Sem enrolação: se quer dividendos ITSA4 e TAEE11 dão conta do recado

itsa4 taee11

Caro leitor,

As pagadoras de dividendos são as ações mais perenes e estáveis da bolsa de valores.

Isso não significa que o coronavírus será apenas uma marolinha para elas.

Os impactos ainda serão melhor conhecidos no 2T2020.

Por enquanto estamos vendo empresas tradicionalmente boas pagadoras já avisando que vão pagar menos este ano.

E tudo bem quanto a isso.

É o caso da Itaúsa (ITSA4) que em fato relevante na semana passada avisou que haverá redução na distribuição de dividendos.

Não precisou o quanto será reduzido o montante distribuído, até porque nem ela sabe a profundidade dos efeitos da crise nos seus negócios.

Grande parte desse anúncio de redução é em função da limitação temporária de distribuição de dividendos acima do mínimo obrigatório imposta pelo Banco Central do Brasil.

Esse tipo de atitude é ruim para o bolso do investidor, mas boa para a perpetuidade da empresa.

Faz parte do jogo da empresa saber a hora de recuar e ser defensivo.

Já outras companhias que eu considero as mais seguras de todas, as transmissoras de energia elétrica, seguem sua vida “normalmente”.

Usei as aspas por motivos óbvios: o normal não existe mais, pelo menos por ora.

Um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil é a Taesa.

Ela anunciou, na semana passada, junto com a divulgação do seu resultado trimestral, o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.

Será um total de 70 centavos por ação pagos para que detiver as ações hoje (dia 19 de maio).

O pagamento será feito no dia 28 de maio.

Onde quero chegar é que mesmo uma boa carteira de ações de dividendos não passará ilesa por toda essa crise.

Algumas ações da carteira vão sofrer mais, outras menos e umas talvez até precisarão sair do portfólio eventualmente.

Porém, com uma boa seleção de ativos e uma adequada diversificação, você passará bem por essa crise toda.

Tanto ITSA4 quanto TAEE11, são integrantes da minha Seleção de Dividendos.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

TAEE11: deve muito, mas quem se importa?

Taee11 devo muito

Caro leitor,

Na semana passada mostrei um estudo com os setores mais lucrativos da bolsa.

Não por acaso, os setores que pagam os melhores dividendos estão entre eles.

O setor de energia elétrica era o segundo colocado, atrás apenas dos bancos.

Bem, estes nós já sabemos que são os campeões de ganhar dinheiro. Tanto é que neste final de semana o Itaú divulgou que vai empenhar 1 bilhão de reais para ações de combate ao coronavírus.

A maior cifra já divulgada por uma empresa privada.

Palmas para o maior de todos os bancos!

Como investidor de dividendos, palmas maiores ainda pois ele disse que essa doação não afetaria a distribuição de dividendos aos sócios.

Bem, vamos ao que viemos: essa semana a Economática divulgou outro estudo mostrando os setores com as maiores dívidas da bolsa.

Dívidas por setor

No topo da lista estão as elétricas. As preferidas dos investidores de dividendos.

Antes que você pense que isso é ruim, já aviso que olhar para este número sozinho não diz muita coisa sobre as empresas.

É que as elétricas tem receitas tão previsíveis e margens operacionais tão elevadas, que não faz o menor sentido elas não terem dívidas.

Bancos e investidores querem emprestar dinheiro para elas. O risco de calote é muito baixo. Logo, os juros acabam sendo atrativos para as empresas.

As elétricas conseguem, através de dívidas bem estruturadas participar de mais projetos onde o retorno deles é maior do que o juros pago a serviço da dívida.

Ou seja, gera-se mais retorno ao acionista dessa forma do que sem tomar dinheiro emprestado.

Uma elétrica que não possui dívida não é melhor do que outra que possui.

Ela está deixando dinheiro na mesa ao não aproveitar oportunidades que o mercado proporciona.

Claro que tudo tem um limite.

A melhor forma de verificar esse limite é comparar o tamanho da dívida líquida com o EBITDA da empresa.

Quando essa relação é de até 3 vezes, está confortável. Acima disso é sinal amarelo. Acima de 4 vezes então, daí a empresa está em apuros e precisa fazer algo a respeito imediatamente.

Pega o exemplo da Taesa (TAEE11), que reportou aumento em sua dívida líquida em 2019, se comparado com a ano anterior.

Será que é ruim isso? Bem, ela está com uma relação Dívida Líquida / EBITDA em 2,2 vezes.

Muito confortável.

Além do que, das três atividades do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição), ela atua exclusivamente na transmissão, que a parte mais segura do negócio elétrico todo. Enfim, dívida boa não é problema.

