Uma ação boa para longo prazo, mas que pode dar uma “porradinha” no curto prazo

Não é difícil colocar na cabeça que ações é um bom negócio no longo prazo. Difícil mesmo é assimilar que o fato de que ser bom para o longo prazo é sinônimo de que nem todo dia, semana, mês ou ano a sua ação vai subir. Bolsa não é sempre para cima nem no mais eufórico ciclo de alta, nunca vai ser.
Martin Kirsten

Martin Kirsten

Sócio do GuiaInvest. Mestre em Economia pela UFRGS e assina o Recado do Economista.

Olá, como você vai?

Volta e meia tenho aquele amigo que me questiona: “Ok, Martin, já entendi que ações é negócio para longo prazo, mas não tem nenhuma empresa que já pode dar uma ‘porradinha’ agora, no curto prazo?”.

Dá para entender. 

É fácil colocar na cabeça que ações é um bom negócio no longo prazo.

Difícil mesmo é assimilar que o fato de que “ser bom para o longo prazo” é sinônimo de que nem todo dia, semana, mês ou ano a sua ação vai subir.

Bolsa não é sempre para cima nem no mais eufórico ciclo de alta. 

Nunca vai ser.

A Magazine Luíza não subiu quase 40.000 por cento de forma linear e bem comportada. 

No meio do caminho, muito apressadinho perdeu dinheiro com a ação, que teve correções negativas de 40 e tantos por cento nesse período.

O fato é que para se dar bem com ações tem que ter muita paciência e zero vaidade.

Investir em ações não é um jogo de se acumular vitórias, nem de jogar bonito.

É um jogo de acumulação de ativos, de disciplina, de fazer a mesma jogada sempre.

Você ganha muito mais comprando ações todos os meses do que vendo um único investimento subindo x por cento em poucos meses. 

Francamente, se uma ação sobe muito em pouco tempo isso não passa de sorte.

Competente é quem não abandona seu processo de investimento porque “o mercado já subiu demais e está muito esticado” ou porque “está tudo caindo”.

Na bolsa, ganha mais quem fica mais tempo e quem investe mais vezes.

Nada cai nem sobe para sempre. 

A direção do preço das ações que você compra é para onde os lucros dela forem.

Para ser o mais simplista possível: se você comprar empresas sem histórico recente de prejuízos todos os meses, a chance de você estar rico daqui a uns 10 ou 15 anos é muito grande. 

E isso basta.

Esqueça turnarounds (empresas que vão reverter prejuízos e disparar) ou privatizações de estatais.

Aqui a chance de erro aumenta muito e mesmo escolhendo empresas que só lucram, uma ou outra você vai errar.

Você vai errar inevitavelmente e, por isso, tem que escolher o caminho mais conservador possível.

Lembre que dinheiro não tem marca. 

Não faz nenhuma diferença você dobrar o capital com as ações mais caretas da bolsa, como uma Itaúsa, ou com a mais “disruptiva”, como Banco Inter.

O método mais simples e mais tosco pode ser a alternativa mais adequada para se ganhar dinheiro na bolsa. O difícil aqui vai ser se despir de vaidades e acreditar nisso até o final.

Me desculpa, mas não conheço espertinho que ganhou dinheiro na bolsa porque teve a sacada que ninguém teve.

Pelo contrário, os maiores ganhadores de dinheiro da bolsa são idosos caretas e que não fizeram nada de emocionante com o seu dinheiro, apenas passaram uma vida inteira comprando ações de boas empresas.

Aceite: investir é chato como ficar vendo a grama crescer. 

Se te empolga muito ver o seu papel subir ou te deixa nervoso ver o seu papel cair, talvez investir não seja para você. 

Agora se você está disposto a escolher entre 8, 12 ou 15 ações que seja, comprar um pouquinho cada mês durante os próximos 10, 15, 20 anos, investir na bolsa é para você mesmo e a única coisa que você precisa fazer é não errar muito feio.

A nossa plataforma ajuda você a escolher as melhores e mais entediantes ações da bolsa.

Se é para se divertir, melhor ir para o bar com os amigos.

E para não fugir do assunto, a soltura de Lula não altera as perspectivas que já tínhamos para bolsa na nossa visão. 

Reforçamos o bom momento para bolsa no Joesley Day, na greve dos caminhoneiros, nas eleições e agora reforçamos, novamente, que ainda deveremos ter alguns anos de bolsa subindo.

Esqueça os ruídos.


Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

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