Como escolher os melhores FIIs?

Caro leitor,

Você não vai ler o óbvio nas próximas linhas.

Vou te dizer como eu faço para escolher os melhores fundos imobiliários do mercado.

Eu faço de um jeito diferente. Eu começo de trás para frente.

Mas antes eu preciso ter algo muito claro para mim: o que eu quero deste investimento?

  • Segurança
  • Rendimentos mensais constantes

Com isso em mente, vou olhar o universo de Fundos disponíveis.

São mais de 500!

Que tal analisar todos e depois fazer um comparativo para identificar qual o melhor?

É um trabalho sem fim e sem sentido.

Mesmo que você analise todos eles (e eu duvido que consiga), você se verá obrigado a comparar um hotel em São Paulo, com um shopping em Maceió, com um galpão industrial em Minas, com um prédio comercial no Rio de Janeiro.

Entendeu o drama? Vai passar um trabalho do cão e vai ter que comprar banana com laranja. Não é por aí…

Então vem comigo e vamos começar de trás para frente!

A lógica é muito simples: tira tudo que é ruim da mesa e vai sobrar só o que é bom.

Do que sobra, você compra um pouco de cada. Se ainda assim alguma coisa ruim passar, a diversificação te salva.

A estratégia é quase a prova de idiota. E mais do que isso, não deixa a ganância nos cegar dos problemas de um fundo só porque ele paga um bom rendimento.

Vamos lá!

Comece tirando da frente todos os fundos com baixíssima liquidez no mercado – você terá dificuldade de comprar e vender suas cotas – e os que são exclusivos para investidores qualificados ou profissionais.

Dos quinhentos fundos iniciais, sobrarão menos de cem.

Agora vamos tirar da frente os fundos que:

São mono ativo: eles possuem apenas um imóvel, o que os torna muito arriscado. Se algo der errado neste imóvel, deu errado no fundo inteiro! Mesmo que o fundo pague bom rendimento, lembre do que eu quero: segurança.

São mono inquilino: eles possuem apenas um locatário, o que os torna muito arriscado. Se algo der errado com o inquilino, o fundo inteiro fica sem receber a renda. Lembrem da segurança.

Estão em período de RMG (Renda Mínima Garantida): normalmente fundos estreantes na bolsa que pagam com dinheiro do próprio patrimônio um rendimento mensal mínimo por um período determinado. O fundo está pegando o seu dinheiro, devolvendo para você e tem gente que acha que isso é rendimento. Não faz sentido!

São negociados muito acima do seu Valor Patrimonial: vai pagar muito mais caro do que vale por que?

São fundos de desenvolvimento: são fundos que buscam ganhar dinheiro com incorporação imobiliária. Seus rendimentos são inconstantes e o seu risco é alto. Lembra do que eu quero? Segurança e renda constante.

Estão com alta vacância: eles tem muitos imóveis vagos, sem gerar renda. Ou tem algo errado com o fundo ou ele simplesmente vai estar rendendo pouco. Nem um nem outro serve.

Estes são os principais aspectos que você deve olhar. Eu diria que isso previne noventa por cento dos problemas que você poderia ter.

Depois disso vão sobrar bem poucos fundos. Dentre eles, compre um pouco de cada para diversificar.

Fiz ou teste hoje mesmo, sobraram apenas nove fundos!

Parece simples demais?

Essa estratégia te defende dos erros mais comuns de investidores de FIIs e ainda te defende das suas próprias emoções, em especial a ganância que nos faz subestimar os riscos.

Você faz de um jeito diferente? Quer me contar?

Responda este e-mail ou me mande um direct pelo Instagram (@marcelofayh).

Abraço!

Fundo Imobiliário não é tudo igual

Recebi uma enxurrada de e-mails de leitores querendo vender suas casas.

Caro leitor,

Recebi uma enxurrada de e-mails de leitores querendo vender suas casas.

Um até me fez uma oferta!

