IVVB11 e outras oportunidades

oportunidades na bolsa

Olá, como você vai?

Protocolos de tratamento.

Vacinas.

Anticorpos.

Começam a ser mais frequentes as notícias de uma eventual quebra de paradigma que pode acelerar o fim da quarentena.

Se vai ser logo ou não, não sabemos.

Se vai funcionar ou não, também não sabemos.

Mantenhamos nossos pés no chão, esperando pelo melhor, preparados para o pior.

Opiniões são apenas opiniões e não mudam a verdade.

Vamos então trabalhar com cenários… E se o Brasil ficar em último na fila para uma eventual vacina?

Todo mercado lá fora em festa e nós aqui amargurando mais alguns meses.

O dólar subiria mais? O S&P 500 voltaria às máximas?

O IVVB11 acompanharia positivamente esse movimento.

Mas insisto: será que vale a pena?

Teria o dólar já subido demais ante o real?  Não poderemos nos surpreender se o dólar voltar aos 4, nem se subir para 7.

Para onde vai a bolsa brasileira até o final do ano?

Não sabemos.

De toda forma, poderíamos destinar, que seja, uma fração de 10 por cento do nosso portfólio ao mercado internacional.

Um simples ETF de IVVB11 até pode quebrar o galho, tal qual o BOVA11 quebra o galho também para quem quer se expor à bolsa brasileira.

Mas as vezes é interessante procurar por qualidade lá fora também, assim como procuramos aqui.

Tá todo mundo querendo achar uma desculpa pra investir nas empresas americanas…

E o Brasil, como anda?

Enquanto isso, segue a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2020 nas empresas listadas na B3.

Como tivemos um janeiro excelente, um fevereiro esquisito e um março horrível, os resultados ainda não refletem a realidade dos efeitos da pandemia.

Não adianta medir a temperatura da barriga de alguém que está com a cara no forno e os pés no freezer.

Os bancos já fizeram questão de provisionar uma tragédia nos seus balanços, antecipando o pior.

Mas já se sabe que nem todas as empresas sofrem igual.

Já se sabe que nem todas as empresas sofrem, Suzano e Klabin que o digam.

Deduz-se disso que se nem todas empresas sofrem igual, mas todas tiveram quedas fortes da cotação, há empresas baratas dando sopa.

Claro, é necessário cuidado… uma Gol e uma Azul perderam 70 por cento de valor de mercado, mas será que ficaram baratas?

Pergunta-se o mesmo sobre CVC: ainda que o turismo não irá acabar, ficou barato comprar a líder do setor de turismo?

Nada é óbvio nesse mundo.

Diversificar é uma defesa para quem não sabe o que está fazendo.

Ora, se nem Buffett sabe o que está fazendo, afinal, carrega mais de 40 empresas no seu portfólio, vamos diversificar por aqui também.

Mas enfim, fique de olho em alguns bancos grandes, algumas elétricas e empresas de construção.

É só com crise sanitária, econômica e política juntas que se acha os preços atuais.

Não à toa, a atualização do Score-Line System trouxe 23 nomes de empresas que ficaram ridículas de baratas e estão aí dando sopa.

Cuidado com a exposição, mas cuidado para não se expor a nada também.

Seguimos em frente.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Plano Prático de Investimentos: aqui e agora

Plano de investimentos

Olá, como você vai?

Indo muito direto ao ponto, hoje vamos montar uma carteira para um investidor de perfil de risco mais moderado, bem adequada para o momento.

Nessas horas muita gente já entrou em pânico ou ainda está meio paralisado, sem saber o que fazer com os seus investimentos.

Mas o fato é que adotar um postura estratégica em momentos extremos tende potencializar significativamente os ganhos lá na frente.

Por isso hoje vou dar um panorama bem geral de como você pode ajustar a sua carteira agora.

Vamos supor uma quantia de 100.000 reais aplicado, para facilitar a matemática.

Primeira necessidade: preservação de capital.

Metade desse dinheiro deve estar livre de oscilações e disponível para qualquer emergência.

Para esta finalidade, destine 50 mil reais para um Tesouro Selic ou algum fundo DI barato.

Segundo ponto: no Brasil até o passado é incerto e, mesmo em um ambiente de inflação em queda (e possível deflação) por conta da crise, devemos estar blindados da inflação no futuro, já que pode haver um efeito rebote.

Por isso vale destinar um naco de 10 mil reais para título indexados ao IPCA com vencimento longo. O meu favorito é o Tesouro IPCA+ 2045.

Dos 40 mil restantes, colocaria 20 mil nas boas e velhas ações, afinal, é um casamento.

Tem que ter, na boa e na ruim. Para muitos esse raciocínio não faz sentido, mas aqui todo esse racional é devidamente explicado.

Dos 20 mil restantes, há duas opções: você pode ser mais agressivo ou mais estratégico.

Aqui não existe verdade absoluta, não existe melhor ou pior: é questão de perfil.

Ser mais agressivo aqui significa adicionar risco, ou seja, aumentar mais 20 mil em ações ou fundos imobiliários, sob risco de sofrer mais com a volatilidade.

Lembre: sempre estamos falando de ações de boas empresas, nada de aposta de “empresa que deve melhorar no futuro”.

