Não veja essa recomendação de investimentos

evite gurus de investimento

Olá, investidor!

Se você abriu esse e-mail, é possível que em algum momento irá comprar uma ação de uma empresa ruim, recomendada por alguém que não possui conhecimento suficiente.

Por que faço essa afirmação?

Porque o ser humano, na maioria das vezes, utiliza o seu lado emocional ao invés do racional para tomada de decisões.

Quando você acessou sua caixa de e-mail e leu o título “Não veja essa recomendação de investimentos”, acredito que quase mesmo que você tenha sentido raiva de mim, você acabou clicando por curiosidade.

É instintivo.

Tudo isso me faz colocar a seguinte afirmação na mesa:

Se você não possui uma estratégia de investimentos, não invista.

Entenda…

Sem uma estratégia você estará suscetível a ter uma decisão baseada na construção emocional dos fatos.

Eu por exemplo, sigo a risca o Value Investing​, estratégia disseminada pelo mega investidor Warren Buffett.

Todas minhas decisões passam por um checklist de critérios, se forem atendidos eu compro, caso contrário não faço nada.

Mesmo que o meu lado emocional não esteja convicto, eu me apego as minhas premissas. Às vezes dá medo até nos mais experientes, mas a recompensa vem.

Busque uma estratégia e siga suas premissas.

Isso facilitará o seu sucesso nos investimentos.

​Do contrário, as suas emoções farão você comprar na alta e vender na baixa.

A maioria dos investidores comete ou já cometeu esse erro em algum momento da jornada.

Em 2006, quando comecei a investir sem saber nada, cometi esse tipo de erro mais de uma vez.

A história não se repete, mas sempre rima com as anteriores…

Em algum momento você percebe que uma ação está subindo muito por um tempo relevante.

Fica a sensação de que a renda variável só varia para cima.

Neste momento você será contagiado por uma empolgação e irá vislumbrar grandes ganhos financeiros: “Quantos anos eu vou ter que investir para me aposentar e viver com o rendimento de ações?”.

E assim você decidirá comprar essa ação. E adivinha?

Provavelmente você terá comprado no topo.

Quando a ação começar a cair de forma intensa, você irá vender para não “perder” mais.

Neste ponto você fica frustrado e com prejuízo no bolso. Depois de um tempo depois a ação vai voltar a subir e se recuperar e você tomado pela empolgação de comprar novamente e “apenas recuperar o seu prejuízo”.

Mas, novamente, na primeira queda intensa, repete o erro, vende as ações e amarga um novo prejuízo.

Isso vai se repetindo até você quebrar ou achar que é impossível ganhar dinheiro com ações.

O emocional fará você perder dinheiro. O racional fará você ganhar dinheiro.

A estratégia fará você ser disciplinado e racional nas decisões.

Assumir erros se torna mais fácil também.

A escolha é sua.

​ Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

E essa tal de DMMO3?

Olá, investidor!

Essa ação é motivo de alvoroço entre os participantes da rede social do Guainvest.

Será grande oportunidade ou uma grande cilada?

Vamos descobrir…

Alguém aqui lembra da empresa OGX do “glorioso” Eike Batista?

A Dommo Energia é a OGX.

Apenas trocou seu nome, talvez para tentar não trazer as péssimas lembranças de um passado recente.

Em 2008 ocorreu a abertura de capital da OGX, que parecia se destacar pelo enorme potencial.

“Eu sei enxergar diamantes não polidos, a OGX tem hoje um trilhão de dólares de valor em petróleo…”

Essas são as palavras do à época dono da OGX Eike Batista, que era na época um dos homens mais ricos do mundo.

A veracidade no olhar de Eike Batista ao dizer esta frase era capaz de eliminar qualquer incerteza até mesmo do investidor mais cético.

De fato Eike era um vendedor nato (havia trabalhado como vendedor de apólices de seguros).

Um grande vendedor de sonhos, o maior que a bolsa já teve.

​O mercado comprou essa história por completo, ainda que a empresa estivesse em fase pré-operacional.

O fato é que “comercialmente” a empresa foi vendida como uma oportunidade única e atingiu seu ápice de preço no dia 15/10/2010, sendo negociada a 23,37 reais (+500 por cento de valorização desde o seu IPO).

Recorrentemente eu digo que no curto prazo o que define o preço é questão de fluxo de capital especulativo e no longo prazo o preço das ações acompanha o valor da empresa.