Se esse é o primeiro passo, voce saberia dar o segundo?

Saberia dizer qual Fundo Imobiliário comprar com esse dinheiro?

Vou te ajudar a escolher, começando por te apresentar os tipos de fundos existentes.

São quatro tipos:

Fundo de Renda:

Também chamado carinhosamente de fundo de tijolo. Seu objetivo é comprar bons imóveis, alugá-los e assim ganhar dinheiro. O seu lucro com os aluguéis é distribuído todo mês para os cotistas.

Ou seja, você passa a receber uma renda mensal ao adquirir cotas destes fundos.

A maioria dos fundos imobiliários do mercado são deste tipo.

Eles normalmente são subdivididos conforme o tipo de imóvel que compram: lajes corporativas, galpões logísticos e industriais, shoppings centers, hotéis, hospitais entre outros.

A título de curiosidade, existe até fundo que faz negócios com cemitérios, alugando, comprando e vendendo jazigos.

Sabendo escolher, aqui está o melhor investimento que existe para geração de renda passiva – aquela sonhada renda que não depende do seu trabalho.

Fundo de Papel

Esses fundos compram títulos ligados obrigatoriamente a atividade imobiliária, normalmente CRI’s (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e LCI’s (Letras de Crédito Imobiliário).

Levam este nome justamente por não comprarem imóveis (tijolo) e sim títulos (papel).

Este tipo de fundo é bom pelo lado da diversificação (possuem uma infinidade de títulos lá dentro). O ponto negativo fica por conta do fato de que isso dificulta muito uma análise mais detalhada dos ativos que o compõem.

Fundo de Desenvolvimento

São fundos que vão investir em incorporação imobiliária. Vão comprar terreno, fazer projeto, construir imóveis e vender. É assim que eles buscam ganhar dinheiro.

Normalmente este tipo de fundo tem distribuição de rendimentos irregulares e são mais arriscados.

Por outro lado, são os que oferecem maior potencial de ganhos. São poucos fundos deste tipo disponíveis no mercado.

Fundo de Fundos

São fundos que compram cotas de outros fundos imobiliários.

O atrativo é que eles conseguem comprar alguns fundos que são destinado exclusivamente a investidores qualificados. Ou seja, ele te dá acesso a ativos que você não conseguiria investir sozinho.

São uma boa alternativa de diversificação para quem vai começar com pouco dinheiro ou quem não se sente seguro de escolher por conta própria o que comprar.

Ajudou um pouco já?

Semana que vem falamos mais sobre como escolher o melhor fundo imobiliário para você.

Se tiver alguma dúvida, responda neste e-mail ou pelo instagram @marcelofayh.

Abraço!

Venda sua casa e compre fundos imobiliários

Atenção: conteúdo polêmico

Você deveria vender a sua casa e investir tudo em fundos imobiliários… mas não vai fazer isso.

Já explico o porquê.

Mas antes preciso te dizer uma coisa…

Você provavelmente não tem condições de fazer isso hoje e isso não é culpa sua. Sabemos da nossa carência de educação financeira.

De toda forma você não pode ficar se escorando nessa desculpa para o resto da vida…

Agora chega de enrolação. Vamos direto a conta que mostra por que você deveria vender sua casa e comprar Fundos Imobiliários.

Primeiro, sabe quanto custa alugar um imóvel equivalente ao seu?

Imagine que você tenha um imóvel avaliado em 700 mil reais.

Segundo dados do FIPE-Zap, na média do país, com 2.600 reais por mês, você aluga um imóvel deste valor.

Imagine que dá para conseguir negociações melhores do que estas. Falei só da média.

Por que eu estou te dizendo isso antes de tudo?

Por que provavelmente você está pensando: “Mas se eu vender meu imóvel, vou morar onde?”

Qualquer lugar! Escolhe o lugar e aluga uma casa.

“Mas, com que dinheiro?”

Vai dar e sobrar… presta atenção:

É fácil encontrar Fundos Imobiliários que atualmente pagam rendimentos acima de 8 por cento ao ano.