E sempre lembrando: ação de empresa boa oscila igual a ação de empresa ruim.

A diferença é que a empresa boa tende a subir no longo prazo e a empresa ruim tende a, no máximo, não sair do lugar.

Agora para quem quer ser mais estratégico e quer tentar reduzir a volatilidade da carteira (abrindo mão de algum ganho no longo prazo, afinal há custo de oportunidade), é possível comprar proteções.

Daí há uma gama vasta de opções: moedas, ouro e operações estruturadas.

Claro, nessas vias é preciso uma orientação mais de perto, não é o tipo de coisa que é para você sair fazendo por conta própria, sob o risco de nem ganhar dinheiro e nem se proteger.

Tem gente que faz isso muito bem e dá certo.

Passado isso, o importante é seguir fazendo aportes novos da forma mais regular possível, ajustando isso a sua realidade.

A questão é: comece.

Comece com o que você tem hoje e do jeito que der.

O hábito de investir vai estimular você a, aos poucos, ir arrumando a casa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Armínio, Tempestade Perfeita e tendências seculares

arminio crise coronavirus

Olá, como você vai?

Quinta-feira passada assisti a live de Armínio Fraga em que ele monta a sua tese de tempestade perfeita acerca do Brasil.

Ela seria composta de uma tríade de crises: a sanitária, a econômica e a política, com as 3 se retroalimentando entre si em um círculo vicioso.

Apesar de toda argumentação lógica do ex-presidente do Banco Central fazer todo sentido, ela é bastante pessimista.

A 3 crises são latentes, sem dúvida nenhuma.

A sanitária, a mais grave de todas, deve tomar os seus piores contornos nas próximas semanas.

Essa crise exige aumento de gastos do governo em meio a uma quarentena, ou seja, em um ambiente em que a arrecadação tributária irá sofrer uma queda forte e os gastos precisarão subir para se evitar o pior.

Não sobrou fiscalista para defender o contrário.

Enquanto isso, a relação entre os poderes parece disfuncional, somado a isso as recentes saídas de dois ministros importantes, Sérgio Moro e Henrique Mandetta.

A constante presença do presidente Bolsonaro em manifestações e uma união do governo com o Centrão também são fatores que deixam a trajetória da estrada ainda mais nebulosa.

Dito tudo isso, uma piora do quadro fiscal está dada.

Teremos de fato um déficit primário (resultado das contas do governo antes do pagamento de juros e amortização da dívida pública) na casa dos 8-10 por cento do PIB, um resultado sem precedentes mas que será temporariamente necessário.

O Brasil, na posição de país emergente, já sofre com isso e, não à toa, o dólar já chegou a morder a casa dos 5,70.

Só não temos inflação por conta disso por já estarmos vindo de um cenário econômico ruim antes do Coronavírus e por toda capacidade ociosa que temos na economia.

2020 selou uma década perdida.

Triste, mas vida que segue.

Armínio se mostrou muito preocupado com a situação das pessoas mais vulneráveis, do meio ambiente e das empresas no Brasil, dada a nossa falta de infraestrutura e educação.

A partir disso ele pontuou que não acha que a bolsa brasileira esteja tão barata.

De toda forma, Armínio colocou dois pontos importantes sobre investimento em bolsa:

  • Se ele não tivesse nada em ações, agora seria um momento para entrar em alguma coisa;
  • Se o seu prazo de investimento é longo, acima de 20 anos, agora é um bom momento;
  • No momento, ele tem mais medo de entrar errado do que perder uma pernada de alta.

Digamos que concordo com tudo que Fraga falou, mas tomo a liberdade de pontuar além.

A questão central aqui é que se você pretende estar ganhando daqui a um ano, talvez a bolsa não seja para você.

Em nenhuma hipótese, mesmo estivéssemos vivendo sob um céu de brigadeiro.

Não que você não possa estar ganhando daqui a um ano, inclusive acho bem provável que isso aconteça.

Mas isso não validaria a entrada na bolsa com intenção de ganhos de curto prazo ou para quem entrar de qualquer jeito.

Discordo de Armínio que a bolsa não esteja barata, mas talvez estejamos de acordo se a hipótese for de que a bolsa não esteja barata para se entrar de qualquer jeito nela.

Quando o mercado está bombando, quanto pior a ação que você tiver, mais ela pode se valorizar, pois você está em um ponto do ciclo em que o que é bom já se valorizou.

De fato correr mais riscos se torna um pouco necessário, daí uma fuga para small caps ou até mesmo cases de turnaround faz algum sentido. Mas não agora.

Agora, mais do que nunca, é preciso focar em qualidade.

Acredito ter falado disso em todas as semanas desde que os riscos do Coronavírus foram postos.

A chave daqui para adiante está na simplicidade e na humildade.

Humildade para assumirmos que não conhecemos o vírus, não entendemos sua dinâmica, os seus possíveis remédios, nem a sua cura.

Vamos deixar paro os infectologistas e para os pesquisadores que procuram vacinas e tratamentos.

Me desculpem os conspiracionistas, mas até mesmo a China ainda está sofrendo muito com esse baque que o mundo sofreu.

Não sabemos do futuro e temos que trilhar os caminhos mais previsíveis possíveis, se é que existe algo previsível.

