A Grande Recessão vai ter empresas vencedoras

grande recessao

Olá, como você vai?

Entraremos na maior recessão da história da república.

Chega a ser tragicômico o fato de estarmos repetindo essa frase 4 anos após termos falado isso pela primeira vez.

Sendo brasileiro, é péssimo termos de carregar essa sina.

O Boletim Focus já prevê uma recessão acima de 3 por cento para esse ano.

Não é uma questão de ter bola de cristal.

A queacstão é que semana após semana essa expectativa se ajustará para baixo, por uma questão de calibragem de quem faz essas previsões.

Não consigo enxergar uma retração de menos de 5 por cento do PIB.

É inevitável.

Por muito menos tivemos retração de -3,5 por cento em dois anos seguidos, em 2015 e 2016.

A recuperação no pós-pandemia deve ser lenta e dolorida.

Não basta pensar apenas no fim da quarentena, temos que pensar em toda uma mudança de hábitos.

Sem uma vacina, sinceramente, você acredita que poderemos ter grandes eventos, como shows e festivais?

Os estádios de futebol continuarão lotando?

Você continuará indo à shoppings com a mesma frequência?

Será a máscara uma nova peça do nosso vestuário?

Haverá uma mudança de hábitos significativa e, com isso, consequências econômicas ainda desconhecidas.

Tão desconhecidas que não podemos nem julgar ainda se serão boas ou ruins.

São tempos de muita paciência, muita reflexão e que nada é óbvio.

Não somos infectologistas para saber exatamente a dinâmica do vírus.

Aceitar que não se sabe talvez seja o melhor remédio no momento.

A verdade é que sempre vivemos em um ambiente de incerteza, mas os “tempos normais” nos dão uma forte ilusão de controle.

Dessa vez não é diferente e os nossos instintos insistem em tentar achar uma explicação ou uma solução linear para tudo.

Calma.

Vamos raciocinar.

Estamos diante de uma Grande Recessão.

Mais do que todas as crises, essa é uma que vai fazer uma seleção natural radical.

Empresas quebrarão.

As que ficarem, uma parte ficará fragilizada, mas viva.

Uma minoria, ficará muito forte, explorando um terreno fertil com bem menos concorrência.

Isso não vai acontecer, já está acontecendo.

O Santander Brasil (SANB11) teve lucro recorde no 1º trimestre de 2020.

O maior lucro que a empresa já deu em um primeiro trimestre.

Isso não é pouca coisa.

“Ah, mas banco sempre lucra”.

Ora, então é aí mesmo que devemos investir, sem inventar moda.

As crises selecionam.

Os vencedores levam tudo.

Com 8 milhões de CNPJs no Brasil e apenas 200 e poucas empresas listadas na bolsa brasileira, definitivamente não dá para dizer que as empresas da bolsa refletem a realidade das empresas do país.

São empresas gigantes, com muito mais acesso a crédito, com histórias longas, que já passaram por diversas crises.

Dessas 200 e poucas empresas, cerca de 50 são excelentes, muito acima da média.

Dessas 50 excelentes, existem 13 formidáveis sendo negociadas a preços de barganha.

Não cogite qualquer coisa que não seja investir em empresas excelentes.

No longo prazo, são as que sempre vão se manter de pé.

São essas empresas que construíram fortunas para os investidores de cabelos brancos.

Seguimos em frente.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Recessão de 2,96%, Selic a 3%

recessao e queda taxa selic

Olá, como você vai?

O boletim Focus trouxe dados importantes sobre as expectativas de mercado para esse ano.

Espera-se uma recessão de quase 3 por cento em 2020 e uma inflação ainda mais baixa, de apenas 2,23 por cento.

Ainda que isso seja só uma expectativa formada em Abril que diga respeito a um ano inteiro (e que provavelmente estará errada até lá), ela já diz muito sobre uma nova realidade da economia brasileira.

Estamos passando por uma crise deflacionária.

A brusca queda na demanda agregada conjunta com a necessidade de se queimar estoques em empresas dos mais diversos setores, acaba puxando para baixo as expectativas de aumento nos preços.