Isso significa que se você investiu aqueles 700 mil reais em fundos imobiliários, você receberia mais de 4.600 reais por mês, líquidos de Imposto de Renda!

Agora você pega esse dinheiro, paga o aluguel de um imóvel equivalente ao seu (de mesmo padrão e valor) e vai te sobrar mais de 2.000 reais todo mês. Limpos de imposto de renda.

De lambuja, você não se preocupa mais com chamadas extras do condomínio, reformas e outros custos que ficarão a cargo do dono do imóvel, que não é mais você.

Legal né? Também acho…

Mas agora vem a parte triste: você não vai fazer isso. Você não vai conseguir fazer isso!

É casado? Sua mulher não vai deixar (ela não casou com um maluco).

É casada? Seu marido não vai deixar (não foi ele que teve a idéia).

Tem filhos? Pense nos teus filhos… hmmm, não vai dar né?

É solteiro ou solteira? Você é melhor candidato a conseguir fazer!

Sinceramente… eu acho que quase ninguém vai conseguir fazer.

Quantas pessoas você conhece que fizeram algo do tipo? Ninguém né?

É exatamente por isso que você não vai conseguir fazer. Você é HUMANO.

E seres humanos gostam de andar em bando, gostam de fazer o que todo mundo faz, mesmo que seja errado. Ou mesmo que simplesmente não seja o melhor a se fazer.

Somos seres essencialmente emocionais, por isso não conseguiremos tomar a melhor decisão financeira se ela for emocionalmente difícil.

Duas lições dessa provocação: conheça o que são Fundos Imobiliários e seja menos emocional e mais prático quando pensar em dinheiro.

Em tempo: terça-feira, dia 23 agora, às 19 horas, vou conversar ao vivo pelo Youtube com Marcelo Hannud, da XP Investimentos, o maior especialista em Fundos Imobiliários do Brasil.

Mande sua pergunta respondendo este e-mail ou pelo meu Instagram @marcelofayh.

Sem preconceitos

“Eu tinha um certo preconceito com alguns tipos de fundos pois achava que estes só estavam interessados na taxa de administração e no lucro deles…”

Este é um trecho de um e-mail que recebi na semana passada, de uma simpática leitora que elogiou a editoria.

É bastante comum ouvir esse tipo de coisa. Estou falando do preconceito com fundos…

Muitos pensam que se o gestor sabe mesmo ganhar dinheiro, por que ele faria isso para os outros?

E de fato em um primeiro olhar pode fazer sentido, mas se você olhar com um pouco mais de atenção verá que não é bem assim.

Pense comigo…

O gestor é um cara que consegue obter ganhos consistentes e acima da média do mercado.

Digamos que ele invista em ações, o que significa então que consegue superar o rendimento do Ibovespa de forma recorrente.

Ele poderia ficar investindo somente o próprio dinheiro. E com isso ganhar apenas sobre o seu patrimônio.

Ou poderia ajudar outros investidores a ganhar dinheiro também. E de quebra ganhar um pouco sobre cada investidor que pegar carona com ele.

Tipo Uber: dá carona e ganha um dinheirinho…

Cada investidor que embarcar com ele, vai ter que pagar a Taxa de Administração e a Taxa de Performance. O Uber não é de graça, a carona com o gestor também não é.

A Taxa de Administração é um percentual que o fundo cobra para cobrir os seus custos fixos, com todos os envolvidos no trabalho, seja o gestor, o custodiante, o administrador e tudo mais. Para fundos de ações costuma ser entre 2 e 3 por cento ao ano.

A Taxa de Performance é paga somente sobre o quanto o gestor gerar de resultado a mais do que a alguma referência do mercado.

Nos fundos de ações a referência normalmente é o Ibovespa e nos fundos de renda fixa e multimercados costuma ser o CDI.

Já deu para perceber onde quero chegar?

