Estive na Best Buy da 5th Street aqui em Miami nesta semana porque precisava comprar alguns equipamentos para o escritório de casa e algo curioso aconteceu. Enquanto eu comparava especificações de roteadores e dispositivos de automação percebi um detalhe que para a maioria das pessoas passa despercebido mas que para nós conta uma história de trilhões de dólares. Eu peguei a caixa de um produto de uma marca americana famosa e procurei a etiqueta de fabricação esperando encontrar o onipresente “Made in China” que dominou o mundo nas últimas três décadas. Para minha surpresa o que estava escrito ali era “Made in Vietnam” e no produto ao lado “Made in Mexico”.
Pode parecer apenas uma mudança geográfica irrelevante ou uma curiosidade logística sem importância para quem está apenas comprando um eletrônico. A verdade é que essa pequena mudança de etiqueta representa o fim de uma era econômica e o início de um ciclo muito mais caro para o seu patrimônio. O que eu presenciei naquela prateleira é a manifestação física de um fenômeno que está redesenhando a geopolítica e a economia global. Durante trinta anos vivemos sob a regra da eficiência máxima onde o capital fluía livremente para onde a mão de obra fosse mais barata e a produção mais escalável.
Esse modelo permitiu que o mundo ocidental desfrutasse de produtos baratos e inflação controlada por décadas pois exportamos nossa produção para a Ásia e importamos deflação. Foi um período de “paz comercial” onde o preço era o único fator decisivo na hora de montar uma cadeia de suprimentos global. O que aquela etiqueta “Made in Mexico” me diz é que a eficiência morreu e foi substituída pela segurança nacional. Não estamos mais procurando o lugar mais barato para produzir mas sim o lugar mais seguro e politicamente alinhado com os interesses do Ocidente.
Os economistas chamam isso de friend-shoring ou near-shoring mas eu prefiro chamar de “globalização de trincheira”. O mundo está se dividindo novamente em dois grandes blocos econômicos e políticos que não conversam mais na mesma língua comercial. De um lado temos os Estados Unidos e seus aliados reindustrializando a América do Norte e a Europa a um custo altíssimo. Do outro lado temos a China e seus satélites tentando criar um ecossistema próprio longe das sanções e do controle do dólar.
O problema é que duplicar cadeias de produção custa dinheiro e quem paga essa conta no final do dia é o consumidor e o investidor. Construir uma fábrica de semicondutores no Arizona ou montar uma linha de montagem em Guadalajara é infinitamente mais caro do que manter as coisas como eram em Shenzhen. Estamos trocando a eficiência pelo custo da segurança e isso significa que entramos em uma década de inflação estruturalmente mais alta. Aquela inflação transitória que os bancos centrais prometeram era uma ilusão porque a causa não é apenas monetária mas sim a reconstrução física do comércio global.
Isso cria uma espécie de “nova Cortina de Ferro” que é invisível aos olhos mas extremamente pesada no bolso de quem não está preparado. Essa barreira comercial impõe tarifas e custos logísticos que tornam tudo mais caro e menos acessível do que estávamos acostumados. Se antes a globalização derrubava os preços agora a fragmentação global os empurra para cima de forma consistente. Se o seu dinheiro está rendendo juros nominais de “tempos de paz” você vai empobrecer rapidamente nessa nova era de “guerra fria comercial”.
Para o investidor brasileiro que mantém a maior parte do patrimônio no Brasil esse cenário é duplamente perigoso. O Brasil infelizmente não é um protagonista nessa reorganização das cadeias globais de valor e acaba sofrendo os efeitos colaterais. Nós importamos a inflação em dólar desses produtos mais caros e sofremos com a desvalorização da nossa própria moeda perante esse cenário de incerteza. Quando você compra um iPhone ou um carro importado você está pagando o preço dessa nova estrutura global com uma moeda que perde valor a cada dia.
A reflexão que eu quero provocar em você hoje não é sobre geopolítica abstrata mas sobre a defesa prática do seu poder de compra. Se o mundo está se fechando em blocos de confiança faz sentido manter todo o seu capital em um país que está à margem desse jogo? O investidor inteligente precisa garantir que o patrimônio dele jogue no time que detém a tecnologia o consumo e a moeda de reserva. Você precisa estar posicionado onde as novas fábricas estão sendo construídas e onde o capital intelectual está sendo preservado.
Estar exposto aos Estados Unidos hoje não é apenas uma questão de diversificação geográfica tradicional. É uma questão de sobrevivência patrimonial diante de um mundo que se tornou mais hostil e fragmentado. As empresas que vão lucrar com essa reindustrialização do Ocidente estão listadas aqui em Nova York e não na B3. São elas que estão recebendo os subsídios governamentais e os investimentos maciços para trazer a produção de volta para casa ou para países amigos.
Eu vejo muitos investidores preocupados com a volatilidade de curto prazo do mercado americano ou com as taxas de juros do Fed. Eles estão olhando para a árvore e esquecendo de olhar para a floresta que está pegando fogo ao redor. O risco real não é a oscilação da cotação da semana mas sim ficar posicionado do lado errado dessa nova barreira comercial. Se você ficar isolado em uma economia emergente enquanto as grandes potências blindam suas economias você será a pessoa que paga a conta dessa transição.
O custo de vida vai subir em dólares e a tecnologia vai ficar mais restrita aos blocos que a produzem. A única forma de neutralizar esse “imposto invisível” da desglobalização é ser sócio das economias que estão liderando esse movimento. Você precisa ter ativos que se beneficiam dessa inflação de custos e não apenas uma carteira que sofre com ela. Isso exige uma mudança de mentalidade que vai além de buscar o CDI do mês.
Quando saí da loja com minha compra eu olhei novamente para a nota fiscal e percebi que o preço já refletia essa nova realidade. Aquela etiqueta “Made in Vietnam” é o símbolo de um mundo onde a segurança custa caro e a neutralidade é um luxo que o investidor não pode mais bancar. O mundo escolheu seus lados e o seu dinheiro precisa escolher um também antes que as barreiras se fechem de vez.
Não espere que os jornais anunciem o “fim da globalização” com letras garrafais porque isso já aconteceu nos bastidores das linhas de produção. O aviso está nas prateleiras das lojas e nos relatórios de balanço das multinacionais que estão movendo bilhões de dólares para fora de zonas de risco. A pergunta que fica para o seu final de semana é simples e direta. Sua carteira de investimentos está preparada para um mundo mais caro dividido e protecionista ou ela ainda vive na nostalgia dos produtos baratos?
Você pode pagar a conta dessa nova ordem global ou posicionar seu capital para lucrar com ela.
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