Serão comuns os meses que apresentaremos deflação ao longo de 2020.

Uma grande preocupação no radar dos investidores é a questão fiscal.

Ora, estamos em uma crise que exige gastos extraordinários por parte do governo e soma-se a isso uma intensa queda da arrecadação tributária.

A dívida pública irá subir, inevitavelmente. Essa é a única forma de reduzirmos um dilema entre saúde e economia.

Em tempos passados, seria comum pensarmos que teríamos inflação a frente, que seria causada por uma forte desvalorização cambial.

Mas a questão que fica é: como repassar uma eventual desvalorização do real frente ao dólar aos preços finais?

A preços atuais a demanda agregada já está represada.

Não há como haver um repasse geral aos preços finais.

Isso já leva a média do mercado acreditar em uma Selic a 3 por cento ao ano.

Conforme os efeitos recessivo (e deflacionários) se tornem mais agudos, mais quedas poderão ser computadas nas expectativas.

Se falar em Selic a 3 por cento há alguns meses parecia insanidade, pasme leitor, hoje falamos em Selic a zero.

Não acho que Selic a zero seja de fato um patamar viável, mas por que não veremos a nossa taxa básica na casa de 2 ou 1 por cento?

Quem diria que uma recessão causaria uma mudança tão drástica na forma de encararmos a nossa política monetária.

Esse também parece, cada vez mais, ser o novo normal do mundo.

Os Bancos Centrais colocam liquidez em escalas sem precedentes na economia e a inflação não sobe.

Estamos vivendo uma espécie de japanização do mundo: muita liquidez, dívidas corporativas astronômicas e estagnação econômica.

A questão é que, se por um lado, esse cenário parece ter vindo para ficar nas economias avançadas, por outro, no Brasil esse fenômeno parece ser mais passageiro.

A questão é que nos acostumaremos a conviver com uma Taxa Selic extremamente baixa e não acredito que ela deverá voltar aos patamares de 8 ou 9 por cento (tal qual estavam precificados os juros longos até semana passada).

Por conta de um evento passageiro, a taxa selic baixa no Brasil, mais do que nunca, veio para ficar.

No final da crise, teremos muita liquidez no mercado.

Esse dinheiro “de sobra” terá de ir para algum lugar.

Como falei semana passada, atividade econômica e bolsa não necessariamente andam juntas.

Com juro tão baixo, pagar pouco por muita qualidade me parece um jogo onde se tem pouco a perder e muito a ganhar.

Posso estar errado.

O tempo dirá.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

TINO3: mesmo em recessão, o momento é da bolsa

Olá, como você vai?

Tenho visto algum crescimento de associações simplistas ultimamente, do tipo “Recessão = queda da bolsa”.

Não é bem assim.

Caso você discorde, peço humildemente para ler a argumentação até o final.

Primeiramente, a hora é de bolsa por uma questão de TINO (There Is No Option, ou não há outra opção).

Com Selic a 3,75 ao ano (e caindo), fica difícil destinar todo o seu patrimônio somente a renda fixa.

Alguma parcela disso precisa estar exposta a ativos de risco, sejam ações ou fundos imobiliários.

Segundo ponto, com recessão ou sem recessão, a atividade econômica pouca relação possui com a bolsa.

A realidade mostra isso.

Em dezembro de 2015 pairavam muitas incertezas no Brasil.

A bolsa não parava de cair, o dólar bateu recorde atrás de recorde, a Taxa Selic estava em 14,25 por cento ao ano, havia uma descrença que a equipe econômica de Dilma pudesse reformar as suas próprias medidas do primeiro governo e mal se falava em um eventual impeachment.

Naquele dezembro, o Boletim Focus projetava uma queda do PIB de 2 por cento para o ano seguinte, depois de já termos um ano de recessão em 2015.

Agora imagine que um ótimo economista, que acerta previsões sistematicamente acima da média dos economistas viesse para você naquele dezembro de 2015 e dissesse: “olha só, o Focus está subestimando essa crise. A projeção diz que a economia vai retrair 2 por cento em 2016, mas na verdade irá retrair 3,5”.

De fato, em 2016 a economia teve uma retração de 3,5 por cento, bem acima do esperado.