Se o gestor é realmente capaz de entregar resultados acima da média, ele vai ganhar sobre o patrimônio dele e mais sobre uma pequena parcela de todos os outros.

Imagine que há fundos com caroneiros que somam mais de um bilhão de reais. Nem precisa fazer conta, já dá para imaginar que ele pode ganhar um bom dinheiro extra né?

O melhor de tudo é que a maior parte da remuneração dele está completamente alinhada com o interesse dos investidores: ele só recebe se você estiver ganhando acima da média. Se você ganhar igual à média, o gestor não leva nada. Ele tem que realmente fazer a diferença para você.

Da próxima vez que alguém disser para você que o gestor só quer “o lucro dele”, lembre deste e-mail, e me ajude a fazer as pessoas investirem melhor!

Nocauteei meu professor de boxe

Após 9 anos sem contato com meu antigo professor de boxe, essa semana fui surpreendido com uma mensagem.

Um pouquinho de papo mole no início e logo em seguida vem o que interessa:

A partir daí ele me conta que tem um valor, fruto de economias de uma vida, para investir.

Começo a perguntar sobre como está sua vida agora, planos para o futuro, necessidades, etc… Fiz isso para identificar seu perfil para poder indicar algo que seja adequado a ele, quando vem a pergunta:

Li, fechei os olhos e respirei fundo… passou um filme na minha cabeça. Eu já vi muita gente perder economias de uma vida em especulações de curto prazo e não quero mais deixar isso acontecer.

Lembrei de um dos gestores mais famosos do momento, o Henrique Bredda, do Alaska. Ele gere um dos fundos de ações com maior destaque dos últimos anos. Siga ele nas redes sociais e vai entender por que lembrei dele nessa hora. Ele é super engajado em doutrinar os investidores a fazerem a coisa certa: deixar de lado a ilusão dos ganhos de curto prazo e deixar que a combinação de investimento de qualidade + longo prazo gerem o resultado que você quer.

Sem escolher muito as palavras, respondi.

Depois a conversa continuou, mas o melhor já tinha passado. E está aqui em cima.

As vezes fico com medo de ser mal-entendido ou da pessoa se ofender com as minhas palavras. Neste caso específico, quando o cara é teu professor de boxe, e tu diz para ele não ser “um brigão idiota”, dá um medinho extra. Já pensou nele brabo comigo? Não quero nem imaginar…

Mas no ringue dos investimentos os papéis se invertem e eu sou o professor dele.

No fim, ele ficou feliz com a conversa.

E eu aliviado: além dele não me bater o mais importante é que ele não vai perder dinheiro!

Antes de ir, mais uma coisa:

Sabe este gestor que eu mencionei, o Henrique Bredda?

Pois então… vou bater um papo com ele na semana que vem, dia 11 (quinta-feira) às 18 horas. Vamos transmitir esta conversa ao vivo pelo Youtube, no canal do GuiaInvest. Fique atento as nossas redes sociais para receber o link de acesso.

Gostaria de fazer uma pergunta para ele?

Me mande ela por aqui que eu vou selecionar algumas para nosso bate papo.

Deixe o gestor ganhar dinheiro para você

Fui na fisioterapia reclamando de dor na lombar. A fisioterapeuta fez o que tinha que fazer para a crise passar e me recomendou alguns exercícios diários simples que fariam com que a dor não mais voltasse.

Não preciso dizer que fiz durante umas duas semanas no máximo.

Passado um tempo a dor voltou e… (volte para o início).

A minha relação com a fisioterapeuta é muito parecida com a relação do investidor com o gestor de fundo de renda variável.

A dor do investidor é querer ganhar dinheiro e não saber que ativos comprar.

O investidor vê um fundo que subiu 30 por cento nos últimos meses e vai até lá conhecer. O gestor mostra o fundo de investimentos no qual o investidor vai poder ganhar dinheiro na carona dele.

O gestor também faz uma recomendação para o investidor: passaremos por turbulências no curto prazo, aguente firme e mantenha o investimento a longo prazo.

