve pontualmente apresentar queda de preços ou acelerar sua criação de valor, sem que o mercado perceba, mas essa última hipótese não é comum.

Só fique atento que nem toda queda de ação é oportunidade. É comum vermos significativos processos de destruição de valor nas empresas.

Uma empresa pode parecer barata, mas é uma value trap.

Essa lista de ações pode ser bem perigosa, embora muitos avaliam como grandes oportunidades.

Não avalie só preço, avalie o negócio e compreenda a causa da queda. E o contrário, como fica?

Essas foram as ações que mais subiram em 2020:

5 acoes que mais subiram

O raciocínio contrário também é válido…

Será que quando o preço de uma ação sobe demais, ela se torna cara?

Depende.

Se a empresa tem poder de gerar muito valor no longo prazo, a expectativa sobre ela no presente, pode não refletir todo o potencial.

Imagine que empresa vale 10 milhões (valor intrínseco) e o preço de cada ação em bolsa seja 3 reais, além disso ela possui 1 milhão de ações.

Logo seu valor de mercado seria de 3 milhões (preço x quantidade de ações).

O que acontece se o seu preço subir 100 por cento?

Ela se torna uma ação cara?

Não.

Mesmo com uma alta de 100 por cento, o preço da ação será negociado a 6 reais.

Desta forma, a empresa atingirá um valor de mercado de 6 bilhões, abaixo do seu valor intrínseco.

Na prática, vai continuar barata!

O que quero deixar claro é:

Nem toda queda tornará a ação barata, da mesma forma, nem toda alta irá tornar a ação cara.

Fuja do senso comum!

Análise o valor da empresa e não o preço. Ou melhor: analise o valor, e veja o preço para saber se é um bom negócio investir nessa ação.

Fazendo uma varredura geral pela bolsa, há muita coisa barata, há muita armadilha e há também umas 20 e poucas ações que ficaram ridículas de baratas.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

Olha no que deu: Samuel comprou muita IRBR3…

compra irbr3

Olá, investidor!

Pontualmente executo algumas consultorias individuais para clientes com o perfil adequado.

Semana passada fiz o atendimento do Samuel (nome fictício), que é um CEO de uma Startup de tecnologia.

O mais interessante destas consultorias, são as situações trazidas pelos clientes.

O Samuel havia comprado muitos lotes de IRBR3 e havia pago mais de 3x o preço que ela está sendo negociada atualmente.

Comprou 5000 ações pagando 31 reais. Um total de 155 mil reais.

Até aí, tudo bem. Afinal, não será toda a ação que nos fará sorrir.

Mas o Samuel havia cometido um erro importante… ele havia concentrado 50 por cento de todos os seus recursos em IRBR3.

Isso é grave!

Veja, os 155 mil reais aportados, com a IRBR3 negociando próximo de 10 reais, viraram cerca de 50 mil reais.

Dói né?

Acontece que ele me questionou se deveria vender a posição e comprar ações de uma empresa com uma segurança mais óbvia.

Bom, aqui temos alguns problemas.

O primeiro refere-se a quanto ele precisará ganhar em valorização para recuperar o capital.

Perceba que quando a ação caiu de 31 reais para 10 reais, isso representou uma queda de aproximadamente 67 por cento.

Por outro lado, para ele recuperar essa queda de 67 por cento, vai precisar que a ação suba mais de 200 por cento.

O desafio é grande.

Será que faria sentido ele trocar a posição para ITSA4, uma empresa obviamente melhor?

Todos devem ter Itaúsa na carteira, afirmo com convicção.

Porém, essa troca não faz muito sentido.

O market share da ITSA4 já é enorme, dificilmente ela irá crescer tanto ao ponto de justificar uma elevação de preços abrupta ou mesmo ao longo do tempo.

O maior erro do Samuel foi a concentração de capital em uma única ação.

No meu entendimento a solução pode ocorrer mediante a duas alternativas.

Primeira, se o Samuel entender que a IRBR3 é de fato um bom negócio, então essa queda é uma grande oportunidade para aumentar a exposição.

Apenas para observar, não tenho IRBR3 em carteira.

Segunda, alocar o capital e outras empresas, preferencialmente Small Caps e que estejam obscenamente baratas.

Ocorre redução de risco através da diversificação, porém sem perder o potencial de valorização, consequentes da características das Small Caps e principalmente por estar comprando a preços de baratos. Está é a minha alternativa favorita!

cada consultoria surge um novo desafio interessante.

Ansioso para o próximo!

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

E a dobradinha IRBR3 e BBSE3, vamos falar dessa dupla?

irbr3 ou bbse3

Caro leitor,

O ano mal começou e a BBSE3 (BB Seguridade) já anunciou que vai depositar na conta dos seus acionistas 3,15 reais por ação, o que equivale a 9 por cento da cotação atual dela.