Se você soubesse que as coisas iriam ainda pior do que o esperado pela média do mercado, você investiria em ações naquele ano?

A lógica de que uma recessão é sinônimo de queda na bolsa diria que, escutando a previsão do economista vidente, você deveria ficar de fora.

Mas foi exatamente nesse ano de 2016 que a bolsa subiu quase 50 por cento, mesmo em meio a uma recessão de 3,5 por cento e Selic de 14,25 por cento.

Lembre-se: a bolsa vai para onde o lucro das empresas listadas forem.

O lucro das empresas listadas não tem absolutamente nada a ver com o PIB. Algumas empresas podem ter alguma relação, mas não é isso que determina o preço ou valor de uma ação.

A bolsa pode subir muito em uma recessão e pode cair muito em um períodos de prosperidade.

A bolsa também pode cair em uma recessão e subir muito em um período de prosperidade.

Já no início de 2016 o mercado comprou o impeachment de Dilma.

A partir disso tivemos algumas reformas aprovadas que vieram sincronizadas a queda das taxas de juros.

Não dá para ignorar esse processo de queda das taxas de juros como causa da alta da bolsa.

Mas o que puxou mesmo a bolsa foi o resultado das empresas (e esses não se deram exatamente pela mudança de viés do governo), até porque desde então o PIB de 2016 para cá cresceu a uma média de 0 por cento (queda de 3,5 por cento em 2016 e alta de 1 por cento em 2017, 18 e 19).

Os exemplo de empresas virando a chave ainda em 2015 são vários: ainda em 2015 as cias elétricas voltaram a operar com margens altas com o fim da MP do represamento das tarifas.

A Vale se recuperou muito por conta da retomada do preço do minério.

As locadoras de carro se beneficiaram muito fazendo parcerias com Uber, Cabify e apps.

A Magazine Luíza ignorou todo ruído político e expandiu e digitalizou a sua operação.

As Lojas Renner não parou de expandir o seu número de lojas.

Isso tudo tem relação com as empresas, não com o PIB, nem como o pânico/euforia do mercado ou com governos.

A situação atual é complicadíssima e não estou afirmando que a bolsa não possa cair mais.

Mas sinceramente, como você acha que estarão a Localiza, a Unidas e a Movida depois das locadoras menores terem quebrado?

Como estará a Magazine Luíza vendo outras varejistas menores quebrando ou em dificuldades?

A Multiplan e o Iguatemi estarão como quando shoppings menores saírem do mapa?

Todos vão sofrer no curto prazo porque o impacto geral foi grande, sem dúvida nenhuma.

Mas o terreno daqui para frente se torna imensamente favorável para os resultados das empresas listadas, com bem menos concorrência.

A hora é de comprar empresas qualidade.

O mercado é uma mola comprimida que está se soltando aos poucos.

Empresas líderes dos seus setores não só devem, como irão sofrer, mas o terreno de longo prazo ficou ainda mais limpo.

Acho importante também propor um cenário contrário: imagine se o Brasil estivesse crescendo a 6 por cento ao ano, com muitos empregos sendo gerados e muitas empresas abrindo.

Novas ideias seriam colocadas à prova. As líderes de mercado seriam espremidas, teriam que reduzir seus preços eventualmente para lidar com concorrência.

Teriam de contratar profissionais de alto nível, teriam de aumentar salários para poder ter os melhores profissionais do mercado, gastar mais em pesquisa, gastar mais qualificando pessoas, gastar mais tentando novas tecnologias.

Tudo isso reduziria o lucro das empresas, mesmo em um cenário maravilhoso.

Não dá pra dizer que a relação de bolsa e PIB é proporcional ou inversamente proporcional.

Simplesmente não há relação.

São dois processos totalmente independentes, que podem por alguns momentos convergirem e, por outros, divergirem.

Por último, há muita liquidez no mundo com todos os programas dos Bancos Centrais e governos.

No Brasil não é diferente.

Quando a pandemia passar, toda essa montanha de dinheiro que hoje as empresas e pessoas estão guardando em caixa terá que ir para algum lugar.

Será que irá para uma renda fixa?

