IRBR3: ainda cheirando mal

irbr3 cheirando mal

Caro leitor,

Veja a frase abaixo: “As ações da IRBR3 abriram em queda vertiginosa no pregão de ontem e fecharam a 41,00 reais, uma queda de 8,54% em um único pregão”.

Assim começou o texto de um e-mail que enviei a todos os leitores do GuiaInvest no dia 04 de fevereiro deste mesmo ano.

Nele, me comprometi a continuar acompanhando o caso dela.

Hoje, esse mesmo papel é negociado a 7,80 reais.

Isso depois de uma alta de 8,79 por cento no pregão de ontem.

Dane-se a cotação dela.

Aliás, a essas alturas, dane-se o case todo.

Os pontos que a Squadra levantou a respeito da IRBR3 são graves e foram muito bem justificadas por uma série de indícios.

Se quiser entrar em detalhes, coloca no Google “carta Squadra IRB” que ela vai aparecer em primeiro lugar.

Logo após a divulgação da carta, a IRB se defendeu dizendo que a gestora estava operando vendida (apostando contra) no papel e que havia um claro conflito de interesse neste ato.

Até aí tudo bem, mas ela ainda precisava se explicar.

A empresa elevou o tom, dizendo que suas demonstrações contábeis são auditadas e que ela não teria cometido nenhuma irregularidade.

Quem é do mercado sabe que o fato de ser auditada não torna a contabilidade a prova de fraudes, só dificulta.

Outro ponto a ser levado em conta é o seguinte: o negócio da IRB é um negócio de confiança.

Afinal quando você faz o seguro você está pagando adiantado, confiando que a seguradora estará lá quando e se você precisar.

Se a empresa quebrar essa confiança, ninguém mais quer ser cliente dela.

Onde quero chegar é que ela não tinha outra opção que não fosse “dobrar a aposta”.

Ela escolheu um caminho (caso seja mesmo o de fraudar) sem volta.

Não dá para voltar atrás e dizer que está arrependida.

Não vai funcionar.

Assim ela o fez.

Passado pouco tempo, as notícias envolvendo ela ficavam cada vez piores.

E as cotações oscilaram para cima e para baixo ao sabor delas.

Na prática, muito mais para baixo do que para cima.

No final de fevereiro, ela teria dito que o Warren Buffett, através da Berkshire Hathaway (sua empresa de investimentos) teria uma participação na empresa.

Foi desmentida pelo próprio Buffett em seguida.

Esse episódio ocasionou a renúncia do vice presidente financeiro da IRB e a abertura de um processo administrativo por parte da CVM contra a empresa.

Em abril dois membros do conselho de administração e seus suplentes, indicados por Bradesco e Itaú, pediram renúncia de seus cargos.

A Susep (Superintendência de Seguros Privados), que regula o mercado de seguros no Brasil, instaurou uma fiscalização especial na empresa.

O motivo: insuficiência de “ativos garantidores de provisões técnicas”.

Em bom português, risco de insolvência para pagar os sinistros.

Em maio foi uma saraivada de notícias ruins.

Ela demitiu seu diretor de controladoria por fraude em contratos.

A Lazard, um banco de investimentos norte-americano, reduziu muito sua posição em ações da empresa, saindo de 5,28 para 3,78 por cento de participação.

Ela realizou reunião com clientes onde negou ter problemas de solvência e garantiu que cumprirá seus contratos.

E mais um suplente do Conselho de Administração pediu renúncia.

Enfim, no meio desse monte coisa ruim acontecendo com a empresa, os preços foram caindo e caindo.

Os indicadores relacionados ao preço como P/L, Dividend Yield, P/VP começaram a ficar muito “bons”.

Vários amigos compraram ações da empresa e em seguida vieram me perguntar o que eu achava dela, naquele caso clássico de viés de confirmação.

Quando primeiro você faz a bobagem e, depois, fica procurando alguém que te apoie.

Não foi o que encontraram em mim.

Eu respondia sempre a mesma coisa: “A IRBR3 tem cheiro de m_, forma de m_, cor de m_. Ela vai ser o que?!”

