PMAM3 e HYPE3: foi dada a largada

pmam3 hype3

Caro leitor,

Vai ser dada a largada para temporada de resultados trimestrais das empresas listadas na bolsa.

Está todo mundo de olho nos impactos que o Coronavírus causou nas empresas.

O que os investidores mais vão buscar neste momento não são os grandes lucros, mas sim as que menos perderam.

Lembrando que dos meses do primeiro trimestre, apenas em março é que os efeitos bateram com força na maioria das empresas.

Portanto é possível que o pior ainda fique por vir só lá do meio do ano em diante.

Se você é como eu, que gosta de acompanhar o que interessa mesmo, que é o desempenho operacional das empresas, então essa temporada vai ser eletrizante.

Sinceramente ainda não sei se vai ajudar a clarear o horizonte ou se vai colocar mais interrogações na nossa cabeça.

Uma coisa é certa: Os editores de notícias econômicas estão sedentos por uma manchete matadora que vai atrair um milhão de cliques.

Tenha certeza de que essa manchete vai ser a mais sensacionalista e negativa possível.

Pois o caos e o medo vendem muitas notícias.

Tente ficar alheio às chamadas emocionais dessas matérias.

Foque no que realmente interessa: nos números.

Essa semana mesmo tem divulgação da Paranapanema (PMAM3) no dia 23 e da Hypera (HYPE3) no dia seguinte.

Espero que as empresas dêem o devido destaque aos efeitos do Coronavírus no mês de março, pois ele será uma importante pista do que nos aguarda para logo mais no meio do ano.

O Ibovespa já recuperou muito desde sua mínima em março, mas não se engane achando que os resultados não virão tão ruins assim.

O mercado sempre antecipa o que acontece na economia real.

Depois que a economia real mostra seus números, o mercado recalibra sua aposta e antecipa de novo.

E assim ele vai.

Por isso os movimentos de curtíssimo prazo são tão erráticos na bolsa.

Para você e para mim, que não temos bola de cristal e queremos viver dos dividendos das empresas, melhor esperar os resultados serem divulgados e depois pensar no que fazer.

Pensar a longuíssimo prazo, como ensinam os mestres Buffet e Barsi, faz a nossa missão muito mais tranquila e previsível.

Não tenho ansiedade de tomar a decisão com pressa, pois num horizonte de 10 ou 20 anos, um trimestre não muda muita coisa. Nem dois, nem três.

Uma decisão errada, essa sim, pode custar caro.

Portanto, nessa temporada é cabeça no lugar e serenidade para ver o provável banho de sangue nos balanços.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos as análises e tomadas de decisão são feitas com base nos resultados trimestrais, no plural mesmo.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

VISC11, GGRC11, MALL11, XPML11 e HSML11: o fim de uma era?

VISC11. GGRC11, MALL11, XPML11 e HSML11

Caro leitor,

O Covid-19 continua mostrando suas caras e causando turbulência pelos Fundos Imobiliários.

O surgimento dessa pandemia está forçando o investidor de FIIs a rever suas convicções e suas crenças.

Até o surgimento do coronavírus, os fundos de shopping centers eram os fundos mais seguros e resilientes do mercado.

Hoje eles estão no olho do furacão e são os mais atingidos pelos efeitos desse novo vírus.

O poder de barganha entre inquilino e proprietário, que sempre esteve do lado do shopping, agora está do lado do lojista.

Pense comigo: um prédio com vacância de 20 ou 30 por cento é algo que acontece.

Não fica feio nem nada.

Mas um shopping com um terço de suas lojas tapadas com tapumes já não é aceitável.

Neste cenário, o shopping talvez se veja obrigado a ceder muito mais do que gostaria para o lojista pelo menos continuar lá dentro.

Vários FIIs são impactados aqui: VISC11. MALL11, XPML11 e HSML11.

Os paradigmas quebrados não ficam só por conta dos shoppings centers não.

Outro tipo de FII tido como um porto seguro em momentos de crise são os de galpões com contratos atípicos.