Falo também da simplicidade porque é preciso investir em boas empresas tentar fazer projeções ou modelos (têm como projetar ou modelar algo agora?).

O momento é de olhar para a reputação e histórico das empresas.

Claro, é importante levar em conta tendências seculares.

O e-commerce está mais forte do que nunca, o que é bom para Magazine Luíza (MGLU3), ViaVarejo (VVAR3), B2W (BTOW3), Centauro (CNTO3).

O brasileiro está mais educado financeiramente e as plataformas estão crescendo, assim como o número de CPFs em bolsa. Bom para B3 (B3SA3) e BTG Pactual (BPAC11).

O serviço de um banco digital é realmente disruptivo e de agradável experiência.

Mas na hora do aperto, da necessidade de se financiar, as empresas estão correndo para Santander (SANB11), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4 ou ITSA4, tanto faz) e Banco do Brasil (BBAS3), que além de grandes e sólidos, possuem capacidade de atender uma demanda por liquidez das empresas e população em geral.

O ensino a distância vai se fortalecer. Ponto para Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3).

A Vivo (VIVT4) surfa essa onda de carona.

Varejo farmacêutico se mostrou essencial: Raia Drogasil (RADL3) e Hypera (HYPE3) se destacam.

Além disso, serviços de utilidade pública mostram sua perenidade. Ponto para Sanepar (SAPR11), Taesa (TAEE11), Transmissão Paulista (TRPL4) e diversas outras.

Descolada das demais, Weg (WEGE3) segue voando.

Dólar lá nas alturas beneficia muito Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11).

Atendendo a uma cadeia de suprimentos básicos que não podem parar, Rumo (RAIL3 ou RLOG3) segue a todo vapor.

Outras empresas top de linha podem sofrer agora mas sem dúvida se fortalecerão no pós-crise vendo a concorrência definhar: Lojas Renner (LREN3), Natura (NTCO3), Localiza (RENT3).

Vale citar aqui também Vale (VALE3), Pão de Açúcar (PCAR3) e frigoríficos (JBBS3, MRFG3, BRFS3, BEEF3).

A questão aqui é sempre do foco na qualidade.Repito.

Se você comprar ações agora, em 2025 vai lembrar de como eram bons os preços de 2020.

O que você não pode é assumir riscos desnecessários, esqueça Azul e Gol por um momento.

Petro Rio pode ser ótima, mas vale a pena correr esse risco se uma Itaúsa está barata?

Para Banco Inter, Banco Pan e afins vale a mesma ideia.

Não há razão para inventar moda no momento.

A bolsa brasileira estar barata não significa que ela não possa cair. Pode piorar antes de melhorar e me soa bem razoável que isso aconteça.

Eu achava bolsa barata em 120 mil pontos.

Hoje estamos em 80 mil, sem que as empresas tenham perdido ⅓ do seu valor.

Estamos muito perto de encarar a pior parte da crise.

Se cuidem que logo mais poderemos falar de retomada.

Seguimos adiante.

Tudo passa.

Obs.: para quem quer entender como selecionamos empresas de qualidade, aqui está um tutorial simples.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

A Grande Recessão vai ter empresas vencedoras

grande recessao

Olá, como você vai?

Entraremos na maior recessão da história da república.

Chega a ser tragicômico o fato de estarmos repetindo essa frase 4 anos após termos falado isso pela primeira vez.

Sendo brasileiro, é péssimo termos de carregar essa sina.

O Boletim Focus já prevê uma recessão acima de 3 por cento para esse ano.

Não é uma questão de ter bola de cristal.

A queacstão é que semana após semana essa expectativa se ajustará para baixo, por uma questão de calibragem de quem faz essas previsões.

Não consigo enxergar uma retração de menos de 5 por cento do PIB.

É inevitável.

Por muito menos tivemos retração de -3,5 por cento em dois anos seguidos, em 2015 e 2016.

A recuperação no pós-pandemia deve ser lenta e dolorida.

Não basta pensar apenas no fim da quarentena, temos que pensar em toda uma mudança de hábitos.

Sem uma vacina, sinceramente, você acredita que poderemos ter grandes eventos, como shows e festivais?

Os estádios de futebol continuarão lotando?

Você continuará indo à shoppings com a mesma frequência?

Será a máscara uma nova peça do nosso vestuário?

Haverá uma mudança de hábitos significativa e, com isso, consequências econômicas ainda desconhecidas.

Tão desconhecidas que não podemos nem julgar ainda se serão boas ou ruins.

São tempos de muita paciência, muita reflexão e que nada é óbvio.

Não somos infectologistas para saber exatamente a dinâmica do vírus.

Aceitar que não se sabe talvez seja o melhor remédio no momento.

A verdade é que sempre vivemos em um ambiente de incerteza, mas os “tempos normais” nos dão uma forte ilusão de controle.

Dessa vez não é diferente e os nossos instintos insistem em tentar achar uma explicação ou uma solução linear para tudo.

Calma.

Vamos raciocinar.

Estamos diante de uma Grande Recessão.

Mais do que todas as crises, essa é uma que vai fazer uma seleção natural radical.

Empresas quebrarão.

As que ficarem, uma parte ficará fragilizada, mas viva.

