SAPR11: o esgoto lucrativo

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Caro leitor,

Existe uma máxima que é muito utilizada no combate ao crime organizado.

“Siga o dinheiro”.

Quer encontrar o chefe da quadrilha? Siga o dinheiro.

Lá no final do caminho, estará o beneficiário final.

No mundo dos investimentos essa máxima também tem seu valor, por outros motivos é claro.

A Economática fez um estudo compilando os lucros das empresas que têm ações negociadas na bolsa e os agrupou por setores.

Neste estudo foi tirado o lucro/prejuízo da Petrobras, Vale S.A. e Oi S.A., para não distorcer os valores.

Veja abaixo como ficou essa lista:

Setores mais lucrativos em 2019

Não é coincidência que os setores do topo da lista são comumente os setores mais presentes em carteiras de dividendos.

Bancos, energia elétrica, telecomunicações, saneamento, finanças e seguros são os setores preferidos por muitos investidores de dividendos.

Será que isso é por acaso?

Obviamente, não é por acaso.

Se voltarmos para o básico do básico, revisitaremos o conceito de dividendos, que é a parte do lucro líquido da empresa que é distribuída aos acionistas.

Portanto é bastante óbvio que é daqui que vão sair as melhores pagadoras de dividendos.

Todas as ações da Seleção de Dividendos estão em seis destes dez setores.

Você consegue tentar adivinhar quais são os seis setores?

Claro que não basta ser destes setores para ser uma boa empresa para se investir.

Esse pode ser o começo do garimpo.

Mas tem que investigar e analisar muita coisa dentre esse monte de empresa que está contida nessa lista aí.

Uma eu já entrego de lambuja para você.

Sanepar (SAPR11) é uma delas.

Perceba que não é do topo da lista, ela está lá no meio.

Não é só tamanho do lucro que importa.

Tamanho até é documento, mas não é tudo.

Tem que ver qualidade da gestão, endividamento, consistência histórica dos números entre outras coisas mais.

Siga o dinheiro, mas não procure só tamanho.

Qualidade é ainda mais importante.

As 10 ações contidas na carteira do Canal Seleção de Dividendos são extremamente sólidas e estão atravessando essa crise muito bem, obrigado.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

TAEE11, SAPR11, ITSA4: a hora do óbvio

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Olá, como você vai?

Espero que você esteja bem.

Os últimos dias têm sido totalmente atípicos não só para os mercados, mas também para a nossa rotina.

Temos muitos investidores de primeira viagem recebendo o seu primeiro batizado logo nos primeiros meses de bolsa.

Pode parecer banal, mas isso certamente vai expurgar os curiosos e calejar quem entrou na parada para fazer como se deve fazer.

Em tempos de realidades complexas e imprevisíveis, temos de manter o nosso foco no longo prazo e simplificar ao máximo as coisas no curto prazo.

Processos de investimento complexos perderam o sentido nesse momento.

A experiência vai nos ensinando a simplificar cada vez mais.

Antes de você perguntar se investimentos em ouro e dólar são válidos, eu já afirmo que são sim, mas cuide para não “contratar um seguro de carro logo após o carro ter batido”.

Proteção boa é caixa.

Esses investimentos deveriam ter sido feitos quando a bolsa subia e, convenhamos, ninguém quer saber de ouro e dólar quando as ações brasileiras subiam dia após dia.

Por isso reforço: nada contra esses investimentos defensivos, mas no momento eles irão custar muito para proteger pouco, já não há mais muito o que se proteger.

A melhor defesa nesse momento é possuir caixa e aproveitar as oportunidades mais óbvias.

Nesse momento, ações tradicionais pagadoras de dividendos ou empresas high quality (geralmente caras, mas agora significativamente descontadas) são as ações com a melhor relação de risco retorno para a conjuntura.

Tenha caixa sempre.

Aproveite quedas nas ações de boas empresas e tenha cuidado com o excesso de exposição.

Taesa (TAEE11), Sanepar (SAPR11) e a nossa clássica e forte Itaúsa (ITSA4): definitivamente não será aqui o fim da linha para elas.

Compre aos poucos pois sempre pode cair mais.

E repito: escolha ações de boas companhias e não daquelas que você acha que podem se tornar boas.

Se quiser fazer alguma aposta em small caps, vá com pouco capital e escolha empresas que apesar de pequenas, estão nadando a braçadas nos últimos tempos.

Fora isso, algumas ponderações a serem feitas:

  1. A China deve passar por forte desaceleração ou quem sabe até uma recessão bem forte. Em que pese o seu caixa em dólar e possibilidade de compra massiva de insumos baratos, uma possível recessão não é nada conveniente para o Partido Comunista Chinês e joga pelo ralo qualquer possibilidade de conspiração de que a própria China teria plantado a crise do Covid-19.
  2. O bear market americano parece finalmente ter chegado após quase 10 anos consecutivos de altas no mercado. Os Estados Unidos podem passar por uma recessão temporária seguida de uma forte desaceleração na taxa de crescimento econômico. Trump certamente quer enfrentar as eleições em uma condição mais confortável e por isso deve seguir com estímulos.
  3. A Europa, atual epicentro de disseminação do Coronavírus, também deve passar por uma recessão e passa a voltar os olhos para solvência do Deutsche Bank. Não me parece ser do perfil do Banco Central Europeu deixar um banco de tal quilate quebrar. É aquela coisa, too big to fail.
  4. Com fortes estímulos nas economias avançadas e um impacto iminente na economia real brasileira, tem se o aval não só de termos uma Taxa Selic em patamares nunca antes imagináveis, na casa dos 3 por cento ao ano, como também força o governo a se valer da política fiscal como ferramenta de combate a uma possível recessão. Se em condições normais de temperatura e pressão a ordem era controlar gastos e fazer reformas, em situações extremas a imagem de Lord Keynes emerge até a frente de Paulo Guedes e companhia.
  5. Mais do que tudo isso, o ambiente pode favorecer a tramitação das reformas administrativa e tributária no Congresso, uma vez que a circunstância encoraja uma maior aproximação e colaboração entre Legislativo e Executivo.
    De forma geral, não abandonamos a tese e bull-market estrutural no Brasil, temos muita coisa para melhorar ainda dentro da economia doméstica.

Se por um lado essa atual crise vai impactar o resultados das empresas listadas em um primeiro momento, esse impacto é passageiro e dentro de 6 meses a um ano já terá sido absorvido.

Nesse momento eu me coloco à disposição para quem estiver com dúvidas.

Fiquem bem e em casa, caso possam.

Lavem bem as mãos e cuidem dos familiares.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.