Tesouro Direto: O Guia Definitivo Para Você Lucrar Com Títulos Públicos

O Tesouro Direto permite investir seu dinheiro com segurança para diferentes objetivos e rentabilidade maior que a poupança.
André Fogaça

André Fogaça

Co-fundador do GuiaInvest, pós-graduado em Economia e Consultor de Investimentos CVM

Tesouro Direto: O Guia Definitivo Para Você Lucrar Com Títulos Públicos

O Tesouro Direto é um dos investimentos mais populares do Brasil. Ele permite você lucrar com títulos públicos, que são considerados os mais seguros do mercado. 

Por conta da acessibilidade, o Tesouro Direto é bastante procurado por investidores que buscam dar o primeiro passo fora da tradicional poupança.

Mas não se engane. Esse investimento de renda fixa não é recomendado só para iniciantes ou conservadores. 

Os títulos do Tesouro Direto costumam estar presentes na carteira de investidores de todos os perfis, já que atendem a diferentes estratégias de diversificação, proteção e objetivos, com opções de títulos com prazos e rentabilidades distintas.

Com apenas R$ 30 já é possível começar a investir no Tesouro Direto, além de oferecer liquidez diária para todos os papéis.

Por esses e outros motivos, é muito importante que você entenda como funciona o Tesouro Direto para decidir em qual título e quando investir o seu dinheiro nessa modalidade.

Continue a leitura e descubra neste guia definitivo tudo para lucrar com títulos públicos.

O que é Tesouro Direto?

Tesouro Direto é um programa do Governo Federal criado em 2002 resultante de uma parceria entre o Tesouro Nacional, órgão responsável pela gestão da dívida pública, e a B3, a bolsa de valores brasileira.

Mesmo com a bolsa envolvida, vale ressaltar que o Tesouro Direto é um investimento de renda fixa, no qual o investidor já sabe quanto o seu dinheiro vai render no futuro, no momento da aplicação. 

O objetivo desse programa é facilitar o acesso de pessoas físicas aos títulos públicos, que até então só era possível para fundos de investimentos e grandes investidores.

Ao investir no Tesouro Direto, o investidor adquire um título de rentabilidade e data de vencimento definida, mas mesmo assim, é possível resgatá-lo antes do prazo final contratado.

Como funciona o Tesouro Direto

O investimento em um título do Tesouro Direto funciona como um empréstimo ao Governo Federal, que se propõe a pagar de volta, com juros, na data combinada. 

Esta é uma forma do Governo captar dinheiro para a sua gestão. Este pode ser usado, como por exemplo, para efetuar melhorias na área da saúde, educação, infraestrutura, etc.

Ou simplesmente para realizar o pagamento de outros títulos emitidos anteriormente e que eventualmente estão vencendo.

O Tesouro Direto visa negociar títulos públicos com valores acessíveis e custos baixos. 

É possível investir em frações do título, onde a quantidade mínima por investimento é de 1% do valor do papel emitido pelo governo, como o valor mínimo de investimento de R$ 30.

Por isso, os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional passaram a ser vistos como um dos produtos mais democráticos, disponíveis para qualquer pessoa física investir de maneira descomplicada e online.

Tipos de Títulos do Tesouro Direto

Na plataforma do Tesouro Direto existem várias opções de títulos públicos à venda para diferentes perfis e objetivos de investimentos.

É possível escolher entre diferentes indexadores, prazos de vencimento e fluxos de remuneração.

Antes de investir é preciso compreender bem cada um deles, já que possuem características de funcionamento próprias.

Esses títulos podem ser divididos em 3 tipos de títulos do Tesouro Direto:

  • Prefixados;
  • Pós-fixados;
  • Híbridos.

Nos prefixados, o investidor sabe, no momento da compra, exatamente quanto vai receber se mantiver o título até seu vencimento.

Já nos pós-fixados, os critérios de remuneração são conhecidos, mas o retorno total do investimento só será conhecido no momento do resgate, uma vez que esses papéis são atrelados a um indexador que sofre variações.

Por fim, existem também os títulos híbridos, que possuem parte da remuneração definida no momento da compra e o restante atrelado à variação da inflação.