Uma minoria, ficará muito forte, explorando um terreno fertil com bem menos concorrência.

Isso não vai acontecer, já está acontecendo.

O Santander Brasil (SANB11) teve lucro recorde no 1º trimestre de 2020.

O maior lucro que a empresa já deu em um primeiro trimestre.

Isso não é pouca coisa.

“Ah, mas banco sempre lucra”.

Ora, então é aí mesmo que devemos investir, sem inventar moda.

As crises selecionam.

Os vencedores levam tudo.

Com 8 milhões de CNPJs no Brasil e apenas 200 e poucas empresas listadas na bolsa brasileira, definitivamente não dá para dizer que as empresas da bolsa refletem a realidade das empresas do país.

São empresas gigantes, com muito mais acesso a crédito, com histórias longas, que já passaram por diversas crises.

Dessas 200 e poucas empresas, cerca de 50 são excelentes, muito acima da média.

Dessas 50 excelentes, existem 13 formidáveis sendo negociadas a preços de barganha.

Não cogite qualquer coisa que não seja investir em empresas excelentes.

No longo prazo, são as que sempre vão se manter de pé.

São essas empresas que construíram fortunas para os investidores de cabelos brancos.

Seguimos em frente.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Recessão de 2,96%, Selic a 3%

recessao e queda taxa selic

Olá, como você vai?

O boletim Focus trouxe dados importantes sobre as expectativas de mercado para esse ano.

Espera-se uma recessão de quase 3 por cento em 2020 e uma inflação ainda mais baixa, de apenas 2,23 por cento.

Ainda que isso seja só uma expectativa formada em Abril que diga respeito a um ano inteiro (e que provavelmente estará errada até lá), ela já diz muito sobre uma nova realidade da economia brasileira.

Estamos passando por uma crise deflacionária.

A brusca queda na demanda agregada conjunta com a necessidade de se queimar estoques em empresas dos mais diversos setores, acaba puxando para baixo as expectativas de aumento nos preços.

Serão comuns os meses que apresentaremos deflação ao longo de 2020.

Uma grande preocupação no radar dos investidores é a questão fiscal.

Ora, estamos em uma crise que exige gastos extraordinários por parte do governo e soma-se a isso uma intensa queda da arrecadação tributária.

A dívida pública irá subir, inevitavelmente. Essa é a única forma de reduzirmos um dilema entre saúde e economia.

Em tempos passados, seria comum pensarmos que teríamos inflação a frente, que seria causada por uma forte desvalorização cambial.

Mas a questão que fica é: como repassar uma eventual desvalorização do real frente ao dólar aos preços finais?

A preços atuais a demanda agregada já está represada.

Não há como haver um repasse geral aos preços finais.

Isso já leva a média do mercado acreditar em uma Selic a 3 por cento ao ano.

Conforme os efeitos recessivo (e deflacionários) se tornem mais agudos, mais quedas poderão ser computadas nas expectativas.

Se falar em Selic a 3 por cento há alguns meses parecia insanidade, pasme leitor, hoje falamos em Selic a zero.

Não acho que Selic a zero seja de fato um patamar viável, mas por que não veremos a nossa taxa básica na casa de 2 ou 1 por cento?

Quem diria que uma recessão causaria uma mudança tão drástica na forma de encararmos a nossa política monetária.

Esse também parece, cada vez mais, ser o novo normal do mundo.

Os Bancos Centrais colocam liquidez em escalas sem precedentes na economia e a inflação não sobe.

Estamos vivendo uma espécie de japanização do mundo: muita liquidez, dívidas corporativas astronômicas e estagnação econômica.

A questão é que, se por um lado, esse cenário parece ter vindo para ficar nas economias avançadas, por outro, no Brasil esse fenômeno parece ser mais passageiro.

A questão é que nos acostumaremos a conviver com uma Taxa Selic extremamente baixa e não acredito que ela deverá voltar aos patamares de 8 ou 9 por cento (tal qual estavam precificados os juros longos até semana passada).

Por conta de um evento passageiro, a taxa selic baixa no Brasil, mais do que nunca, veio para ficar.

No final da crise, teremos muita liquidez no mercado.

Esse dinheiro “de sobra” terá de ir para algum lugar.

Como falei semana passada, atividade econômica e bolsa não necessariamente andam juntas.

Com juro tão baixo, pagar pouco por muita qualidade me parece um jogo onde se tem pouco a perder e muito a ganhar.

Posso estar errado.

O tempo dirá.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

TINO3: mesmo em recessão, o momento é da bolsa

Olá, como você vai?

Tenho visto algum crescimento de associações simplistas ultimamente, do tipo “Recessão = queda da bolsa”.

Não é bem assim.

Caso você discorde, peço humildemente para ler a argumentação até o final.

Primeiramente, a hora é de bolsa por uma questão de TINO (There Is No Option, ou não há outra opção).

Com Selic a 3,75 ao ano (e caindo), fica difícil destinar todo o seu patrimônio somente a renda fixa.

Alguma parcela disso precisa estar exposta a ativos de risco, sejam ações ou fundos imobiliários.

Segundo ponto, com recessão ou sem recessão, a atividade econômica pouca relação possui com a bolsa.

A realidade mostra isso.