Esse tipo de contrato costuma ser de dez anos para mais e a multa por desocupação é equivalente a todos os aluguéis vincendos até o final do contrato.

Ou seja, o inquilino até pode sair do imóvel, mas não pode deixar de pagar um mês sequer.

Outro ponto interessante é que não existe revisional desse valor durante o contrato.

Ou seja, nem na pior das crises o inquilino vai ter amparo legal para reduzir o valor pago mensalmente.

Muito seguro.

Até o Covid-19 chegar.

GGRC11, por exemplo, é um fundo de galpões logísticos e industriais que só investe em operações e imóveis com contratos atípicos de locação.

Esse seu pré requisito traz segurança e estabilidade para seus rendimentos.

Isso funciona muito bem, quando o inquilino paga.

Essa semana o fundo comunicou que um inquilino que representa 13 por cento da sua receita total, não pagou o aluguel referente ao mês de março.

Agora, o tamanho desse problema vai ser conhecido com o desenrolar dessa situação. Pode ser amigável e negociada, ou pode ser judicializada e com a execução das garantias contratuais.

Está previsto a existência de um seguro fiança locatícia, que pode ser acionado caso a solução não seja amigável.

Enfim, veremos como isso se desenrola nas próximas semanas.

O que fica dessas situações descritas é que os portos seguros dos FIIs podem até ser seguros, mas não são imunes a problemas mais graves.

Como eu disse semana passada, ainda vamos ver muitas notícias ruins aparecerem antes de tudo isso acabar.

Até lá vamos aprendendo com elas.

No caso dos shoppings, é que por mais seguro que seja sempre pode ocorrer um Cisne Negro e mudar toda a dinâmica favorável ao proprietário que sempre existiu.

No caso dos de galpões com contratos atípicos, é que o contrato não é garantia de nada. A análise vai precisar passar pelo inquilino e pelas garantias do contrato.

Enquanto a pandemia durar, será uma lição nova a cada dia.

Quando ela passar, o desafio será não esquecer esse aprendizado.

Assim, mesmo que machucados, sairemos mais fortes dessa.

Na carteira do canal Aluguel Inteligente os FIIs estão muito bem escolhidos e, apesar dos impactos, vem fazendo uma travessia firme nessa crise.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

TAEE11: deve muito, mas quem se importa?

Taee11 devo muito

Caro leitor,

Na semana passada mostrei um estudo com os setores mais lucrativos da bolsa.

Não por acaso, os setores que pagam os melhores dividendos estão entre eles.

O setor de energia elétrica era o segundo colocado, atrás apenas dos bancos.

Bem, estes nós já sabemos que são os campeões de ganhar dinheiro. Tanto é que neste final de semana o Itaú divulgou que vai empenhar 1 bilhão de reais para ações de combate ao coronavírus.

A maior cifra já divulgada por uma empresa privada.

Palmas para o maior de todos os bancos!

Como investidor de dividendos, palmas maiores ainda pois ele disse que essa doação não afetaria a distribuição de dividendos aos sócios.

Bem, vamos ao que viemos: essa semana a Economática divulgou outro estudo mostrando os setores com as maiores dívidas da bolsa.

Dívidas por setor

No topo da lista estão as elétricas. As preferidas dos investidores de dividendos.

Antes que você pense que isso é ruim, já aviso que olhar para este número sozinho não diz muita coisa sobre as empresas.

É que as elétricas tem receitas tão previsíveis e margens operacionais tão elevadas, que não faz o menor sentido elas não terem dívidas.

Bancos e investidores querem emprestar dinheiro para elas. O risco de calote é muito baixo. Logo, os juros acabam sendo atrativos para as empresas.

As elétricas conseguem, através de dívidas bem estruturadas participar de mais projetos onde o retorno deles é maior do que o juros pago a serviço da dívida.

Ou seja, gera-se mais retorno ao acionista dessa forma do que sem tomar dinheiro emprestado.