Depois da consulta do investidor junto ao gestor ele vai para casa.

Dois meses depois o fundo de ações caiu 20 por cento.

Preciso dizer que o investidor não segue a recomendação do gestor? (volte para o início).

Repita até o investidor perder todo seu dinheiro.

Quer escrever um final diferente para essa história?

Ouça os gestores de renda variável que dizem que o investimento nessa classe de fundo deve ser no mínimo de dois anos.

É fácil… a estratégia consiste em duas etapas:

  1. Escolher bons fundos
  2. Não atrapalhar

Você consegue?

Acerte no tempero de sua carteira

Depois de termos explorado a seção de Fundos de Renda Fixa na semana passada, caminharemos um pouco mais pelos corredores do supermercado até chegar à seção de Fundos de Ações.

É lá que estão os temperos e condimentos para nossa receita.

A cestinha já não está mais vazia. Nela está já nosso primeiro ingrediente: um bom fundo de renda fixa (pós-fixados, SEM crédito privado e com a menor taxa de administração possível).

A escolha certa dos temperos e condimentos é primordial para darmos o sabor que desejamos para nossa receita.

Aqui definiremos se ela será apimentada ou não, se terá um gosto marcante ou mais suave, se será exótica ou tradicional.

É esta importância que os Fundos de Ações têm no seu portfólio de investimentos.

Eles são uma parte pequena do todo, mas que fazem toda a diferença.

Por esse motivo, vou falar dos tipos de temperos, quer dizer, dos Fundos de Ações que você precisa conhecer antes de fazer as suas escolhas.

A primeira seleção que temos que fazer é: queremos um tempero pronto, daqueles que já vem tudo misturado? Ou queremos escolher nossos temperos, dar a nossa cara e diferenciar a receita?

Se queremos o tempero pronto, então podemos escolher um Fundo de Ações Passivo. Esse tipo de fundo busca replicar um índice de mercado como o Ibovespa ou o IBrX, por exemplo.

São chamados passivos exatamente pois eles apenas replicam os índices, sem o intuito de tentar superá-los.

Com o fundo passivo, a refeição sai – e o tempero até cumprirá o seu papel. Mas é a certeza de que estaremos fazendo algo que ficará só na média.

E a média é para medíocres.

Prefira fazer receitas diferenciadas. Elas podem até causar certo receio, mas quando bem feitas fazem sucesso.

Por esse motivo, vou te mostrar os Fundos de Ações Ativos, as suas classificações e que gosto eles têm.

Estes fundos usam diferentes estratégias para, no longo prazo, superar a média do mercado. Eles compram, vendem e se movimentam sempre que precisam, daí vem o nome ativo.

Vamos às classificações que esses fundos podem ter:

Fundos de Dividendos

São fundos onde o gestor vai comprar ações de empresas boas pagadoras de dividendos.

Normalmente são fundos menos voláteis do que os outros.

Para quem gosta de comida apimentada e bem temperada, esse tempero pode ser um pouco sem graça.

Então, para quem não gosta muito de ousar, este é o seu tempero!

Fundos de Small Caps

Compram ações de pequenas empresas na bolsa.

Na bolsa, pequena significa companhias valem até módicos 6 bilhões de reais.

Não é o boteco do seu Zé, mas também não é um Itaú da vida.

Uma estratégia com alto potencial de ganho, mas também de alto risco.

É pimenta pura! Daquelas de arder os olhos e soltar fogo pelas ventas.

Não é para todo mundo. Mas, para quem gosta, é puro prazer. Para quem não gosta, é tortura.

Fundos de Sustentabilidade e Governança

São fundos temáticos.

Só podem comprar ações de empresas engajadas na causa da sustentabilidade e que adotam boas práticas de governança corporativa.

Não gosto de qualquer temática que restrinja o gestor, principalmente se ela não estiver relacionada a resultado.