Em dezembro de 2015 pairavam muitas incertezas no Brasil.

A bolsa não parava de cair, o dólar bateu recorde atrás de recorde, a Taxa Selic estava em 14,25 por cento ao ano, havia uma descrença que a equipe econômica de Dilma pudesse reformar as suas próprias medidas do primeiro governo e mal se falava em um eventual impeachment.

Naquele dezembro, o Boletim Focus projetava uma queda do PIB de 2 por cento para o ano seguinte, depois de já termos um ano de recessão em 2015.

Agora imagine que um ótimo economista, que acerta previsões sistematicamente acima da média dos economistas viesse para você naquele dezembro de 2015 e dissesse: “olha só, o Focus está subestimando essa crise. A projeção diz que a economia vai retrair 2 por cento em 2016, mas na verdade irá retrair 3,5”.

De fato, em 2016 a economia teve uma retração de 3,5 por cento, bem acima do esperado.

Se você soubesse que as coisas iriam ainda pior do que o esperado pela média do mercado, você investiria em ações naquele ano?

A lógica de que uma recessão é sinônimo de queda na bolsa diria que, escutando a previsão do economista vidente, você deveria ficar de fora.

Mas foi exatamente nesse ano de 2016 que a bolsa subiu quase 50 por cento, mesmo em meio a uma recessão de 3,5 por cento e Selic de 14,25 por cento.

Lembre-se: a bolsa vai para onde o lucro das empresas listadas forem.

O lucro das empresas listadas não tem absolutamente nada a ver com o PIB. Algumas empresas podem ter alguma relação, mas não é isso que determina o preço ou valor de uma ação.

A bolsa pode subir muito em uma recessão e pode cair muito em um períodos de prosperidade.

A bolsa também pode cair em uma recessão e subir muito em um período de prosperidade.

Já no início de 2016 o mercado comprou o impeachment de Dilma.

A partir disso tivemos algumas reformas aprovadas que vieram sincronizadas a queda das taxas de juros.

Não dá para ignorar esse processo de queda das taxas de juros como causa da alta da bolsa.

Mas o que puxou mesmo a bolsa foi o resultado das empresas (e esses não se deram exatamente pela mudança de viés do governo), até porque desde então o PIB de 2016 para cá cresceu a uma média de 0 por cento (queda de 3,5 por cento em 2016 e alta de 1 por cento em 2017, 18 e 19).

Os exemplo de empresas virando a chave ainda em 2015 são vários: ainda em 2015 as cias elétricas voltaram a operar com margens altas com o fim da MP do represamento das tarifas.

A Vale se recuperou muito por conta da retomada do preço do minério.

As locadoras de carro se beneficiaram muito fazendo parcerias com Uber, Cabify e apps.

A Magazine Luíza ignorou todo ruído político e expandiu e digitalizou a sua operação.

As Lojas Renner não parou de expandir o seu número de lojas.

Isso tudo tem relação com as empresas, não com o PIB, nem como o pânico/euforia do mercado ou com governos.

A situação atual é complicadíssima e não estou afirmando que a bolsa não possa cair mais.

Mas sinceramente, como você acha que estarão a Localiza, a Unidas e a Movida depois das locadoras menores terem quebrado?

Como estará a Magazine Luíza vendo outras varejistas menores quebrando ou em dificuldades?

A Multiplan e o Iguatemi estarão como quando shoppings menores saírem do mapa?

Todos vão sofrer no curto prazo porque o impacto geral foi grande, sem dúvida nenhuma.

Mas o terreno daqui para frente se torna imensamente favorável para os resultados das empresas listadas, com bem menos concorrência.

A hora é de comprar empresas qualidade.

O mercado é uma mola comprimida que está se soltando aos poucos.

Empresas líderes dos seus setores não só devem, como irão sofrer, mas o terreno de longo prazo ficou ainda mais limpo.

Acho importante também propor um cenário contrário: imagine se o Brasil estivesse crescendo a 6 por cento ao ano, com muitos empregos sendo gerados e muitas empresas abrindo.

Novas ideias seriam colocadas à prova. As líderes de mercado seriam espremidas, teriam que reduzir seus preços eventualmente para lidar com concorrência.

Teriam de contratar profissionais de alto nível, teriam de aumentar salários para poder ter os melhores profissionais do mercado, gastar mais em pesquisa, gastar mais qualificando pessoas, gastar mais tentando novas tecnologias.

Tudo isso reduziria o lucro das empresas, mesmo em um cenário maravilhoso.

Não dá pra dizer que a relação de bolsa e PIB é proporcional ou inversamente proporcional.

Simplesmente não há relação.

São dois processos totalmente independentes, que podem por alguns momentos convergirem e, por outros, divergirem.

Por último, há muita liquidez no mundo com todos os programas dos Bancos Centrais e governos.

No Brasil não é diferente.

Quando a pandemia passar, toda essa montanha de dinheiro que hoje as empresas e pessoas estão guardando em caixa terá que ir para algum lugar.

Será que irá para uma renda fixa?

Qual será o impacto de trilhões de reais entrando na bolsa por uma porta pequena?