Para mim, tudo indica que a Squadra está certa e aparecer a verdade sobre IRBR3 é só uma questão de tempo.

IRBR3 deu uma ré de mais de 80 por cento e não está barata.

Se você está começando na bolsa, não tente fazer gol de bicicleta na sua primeira temporada.

A hora é de pragmatismo, tem ação de empresa espetacular sendo negociada a migalhas.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

ITUB4, BBDC4 e SANB11: mesmo me ignorando, sigo apaixonado

ITUB4 BBDC4 e SANB11

Caro leitor,

Entre tantas empresas divulgando que vão rever a distribuição de dividendos para reforçar os seus caixas, o Conselho Monetário Nacional não ficou esperando os bancos se manifestarem e já publicou qual será a regra para eles.

Ficaram proibidas as distribuições de dividendos ou juros sobre capital próprio que excedam o dividendo mínimo estipulado no estatuto social dos bancos.

Essa regra começou a valer em seis de abril e vai até 30 de setembro deste ano.

Entre outras coisas, ficaram proibidas também neste período, o aumento de salários e bônus para os executivos do banco.

O objetivo dessas medidas é reforçar o caixa e a liquidez das instituições bancárias enquanto durarem os efeitos do coronavírus na economia.

Qual o tamanho do impacto?

Isso significa que o payout (o quanto do lucro líquido é distribuído sob a forma de dividendos) dos bancos vai cair.

ITUB4 por exemplo, que distribuiu 66 por cento do seu lucro líquido vai ficar restrito ao mínimo previsto no estatuto de 25 por cento.

BBDC4, que distribuiu 61 por cento, vai se limitar a 30 por cento.

SANB11, sai de 74 por cento para 25 por cento.

Para quem gosta de receber seus gordos dividendos pode ser bem ruim.

Mas é tudo por uma boa causa.

O investidor responsável deveria inclusive apreciar a medida, que protege o seu patrimonio.

Atualmente uma carteira de dividendos que se preze tem uma parcela relevante no setor bancário, dado o seu histórico consistente e elevados yields.

Portanto a carteira vai render um pouco menos do que o usual neste período.

Mas isso não significa que o ano está perdido.

Perceba que a proibição vai até 30 de setembro.

Portanto, depois disso, se fizer sentido os bancos podem distribui mais e compensar.

Tudo vai depender de como a economia e a solidez do mercado bancário nacional vai se comportar.

Se você investe a longo prazo, como deve ser, essa janela de tempo vai se perder numa longa história de rendimentos e valorizações de anos ou décadas.

Fique tranquilo e foque no que importa: o resultado das empresas.

Por enquanto, o Bradesco divulgou seu resultado e, com seu conservadorismo de sempre, fez provisões bilionárias de perdas com empréstimos feitos a clientes.

O mercado não gostou muito do que foi divulgado.

Eu prefiro este tipo de atitude do que ser surpreendido depois com uma perda real acima do que o banco esperava.

Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

De minha parte, prefiro investir em empresas onde as projeções sejam realistas e as surpresas sejam, no limite, positivas.

Essa é uma característica comum das 10 ações que entraram na carteira Seleção de Dividendos.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

ABCB4: a Small Cap pagadora de dividendos

abcb4 pagamento de dividendos

Caro leitor,

Pode uma small cap fazer parte de uma carteira de dividendos?

Normalmente as ações que fazem para de carteiras de dividendos são grandes empresas, consolidadas e líderes em seus mercados.

Mas veja bem, isso são características comuns nas ações boas pagadoras de dividendos.

Não significa que uma empresa menor, nichada não possa pagar bons proventos.

A característica que é realmente comum a TODAS boas pagadoras de dividendos é a consistência.

Essa sim, independente do tamanho e de todo resto, precisa estar presente.

Pense no setor bancário, que hoje são boa parte de qualquer carteira focada em dividendos.

Se você exigir que seja grande, vai sobrar apenas três alternativas para você: ITUB4, BBDC4 e BBAS3.

Mas e outros bancos como ABCB4, por exemplo?

Este é um banco pequeno, mas que sabe bem qual é a sua.

Ele sabe que não vai virar um “Itauzão” da vida.

Tudo bem, desde que você saiba disso e concorde.

