A taxa Selic não caiu (errei…)

Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.
A taxa selic não caiu

A taxa Selic não caiu. Errei. É isso mesmo.

Para quem leu o recado de semana passada, estou aqui me retratando por um erro que cometi.

Em meio às críticas que fiz aos economistas que tentam prever o futuro, me aventurei a fazer uma previsão. Pra quê?

Escancaro meu erro aqui:

Achei que a Taxa Selic iria cair, mas errei.

Errei com a maioria, é verdade. E é incrível como o ser humano prefere errar com a maioria do que acertar sozinho.

Mesmo quando sabemos que é errado, vamos com a manada. É instintivo. E esse instinto acaba mais prejudicando do que ajudando.

Minha opinião (e dos economistas que tanto critiquei) era que o Banco Central reduziria a taxa de juros de 6,5% para 6,25% ao ano.

Para a nossa surpresa, o Banco Central pregou uma peça e manteve a Selic em 6,5%. Em seu comunicado de ontem (terça-feira de manhã), o BC deu a entender que encerrou por aqui o ciclo de queda da Selic.

Mas porquê a taxa Selic não caiu?

A justificativa do Banco Central para o manutenção da taxa Selic em 6,5% se baseou nos riscos externos relacionados à guerra comercial entre EUA e China.

Esse impasse externo estaria impactando fortemente no preço do dólar em relação a todas as outras moedas pelo mundo. Não se trata de um impacto exclusivo no Brasil.

A lógica é a seguinte: um título público norte-americano (as Treasuries) paga algo em torno de 3% ao ano. O título público brasileiro mais comum, o Tesouro Selic (LFT), paga em torno 6,5% ao ano.

Se a taxa Selic fosse reduzida, supõe-se que os investidores prefiram receber 3% ao ano em dólar do que 6,25% ao ano em reais.

Se isso ocorresse, poderia haver uma significativa saída de dólares do Brasil. Logo, a moeda americana poderia ficar ainda mais cara.

Para completar o raciocínio, imagine que o dólar fosse a R$ 4,00. As empresas brasileiras que tem algum custo em dólar teriam de repassar esse choque para o preço dos produtos finais. Por fim, isso se traduz em inflação.

Mas a verdade é que todo esse burburinho tem pouco efeito prático no seu bolso.

A renda fixa vai ter o seu pior retorno anual da história da mesma forma.

Aquele 1% de rendimento ao mês sem precisar pensar acabou.

Os mercados nos últimos dias estavam nervosos e o Ibovespa teve uma queda significativa.

Há motivo para ter medo?

Bom, viver é perigoso.

Investir é algo tão arriscado quanto atravessar a rua.

Enquanto os preços das ações de várias empresas boas caíram, os respectivos resultados divulgados do primeiro trimestre de 2018 não mostraram nenhuma razão para tamanha queda.

Ora, se os preços caíram (e podem, sim, cair mais) e os lucros não, significa que empresas lucrativas estão sendo negociadas a preços mais atrativos.

A volatilidade (o sobe e desce da bolsa) aqui é a sua amiga.  

Mas, ainda assim, existem empresas muito menos sujeitas a volatilidade: as pagadoras de dividendos.

Historicamente, empresas que pagam dividendos regularmente possuem menos oscilações nos preços, além de pingarem um dimdim na conta do investidor.

Menos voláteis ainda são os Fundos Imobiliários (FII), que têm a vantagem de pagar dividendos todos os meses. Na prática, é como receber alugueis todos os meses.

Para aliar rentabilidade, pinga-pinga de renda mensal e mais segurança que surgiu o Projeto Salário Vitalício.

É uma forma de ter uma segunda fonte de renda além do seu salário.

Se você não tiver muito dinheiro guardado, tudo bem. No início a sua renda extra será pequeninha, mas você pode reinvestir os dividendos e aluguéis dos FIIs, o que cria um efeito bola de neve pra lá de bom.

Se você já tiver um pé de meia interessante, essa é a melhor forma de colocar essa grana para trabalhar para você.  

Um abraço e até semana que vem.

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