Uma elétrica que não possui dívida não é melhor do que outra que possui.

Ela está deixando dinheiro na mesa ao não aproveitar oportunidades que o mercado proporciona.

Claro que tudo tem um limite.

A melhor forma de verificar esse limite é comparar o tamanho da dívida líquida com o EBITDA da empresa.

Quando essa relação é de até 3 vezes, está confortável. Acima disso é sinal amarelo. Acima de 4 vezes então, daí a empresa está em apuros e precisa fazer algo a respeito imediatamente.

Pega o exemplo da Taesa (TAEE11), que reportou aumento em sua dívida líquida em 2019, se comparado com a ano anterior.

Será que é ruim isso? Bem, ela está com uma relação Dívida Líquida / EBITDA em 2,2 vezes.

Muito confortável.

Além do que, das três atividades do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição), ela atua exclusivamente na transmissão, que a parte mais segura do negócio elétrico todo. Enfim, dívida boa não é problema.

Dívida ruim é.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos só entram empresas com dívida saudável e posição confortável de caixa.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

XPLG11: ninguém paga ninguém?

ninguem paga ninguem

Caro leitor,

O Covid-19 esse não vai poupar ninguém.

Calma que eu não sou desses alarmistas que ficam dizendo que o mundo vai acabar.

Pelo contrário, sou um otimista nato.

Tenho a “minha certeza” de que sairemos dessa.

Agora, que o Coronavírus vai incomodar, isso ele vai.

Nos fundos imobiliários, ele começou a incomodar com os de shoppings centers, que estão quase todos fechado no país.

Mas até nos FIIs tidos como mais seguros vai ter respingo.

Essa semana foi noticiado que estão chegando aos montes, cartas dos inquilinos pedindo descontos e todo tipo de ajuda para os gestores de FIIs de lajes corporativas.

Os gestores estão vendo o movimento como oportunismo de muitas empresas e pretendem endurecer, sempre olhando caso a caso.

O Brasil é o país dos oportunistas.

Fico triste com esse tipo de atitude, mas não surpreso.

Outro fundo, na minha opinião entre os melhores do segmento de galpões logísticos, o XPLG11 reportou em seu último relatório gerencial o seu primeiro caso de inadimplência.

Um inquilino que representa pouco mais de 3 por cento da sua receita deixou de pagar.

O relatório não deixa claro se foi em função do Covid-19 e suas implicações, se foi obra do acaso ou se foi o tal do oportunismo.

O relatório também reporta o recebimento de oito pedidos de flexibilização dos compromissos contratuais até agora.

Fato é que que ainda vai ter muita coisa acontecendo no mercado imobiliário por causa dessa pandemia e da crise que veio a reboque.

Não digo isso para causar medo.

Não tenho medo dessa crise, pois acredito mesmo que tudo vai passar rápido.

Digo isso para que estejamos preparados para mais algumas rodadas de notícias que podem sacudir o mercado antes de tudo melhorar.

Agora, se você tem um ativo imobiliário que antes da crise era de qualidade (bem localizado, de bom padrão construtivo e com razoável liquidez), saiba que passado essa crise, ele continuará sendo como era.

Portanto, se você tem bons ativos, não se preocupe.

Vai passar.

Agora, se você tem ativos ruins… bem, daí a crise só antecipou um problema que você teria cedo ou tarde.

A sua tranquilidade é a qualidade dos seus ativos.

Abraço e aguenta firme! Sairemos dessa já, já!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

SAPR11: o esgoto lucrativo

sapr11 Sanepar esgoto lucrativo

Caro leitor,

Existe uma máxima que é muito utilizada no combate ao crime organizado.

“Siga o dinheiro”.

Quer encontrar o chefe da quadrilha? Siga o dinheiro.

Lá no final do caminho, estará o beneficiário final.

No mundo dos investimentos essa máxima também tem seu valor, por outros motivos é claro.

A Economática fez um estudo compilando os lucros das empresas que têm ações negociadas na bolsa e os agrupou por setores.