Mas é um banco consistente.

A muito tempo entrega bons resultados e gera bons dividendos aos seus acionistas.

O Banco ABC está muito bem preparado para enfrentar momentos de crise como essa que estamos vivendo.

Seus executivos são experientes e já passaram por muitos momentos difíceis nas últimas décadas.

Até por que estamos no Brasil, um país que não é para amadores.

Aqui a porrada vem de onde menos se espera.

E de onde se espera, bem daí é que vem mesmo.

Ser banco por aqui não é tarefa fácil.

Não é a toa que são poucos os que se aventuram por terras tupiniquins e são menos ainda os que prosperam.

Gigantes como Citibank e HSBC tentaram e depois de muita peleia, saíram com o rabo entre as pernas.

Mas vamos voltar para o nosso pequeno notável.

O Banco ABC está bem capitalizado, possui grande credibilidade administrativa, uma marca reconhecida no seu ramo de atuação.

A sua exposição ao crédito está em sua maioria atrelada a setores como energia, serviços financeiros, transporte e logística.

São setores defensivos e que nessa crise estão sendo os menos afetados.

Em meio a crise, o banco investiu em infraestrutura de computação para viabilizar que 95 por cento de seus colaboradores pudesse trabalhar de casa e se mantivessem produtivos.

Esse investimento, por mais que forçado, deixa um legado positivo.

Atualmente houve um crescimento pela demanda de crédito e os spreads (margem) aumentaram bastante.

Mesmo assim, o banco prefere ser cauteloso e vai aumentar a sua exposição aos mesmos setores que já atende.

Sem inventar moda agora.

A ajuda do Banco Central aos bancos para melhorar sua liquidez ainda não foi usada pelo banco, que pretende nem usar se possível.

Esse pequeno mas consistente banco costuma distribuir entre 45 e 60 por cento de seu lucro sob a forma de dividendos.

O lucro por sua vez é consistente e crescente nos últimos anos.

lucro liquido banco abcb4

Já disse em outras ocasiões e repito: tamanho não é tudo.

Qualidade é mais importante.

Busque primeiro consistência.

O tamanho costuma ser uma consequência da primeira qualidade.

É isso que busco ao selecionar as ações para entrarem na carteira Seleção de Dividendos.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PMAM3 e HYPE3: foi dada a largada

pmam3 hype3

Caro leitor,

Vai ser dada a largada para temporada de resultados trimestrais das empresas listadas na bolsa.

Está todo mundo de olho nos impactos que o Coronavírus causou nas empresas.

O que os investidores mais vão buscar neste momento não são os grandes lucros, mas sim as que menos perderam.

Lembrando que dos meses do primeiro trimestre, apenas em março é que os efeitos bateram com força na maioria das empresas.

Portanto é possível que o pior ainda fique por vir só lá do meio do ano em diante.

Se você é como eu, que gosta de acompanhar o que interessa mesmo, que é o desempenho operacional das empresas, então essa temporada vai ser eletrizante.

Sinceramente ainda não sei se vai ajudar a clarear o horizonte ou se vai colocar mais interrogações na nossa cabeça.

Uma coisa é certa: Os editores de notícias econômicas estão sedentos por uma manchete matadora que vai atrair um milhão de cliques.

Tenha certeza de que essa manchete vai ser a mais sensacionalista e negativa possível.

Pois o caos e o medo vendem muitas notícias.

Tente ficar alheio às chamadas emocionais dessas matérias.

Foque no que realmente interessa: nos números.

Essa semana mesmo tem divulgação da Paranapanema (PMAM3) no dia 23 e da Hypera (HYPE3) no dia seguinte.

Espero que as empresas dêem o devido destaque aos efeitos do Coronavírus no mês de março, pois ele será uma importante pista do que nos aguarda para logo mais no meio do ano.

O Ibovespa já recuperou muito desde sua mínima em março, mas não se engane achando que os resultados não virão tão ruins assim.

O mercado sempre antecipa o que acontece na economia real.

Depois que a economia real mostra seus números, o mercado recalibra sua aposta e antecipa de novo.

E assim ele vai.

