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O que Você Perdeu Enquanto Tentava Não Perder Nada

Se o seu assessor recomenda um investimento porque paga uma comissão maior para ele e não porque é o melhor para você, o custo é a rentabilidade que você deixa de ter.
Imagem: freepik.

“Não posso escolher. Não posso escolher!”

O grito de Sofia ecoa na plataforma da estação de trem, diante de um oficial nazista que lhe impõe uma decisão sádica e impossível: escolher qual dos seus dois filhos poderá sobreviver. 

O outro seria levado para a morte imediata. Se ela se recusasse a escolher, ambos morreriam.

A cena, clímax do romance e filme A Escolha de Sofia, é talvez a ilustração mais visceral e dolorosa já feita sobre o peso de uma decisão. 

Naquele segundo terrível, a escolha de salvar um implicava, necessariamente, na perda irreparável do outro.

Eu começo a nossa conversa de hoje com essa imagem forte não para te chocar, mas para trazer à tona uma verdade que muitas vezes tentamos ignorar: toda escolha implica uma renúncia.

Não existe “ficar com tudo”.

Na economia e nos investimentos, chamamos isso de Custo de Oportunidade.

É um conceito que parece teórico, coisa de sala de aula, mas que na verdade dita cada segundo da sua vida financeira. E entender isso é o que separa quem constrói patrimônio de verdade de quem passa a vida correndo atrás do próprio rabo.

A Ilha e o Investidor

Vamos aliviar um pouco o clima e pensar em Robinson Crusoé.

Imagine que você está naufragado em uma ilha deserta. Você tem apenas 12 horas de luz do dia. Se você decidir gastar 10 horas construindo uma cabana extremamente segura contra tempestades, isso tem um custo.

O custo não é dinheiro. O custo é que você não usou aquelas horas para pescar ou procurar água potável. Você terá um teto excelente, mas vai dormir com sede e fome.

Crusoé vivia em um estado de trade-off constante. Para ter A, ele precisava abrir mão de B.

Nos investimentos, a lógica é idêntica, mas o “vilão” é invisível.

Muitas vezes, converso com investidores que me dizem com orgulho: “André, meu dinheiro está seguro na Poupança” ou “Deixei tudo naquele fundo DI do banco porque não quero correr risco”.

Eles acreditam que, ao não fazer nada arriscado, não estão perdendo nada.

E é aí que mora o perigo.

O custo de oportunidade de deixar seu dinheiro parado em uma aplicação que rende abaixo da inflação real não é zero. O custo é a diferença entre o que você está ganhando e o que poderia ter ganhado se tivesse uma alocação inteligente.

Se o seu dinheiro rende 6% ao ano na “segurança” do banco, mas poderia estar rendendo 12% em uma carteira balanceada de dividendos e renda fixa premium, o seu custo de oportunidade é de 6% ao ano.

Ao longo de 20 anos, essa diferença não compra apenas um carro novo. Ela compra a sua liberdade ou a condena a trabalhar cinco, dez anos a mais do que o necessário.

O Dilema do Atleta e o Falso Equilíbrio

Existe uma outra armadilha mental que vejo muito, especialmente em profissionais bem-sucedidos, como médicos, engenheiros e empresários.

É a síndrome do “Estudante Atleta”.

Imagine um jovem talentoso que precisa decidir: ou ele se dedica 100% aos estudos para passar em medicina, ou se dedica 100% aos treinos para tentar ser um atleta olímpico.

O tempo e a energia investidos em um caminho são retirados do outro. Tentar fazer os dois com excelência máxima geralmente resulta em ser medíocre em ambos.

No mercado financeiro, vejo muitos investidores tentando ser o “Estudante Atleta”.

Você tem sua carreira, sua clínica, sua empresa, sua família. Seu tempo é escasso. Mas, ao mesmo tempo, você tenta acompanhar o mercado minuto a minuto, ler relatórios complexos no fim de semana, operar opções ou fazer day trade na hora do almoço.