Neste estudo foi tirado o lucro/prejuízo da Petrobras, Vale S.A. e Oi S.A., para não distorcer os valores.

Veja abaixo como ficou essa lista:

Setores mais lucrativos em 2019

Não é coincidência que os setores do topo da lista são comumente os setores mais presentes em carteiras de dividendos.

Bancos, energia elétrica, telecomunicações, saneamento, finanças e seguros são os setores preferidos por muitos investidores de dividendos.

Será que isso é por acaso?

Obviamente, não é por acaso.

Se voltarmos para o básico do básico, revisitaremos o conceito de dividendos, que é a parte do lucro líquido da empresa que é distribuída aos acionistas.

Portanto é bastante óbvio que é daqui que vão sair as melhores pagadoras de dividendos.

Todas as ações da Seleção de Dividendos estão em seis destes dez setores.

Você consegue tentar adivinhar quais são os seis setores?

Claro que não basta ser destes setores para ser uma boa empresa para se investir.

Esse pode ser o começo do garimpo.

Mas tem que investigar e analisar muita coisa dentre esse monte de empresa que está contida nessa lista aí.

Uma eu já entrego de lambuja para você.

Sanepar (SAPR11) é uma delas.

Perceba que não é do topo da lista, ela está lá no meio.

Não é só tamanho do lucro que importa.

Tamanho até é documento, mas não é tudo.

Tem que ver qualidade da gestão, endividamento, consistência histórica dos números entre outras coisas mais.

Siga o dinheiro, mas não procure só tamanho.

Qualidade é ainda mais importante.

As 10 ações contidas na carteira do Canal Seleção de Dividendos são extremamente sólidas e estão atravessando essa crise muito bem, obrigado.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

QAGR11: o primeiro fundo de silo da B3

qagr11 primeiro fundo de silos

Caro leitor,

Se você me acompanha, já deve ter ouvido eu dizer: “prefiro ficar de fora de bons negócios a ficar dentro de maus negócios”.

Digo isso pois já vi e vivi muita coisa no mercado de investimentos.

Hoje a cautela é algo que eu não abro mão.

Você também não deveria.

Afinal é o seu dinheiro que está em jogo.

Pouco meses atrás, ainda durante a euforia do mercado com os fundos imobiliários, surgiu uma novidade inovadora.

Um fundo estava vindo a mercado com uma proposta inédita: eles comprariam silos de armazenagem de grãos e os alugariam para grandes empresas do agronegócio.

Os silos são o galpão logístico do agronegócio.

Os produtores, plantam, colhem e estocam nestas grandes estruturas, enquanto esperam o melhor momento para vender sua mercadoria.

O Brasil, um grande produtor de grãos, tem uma carência enorme desse tipo de estrutura.

O Quasar Agro (QAGR11)​ veio para se tornar uma opção de investimento, segura e rentável ao mesmo tempo que resolvia (ou pelo menos ajudava a resolver) um gargalo e infraestrutura importante para o país.

Sua promessa durante o período de captação era muito boa: adquirir onze silos de grãos e imediatamente locar para o antigo dono, uma grande empresa do agronegócio.

Os contratos seriam atípicos e de vinte anos.

O que traria segurança jurídica e estabilidade a seus rendimentos.

​Parecia sensacional.

Mas eu alertava quem me perguntava para o fato de os imóveis serem ultra específicos e, portanto, de difícil recolocação no mercado para outro inquilino.

Ah, e também pelo fato de eles não dizerem quem seria o tal inquilino.

Daí me diziam: “ah, mas isso é problema para daqui a vinte anos”.

Não precisou passar nem três meses para que a cautela se justificasse.

A situação atual não passa nem perto daquilo que foi vendido.

O fundo não comprou nenhum dos imóveis que tinha prometido durante a oferta.

No final de fevereiro o fundo finalmente realizou sua primeira aquisição de quatro centros de recebimento de grãos, em um contrato de dez anos.

