Neymar, médico e cliente do Guiainvest, tinha R$ 2 milhões investidos em renda fixa, numa carteira conservadora bem distribuída entre Tesouro Direto e CDBs de bancos grandes. Parecia uma alocação sólida e organizada.
O problema não estava nos ativos que escolheu, mas no imposto alto que pagava sem necessidade, especialmente porque precisava resgatar parte dos rendimentos todo mês para cobrir as despesas do dia a dia.
Em doze meses, com rentabilidade bruta próxima de 13%, a carteira gerou cerca de R$ 260 mil. Desse ganho, o Imposto de Renda levou uma fatia entre 20% e 22,5%, dependendo do prazo de cada resgate, o que resultou em aproximadamente R$ 54 mil só de IR.
Nada ilegal, nada errado. Apenas uma estrutura tributária que nunca foi pensada estrategicamente.
Essa é uma pergunta que quase nunca surge nas reuniões com o assessor: qual é a alíquota efetiva que o portfólio inteiro está pagando de verdade? E seria possível manter o mesmo nível de segurança e qualidade, só que pagando menos imposto?
Na maior parte dos casos, a resposta é sim.
A tabela regressiva da renda fixa é conhecida: começa em 22,5% para resgates de até 180 dias, cai para 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e chega aos 15% apenas depois de dois anos.
Para quem precisa usar o dinheiro com frequência, como era o caso dele, fica muito difícil chegar à alíquota mínima.
É exatamente aqui que os ETFs de renda fixa listados na B3 fazem diferença. Quando o fundo tem prazo médio de repactuação da carteira acima de 720 dias, o IR fica fixo em 15%, independentemente de quanto tempo você mantém as cotas, seja três meses ou três anos.
Um exemplo que se encaixa bem nesse perfil é o LFTB11.
Ele replica títulos públicos majoritariamente pós-fixados atrelados à Selic, com uma pequena parcela de proteção inflacionária.
Por causa dessa composição, ele consegue entregar a alíquota de 15% com uma oscilação de cotas relativamente controlada, o que o torna interessante para quem quer eficiência tributária sem abrir mão de estabilidade.
No caso dele, os mesmos R$ 260 mil de rendimento teriam gerado apenas R$ 39 mil de IR via LFTB11, uma economia de R$ 15 mil em um único ano. Como os resgates eram frequentes, essa diferença se repetiria ciclo após ciclo, fazendo uma diferença relevante no patrimônio ao longo do tempo.
Além disso, o ETF ainda traz a vantagem de reinvestir automaticamente os rendimentos dentro da carteira, sem incidência imediata de imposto, e não sofre come-cotas, ao contrário dos fundos tradicionais.
É claro que não existe solução perfeita. Mesmo o LFTB11 tem marcação a mercado e pode oscilar um pouco em momentos de forte ajuste na curva de juros.
No fim das contas, o que costuma faltar não é acesso a bons produtos. Falta alguém que olhe o portfólio como um todo e faça a pergunta fundamental antes de qualquer alocação: qual alíquota efetiva estamos pagando aqui e existe uma forma mais eficiente de alcançar o mesmo objetivo?
Essa conversa raramente acontece no mercado. Não porque o assessor desconheça as opções, mas porque o produto que ele costuma oferecer quase nunca é o mais eficiente para o cliente.
Se esse raciocínio ressoou com a sua situação, vale a pena marcar um diagnóstico patrimonial mais aprofundado.
Forte abraço!
Eduardo Voglino