Qual será o impacto de trilhões de reais entrando na bolsa por uma porta pequena?

Se a expansão do balanço dos Bancos Centrais não deve gerar uma inflação de preços, já que a demanda está retraída, por outro lado o excesso de liquidez que permeia a economia brasileira e mundial pode, sim, criar um inflação nos ativos de risco.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

2020: igual a 1929, 1994, 2000, 2001 e 2008.

Crises economicas passadas

Olá, investidor!

Sim! Estamos passando por uma crise e ela irá gerar fortes consequências econômicas.

Recessão é uma delas.

Você deve estar com a sensação que o fim do mundo chegou, que as bolsas mundiais irão quebrar, que você irá falir e que todo seu capital investido irá virar pó.

Mas, trago boas notícias. Fique calmo.

Essa não é a primeira vez que o mundo passa por um momento crise, onde o pânico toma conta dos mercados.

Em todas as crises o sentimento é sempre o mesmo.

Se você não estivesse com a sensação que o mercado financeiro está quebrando, não seria uma crise.

A sensação de fim do mundo é um sintoma de crise.

Como falei antes, já passamos por diversas crises, nos mais variados períodos: 1929, 1971, 1973, 1979, 1980, 1987, 1994, 1997, 1998, 2000, 2001 e 2008.

Aconteceram algumas mais relevantes, outras menos.

Dentre elas, destaco:

1929 – A Grande Depressão

Depois da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos entraram em um momento de grande crescimento econômico, mais precisamente nos 20.

A Europa no pós-guerra, começou a se reerguer, a partir de 1925, mas importando cada vez menos dos Estados Unidos.

A produção dos americanos continuou intensa, gerando um excessivo estoque de produtos e consequentemente uma queda de preços.

Muitas empresas quebram nesse momento e em 29 de Outubro de 1929, iniciou-se a queda das ações.

O crescimento da economia mundial, parou. O PIB encolheu 15%.

O mundo passou por momentos desafiadores.

1994 – A crise dos mercados emergentes

Diversas crises atingiram os mercados emergentes em 1994.

O México foi o primeiro a sofrer os impactos. O país estava crescendo, seu PIB em 1993 alcançou 4% ao ano.

A crise ficou conhecida como “el horror de diciembre”. A soma de um ataque especulativo agravado pela inadimplência do México, gerou uma desvalorização do peso mexicano.

Seu efeito reverberou pela economia global, atingindo especialmente o Brasil. A imprensa mundial denominou como o “Efeito tequila”.

2000 – Bolha ponto com

A famosa bolha da internet, que alcançou seu pico em Março de 2000.

Foi gerada pela intensa e rápida valorização das ações de empresas ligadas a internet.

Um excesso de expectativas geradas em empresas que não iriam entregar os retornos esperados.

O efeito manada de vendas das ações derrubou a Nasdaq.

2008 – A crise do Subprime

Teve seu ínicio no setor imobiliário americano e se estendeu por todos os setores da economia.

O mundo sentiu duramente as consequências. Inclusive grandes bancos tradicionais quebraram, sendo o Lehman Brothers o primeiro deles.

O efeito dominó foi nas demais instituições foi impactante, gerando novas falências tanto de bancos, como seguradoras.

Os Governos de diversos países tiveram que criar pacotes de estímulos para evitar piores cenários.

Temendo que a crise tocasse a esfera da “economia real”, diversos bancos centrais foram conduzidos a injetar liquidez o mercado interbancário, tentando reduzir o efeito dominó.

O mundo passou por algo que não estava preparado!

Cabe entender que para que ocorra crescimento econômico, momentos de recessão se fazem necessário.

Crise é um efeito natural do darwinismo econômico.

A boa notícia é que o mundo superou todas as recessões, guerras, epidemias e escândalos.

Não será diferente agora.

Tudo vai passar!

É hora de fazer dinheiro em meio ao caos.

Forte abraço!

Eduardo Voglino é analista de ações credenciado na APIMEC (CNPI 2202), atua no mercado financeiro desde 2006 e já assessorou diretamente milhares de pessoas quando teve seu próprio escritório vinculado à XP. É um entusiasta em buscar valor e assimetrias no mercado de ações. Escreve para o TheCap na coluna Fórmula Buffett.