TÍTULORETORNORENDIMENTOREMUNERAÇÃO
Tesouro Selic (LFT)Pós-fixadoSelic Somente no vencimento
Tesouro Prefixado (LTN)PrefixadoTaxa contratadaSomente no vencimento
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)PrefixadoTaxa contratadaSemestral e no vencimento

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)
HíbridoIPCA + Taxa contratadaSomente no vencimento
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)HíbridoIPCA + Taxa contratadaSemestral e no vencimento
Tipos de título do Tesouro Direto e suas características.

Tesouro Selic (LFT)

O Tesouro Selic é um título pós-fixado que acompanha a variação da taxa básica de juros da economia, a taxa Selic.

Assim, se a Selic subir, o título renderá mais. Se cair, renderá menos, mas o retorno será sempre positivo.

Por ser pouco volátil e ter liquidez diária, ou seja, não precisar esperar até a data de vencimento para resgatar, é uma excelente opção para uma reserva de emergência.

Tesouro Prefixado (LTN)

O Tesouro Prefixado tem seu retorno definido na data da aplicação como uma taxa fixa

Nele o investidor sabe exatamente quanto receberá se mantiver o papel até a data de vencimento.

Por outro lado, se decidir resgatar antes do prazo, pode receber um valor menor ou maior que o esperado. 

Isso acontece porque o valor do título oscila ao longo do tempo de acordo com as expectativas para os juros (marcação a mercado). Portanto, em caso de resgate antecipado, a rentabilidade depende do momento do resgate.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)

O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais é uma modalidade de título prefixado no qual o investidor também sabe no momento da compra o retorno obtido no vencimento do papel.

No entanto, duas vezes por ano é pago o chamado cupom, pagamentos periódicos de juros realizados por alguns títulos do Tesouro Direto.

A cada seis meses, o investidor recebe a remuneração acumulada no período vigente. Ou seja, o período compreendido entre o pagamento anterior e o atual. 

A vantagem disso é contar com um fluxo de caixa sem precisar vender o título antes do vencimento.

O investidor tem a opção de sacar os recursos para compor seu orçamento ou reinvesti-los.

Na data de vencimento do título ocorre o resgate total do investimento.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

O Tesouro IPCA é um título híbrido, que combina uma parte do retorno prefixado, definido no momento da compra, e outra pós-fixada, medida pela variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

No Tesouro IPCA sempre haverá um ganho real, ou seja, acima da inflação.

Como o papel fica protegido contra a inflação, o título é uma opção para manter o poder de compra do dinheiro e ainda obter algum rendimento.

Assim como acontece com o Tesouro Prefixado, o Tesouro IPCA também sofre marcação a mercado.

Dessa forma, se o investidor decidir sacar os recursos antes do vencimento, estará sujeito às condições de mercado naquele momento.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)

O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais é também um título híbrido, com parte da rentabilidade atrelada à variação do IPCA e outra prefixada.

Na opção com Juros Semestrais o investidor recebe duas vezes por ano, o valor proporcional da remuneração combinada. 

Rentabilidade do Tesouro Direto

A rentabilidade do Tesouro Direto depende primeiramente do tipo de título, depois das variações de seus indexadores e de modificações no cenário econômico.

A sua rentabilidade também pode mudar conforme o momento da compra e venda, uma vez que cada opção possui atualização diária.

Você pode consultar a rentabilidade no site oficial do Tesouro Direto.

Em 9 de março de 2022, as taxas indicadas na plataforma eram as seguintes:

Títulos do Tesouro Direto disponíveis em  9 de março de 2022. Fonte: Tesouro Direto

Prazos e resgates do Tesouro Direto

Cada título do Tesouro Direto possui uma data de vencimento, na qual o dinheiro será devolvido ao investidor acrescido dos juros acordados.

Mesmo assim, esses títulos possuem alta liquidez e podem ser vendidos a qualquer momento.

O Tesouro Nacional garante para os investidores a recompra dos títulos em caso de resgate antecipado. 

Em outras palavras, o investidor pode se desfazer do papel a qualquer momento antes do vencimento.

Porém, nesses casos, é preciso ficar atento com o efeito da marcação à mercado, que reajusta o valor do título de acordo com o momento da venda.