Estamos falando de investimentos, afinal de contas. E haters, um recado: se quiserem me xingar agora, basta responder esse e-mail (vem direto para mim).

Fundos Setoriais

Também são fundos temáticos.

O gestor só pode comprar ações de empresa de um determinado segmento da economia, por exemplo energia elétrica ou bancos.

Não gosto deles pelo mesmo motivo do anterior.

Fundos Valor/Crescimento

Um tempero com a cara do Warren Buffet.

O gestor do fundo vai avaliar o quanto vale a empresa e vai comparar com o preço de suas ações. Se as ações estiverem muito baratas, ele vai comprar.

Se não estiverem tão baratas assim, mas tiverem potencial de crescer muito, ele poderá comprar também.

Este tempero pode ser uma delícia!

Eu, particularmente, gosto muito. Não é apimentado demais e está longe de ser sem graça.

Fundos Ações Livre

Neste tipo de fundo o gestor pode fazer o que bem entender para buscar o melhor retorno.

Nesta classe você vai encontrar os mais variados sabores, mas todos bem balanceados e sem extremos. Ou seja, sem muita pimenta e ao mesmo tempo bastante saborosos.

Gosto muito deles também.

Resumindo…

Esqueça os setoriais e os de Sustentabilidade e Governança (oi, haters! lembrem do meu e-mail aqui).

Se está começando ou não gosta de emoções fortes? Vá de fundos de Dividendos.

Gosta de fortes emoções? Escolha um fundo de Small Caps.

Não é nem um nem outro acima? Então você pode escolher entre os fundos Valor/Crescimento e os Livres.

Mas lembre-se: os bons chefs misturam um pouco de cada para ajustar o sabor do prato ao paladar de quem vai degustá-lo.

Portanto, o que entra na nossa cestinha é Dividendos, Small Caps, Valor/Crescimento e Ações Livre. Um pouco de cada.

Na hora de cozinhar a gente decide o quanto de cada um usaremos, combinado?

Ah, estou ficando animado com nossos ingredientes. Ansioso para preparar a receita.

Mas, espera aí…

Ainda temos que conhecer e escolher os outros ingredientes para completar o prato principal.

Na seção de multimercados a gente vai encontrar o que falta.

Até semana que vem.

Aqui o arroz é de graça!

A escolha bem-feita dos ingredientes é meio caminho andado para uma receita de sucesso.

Lista de compras na mão, faremos um tour no supermercado atrás dos ingredientes para fazer a receita da semana passada.

Seguindo os ensinamentos do chef, vou te ajudar a escolher o que entra e o que não entra no nosso carrinho.

Para começar, vamos conhecer e escolher o ingrediente mais abundante nas receitas de carteiras de investimentos: os fundos de renda fixa.

Eles estão para os portfólios de investimentos como o arroz está para a culinária brasileira. É o ingrediente base da maioria das receitas e está presente em quase todas as refeições.

Os fundos de renda fixa emprestam dinheiro para o governo ou empresas ao comprar seus títulos.

No dia do vencimento do título, o fundo recebe o dinheiro de volta com juros.

Assim que eles ganham dinheiro.

Agora vamos às compras.

Logo que chegamos na seção de renda fixa do supermercado, no primeiro corredor encontramos os fundos com a classificação Curto Prazo. Não queremos eles na nossa receita. Vamos direto para o segundo corredor, onde estão os de Longo Prazo.

Explico: tudo que você encontraria no primeiro corredor, vai encontrar semelhante no segundo.

Com a diferença que nos fundos de Longo Prazo, dependendo de quanto tempo seu dinheiro ficar aplicado lá, você pagará menos impostos.

A faixa de IR mínima para os fundos de curto prazo é de 20 por cento, enquanto nos de longo prazo é de 15 por cento. Vamos aproveitar e pagar menos imposto.

Aqui no segundo corredor a gente entra e começa a olhar o que tem em volta.