Se a expansão do balanço dos Bancos Centrais não deve gerar uma inflação de preços, já que a demanda está retraída, por outro lado o excesso de liquidez que permeia a economia brasileira e mundial pode, sim, criar um inflação nos ativos de risco.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

A diferenciação pós-pânico

Onde investir pos panico

Olá, como você vai?

Estamos há dois dias vendo o mercado se recuperar forte.

A redução no número de mortos e infectados pelo Covid-19 na Ásia e Europa animam.

No entanto, não estamos ainda imunes a novas correções nos mercados globais e aqui mesmo, onde ainda não atingimos o pico de contaminação do vírus.

Mas devemos ficar atentos.

O movimento agora é de diferenciação pós-pânico.

Pense aqui comigo…

No início, tudo cai.

O mercado não quer nem saber.

Posições estopadas, fundos quantitativos fazendo força vendedora, investidores alavancados com vendas forçadas, investidores desavisados se desfazendo das posições sem nem saber o porquê…

O resultado disso foi uma queda de 47 por cento no Ibovespa.

Nada foi poupado. Tudo caiu.

Neste momento inicial, não há diferenciação e todas ações caem na mesma magnitude. Umas um pouco mais e outras um pouco menos, mas não sobra nada.

Porém, no pós-pânico ocorre a diferenciação e, então, questões particulares, das individualidades das empresas passam a ser relevantes.

A divulgação dos resultados do 1T2020 vai deixar isso bem evidente.

Deve haver uma rodada de novas punições e absolvições na bolsa.

Mas vamos ponderar…

Não há motivo para uma empresa de transmissão de energia elétrica sofrer tanto quanto uma empresa de aviação.

Não há razão para as ações da B3 (B3SA3), por exemplo, sofrerem tanto quanto um empresa de lojas varejistas.

De modo geral, os preços estão bons.

É hora de uma migração para qualidade.

Não há por que se aventurar em teses mais complexas em meio a tanta coisa óbvia com preço atrativo.

Correções pelo caminho devem ser encaradas com naturalidade.

Talvez voltemos a experimentar a casa dos 60.000 pontos em breve, mas também não seria chocante voltarmos para a acasa dos 80.000 ainda essa semana.

Não sabemos do futuro, não sabemos para onde o mercado vai.

Conhecemos a história e sabemos que o mercado se recupera, às vezes, mais rápido do que imaginamos.

Não é hora de fazer grandes movimentos nos portfólios.

Não tem essa de sair entrando pesado só porque a bolsa caiu ou então sair comprando fundos de dólar e de ouro depois que a merda já está feita.

A hora é de não mudar de estratégia.

De toda forma, temos que pensar no que vem daqui para frente.

Vale a pena vender as ações de uma empresa X que caiu 70 por cento?

Se você acha que essa empresa está com os fundamentos comprometidos e, ao mesmo tempo, enxerga uma empresa Y que daqui para frente possa “recuperar” esse montante perdido com a empresa X, faça-o.

Dinheiro não tem marca.

O que você perdeu com Petrobras, você pode recuperar com Vale.

Reforço sempre o cuidado de não ficar pulando de galho em galho, não mexer muito no portfólio, apenas movimentos pontuais.

Dê sequência à regularidade dos aportes.

Atento apenas para se manter focado em qualidade.

As crises nos ensinam a ser investidores mais chatos, mas não podemos ser paranoicos.

Sim, teremos recessão, a crise fiscal vai se agravar e o desemprego também.

Isso não nos impede de sermos otimistas com o desenrolar pós-crise.

A retomada da vida ao seu curso normal nos meses seguintes a crise também deverão ocorrer em velocidade semelhante a da parada.

Enquanto isso, o contexto macroeconômico nos obrigada a aprender a conviver com a uma taxa de juros muito baixa e um câmbio depreciado, o que, no longo prazo, pode ser a semente para um ciclo virtuoso do país.

Seguimos vivos.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

O tal do Efeito Mola: chega quando?

efeito mola

Olá, como você vai?

Pode parecer pretensioso, mas não deixa de ser verdadeira a boa notícia que vou dar: vamos nos recuperar dessa crise.

Se há algo previsível no cenário atual é que essa crise possui início, meio e fim.

A quarentena limita a circulação de pessoas e barra muitos serviços e, sim, causa um sério problema de fluxo de caixa, principalmente para famílias, autônomos e empresas pequenas.

A economia fica presa como uma mola que se comprime.

Nessa horas, é válido recorrermos às leis da física para ilustrar o cenário.

Com o perdão do simplismo, a analogia serve para mero entendimento.

Quanto maior a deformação de uma mola, maior a energia potencial elástica acumulada e maior o potencial de trabalho a ser realizado após o momento de descompressão da mola.

Lembrando que a energia potencial elástica não depende do tempo de compressão, mas tão somente do tamanho da deformação da mola, ao passo que na economia real, o tempo necessário de quarentena é crucial para muita gente.

Mas se valendo da analogia: quanto maior a repressão da economia com o lockdown, maior a demanda reprimida acumulada e, consequentemente, maior a intensidade da recuperação da economia.

Essa crise é diferente de uma crise normal.

É diferente do que uma economia com exaustão da capacidade produtiva, tal qual ocorre com os Estados Unidos, que estava em pleno emprego e com o mercado de ações subindo há uma década.