Sendo assim, o investidor pode vender o título com um lucro maior ou menor do que o esperado, ou ainda que a venda seja realizada com prejuízo.

Custos do Tesouro Direto

Ao investir no Tesouro Direto o investidor está sujeito a duas taxas, a taxa de custódia e a taxa de administração.

1. Taxa de custódia 

A taxa de custódia é uma taxa cobrada pela B3 referente aos serviços de guarda dos títulos e informações sobre as movimentações feitas no Tesouro.

A taxa de custódia atualmente equivale a 0,20% ao ano sobre o valor investido no Tesouro Direto. 

A cobrança é semestral ou na venda antecipada do título.

Vale destacar que investidores com até R$ 10 mil reais no Tesouro Selic estão isentos da taxa de custódia.

Somente saldos acima desse valor aplicados no Tesouro Selic são cobrados.

2. Taxa de administração 

A taxa de administração pode ser cobrada pela instituição financeira contratada para a operação a cada compra ou venda dos papéis.

No entanto, a maior parte das instituições já extinguiram essa taxa. 

Por isso, recomenda-se que o investidor pesquise se seu banco ou corretora ainda possui esse encargo na hora de investir.

O site do Tesouro Nacional informa quais as instituições credenciadas para operar no Tesouro Direto e também as taxas de administração cobradas.

Tributação do Tesouro Direto

O investimento em títulos públicos segue a mesma regra tributária da renda fixa. 

O imposto cobrado no Tesouro Direto é calculado sempre sobre o lucro, com alíquotas que variam de acordo com a tabela regressiva de imposto de renda.

Assim, quanto mais tempo você deixar o dinheiro na aplicação, menos pagará de IR. 

Essas alíquotas de Imposto de Renda são recolhidas na fonte. 

Tempo de permanênciaIR
até 180 dias22,5%
de 181 a 360 dias20%
de 360 a 720 dias17,5%
acima de 720 dias15%
Tabela Imposto de Renda – Tesouro Direto

Além do imposto de renda regressivo sobre o lucro, resgates feitos em curtíssimo prazo, abaixo de 30 dias, estão sujeitos ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). 

Ele também é calculado sobre os rendimentos do período e começa em 96%, para resgates um dia após o investimento, e vai sendo reduzido até 0% no trigésimo dia.

Vantagens do Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um investimento bastante popular devido ao seu baixo risco e acessibilidade. Afinal, com apenas 30 reais já é possível começar seus investimentos.

Além disso, os títulos públicos possuem outras vantagens que valem a pena destacar:

Baixo Risco

O investimento no Tesouro Direto é o mais seguro de todos, pois tem a garantia de pagamento do Governo Federal.

Sendo assim, é muito difícil que o Governo dê um calote. Para isso acontecer, é preciso decretar falência e muitas empresas do país terão que quebrar antes, uma vez que todo o sistema financeiro entraria em colapso se o Governo não conseguisse pagar suas dívidas. 

Baixo Custo

O Tesouro Direto cobra apenas 0,20% de taxa de custódia ao ano, uma das menores taxas do mercado.

Previsibilidade

Por ser um investimento de renda fixa, o investimento no Tesouro Direto permite que o investidor saiba qual será a sua rentabilidade ao final do prazo.

Isso traz muito mais segurança para seus investimentos, seja de curto, médio ou longo prazo.

Liquidez

O termo liquidez está relacionado à velocidade e facilidade com que você pode resgatar o dinheiro de um investimento. 

No caso dos títulos do Tesouro Direto, o investidor pode resgatá-los em qualquer dia útil e receber o valor de volta no dia útil seguinte. 

Porém, dependendo da característica do papel, podem ocorrer perdas, de acordo com o que acontece no mercado.

A exceção é o Tesouro Selic, que pode ser resgatado antes do prazo sem perdas.

Diversificação

O Tesouro Direto oferece diversos tipos de títulos que atendem diferentes objetivos.

São títulos de curto ou longo prazo, pós ou prefixados, que pagam juros semestrais, que possuem rendimento real, entre outros.