No dia 03/07/2013, o mercado entendeu que a história de Eike sobre a OGX era linda mas realmente era apenas uma “história”… seu preço atingiu 0,39 reais (uma queda de -98 por cento).

O fato é que em 2013 a empresa solicitou recuperação judicial, na época não gerava caixa e acumulava dívidas bilionárias.

A empresa atualmente continua passando por enormes desafios.

​Em 2019 o volume de vendas foi menor do que em períodos anteriores, afetando diretamente seu Ebitda:

Ebitda ajustado dmmo3 (ogx)

Até o 3T2019 a empresa reportou um prejuízo de 120 milhões, incluindo não recorrentes.

Os números realmente não ajudam a empresa.

​Nosso confiável GI SCORE apresenta a uma pontuação justa para DMMO3:

Score DMMO3

Não vejo justificativas para investir nessa empresa, embora seja um prato cheio para especuladores.

Com tantas empresas boas sendo negociadas em bolsa​, considero quase um “pecado” destinar dinheiro para DMMO3.

Muitos consideram que ela tenha potencial para grandes altas, uma vez que ela já teria “caído demais”.

Mas qual é o racional para isso?

Não enxergo fatos que justifiquem uma possível alta. Como já mencionei, os fundamentos são péssimos.

E só fundamento justifica uma alta consistente.

Eu opto por fatos e não suposições. Evito tentar “encontrar o bilhete premiado” e recomendo fortemente que você faça o mesmo.

O dia em que eu criar o GI CRAP, talvez ela consiga me chamar a atenção.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

SMAL11: onde há fumaça, há fogo

SMAL11 onde há fumaça, há fogo

Olá, investidor!

Já ouviu falar em SMAL11? Já adianto: não é o melhor investimento do mundo.

Trata-se de um ETF (Exchange traded funds), não precisa se assustar com o nome. Basicamente é um fundo negociado na bolsa de valores.

Não tenho nada contra fundos, aliás admiro vários gestores de fundos brasileiros, acontece que ETFs são fundos passivos.

Na prática isso significa que a escolha de ações passa apenas por filtros superficiais, sem uma análise profunda da empresa.

Atualmente ela é composta por 78 ações, sendo que 20 delas possuem GI SCORE abaixo de 50 pontos.

O que isso significa?

Significa que boa parte da carteira são compostas por empresa de fundamentos ruins.

Veja alguns exemplos:

acoes ruins small11

Empresas com prejuízos não fazem parte da minha carteira de ações e também não deveriam fazer parte da sua.

Acontece que ao comprar um ETF, você está adquirindo 78 empresas e, entre elas, figuram ações como as citadas acima.

Agora veja que interessante:

small11 ou bova11

Nos últimos 10 anos, o ETF SMAL11 performou o dobro do IBOV, acumulando cerca de 260 por cento.

Quase consigo ler seus pensamentos:

“Mas Edu, você acabou de dizer que é ruim investir em SMAL11.”

Graças a assimetria do mercado de ações, as ações Small Caps tem capacidade de gerar retornos muitos significativos, multiplicando muitas vezes o seu valor.

Sendo assim, a performance das boas ações da carteira muito mais do que superam as ações problemáticas.

Agora reflita comigo: se uma carteira composta por muitas Small Caps ruins consegue performar bem, imagine uma carteira exclusivamente com Small Caps de qualidade.

Não vamos ficar apenas no campo da imaginação, vamos ver na prática.

Se em 2010 você tivesse feito uma simples análise dos fundamentos, considerando ROE, endividamento e capacidade de geração de caixa, talvez você tivesse investido nas ações abaixo:

ABCB4, MYPK3, ROMI3, RAPT4, VLID3, GRND3, GUAR3, CYRE3, FLRY3, POMO4, TGMA3, ODPV3 E ENGI11.

Veja os resultados acumulados em comparação ao SMAL11:

carteira ficticia ou small11

A linha verde é essa carteira teórica que construímos no estudo, a linha vermelha é o SMAL11.

Veja que o acumulado é da carteira é de quase 400 por cento e da SMAL11 é de 260 por cento.

Diferença significativa!

Embora seja mais prático e fácil investir diretamente em SMAL11, tenha certeza que NÃO é o melhor caminho.

OBS: As ações selecionadas para a carteira do estudo foram avaliadas com
os fundamentos de 2010, ou seja, não significa que ainda sejam boas. 

A ideia do e-mail pode ser resumida em uma única frase: não seja preguiçoso no momento de investir seu dinheiro.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.