É diferente da crise que se iniciou no Brasil em 2015.

Teremos esse Efeito Mola na economia brasileira.

Não é questão de “se”, mas de “quando”.

Estamos passando por uma crise intensa, mas pouco duradora.

Salvando vidas, empregos e empresas, poderemos sair ainda mais fortes dessa crise.

Em alguns países isso já está acontecendo.

A economia chinesa está se recuperando mais depressa do que o esperado.

Nesta terça-feira (31), o índice chinês dos Gerentes de Compras (PMI) de março subiu para 52,0 pontos, acima dos 35,7 pontos de fevereiro e superando as expectativas dos economistas internacionais, que previam um PMI de 45 pontos.

A alta no PMI mostra uma recuperação mais precoce da atividade industrial na China.

Esse processo vai se estender da Ásia para Europa.

Mais tarde chegará aos Estados Unidos e depois disso no Brasil e, posteriormente, na África, último continente atingido pelo vírus.

Não só as autoridades de fora anunciaram medidas massivas, como por aqui também temos muitas medidas relacionadas a auxílio a mais vulneráveis, solvência de empresas, ajuda à autônomos e aumento da liquidez do sistema financeiro.

As medidas são muito mais drásticas do que as tomadas em 2008, por exemplo.

E bem ou mal, sempre é importante lembrar que as empresas listadas em bolsa não refletem a realidade das empresas do país.

Estamos falando de pouco mais de 200 empresas viáveis para se negociar em bolsa frente a mais 5 milhões de CNPJs cadastrados no país.

As empresas são a elite da elite das empresas, não vão quebrar.

Nesse jogo de incertezas, a visão de longo prazo é o segredo para sobrevivência e também para manter a sanidade mental.

Chegamos em um cenário em que prejuízo parcial em bolsa só se recupera continuando na bolsa.

A travessia é crucial.

Sair agora da bolsa para um CDI de 3 por cento ao ano significa tornar definitiva uma perda parcial.

Os preços atuais ainda embutem um impacto negativo permanente nos fundamentos de empresas que possuem capacidade para se recuperar em poucos meses, uma desconexão muito grande entre preço e valor.

Se o valor justo de uma empresa é igual a seu fluxo de caixa, de hoje até o infinito, descontado a valor presente e só teremos quedas significativas nos próximos 3 ou talvez 4 trimestres, não faz sentido que algumas ações tenham caído 40, 50, 60, 70 por cento…

No frigir dos ovos, pressupondo que a partir de 2021 a empresa passaria a gerar os mesmos resultados do que em 2019, uma queda de mais de 10 já seria demasiada em termos matemáticos.

Mas o comportamento do mercado não é nosso simples modelo matemático.

É justamente por isso que há oportunidades postas na mesa.

Reforçando, o que está dando chance agora é o óbvio.

Compre com parcimônia, foque no óbvio, na qualidade e tenha visão de longo prazo.

Passaremos por essa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

BOVA11: o pior já passou?

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Olá, como você vai?

Depois de bater os 63.300 pontos, menor patamar para o Ibovespa desde maio de 2017, ontem tivemos uma forte alta do índice (e consequentemente da ETF BOVA11), voltando a casa do 70.000 pontos.

Banco Central Europeu prometendo estímulos de 800 bilhões de euros.

Ásia controlando bem o vírus e lançando pacotes de estímulos.

Federal Reserve anunciando que irá comprar whatever it takes (o que for necessário) para não entrar em uma crise de liquidez.

Trump ainda anunciaria um pacote anti-coronavirus, o que puxava forte os mercados globais no momento em que escrevi essa newsletter.

Por aqui, o Banco Central, o BNDES e o Tesouro já se alinham para uma ação coordenada.

E pode vir mais.

Não parecemos viver um momento em que os governos irão economizar munição para combater uma eventual recessão global.

Pegando como referência o BOVA11, do pico histórico em janeiro ao fundo na segunda-feira, acumulamos uma queda de 47 por cento.

A história se repete…

Em 1998, 1999 e 2008 tivemos quedas semelhantes no Ibovespa: intensas e rápidas, tais quais foram as suas recuperações.

Na crise do subprime em 2008, a bolsa caiu 44% e se recuperou em 8 meses.

Em 1999, quando alteramos o regime das taxas de câmbio de 1 real para cada dólar para o câmbio flutuante, a bolsa caiu 45% e se recuperou em 3 meses.

Em 1998, com a crise russa que criou um temor nos mercados financeiros emergentes, a bolsa caiu 57% e voltou aos patamares originais em 7 meses.

Hoje, olhando em retrospectiva, tudo parece óbvio e nos questionamos por que houve tanto pânico a época, já que era certo que se encontraria alguma maneira de se resolver aquele problema, por mais grave que fosse.

Além disso, em todos esses casos se dizia que “dessa vez é diferente, as outras crises não foram assim”.

A questão é que os mercados, em situações extremas, sofrem mais do que o justificável e, do lado oposto, sobem muito mais do que o justificável.

Cada dia que passa, vamos nos acostumando com a dor do status quo e o cenário vai ficando mais claro.

Já sabemos que essa crise é passageira, que deve se estender de 6 a 12 meses.