Do lado esquerdo tem os fundos que levam “Crédito Privado” no nome. Os fundos que investem mais da metade do seu patrimônio em títulos que não são títulos públicos federais devem levar este carimbo na embalagem.

Essa é uma exigência da CVM para que você não compre gato por lebre.

Emprestar dinheiro para o governo federal é considerado o investimento mais seguro do mercado.

Já emprestar para uma empresa privada pode ser extremamente arriscado. Uma embalagem igual para conteúdos tão diferentes levaria o investidor a erros graves.

Esses títulos até oferecem um pouquinho mais de rentabilidade, mas nada que justifique que você assuma muito mais risco.

Por esse motivo, Crédito Privado é um ingrediente que vai ficar fora da nossa receita.

A função do fundo de renda fixa na nossa receita é trazer segurança.

Rentabilidade a gente vai buscar em outros ingredientes como fundos multimercados e de ações.

De frente para o lado direito do corredor, vamos encontrar os fundos que compram majoritariamente títulos públicos.

Vamos ver na altura dos olhos os fundos que compram títulos pós-fixados.

Talvez por isso que quando se fala em fundo de renda fixa, só se pensa neste tipo de fundo.

Acontece que existem também os que compram títulos prefixados e os atrelados à inflação. Estes vão estar lá em cima ou lá nos pés da gente.

Cuidado com eles. Foque nos pós-fixados.

Os títulos prefixados e atrelados à inflação oscilam bastante e podem ter um efeito devastador na sua receita se você não souber usar esse ingrediente.

Veja o comportamento da linha vermelha (que representa os fundos atrelados à inflação) no período em amarelo no gráfico.

Para nossa receita, queremos os pós-fixados pois eles são mais estáveis e previsíveis.

Agora que sabemos o que queremos, vamos pesquisar preço.

Quanto mais barato melhor.

O custo destes fundos é a sua taxa de administração.

Não aceite pagar mais de 0,5 por cento ao ano. Qualquer coisa acima disso é caríssimo para estes fundos.

Você não pagaria preço de camarão pelo arroz nosso de cada dia, não é mesmo?

O mercado deste tipo de fundo é tão competitivo que já existem alguns que zeraram essa taxa.

São fundos literalmente gratuitos que estão à disposição dos investidores através de plataformas de investimentos.

É como se o supermercado dissesse para você: “aqui o arroz é de graça”.

Eles querem te atrair dando arroz de graça, com o intuito de ganhar dinheiro te vendendo os outros ingredientes.

Quem já foi no mercado e comprou só um saquinho de arroz?

Para resumir: escolha um fundo de longo prazo, sem crédito privado, que invista em títulos pós-fixados e que seja barato (se for gratuito, melhor ainda).

Só não vamos para o caixa pagar e empacotar as compras pois ainda não terminamos.

Ainda faltam os outros ingredientes que vão fazer parte de nossa receita: fundos de ações, cambiais e multimercados.

Semana que vem eu te encontro na seção de fundos de ações.

Os temperos que salvam (ou estragam) a receita

Caro leitor,

 

Esses dias eu estava assistindo um programa de culinária e me chamou a atenção a importância que o renomado chef dava para a escolha dos ingredientes.

Ele foi na feira, escolheu cada um dos insumos, tocou, cheirou, conversou com o vendedor, perguntou de onde veio, quem produziu, fez questão de mostrar inclusive o por que estava escolhendo cada item.

Tudo isso parecia tão importante quanto o preparo em si.

E eu, ansioso, só queria ver o cara na frente da panela.

Eu deixaria passar metade do aprendizado que o chef quis me dar.

E daí?!

E daí que se você quiser montar um portfólio de fundos, lembre-se deste chef.

Depois lembre de mim, ansioso.

Agora me ouça: quem estava certo era ele. Não eu.

Montar o portfólio é fazer a receita. Cozinhar. Colocar os ingredientes na hora certa, da forma certa, deixar o tempo certo até que fique no ponto ideal.