BOVA11: o pior já passou?

bova11 pior ja passou

Olá, como você vai?

Depois de bater os 63.300 pontos, menor patamar para o Ibovespa desde maio de 2017, ontem tivemos uma forte alta do índice (e consequentemente da ETF BOVA11), voltando a casa do 70.000 pontos.

Banco Central Europeu prometendo estímulos de 800 bilhões de euros.

Ásia controlando bem o vírus e lançando pacotes de estímulos.

Federal Reserve anunciando que irá comprar whatever it takes (o que for necessário) para não entrar em uma crise de liquidez.

Trump ainda anunciaria um pacote anti-coronavirus, o que puxava forte os mercados globais no momento em que escrevi essa newsletter.

Por aqui, o Banco Central, o BNDES e o Tesouro já se alinham para uma ação coordenada.

E pode vir mais.

Não parecemos viver um momento em que os governos irão economizar munição para combater uma eventual recessão global.

Pegando como referência o BOVA11, do pico histórico em janeiro ao fundo na segunda-feira, acumulamos uma queda de 47 por cento.

A história se repete…

Em 1998, 1999 e 2008 tivemos quedas semelhantes no Ibovespa: intensas e rápidas, tais quais foram as suas recuperações.

Na crise do subprime em 2008, a bolsa caiu 44% e se recuperou em 8 meses.

Em 1999, quando alteramos o regime das taxas de câmbio de 1 real para cada dólar para o câmbio flutuante, a bolsa caiu 45% e se recuperou em 3 meses.

Em 1998, com a crise russa que criou um temor nos mercados financeiros emergentes, a bolsa caiu 57% e voltou aos patamares originais em 7 meses.

Hoje, olhando em retrospectiva, tudo parece óbvio e nos questionamos por que houve tanto pânico a época, já que era certo que se encontraria alguma maneira de se resolver aquele problema, por mais grave que fosse.

Além disso, em todos esses casos se dizia que “dessa vez é diferente, as outras crises não foram assim”.

A questão é que os mercados, em situações extremas, sofrem mais do que o justificável e, do lado oposto, sobem muito mais do que o justificável.

Cada dia que passa, vamos nos acostumando com a dor do status quo e o cenário vai ficando mais claro.

Já sabemos que essa crise é passageira, que deve se estender de 6 a 12 meses.

Só não conseguimos ainda dimensionar o impacto dela ainda.

De toda forma, ainda que muitas empresas sofram nos seus fundamentos, a correção que sofreram no preço parece desmedida.

Estamos diante de uma ótima matriz de risco x retorno: já não temos muito a perder, o Ibovespa já não pode cair substancialmente abaixo dos 63.000 pontos.

Por outro lado, temos bastante a ganhar: um simples retorno do Ibovespa aos 119.500 significaria, na média, dobrar o seu capital.

Como você viu nas crises passadas, isso pode levar meses.

Mas não sabemos.

Também não sabemos até onde o mercado pode cair e, sinceramente, tentar encontrar o fundo pode deixar você ainda mais angustiado nesse momento.

Compre aos poucos, em movimentos lentos.

Se você estiver líquido, com caixa de sobra, esse é o melhor momento.

Compre devagar, uma compra por semana ou mês, tanto faz.

Dessa forma você não ficará ancorado em um único nível de preço.

Não coloque um dinheiro que você possa precisar pelo próximos 5 anos.

Esqueça o timing, você necessariamente vai errar ele e talvez tenha que ver a coisa piorar um pouco antes de ver o rally de retomada.

O importante agora é você investir em boas empresas, afinal, está tudo com desconto, tanto o que é bom, quanto o que é ruim.

Bancos, elétricas, empresas de saneamento são opções mais óbvias nesse momento.

Lembre que dinheiro não tem marca.

Dobrar o capital com Itaúsa (ITSA4) ou com small caps é exatamente a mesma coisa.

Opte pelo bom e barato, o clássico feijão com arroz.

Aqui estão as melhores opções para o momento.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.