O Sistema 1 fará você comprar OIBR3

comprar oibr3

Olá, investidor!

Nada é mais natural do que identificar nosso pensamento com ideias, imagens, planos e sentimentos.

Se eu pergunto: “Porque você comprou aquele carro?”

Você irá justificar utilizando diversos motivos: “Modelo bonito. Ótimo Preço. Motor potente”.

Ocorre que poderá justificar os pensamentos apenas por meio da introspecção, ou seja, voltando sua atenção exclusivamente para dentro e examinando o que se passa em sua cabeça.

Isso é um problema, pois a introspecção pode captar apenas uma pequena fração dos processos complexos que se desenrolam em sua mente e que estão por trás de suas decisões.

Nosso universo mental se divide em dois sistemas.

Sistema 1 é o reino da percepção automática e das operações cognitivas, como o que você põe em funcionamento neste exato momento ao rolar a página deste e-mail.

Não temos consciência desses processo de gatilho rápido, mas não poderíamos funcionar sem eles, seríamos desligados.

Sistema 2 está diretamente ligado em tudo em que decidimos nos focar.

A ordem dos dois sistemas não é aleatória, O Sistema 1 vem primeiro.

Ele é rápido e está constantemente operando em segundo plano.

Se uma pergunta é feita e você sabe a resposta instantaneamente, é o Sistema 1 respondendo.

O Sistema 2 fica encarregado de interrogar essa pergunta.

Mas esse processo exige tempo e esforço, e é por isso que rotineiramente na maioria das vezes o Sistema 1 é quem decide.

Me responda a pergunta abaixo: “Um bastão e uma bola de beisebol custam juntos 1,10 reais. O bastão custa 1 real a mais do que a bola. Quanto custa a bola?”.

Se você é como praticamente todo mundo que um dia já respondeu essa famosa pergunta, instantaneamente sua resposta foi: “Dez centavos”.

Não pensou cuidadosamente para chegar a resposta, nem sequer fez algum cálculo.

A resposta simplesmente apareceu.

Culpa do Sistema 1, rápido, fácil e impreciso.

A resposta pode parecer, mas não é 10 centavos.

Não vou te dar a resposta, vou deixar o seu Sistema 2 refletir e buscar o racional e lógica do cálculo.

Mas qual a relação disso tudo com o mercado de ações?

Bom, a maioria das decisões tomadas pelos investidores se limita ao Sistema 1.

Afinal, é menos trabalhoso e mais rápido.

A resposta chegada praticamente “pronto”.

Pena que na maioria das vezes a decisão se baseia em respostas erradas.

O Sistema 1 faz com que você enxergue de forma clara que as ações da OIBR3, por exemplo, é uma grande oportunidade, afinal, seu preço caiu muito e estamos falando de uma importante empresa do segmento de telefonia do Brasil.

Mas realmente é isso?

Coloque seu Sistema 2 para trabalhar um pouco, vá mais afundo na avaliação.

Considere todos os riscos e veja se vale realmente a pena.

Se no atual contexto não existem oportunidades melhores.

Usar o Sistema 2 é chato, o 1 é mais divertido.

O seu Sistema 2 vai ajudar você a olhar para oportunidades bem mais óbvias que o mercado está dando no momento.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

OIBR3: não tente ganhar dinheiro fazendo a coisa errada

investir em oibr3

Olá, como você vai?

Hoje vou retomar um assunto que ainda está rendendo muito nos fóruns e no YouTube: OIBR3 e turnarounds em geral.

Processos de turnaround ocorrem quando uma empresa com uma situação difícil dá um reviravolta no negócio.

Entra uma nova equipe de executivos, há uma reestruturação do negócio, há uma mudança nas práticas de governança ou mesmo, de maneira exagerada, alguma disrupção que ajuda a empresa a sair de um buraco e ir para o topo.

O caso mais conhecido de turnaround é o de Magazine Luíza (MGLU3).

É inegável que processos bem-sucedidos de turnaround geram os processos mais absurdos de valorização.

Os incríveis 40.000 por cento de valorização da MGLU3 em 5 anos são uma prova material.

Hoje a bolsa oferece diversos candidatos a turnaroundOIBR3, CIEL3, VVAR3, TASA4, etc.

Mas qual é o problema disso tudo?

O problema é que os turnarounds bem-sucedidos são minoria. A regra é que a empresa ruim siga ruim.

No entanto, antes mesmo de vermos os investidores darem com a boca no chão, ouvimos histórias maravilhosas de como linearmente uma determinada empresa irá ressurgir das cinzas.

​Mas o mundo real não é assim.

A história vai contar o que foi, não o que poderia ter sido.

Diversos casos poderiam ter dado certo, mas não deram.

E o mercado pune. A realidade aparece. O caso de Lupatech é um clássico.

Ela ganharia rios de dinheiro prestando serviços para extração do pré-sal.

A história contada era plausível e crível. Isso basta para a ação da empresa subir um bocado.

Como o próprio Henrique Bredda falou que caiu na conversa, ele viu as ações subirem +185 por cento antes de caírem -96 por cento.

Veja: você não precisa estar certo para ter ganho os primeiros +185 por cento.

Mas depois a verdade veio.

A história do que a Lupatech poderia ter sido ninguém mais lembra.

Sobraram as cicatrizes.

E de toda forma, mesmo que o turnaround emplaque (o que é não é a regra), o risco assumido é muito grande.

Em termos de princípios de um investidor inteligente, é uma decisão errada antes mesmo do resultado ser conhecido.

Mas o que afinal é uma boa decisão?

Investir em ações de boas e já consolidadas empresas visando o longo prazo.

Antes do resultado ser conhecido, será uma decisão muito mais acertada.

Os resultados históricos dessa estratégia falam por si.

Não busque o turnaround perfeito. Fazendo o simples bem feito se gasta menos energia e as chances de você ter um resultado maior aumentam demais.

Coloque as probabilidades a seu favor.

A OIBR3 é uma empresa com uma dívida bilionária e que acumula prejuízos há mais de 5 anos.

Hoje a direção da empresa promete investimentos em fibra, venda de ativos para fazer caixa, renegociação de dívidas e toda uma remodelação na estrutura da empresa.

Mesmo que tudo isso seja executado com toda diligência, o resultado é incerto. Vão ter que combinar com os russos.

É aquela coisa: basta driblar o time adversário inteiro e entrar com bola e tudo para fazer um gol de placa.

Depois que aconteceu é maravilhoso, mas não é o método mais eficaz.

Fique em paz com o seu gol de canela dentro da pequena área.

​O esforço é menor e o resultado positivo é muito mais provável.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.