Com isso o fundo conseguiu alocar, até agora, apenas 89 milhões dos 484 milhões de reais que possui.

Nesse meio tempo houve a saída de membros importantes da gestora do fundo.

Você comprou ingresso para assistir o jogo dos titulares e na hora entrou em campo um time misto.

Aqueles 11 imóveis com contrato de vinte anos não vão mais acontecer.

A história está sendo bem diferente agora.

O fundo está tentando amenizar a situação, com a gestora decidindo, de forma “voluntária”, abrir mão da sua parcela da taxa de administração até que o fundo atinja a alocação de pelo menos 90 por cento do seu patrimônio.

Enfim, a iniciativa do fundo de atuar neste segmento da economia é louvável.

O Brasil de fato precisa dessa iniciativa.

Torço que ele tenha um futuro próspero e que cresça muito. Mas isso eu digo com o chapéu de brasileiro que torce pelo bem do país.

Com o chapéu de investidor a história é diferente.

O fundo vai ter que se redimir e provar o seu valor.

Até lá eu só observo e torço por ele. Qualquer hora ele pode vir a compor a carteira do Aluguel Inteligente​.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

ROMI3: uma small cap dividendeira

romi3 small cap

Caro leitor,

O dilema de comprar uma ação de crescimento ou de dividendos é a grande questão do investidor em ações.

Se você perguntar para os entendidos no assunto, eles vão dizer que não dá para ter os dois.

Você precisa fazer uma espécie escolha de Sofia.

Ou você investe numa empresa menor que está em franco crescimento e que destina tudo o quanto pode do seu lucro a reinvestir no próprio negócio, ou então você investe numa empresa grande, estável e dominante no seu segmento, que destina quase todo seu lucro para remunerar os seus acionistas.

A primeira é dita um investimento em crescimento.

Você não vai ganhar grandes dividendos, mas vai ter uma empresa se valorizando em função do tamanho que ela vai ganhando.

O risco é elevado, pois todo investimento em crescimento que a empresa faz é arriscado em maior ou menor grau.

O caixa dela vai todo para isso: crescer, crescer e crescer.

É como a piada do alpinista: só o cume interessa.

A segunda é o tal investimento em dividendos.

Você não vai ter uma grande valorização, mas em compensação vai receber uma boa renda de dividendos.

O risco é menor pois a empresa já é grande e consolidada.

Ela nem tem muito para onde crescer, a não ser que o próprio mercado cresça, cenário no qual ela vai precisar acompanhar para não ceder espaço a um concorrente.

Eu adoraria ter as duas coisas.

Será que é pedir demais?

Seria em condições normais de temperatura e pressão do mercado.

Acontece que não estamos vivendo estes tempos agora.

Estamos em meio a uma crise séria e carregada de incertezas.

Diferente de muitas que você ouviu falar mas não sentiu na pele, essa até te trancou em casa.

Provavelmente está lendo isso do seu celular na sala de casa, num dia útil e em horário comercial.

Mas essa tal crise que nos traz tanta coisa ruim, também cria situações onde podemos levar o melhor dos dois mundos.

É o caso da ROMI3, uma empresa da qual se espera um bom crescimento e que historicamente paga dividendos baixos.

Só que com essa crise e a queda nos preços de suas ações, o dividend yield, considerando um preço de compra como o atual, fica elevado até para os padrões das excelentes pagadoras de dividendos: 13,4 por cento.

Este é só um exemplo.

Existem vários como este na bolsa atualmente.

Já parou para ver como ficaram os dividend yields das ações que você gosta?

Dá vontade de encher o carrinho com elas!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

KNRI11: o FII que mais comprei na crise

KNRI11 fundo imobiliario

Caro leitor,

Sabe aquele produto que você namora a tempos e só não comprava por que era muito caro?

A muito tempo eu namorava o KNRI11.

O fundo mais diversificado que tem na bolsa hoje em dia.

Ele é gerido pela competente e tradicional Kinea Asset Management, a “gestora independente do Itaú”.