Por isso os movimentos de curtíssimo prazo são tão erráticos na bolsa.

Para você e para mim, que não temos bola de cristal e queremos viver dos dividendos das empresas, melhor esperar os resultados serem divulgados e depois pensar no que fazer.

Pensar a longuíssimo prazo, como ensinam os mestres Buffet e Barsi, faz a nossa missão muito mais tranquila e previsível.

Não tenho ansiedade de tomar a decisão com pressa, pois num horizonte de 10 ou 20 anos, um trimestre não muda muita coisa. Nem dois, nem três.

Uma decisão errada, essa sim, pode custar caro.

Portanto, nessa temporada é cabeça no lugar e serenidade para ver o provável banho de sangue nos balanços.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos as análises e tomadas de decisão são feitas com base nos resultados trimestrais, no plural mesmo.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

TAEE11: deve muito, mas quem se importa?

Taee11 devo muito

Caro leitor,

Na semana passada mostrei um estudo com os setores mais lucrativos da bolsa.

Não por acaso, os setores que pagam os melhores dividendos estão entre eles.

O setor de energia elétrica era o segundo colocado, atrás apenas dos bancos.

Bem, estes nós já sabemos que são os campeões de ganhar dinheiro. Tanto é que neste final de semana o Itaú divulgou que vai empenhar 1 bilhão de reais para ações de combate ao coronavírus.

A maior cifra já divulgada por uma empresa privada.

Palmas para o maior de todos os bancos!

Como investidor de dividendos, palmas maiores ainda pois ele disse que essa doação não afetaria a distribuição de dividendos aos sócios.

Bem, vamos ao que viemos: essa semana a Economática divulgou outro estudo mostrando os setores com as maiores dívidas da bolsa.

Dívidas por setor

No topo da lista estão as elétricas. As preferidas dos investidores de dividendos.

Antes que você pense que isso é ruim, já aviso que olhar para este número sozinho não diz muita coisa sobre as empresas.

É que as elétricas tem receitas tão previsíveis e margens operacionais tão elevadas, que não faz o menor sentido elas não terem dívidas.

Bancos e investidores querem emprestar dinheiro para elas. O risco de calote é muito baixo. Logo, os juros acabam sendo atrativos para as empresas.

As elétricas conseguem, através de dívidas bem estruturadas participar de mais projetos onde o retorno deles é maior do que o juros pago a serviço da dívida.

Ou seja, gera-se mais retorno ao acionista dessa forma do que sem tomar dinheiro emprestado.

Uma elétrica que não possui dívida não é melhor do que outra que possui.

Ela está deixando dinheiro na mesa ao não aproveitar oportunidades que o mercado proporciona.

Claro que tudo tem um limite.

A melhor forma de verificar esse limite é comparar o tamanho da dívida líquida com o EBITDA da empresa.

Quando essa relação é de até 3 vezes, está confortável. Acima disso é sinal amarelo. Acima de 4 vezes então, daí a empresa está em apuros e precisa fazer algo a respeito imediatamente.

Pega o exemplo da Taesa (TAEE11), que reportou aumento em sua dívida líquida em 2019, se comparado com a ano anterior.

Será que é ruim isso? Bem, ela está com uma relação Dívida Líquida / EBITDA em 2,2 vezes.

Muito confortável.

Além do que, das três atividades do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição), ela atua exclusivamente na transmissão, que a parte mais segura do negócio elétrico todo. Enfim, dívida boa não é problema.

Dívida ruim é.

Na carteira do Canal Seleção de Dividendos só entram empresas com dívida saudável e posição confortável de caixa.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

SAPR11: o esgoto lucrativo

sapr11 Sanepar esgoto lucrativo

Caro leitor,

Existe uma máxima que é muito utilizada no combate ao crime organizado.

“Siga o dinheiro”.

Quer encontrar o chefe da quadrilha? Siga o dinheiro.

Lá no final do caminho, estará o beneficiário final.

No mundo dos investimentos essa máxima também tem seu valor, por outros motivos é claro.

A Economática fez um estudo compilando os lucros das empresas que têm ações negociadas na bolsa e os agrupou por setores.