Qual é o custo de oportunidade aqui?

Primeiro, é a sua paz.

Segundo, é o foco na sua profissão, que é sua principal fonte de geração de riqueza.

E terceiro, e mais irônico, é a rentabilidade.

Ao tentar gerir tudo sozinho, sem método e sem tempo hábil, você provavelmente está deixando passar as melhores oportunidades ou entrando atrasado nelas.

O Seneca, em sua obra Da Brevidade da Vida, já nos alertava há dois mil anos: “Não é que tenhamos pouco tempo, mas desperdiçamos muito dele”.

Quando você gasta seu tempo precioso tentando decifrar qual é a próxima “ação da moda” em vez de focar no que você controla e na sua carreira, você está pagando um custo de oportunidade altíssimo. Você está pagando com vida.

O Preço do “Não Agora”

Talvez a forma mais perigosa do custo de oportunidade seja a inação.

“Vou esperar o cenário político melhorar.” “Vou esperar a taxa de juros cair.” “Vou esperar passar o carnaval.”

Cada dia que seu capital fica parado, esperando o “momento perfeito”, é um dia a menos que os juros compostos trabalham a seu favor.

O tempo é o maior aliado do investidor.

Não investir hoje porque o cenário está incerto é uma escolha. E essa escolha tem um preço. O preço é o crescimento exponencial que você mata no berço.

Muitas vezes, a inação vem disfarçada de prudência. Mas, na prática, pode ser apenas medo paralisante. E o mercado cobra caro por esse medo.

Como diz Howard Marks, um dos maiores gestores do mundo: não se trata de acertar o futuro, mas de se posicionar de forma que, independentemente do cenário, você sobreviva e prospere.

A espera pelo momento ideal é uma ilusão que custa milhões ao longo de uma vida.

O Custo da “Assessoria Gratuita”

Por fim, preciso tocar num ponto delicado, mas necessário.

Existe um ditado japonês que gosto muito: “Tada yori takai mono wa nai”. Significa: “Nada custa mais caro do que aquilo que é dado de graça”.

Muitos investidores mantêm seu patrimônio em grandes bancos ou corretoras sob a tutela de assessores comissionados porque, aparentemente, “não custa nada”. O serviço é gratuito.

Mas qual é o custo de oportunidade aqui?

É o conflito de interesses.

Se o seu assessor recomenda um produto porque ele paga uma comissão maior para ele (como um COE ou um crédito privado de longo prazo) e não porque é o melhor para você, o custo é a rentabilidade que você deixa de ter.

Você economiza na taxa de consultoria, mas perde na performance da carteira e na eficiência tributária.

No final das contas, o “grátis” sai caríssimo.

O Que Você Vai Escolher?

Toda manhã, quando você acorda e decide não olhar para suas finanças com seriedade, você está fazendo uma escolha.

Quando você deixa o dinheiro na poupança por preguiça de abrir conta em outro lugar, é uma escolha.

Quando você aceita a sugestão do gerente do banco sem questionar, é uma escolha.

A questão não é se arrepender das escolhas passadas. O leite derramado já foi. A questão é: o que você vai escolher daqui para frente?

Você vai continuar pagando o custo invisível da inação e da falta de estratégia? Ou vai assumir que, para ter o futuro que você sonha (a tal jangada de Robinson Crusoé para sair da ilha), você precisa alocar seus recursos — tempo e dinheiro — com inteligência?

Investir com sabedoria é, antes de tudo, saber o que você não pode se dar ao luxo de perder.

Se você quer entender exatamente quais custos invisíveis estão drenando o potencial da sua carteira hoje, minha equipe pode ajudar a colocar isso na ponta do lápis.

Convido você para uma Sessão de Diagnóstico Patrimonial Gratuito com um de nossos especialistas, onde vamos mapear esses pontos cegos e mostrar o que você realmente pode ganhar ao fazer as escolhas certas.

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