Dívida ruim é.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos só entram empresas com dívida saudável e posição confortável de caixa.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

TAEE11, SAPR11, ITSA4: a hora do óbvio

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Olá, como você vai?

Espero que você esteja bem.

Os últimos dias têm sido totalmente atípicos não só para os mercados, mas também para a nossa rotina.

Temos muitos investidores de primeira viagem recebendo o seu primeiro batizado logo nos primeiros meses de bolsa.

Pode parecer banal, mas isso certamente vai expurgar os curiosos e calejar quem entrou na parada para fazer como se deve fazer.

Em tempos de realidades complexas e imprevisíveis, temos de manter o nosso foco no longo prazo e simplificar ao máximo as coisas no curto prazo.

Processos de investimento complexos perderam o sentido nesse momento.

A experiência vai nos ensinando a simplificar cada vez mais.

Antes de você perguntar se investimentos em ouro e dólar são válidos, eu já afirmo que são sim, mas cuide para não “contratar um seguro de carro logo após o carro ter batido”.

Proteção boa é caixa.

Esses investimentos deveriam ter sido feitos quando a bolsa subia e, convenhamos, ninguém quer saber de ouro e dólar quando as ações brasileiras subiam dia após dia.

Por isso reforço: nada contra esses investimentos defensivos, mas no momento eles irão custar muito para proteger pouco, já não há mais muito o que se proteger.

A melhor defesa nesse momento é possuir caixa e aproveitar as oportunidades mais óbvias.

Nesse momento, ações tradicionais pagadoras de dividendos ou empresas high quality (geralmente caras, mas agora significativamente descontadas) são as ações com a melhor relação de risco retorno para a conjuntura.

Tenha caixa sempre.

Aproveite quedas nas ações de boas empresas e tenha cuidado com o excesso de exposição.

Taesa (TAEE11), Sanepar (SAPR11) e a nossa clássica e forte Itaúsa (ITSA4): definitivamente não será aqui o fim da linha para elas.

Compre aos poucos pois sempre pode cair mais.

E repito: escolha ações de boas companhias e não daquelas que você acha que podem se tornar boas.

Se quiser fazer alguma aposta em small caps, vá com pouco capital e escolha empresas que apesar de pequenas, estão nadando a braçadas nos últimos tempos.

Fora isso, algumas ponderações a serem feitas:

  1. A China deve passar por forte desaceleração ou quem sabe até uma recessão bem forte. Em que pese o seu caixa em dólar e possibilidade de compra massiva de insumos baratos, uma possível recessão não é nada conveniente para o Partido Comunista Chinês e joga pelo ralo qualquer possibilidade de conspiração de que a própria China teria plantado a crise do Covid-19.
  2. O bear market americano parece finalmente ter chegado após quase 10 anos consecutivos de altas no mercado. Os Estados Unidos podem passar por uma recessão temporária seguida de uma forte desaceleração na taxa de crescimento econômico. Trump certamente quer enfrentar as eleições em uma condição mais confortável e por isso deve seguir com estímulos.
  3. A Europa, atual epicentro de disseminação do Coronavírus, também deve passar por uma recessão e passa a voltar os olhos para solvência do Deutsche Bank. Não me parece ser do perfil do Banco Central Europeu deixar um banco de tal quilate quebrar. É aquela coisa, too big to fail.
  4. Com fortes estímulos nas economias avançadas e um impacto iminente na economia real brasileira, tem se o aval não só de termos uma Taxa Selic em patamares nunca antes imagináveis, na casa dos 3 por cento ao ano, como também força o governo a se valer da política fiscal como ferramenta de combate a uma possível recessão. Se em condições normais de temperatura e pressão a ordem era controlar gastos e fazer reformas, em situações extremas a imagem de Lord Keynes emerge até a frente de Paulo Guedes e companhia.
  5. Mais do que tudo isso, o ambiente pode favorecer a tramitação das reformas administrativa e tributária no Congresso, uma vez que a circunstância encoraja uma maior aproximação e colaboração entre Legislativo e Executivo.
    De forma geral, não abandonamos a tese e bull-market estrutural no Brasil, temos muita coisa para melhorar ainda dentro da economia doméstica.

Se por um lado essa atual crise vai impactar o resultados das empresas listadas em um primeiro momento, esse impacto é passageiro e dentro de 6 meses a um ano já terá sido absorvido.

Nesse momento eu me coloco à disposição para quem estiver com dúvidas.

Fiquem bem e em casa, caso possam.

Lavem bem as mãos e cuidem dos familiares.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.