Recessão de 2,96%, Selic a 3%

recessao e queda taxa selic

Olá, como você vai?

O boletim Focus trouxe dados importantes sobre as expectativas de mercado para esse ano.

Espera-se uma recessão de quase 3 por cento em 2020 e uma inflação ainda mais baixa, de apenas 2,23 por cento.

Ainda que isso seja só uma expectativa formada em Abril que diga respeito a um ano inteiro (e que provavelmente estará errada até lá), ela já diz muito sobre uma nova realidade da economia brasileira.

Estamos passando por uma crise deflacionária.

A brusca queda na demanda agregada conjunta com a necessidade de se queimar estoques em empresas dos mais diversos setores, acaba puxando para baixo as expectativas de aumento nos preços.

Serão comuns os meses que apresentaremos deflação ao longo de 2020.

Uma grande preocupação no radar dos investidores é a questão fiscal.

Ora, estamos em uma crise que exige gastos extraordinários por parte do governo e soma-se a isso uma intensa queda da arrecadação tributária.

A dívida pública irá subir, inevitavelmente. Essa é a única forma de reduzirmos um dilema entre saúde e economia.

Em tempos passados, seria comum pensarmos que teríamos inflação a frente, que seria causada por uma forte desvalorização cambial.

Mas a questão que fica é: como repassar uma eventual desvalorização do real frente ao dólar aos preços finais?

A preços atuais a demanda agregada já está represada.

Não há como haver um repasse geral aos preços finais.

Isso já leva a média do mercado acreditar em uma Selic a 3 por cento ao ano.

Conforme os efeitos recessivo (e deflacionários) se tornem mais agudos, mais quedas poderão ser computadas nas expectativas.

Se falar em Selic a 3 por cento há alguns meses parecia insanidade, pasme leitor, hoje falamos em Selic a zero.

Não acho que Selic a zero seja de fato um patamar viável, mas por que não veremos a nossa taxa básica na casa de 2 ou 1 por cento?

Quem diria que uma recessão causaria uma mudança tão drástica na forma de encararmos a nossa política monetária.

Esse também parece, cada vez mais, ser o novo normal do mundo.

Os Bancos Centrais colocam liquidez em escalas sem precedentes na economia e a inflação não sobe.

Estamos vivendo uma espécie de japanização do mundo: muita liquidez, dívidas corporativas astronômicas e estagnação econômica.

A questão é que, se por um lado, esse cenário parece ter vindo para ficar nas economias avançadas, por outro, no Brasil esse fenômeno parece ser mais passageiro.

A questão é que nos acostumaremos a conviver com uma Taxa Selic extremamente baixa e não acredito que ela deverá voltar aos patamares de 8 ou 9 por cento (tal qual estavam precificados os juros longos até semana passada).

Por conta de um evento passageiro, a taxa selic baixa no Brasil, mais do que nunca, veio para ficar.

No final da crise, teremos muita liquidez no mercado.

Esse dinheiro “de sobra” terá de ir para algum lugar.

Como falei semana passada, atividade econômica e bolsa não necessariamente andam juntas.

Com juro tão baixo, pagar pouco por muita qualidade me parece um jogo onde se tem pouco a perder e muito a ganhar.

Posso estar errado.

O tempo dirá.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

BPAN4 (e outros) e Selic a 4,25 por cento

reuniao do copom

Olá, como você vai?

Hoje teremos o segundo dia da reunião do Comitê de Política Monetária e poderemos ter mais uma redução na Taxa Selic.

Uma parcela do mercado estipula um corte de 0.25 pontos, o que levaria a Selic para 4,25 ao ano.

Ainda que não haja consenso sobre uma eventual queda da taxa, a medida viria para tentar estimular uma atividade econômica que ainda opera aquém do esperado.

O mercado espera por um crescimento de 2,3 por cento do PIB em 2020.

Ainda assim, mesmo que não haja um novo corte na Selic, podemos acreditar em uma economia crescendo mais de 3,0 por cento ainda esse ano.

Veja bem…

As empresas seguem com custos controlados. Um mínimo crescimento no faturamento de uma empresa significa um grande aumento nos lucros.

O juro, caindo ou não, segue baixo e isso reduz demais as despesas financeiras das empresas.

​ Isso, em última análise, também significa mais lucro para as empresas.

Se isso pode ter um impacto positivo no próprio preço das ações, também pode ter um desdobramento nada trivial na economia.

Vamos voltar à situação das empresas…

Ainda existe muita capacidade ociosa: as fábricas tem muita máquina para pouco operário e, consequentemente, estão produzindo menos do que poderiam.

Qualquer sinal de melhora na demanda será respondida com um forte aumento na produção, o que levaria o nível de atividade econômica para um novo patamar.

Fato é que estamos há 6 anos acostumados a crescer pouco e isso acaba criando uma certa descrença de que podemos pisar mais fundo no acelerador.

Mas não precisa de muito para termos um crescimento forte em 2020.

E convenhamos: mesmo com ociosidade na economia, com um custo de capital tão baixo não é de se descartar uma rodada forte de investimentos.

Ao que tudo indica, vamos começar a segunda fase do atual bull market.

Se antes a bolsa foi puxada pela queda na taxa de juros, agora seremos puxados pelo ciclo de lucros das empresas.

Vamos acompanhar esse processo ao longo das próximas semanas, uma vez que estamos em meio a temporada de divulgação de resultados das empresas listadas.

Hoje (5) e amanhã (6) teremos quatro bancos divulgando seus resultados: hoje temos Bradesco (BBDC4) e Banco Pan (BPAN3) e amanhã teremos Banco ABC (ABCB4) e Banco Inter (BIDI4).

Vamos ficar de olho na situação dessas empresas, principalmente os bancões, que devem ter vida mais complicada durante esse ano… pelo menos enquanto não abrirem a carteira de crédito.

Aqui insisto: mesmo com Coronavírus, Guerra Comercial e fatores políticos internos, é loucura não carregar alguma posição em bolsa.

Fora essas razões que apresentei aqui, o André apresenta mais 10 razões pelas quais investir em ações é o melhor investimento que você pode ter​.

Na minha opinião, esse é o melhor conteúdo do GuiaInvest.

Sobre o Copom de hoje, acredito que teremos mesmo a queda de 0.25 pontos.

Estamos com commodities em baixo, inflação controlada, atividade fraca, mercado de trabalho desaquecido e produção industrial em queda.

Motivos para o corte não faltam.

Coisa boa é ver a Selic caindo.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.