Com diferentes títulos, o investidor tem a possibilidade de diversificação voltada para cenários de baixa ou alta taxa de juros, proteção contra a inflação e objetivos diversos.

Acessibilidade

Não precisa muito dinheiro para investir no Tesouro Direto. Com apenas R$ 30 já é possível encontrar um título e começar os investimentos.

Qualquer pessoa física com CPF e conta em uma instituição financeira habilitada pode ser investidor do Tesouro Direto.

Desvantagens do Tesouro Direto

O Tesouro Direto também tem algumas desvantagens que devem ser consideradas antes de investir.

Preços de Mercado

Os Títulos Públicos possuem variação diária nos preços, fazendo com que seu patrimônio sofra uma variação. 

Assim, se o investidor vender o título antes do vencimento, o pode ter prejuízo ou ganhar mais do que o esperado.

Resgate

Apesar de ser um investimento com alta liquidez, o resgate não é imediato. Geralmente leva 1 dia útil para efetuar o saque dos valores.

Tudo depende também do horário de funcionamento do Tesouro Direto, que acontece somente em dias úteis, das 9h30 às 18h.

Como Investir no Tesouro Direto

Para investir no Tesouro Direto, você precisa de um CPF válido e uma conta em um banco, que servirá para realizar a transferência do valor a ser investido para a corretora. 

Tendo isso, confira o passo a passo de como começar a investir no Tesouro Direto.

1. Abra uma conta em uma corretora

Você pode investir no Tesouro Direto direto no banco ou corretora em que já tem conta, caso estas sejam credenciadas para operar no Tesouro.

Se não tiver, cadastre-se em uma instituição, de preferência para as corretoras de valores que oferecem taxa zero para o Tesouro Direto.

2. Solicite seu cadastro no Tesouro Direto

Faça seu cadastro do Tesouro Direto diretamente na corretora escolhida.

Depois de preencher os dados, você receberá por e-mail uma senha provisória da B3, para acessar a área restrita no site do Tesouro Direto. 

Verifique seu e-mail com a senha provisória e, por questões de segurança, troque a senha por uma nova.

3. Transfira o dinheiro

Transfira o valor que quer investir da sua conta bancária para sua conta na instituição em que se cadastrou no Tesouro Direto.

4. Escolha o título que atende seus objetivos

Escolha o título público que quer investir e dê a ordem de compra.

Você pode investir pela plataforma da instituição em que fez o cadastro, pelo portal ou pelo APP oficial do Tesouro Direto.

Horários de Funcionamento do Tesouro Direto

É possível comprar ou vender os títulos do Tesouro Direto nos dias úteis, em horário comercial, das 9h30 às 18h, com os preços e taxas operados no momento da transação.

Das 18h às 5h, nos finais de semana ou feriados, os preços e taxas exibidos no site do Tesouro Direto são apenas para referência. 

É possível realizar investimentos e resgates, mas estes serão considerados com os preços e taxas de abertura do mercado do próximo dia útil.

No intervalo das 5h às 9h30min, o sistema fica fechado para manutenção. 

Confira na tabela abaixo os horários para compra/venda e agendamentos do Tesouro Direto:

HorárioSegundaTerçaQuartaQuintaSextaSábadoDomingo
05:00 às 09:30ManutençãoManutençãoManutençãoManutençãoManutençãoAgendamentoAgendamento
09:30 às 18:00AbertoAbertoAbertoAbertoAbertoAgendamentoAgendamento
18:00 às 05:00AgendamentoAgendamentoAgendamentoAgendamentoAgendamentoAgendamentoAgendamento
Fonte: The Capital Advisor

Resumindo

O Tesouro Direto é um investimento de renda fixa no qual o investidor empresta dinheiro para o Governo financiar suas atividades.

No final do prazo ou quando o investidor desejar, ele pode resgatar seu dinheiro e receber corrigido conforme as regras de cada título.

Por possuir diferentes tipos de títulos, com seus próprios indicadores, rentabilidade e prazos, os títulos públicos são uma ótima alternativa para diversificar e proteger o patrimônio.

Eles também são vistos como uma alternativa mais segura e mais rentável que a poupança e estão presentes na maioria dos portfólios de investidores de variados perfis, estratégias e conhecimento de mercado.

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