Isso é maravilhoso para quem gosta de receber dividendos gordinhos.

Mas também é um ótimo exemplo para ficar ligado e se dar conta de que boa parte dessa festa é não recorrente, isto é, não vai acontecer novamente.

Não quero jogar água no seu chope, mas preciso te abrir os olhos.

Antes que ache que eu não gosto do papel, saiba que ela está entre as 10 ações pagadoras de dividendos que compõem a carteira do Canal Seleção de Dividendos​.

Dito isso, vamos aos fatos…

Em janeiro a empresa anunciou redução de capital.

Isso significa que ela achava a quantidade de dinheiro dos sócios era excessiva dentro da empresa.

Ela não precisava de tudo aquilo para manter suas atividades operacionais.

​ Portanto ela decidiu devolver parte dele para seus sócios.

Essa redução de capital é da ordem de 1,35 real por ação e representa 3,76 por cento da cotação atual dela.

Vai receber esse dinheiro quem tinha ações no dia 13 de janeiro de 2020.

Esse valor será pago no dia 30 de abril deste ano.

Esse tipo de evento é não recorrente, como já mencionei.

Portanto não conte com isso nos próximos semestres.

A outra parte do pagamento é de 1,90 real por ação que representa mais de cinco por cento do valor da ação.

Essa parte, sim, são dividendos referentes ao bom desempenho da companhia.

Vai ter direito a receber este valor quem tiver ações da empresa no dia 13 de fevereiro (dá tempo ainda).

“Marcelo, então pelo menos essa parte é recorrente?”

Não toda.

Esse valor é referente ao lucro da empresa no segundo semestre de 2019.

Neste semestre, houve um evento não recorrente grande. Foi neste semestre que a empresa vendeu sua participação na IRBR3 (lembra da semana passada?).

Com essa venda a companhia registrou um lucro muito grande.

E adivinhe?

Não tem outra IRBR3 para vender no semestre que vem. Portanto isso não vai ocorrer de novo no futuro.

Minha visão para o futuro da BB Seguridade é boa. Os lucros recorrentes da empresa apresentaram crescimento elevado em 2019.

Isso é excelente e é exatamente o que busco em uma ação boa pagadora de dividendos​.

Se você é acionista da empresa, abra uma champanhe e comemore.

Fique feliz com o seu resultado e também com os efeitos não recorrentes. Afinal eles foram (muito) positivos.

Só não perca contato com a torre. Mantenha sua expectativa no lugar.

Nos próximos semestres os proventos devem ser mais modestos.

​Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

IRBR3: bastou um pregão para desmoronar…

Caro leitor,

Você viu o que aconteceu com as ações da Irb Brasil (IRBR3) ontem?

As ações da IRBR3 abriram em queda vertiginosa no pregão de ontem e fecharam a 41,00 reais, uma queda de 8,54 por cento em um único pregão.

O papel, que foi assunto do dia, chegou a registrar uma queda parcial de 15 por cento na manhã de segunda…

Mas afinal, qual foi o motivo de uma queda tão acentuada?

Uma gestora que está com uma posição vendida (apostando na queda) em IRBR3 emitiu uma carta aos seus cotistas explicando o motivo dessa posição.

O mercado abraçou a ideia e uma força vendedora fez com que o papel despencasse.

A carta emitida pela gestora é muito detalhada e contém trinta páginas.

Chata para caramba… mas eu li e vou te contar a minha percepção:

Ela fala basicamente da diferença entre o lucro contábil da empresa e o lucro normalizado (recorrente) dela.

O que a gestora encontrou foi uma diferença muito grande gerada por fatores não recorrentes que fez com que o lucro da empresa chegasse onde chegou.

A gestora explica que esses efeitos contábeis tem acontecido todo ano e que em 2019 eles chegaram a níveis preocupantes.

Essa carta gerou uma polêmica gigante na qual eu não quero me envolver.

O que eu quero é chamar a atenção para a lição que um investidor de dividendos deve tirar deste episódio independente do desfecho dele.

Quando investimos em busca de bons dividendos, precisamos de lucros constantes e recorrentes.

Não adianta olhar para trás e ver balanços maravilhosos se o futuro será claramente diferente… lembra da Cielo?

Não adianta olhar balanços maravilhosos mas recheados de itens que não se repetirão no futuro.

O dividendo que você terá quando comprar uma ação será o dos PRÓXIMOS anos e não o dos últimos anos.

Portanto fique esperto.

Não caia na armadilha do passado lindo e do presente que não se repetirá.

Sobre Irb, vamos seguir de olho e acompanhar o desdobramento do case.

Antes desse evento, IRBR3 já não era integrante do Canal Seleção de Dividendos.

A propósito, liberei por 7 dias o acesso à carteira de 10 ações pagadoras de dividendos.

Você pode conferir todas as ações da carteira sem nenhum compromisso financeiro definitivo.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.