Seus números são formidáveis:

Seu patrimônio de 3,6 bilhões de reais é composto por dezenove imóveis, sendo dez edifícios comerciais e nove centros logísticos localizados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

São mais de 578 mil m² de área locável.

São oitenta e quatro contratos de locação e mais de cinquenta inquilinos compostos por grandes empresas nacionais e multinacionais.

Sua receita é composta 45 por cento de contratos atípicos, que possuem maior solidez jurídica.

Não há concentração de inquilinos em algum segmento específico da economia e quase 60 por cento dos contratos vencem somente a partir de 2024.

Os imóveis são de bom padrão construtivo e historicamente vêm apresentando vacância abaixo da média observada nos seus mercados.

Como eu queria ser dono de uma parte disso tudo…

Mas claro que eu não estava disposto a pagar qualquer preço. Portanto só me restava esperar.

Foi um exercício de paciência árduo.

Nas últimas semanas as oscilações (para baixo) nos preços das cotas foram tão grandes e não refletiam nem de perto a qualidade da carteira imobiliária do fundo.

Foi a minha chance: enchi o carrinho.

Comprei tudo que eu queria para compor minha carteira.

Nessa crise, o fundo que eu mais gostei de comprar foi o KNRI11.

E você?

Comprou o que mais nesses dias malucos?

Os assinantes do Canal Aluguel Inteligente plantaram muita renda para o pós-crise.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

XPML11: dado de tão barato

xpml11 esta barato

Caro leitor,

Vivemos uma semana surreal no mercado de Fundos Imobiliários.

Para o XPML11, a coisa chama ainda mais atenção.

O mercado mostrou toda a sua irracionalidade e destempero emocional nos últimos dias.

Vimos fundos imobiliários sendo negociados a metade do seu valor de um mês atrás.

Mas teve uma classe de fundos que me chamou a atenção em especial. Foi justamente os que mais caíram durante a semana: os fundos imobiliários de shopping centers.

O que desencadeou a queda deles foi o fato de diversos shopping centers no Brasil terem sido fechados em função do coronavírus.

Na quinta-feira eram mais de 300 nessa situação, mais alguns dias e TODOS estarão fechados.

No meio da semana um importante FII de shopping centers, o XPML11​, divulgou fato relevante dizendo que não pagaria rendimentos no mês seguinte e que os deixaria acumular até o final do semestre pois não sabia ao certo quais seriam os impactos desse fechamento temporário.

Esse fato foi a gota d’água para o mercado entrar em pânico.

A principal fonte de renda do shopping são os aluguéis que tem uma parte relevante atrelada às vendas.

E shopping fechado é venda zero. O estacionamento também é outra fonte de renda importante. Também vai a zero.

​O mais importante, no entanto, é a sobrevivência do lojista.

Este, especialmente o médio e pequeno, não tem capacidade financeira para ficar um ou dois meses sem vender.

A orientação da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers) para as redes de shoppings é de ajudar os lojistas, verificando caso a caso o que é possível fazer por cada um deles.

Ele diz: “Não vai ter quebradeira geral. Todos vão precisar ceder um pouco, é verdade. Vamos sair juntos desse período, machucados, mas juntos”.

Quando ele fala em “juntos”, eu incluo os cotistas dos FIIs de shoppings na questão.

Sim, os cotistas vão ficar alguns meses sem remuneração ou talvez com uma bem menor do que gostariam.

Depois de um tempo, que não sei quanto será, as coisas voltarão ao normal.

Do ponto de vista do investidor, vamos pegar o caso do XPML11 e pensar no seguinte.

O fundo vinha pagando o equivalente a 0,4 por cento ao mês de rendimentos, tomando por base a cotação de cerca de um mês atrás.

Se ele ficar 6 meses sem pagar, é o equivalente a deixar de receber 2,4 por cento de renda. Se ficar um ano, seria 4,8 por cento.

Daí o cotista fica pê da vida com o FII que deixou de pagar rendimentos temporariamente e decide que vai vender a sua cota pela metade do preço.