Neste estudo foi tirado o lucro/prejuízo da Petrobras, Vale S.A. e Oi S.A., para não distorcer os valores.

Veja abaixo como ficou essa lista:

Setores mais lucrativos em 2019

Não é coincidência que os setores do topo da lista são comumente os setores mais presentes em carteiras de dividendos.

Bancos, energia elétrica, telecomunicações, saneamento, finanças e seguros são os setores preferidos por muitos investidores de dividendos.

Será que isso é por acaso?

Obviamente, não é por acaso.

Se voltarmos para o básico do básico, revisitaremos o conceito de dividendos, que é a parte do lucro líquido da empresa que é distribuída aos acionistas.

Portanto é bastante óbvio que é daqui que vão sair as melhores pagadoras de dividendos.

Todas as ações da Seleção de Dividendos estão em seis destes dez setores.

Você consegue tentar adivinhar quais são os seis setores?

Claro que não basta ser destes setores para ser uma boa empresa para se investir.

Esse pode ser o começo do garimpo.

Mas tem que investigar e analisar muita coisa dentre esse monte de empresa que está contida nessa lista aí.

Uma eu já entrego de lambuja para você.

Sanepar (SAPR11) é uma delas.

Perceba que não é do topo da lista, ela está lá no meio.

Não é só tamanho do lucro que importa.

Tamanho até é documento, mas não é tudo.

Tem que ver qualidade da gestão, endividamento, consistência histórica dos números entre outras coisas mais.

Siga o dinheiro, mas não procure só tamanho.

Qualidade é ainda mais importante.

As 10 ações contidas na carteira do Canal Seleção de Dividendos são extremamente sólidas e estão atravessando essa crise muito bem, obrigado.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

ROMI3: uma small cap dividendeira

romi3 small cap

Caro leitor,

O dilema de comprar uma ação de crescimento ou de dividendos é a grande questão do investidor em ações.

Se você perguntar para os entendidos no assunto, eles vão dizer que não dá para ter os dois.

Você precisa fazer uma espécie escolha de Sofia.

Ou você investe numa empresa menor que está em franco crescimento e que destina tudo o quanto pode do seu lucro a reinvestir no próprio negócio, ou então você investe numa empresa grande, estável e dominante no seu segmento, que destina quase todo seu lucro para remunerar os seus acionistas.

A primeira é dita um investimento em crescimento.

Você não vai ganhar grandes dividendos, mas vai ter uma empresa se valorizando em função do tamanho que ela vai ganhando.

O risco é elevado, pois todo investimento em crescimento que a empresa faz é arriscado em maior ou menor grau.

O caixa dela vai todo para isso: crescer, crescer e crescer.

É como a piada do alpinista: só o cume interessa.

A segunda é o tal investimento em dividendos.

Você não vai ter uma grande valorização, mas em compensação vai receber uma boa renda de dividendos.

O risco é menor pois a empresa já é grande e consolidada.

Ela nem tem muito para onde crescer, a não ser que o próprio mercado cresça, cenário no qual ela vai precisar acompanhar para não ceder espaço a um concorrente.

Eu adoraria ter as duas coisas.

Será que é pedir demais?

Seria em condições normais de temperatura e pressão do mercado.

Acontece que não estamos vivendo estes tempos agora.

Estamos em meio a uma crise séria e carregada de incertezas.

Diferente de muitas que você ouviu falar mas não sentiu na pele, essa até te trancou em casa.

Provavelmente está lendo isso do seu celular na sala de casa, num dia útil e em horário comercial.

Mas essa tal crise que nos traz tanta coisa ruim, também cria situações onde podemos levar o melhor dos dois mundos.

É o caso da ROMI3, uma empresa da qual se espera um bom crescimento e que historicamente paga dividendos baixos.

Só que com essa crise e a queda nos preços de suas ações, o dividend yield, considerando um preço de compra como o atual, fica elevado até para os padrões das excelentes pagadoras de dividendos: 13,4 por cento.

Este é só um exemplo.

Existem vários como este na bolsa atualmente.

Já parou para ver como ficaram os dividend yields das ações que você gosta?