Traduzindo para os seus investimentos, é o quanto de cada fundo que vai compor a sua carteira.

Uma boa base de fundos de renda fixa, cobertos com fundo multimercados e finalizados com um pouquinho de fundos de ações. No final, um chá digestivo sabor fundo cambial.

Uma bela receita…

Mas e os ingredientes? Você saberia me dizer quais deles fariam parte da sua refeição?

O chef nos ensinou que devemos conhecê-los bem e escolhê-los com cuidado.

Hoje vou fazer o papel do chef de te apresentar os ingredientes para uma boa receita.

Os fundos podem ser de renda fixa, de ações, multimercados ou cambiais. Dentro de cada uma destas categorias, existem várias subdivisões.

 

Fundos de Renda Fixa

Fundos de renda fixa são basicamente fundos que emprestam dinheiro para o governo ou empresas ao comprar seus títulos. Os fundos que compram títulos do governo são mais seguros, pois a chance de levar calote é mínima se comparado às empresas.

Os fundos de renda fixa podem ser pós fixados, prefixados ou atrelados à inflação.

Saber disso é importante. Sabe por que?

Pois tudo o que te disseram até hoje sobre fundos de renda fixa descreve somente os fundos de títulos pós fixados.

Aqueles fundos onde a cota só sobe, um pouquinho todo dia. Sem sobressaltos.

Os atrelados à inflação e os pré-fixados são mais voláteis, mesmo se tratando de renda fixa.

Podem ter rentabilidade negativa no curto prazo.

E isso provavelmente ninguém te contou.

No gráfico abaixo, a linha verde representa os fundos de renda fixa que compram títulos pós-fixados, a linha azul os prefixados e a vermelha os atrelados à inflação.

Voltando ao mundo da culinária, imagine fazer a base da sua receita na linha vermelha ao invés da verde, que é o que o gerente do banco sempre recomenda.

 

Fundos de Ações

Esse é o ingrediente que está lá para fazer toda a diferença na sua receita.

Exatamente por isso, não dá para errar a mão nele.

Todos os fundos de ações têm algo em comum. São obrigados a ficar possuir no mínimo em 67 por cento do seu patrimônio em ações.

A partir daí, eles começam a se diferenciar.

Uns vão comprar ações de boas pagadoras de dividendos.

Outros vão comprar ações de empresas menores, com mais potencial de ganho e mais risco.

Tem os que buscam ações de empresas preocupadas com sustentabilidade e governança corporativa.

E por aí vai.

Suas diferentes estratégias vão fazer diferença no seu paladar. Alguns gostos podem ser apimentados demais para você.

Outros fundos você pode achar até que estão sem sal.

 

Fundos Multimercado

Os fundos multimercado são um universo enorme de sabores, texturas e sensações.

Vão do gosto mais suave e bem recebido por todos até os mais exóticos sabores que você nem sabia que existia até experimentar.

Isso por que eles têm liberdade para investir seu dinheiro em qualquer ativo que julguem ser o melhor no momento.

Eles podem comprar ações, títulos de renda fixa do governo ou de empresas, derivativos de todos os tipos, moedas entre outras alternativas no Brasil e no exterior.

As combinações possíveis são infinitas.

 

Fundos Cambiais

Esses vão obrigatoriamente seguir o comportamento de uma ou mais moedas específicas que vão estar certamente no nome do fundo.

Pode ser muita informação, mas não se preocupe…

Meu compromisso é ajudar você a ganhar dinheiro.

Na próxima semana vamos tratar somente dos fundos de renda fixa. Trataremos dos outras nas semanas seguintes.

Afinal, você precisa conhecer bem cada fundo que vai para sua carteira.

Conhecer os ingredientes é uma coisa, fazer a receita é outra. São coisas diferentes e igualmente importantes.

Se escolher mal os ingredientes, não há chef que salve a receita.

Se há algo sobre o que você quer que eu escreva, me avise.

Conte comigo nesta jornada!