O cara prefere perder 50 por cento do seu investimento do que ficar sem receber 4,8 por cento de rendimento.

Faz sentido para você? Pois é… para mim também não faz.

Mas foi o que muita gente fez na quinta-feira passada.

Pergunta para as redes de shopping centers se elas preferem encarar essa crise, resolver e continuar com os shoppings ou se preferem vende-los pela metade do preço agora.

Pense como dono do negócio.

Dê-se conta do tamanho da oportunidade que está na sua frente.

Investir nessas horas não é confortável, mas pode ser muito rentável.

XPML11 está dado de tão barato.

Existem outros FIIs em situação parecida​.

Estude quais são eles e faça algo a respeito.

Abraço.


Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PETR4 e MRVE3: em terra de Selic, quem tem yield é Rei

investir em petr4 e mrve3

Caro leitor,

Até duas semanas atrás, quando você olhava um ranking de dividendos, os campeões da lista eram bancos, elétricas e saneamento.

Eram eles os habituais dividend yields recorrentes acima de 6% ao ano.

Hoje, depois dessas quedas drásticas, esse topo da lista passou a ter habitantes diferentes.

Tem siderúrgica, indústrias, construtoras, petrolíferas (adivinha quem…), educacionais entre outras.

Uma carteira focada em dividendos está mais atrativa do que há muito não se via.

Isso não quer dizer que os clássicos pagadores de dividendos não estejam mais valendo a pena.

Eles continuam sendo os clássicos.

Acontece que as outras empresas caíram tanto nas últimas semanas que os seus dividendos, se não forem permanentemente afetados, se tornaram muito mais atrativos do que o normal.

Nos atuais níveis de preço, você não precisa mais abrir mão de crescimento das empresas para ter dividendos gordos.

Em condições normais de mercado é impossível ter os dois.

Acontece que essa loucura toda da bolsa está te permitindo ter um excelente dividendo e um grande potencial de crescimento ao mesmo tempo.

Dividend on cost é um conceito importantíssimo para você entender o tamanho da oportunidade que está diante de você.

Este é o conceito de o quanto você vai receber de dividendos não sobre o valor atual da ação, mas sobre o seu valor de compra.

É o seguinte: se hoje você compra uma ação a 10 reais e ela paga 1 real de dividendo, você tem um yield on cost de 10 por cento.

Se no futuro ela pagar 3 reais de dividendos e estiver valendo 30 reais, você vai ter um yield on cost de 30 por cento.

Enquanto o mercado vai continuar falando em 10 por cento de yield.

Pois o que interessa para você é o quanto você pagou versus o quanto de dividendo você recebe e para o mercado o que interessa é sempre a cotação atual.

A verdade é que a cotação do dia é para quem quer comprar ou vender.

Não vai ser o seu caso, né? Ou você vai querer vender e abrir mão de um dividendos desse?

Hoje você consegue comprar um ação que tem potencial elevado de crescimento a preços tão baixos que o pouco dividendo que ela distribui representa um percentual acima de 6% (patamar digno das grandes pagadoras de dividendos).

É o exemplo de MRVE3.

Ela historicamente paga um dividend yield de próximo de 3 por cento ao ano.

Mas com a atual queda no preço de suas ações, os dividendos dos últimos doze meses representam 8 por cento de rendimento ao ano.

E ela continua com seu mesmo potencial de crescimento de sempre.

Ou seja, você compra crescimento e leva um baita dividendo de brinde! Mas é só para quem aproveitar os preços de agora.

Existem vários outros exemplos, pesquise que está fácil de encontrar.

Já os yields da minha Seleção de Dividendos estão mais altos do que nunca, vários deles acima de 8 por cento ao ano para quem compra nos patamares atuais.

Em terra de Selic a 3% ao ano (que vem por aí), quem tem yield de 8% é rei.

Aproveite que bolsa de valores nunca ofereceu tantas obviedades de uma única vez.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.