Dá vontade de encher o carrinho com elas!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

SEDI3: forte na subida, suave na descida

estrategias conservadoras bolsa

Caro leitor,

Quem são as empresas defensivas da bolsa para você?

Tem quem diga que são as empresas que têm suas receitas atreladas ao dólar.

Pois elas se beneficiariam num cenário de crise, onde o dólar costuma disparar.

Só que a crise atual está nos mostrando é que as verdadeiras ações defensivas são as que pagam os maiores dividendos.

Os motivos que fazem essa ações sofrerem menos do que as outras não são os dividendos em si.

Os dividendos são sim consequência de uma série de características presentes neste tipo de empresa.

Essas mesmas características que as fazem pagar bons dividendos, as deixam mais seguras para atravessar momentos de crise.

Algumas dessas características são:

Forte geração de caixa operacional.

São empresas que possuem margens elevadas e estáveis.

Em tempos de bonança isso se torna a origem do dinheiro que vai virar dividendos conforme as linhas vão descendo nas demonstrações financeiras da empresa.

Em tempos de crise, elas poderão ser espremidas e mesmo assim a empresa continuar gerando resultado positivo, mesmo que menor.

Ou seja, tem muito espaço de manobra antes de começar a dar prejuízo.

Baixo endividamento.

Em palavras bem diretas, são aquelas que devem pouco ou nada.

A dívida costuma ser confrontada com a geração de caixa da empresa para se verificar se está em nível seguro ou não.

Em cenário de crise, a dívida, mesmo que do mesmo tamanho de sempre, pode se tornar pesada demais pois a geração de caixa das empresas diminuirá.

O dinheiro que é destinado ao pagamento de juros e principal, em épocas de crise faz falta para o bom funcionamento das operações da empresa.

É aí que mora o perigo.

A chance de uma endividada ficar pelo caminho em meio a crise é muito maior do que uma não endividada.

Essas são características presentes em quase todas as ações do Seleção de Dividendos (SEDI3).

Uma carteira de ações que acumula queda de 25 por cento (em verde no gráfico) contra 45 por cento do Ibovespa (em vermelho) neste ano.

ibov vs seleção de divididendos

Isso sim é ser defensivo.

Na queda, caímos menos. Na retomada, subimos mais.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PETR4 e MRVE3: em terra de Selic, quem tem yield é Rei

investir em petr4 e mrve3

Caro leitor,

Até duas semanas atrás, quando você olhava um ranking de dividendos, os campeões da lista eram bancos, elétricas e saneamento.

Eram eles os habituais dividend yields recorrentes acima de 6% ao ano.

Hoje, depois dessas quedas drásticas, esse topo da lista passou a ter habitantes diferentes.

Tem siderúrgica, indústrias, construtoras, petrolíferas (adivinha quem…), educacionais entre outras.

Uma carteira focada em dividendos está mais atrativa do que há muito não se via.

Isso não quer dizer que os clássicos pagadores de dividendos não estejam mais valendo a pena.

Eles continuam sendo os clássicos.

Acontece que as outras empresas caíram tanto nas últimas semanas que os seus dividendos, se não forem permanentemente afetados, se tornaram muito mais atrativos do que o normal.

Nos atuais níveis de preço, você não precisa mais abrir mão de crescimento das empresas para ter dividendos gordos.

Em condições normais de mercado é impossível ter os dois.

Acontece que essa loucura toda da bolsa está te permitindo ter um excelente dividendo e um grande potencial de crescimento ao mesmo tempo.

Dividend on cost é um conceito importantíssimo para você entender o tamanho da oportunidade que está diante de você.

Este é o conceito de o quanto você vai receber de dividendos não sobre o valor atual da ação, mas sobre o seu valor de compra.

É o seguinte: se hoje você compra uma ação a 10 reais e ela paga 1 real de dividendo, você tem um yield on cost de 10 por cento.

Se no futuro ela pagar 3 reais de dividendos e estiver valendo 30 reais, você vai ter um yield on cost de 30 por cento.

Enquanto o mercado vai continuar falando em 10 por cento de yield.

Pois o que interessa para você é o quanto você pagou versus o quanto de dividendo você recebe e para o mercado o que interessa é sempre a cotação atual.

A verdade é que a cotação do dia é para quem quer comprar ou vender.

Não vai ser o seu caso, né? Ou você vai querer vender e abrir mão de um dividendos desse?

Hoje você consegue comprar um ação que tem potencial elevado de crescimento a preços tão baixos que o pouco dividendo que ela distribui representa um percentual acima de 6% (patamar digno das grandes pagadoras de dividendos).

É o exemplo de MRVE3.

Ela historicamente paga um dividend yield de próximo de 3 por cento ao ano.

Mas com a atual queda no preço de suas ações, os dividendos dos últimos doze meses representam 8 por cento de rendimento ao ano.

E ela continua com seu mesmo potencial de crescimento de sempre.

Ou seja, você compra crescimento e leva um baita dividendo de brinde! Mas é só para quem aproveitar os preços de agora.

Existem vários outros exemplos, pesquise que está fácil de encontrar.

Já os yields da minha Seleção de Dividendos estão mais altos do que nunca, vários deles acima de 8 por cento ao ano para quem compra nos patamares atuais.

Em terra de Selic a 3% ao ano (que vem por aí), quem tem yield de 8% é rei.

Aproveite que bolsa de valores nunca ofereceu tantas obviedades de uma única vez.

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.

PETR4: foi pelo ralo tudo o que falei bem dela?

queda da petrobras

Caro leitor,

Sabe o que sobe num dia em que tudo cai na bolsa?

O dividend yield das suas ações boas pagadoras de dividendos.

Ontem foi um dia histórico para muitos investidores.

Teve muita gente entrando no mercado desde 2018 até agora.

Toda essa turma ainda não tinha visto uma queda grande e com certeza não tinham visto um circuit breaker tão de perto.

O que teve de gente desesperada ligando, mandando mensagem e querendo entender o que aconteceu não foi mole.

Rapidinho aqui: o mundo está apavorado com o coronavírus, isso já nem é novidade.

Novidade ficou a cargo da briga na OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) que a grosso modo é um cartel que controla a oferta de petróleo no mundo.

Funciona assim: eles sentam numa sala, combinam o quanto cada um vai produzir de petróleo, cumprem o combinado e o preço do óleo fica num patamar confortável para eles.

Acontece que essa turma aí brigou.

Jogaram o combinado para o ar e agora cada um vende o quanto quer da commodity, gerando uma oferta enorme que derrubou seu preço drasticamente.

Foi isso que aconteceu na segunda-feira.

No Brasil, a Petrobras puxou a queda das ações.

Lembra que falamos bem dela a duas semanas atrás? O que foi dito lá continua de pé.

Só que hoje precisamos adicionar esse fato acima ao cenário.

Meu palpite é que esse desentendimento do cartel não dura muito tempo.

Custa tão caro ficar brigando para todo mundo que logo eles vão se entender.

Mas vamos voltar ao assunto do início.

O Dividend Yield é o quanto a empresa paga de dividendos, dividido pelo seu preço atual.

Se o preço atual cai, o yield sobe. Matemática pura.

O legal disso é quando o preço das ações caem muito e os lucros das empresas não caem.

A Petrobrás vai ter seu lucro afetado com certeza, o quanto vai ser afetado dependerá da duração desse impasse na OPEP+.

Pode ser pouco ou muito, ainda não dá para saber.

Mas existem várias outras empresas caindo muito hoje que não terão seus lucros afetados e outras que até podem se beneficiar com esse preço mais baixo do petróleo.

Isso gera uma oportunidade gigante de “comprar renda” de dividendos por um preço muito mais em conta.

Os Yields da minha Seleção de Dividendos estão mais altos do que nunca, e os lucros das empresas não devem sofrer grandes alterações.

Essa renda nunca esteve tão barata!

Abraço.

Marcelo Fayh atua profissionalmente no mercado financeiro desde 2007. Começou como operador de Bolsa, ministrou cursos e palestras pela XP Educação e teve seu próprio escritório de investimentos. Antes de virar analista, atuou como assessor de operações de Fusões e Aquisições. Acredita que qualquer pessoa é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de escolhas e investimentos inteligentes. Escreve para o TheCap na coluna Fundos a Fundos.