Só não conseguimos ainda dimensionar o impacto dela ainda.

De toda forma, ainda que muitas empresas sofram nos seus fundamentos, a correção que sofreram no preço parece desmedida.

Estamos diante de uma ótima matriz de risco x retorno: já não temos muito a perder, o Ibovespa já não pode cair substancialmente abaixo dos 63.000 pontos.

Por outro lado, temos bastante a ganhar: um simples retorno do Ibovespa aos 119.500 significaria, na média, dobrar o seu capital.

Como você viu nas crises passadas, isso pode levar meses.

Mas não sabemos.

Também não sabemos até onde o mercado pode cair e, sinceramente, tentar encontrar o fundo pode deixar você ainda mais angustiado nesse momento.

Compre aos poucos, em movimentos lentos.

Se você estiver líquido, com caixa de sobra, esse é o melhor momento.

Compre devagar, uma compra por semana ou mês, tanto faz.

Dessa forma você não ficará ancorado em um único nível de preço.

Não coloque um dinheiro que você possa precisar pelo próximos 5 anos.

Esqueça o timing, você necessariamente vai errar ele e talvez tenha que ver a coisa piorar um pouco antes de ver o rally de retomada.

O importante agora é você investir em boas empresas, afinal, está tudo com desconto, tanto o que é bom, quanto o que é ruim.

Bancos, elétricas, empresas de saneamento são opções mais óbvias nesse momento.

Lembre que dinheiro não tem marca.

Dobrar o capital com Itaúsa (ITSA4) ou com small caps é exatamente a mesma coisa.

Opte pelo bom e barato, o clássico feijão com arroz.

Aqui estão as melhores opções para o momento.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

TAEE11, SAPR11, ITSA4: a hora do óbvio

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Olá, como você vai?

Espero que você esteja bem.

Os últimos dias têm sido totalmente atípicos não só para os mercados, mas também para a nossa rotina.

Temos muitos investidores de primeira viagem recebendo o seu primeiro batizado logo nos primeiros meses de bolsa.

Pode parecer banal, mas isso certamente vai expurgar os curiosos e calejar quem entrou na parada para fazer como se deve fazer.

Em tempos de realidades complexas e imprevisíveis, temos de manter o nosso foco no longo prazo e simplificar ao máximo as coisas no curto prazo.

Processos de investimento complexos perderam o sentido nesse momento.

A experiência vai nos ensinando a simplificar cada vez mais.

Antes de você perguntar se investimentos em ouro e dólar são válidos, eu já afirmo que são sim, mas cuide para não “contratar um seguro de carro logo após o carro ter batido”.

Proteção boa é caixa.

Esses investimentos deveriam ter sido feitos quando a bolsa subia e, convenhamos, ninguém quer saber de ouro e dólar quando as ações brasileiras subiam dia após dia.

Por isso reforço: nada contra esses investimentos defensivos, mas no momento eles irão custar muito para proteger pouco, já não há mais muito o que se proteger.

A melhor defesa nesse momento é possuir caixa e aproveitar as oportunidades mais óbvias.

Nesse momento, ações tradicionais pagadoras de dividendos ou empresas high quality (geralmente caras, mas agora significativamente descontadas) são as ações com a melhor relação de risco retorno para a conjuntura.

Tenha caixa sempre.

Aproveite quedas nas ações de boas empresas e tenha cuidado com o excesso de exposição.

Taesa (TAEE11), Sanepar (SAPR11) e a nossa clássica e forte Itaúsa (ITSA4): definitivamente não será aqui o fim da linha para elas.

Compre aos poucos pois sempre pode cair mais.

E repito: escolha ações de boas companhias e não daquelas que você acha que podem se tornar boas.

Se quiser fazer alguma aposta em small caps, vá com pouco capital e escolha empresas que apesar de pequenas, estão nadando a braçadas nos últimos tempos.

Fora isso, algumas ponderações a serem feitas:

  1. A China deve passar por forte desaceleração ou quem sabe até uma recessão bem forte. Em que pese o seu caixa em dólar e possibilidade de compra massiva de insumos baratos, uma possível recessão não é nada conveniente para o Partido Comunista Chinês e joga pelo ralo qualquer possibilidade de conspiração de que a própria China teria plantado a crise do Covid-19.
  2. O bear market americano parece finalmente ter chegado após quase 10 anos consecutivos de altas no mercado. Os Estados Unidos podem passar por uma recessão temporária seguida de uma forte desaceleração na taxa de crescimento econômico. Trump certamente quer enfrentar as eleições em uma condição mais confortável e por isso deve seguir com estímulos.
  3. A Europa, atual epicentro de disseminação do Coronavírus, também deve passar por uma recessão e passa a voltar os olhos para solvência do Deutsche Bank. Não me parece ser do perfil do Banco Central Europeu deixar um banco de tal quilate quebrar. É aquela coisa, too big to fail.
  4. Com fortes estímulos nas economias avançadas e um impacto iminente na economia real brasileira, tem se o aval não só de termos uma Taxa Selic em patamares nunca antes imagináveis, na casa dos 3 por cento ao ano, como também força o governo a se valer da política fiscal como ferramenta de combate a uma possível recessão. Se em condições normais de temperatura e pressão a ordem era controlar gastos e fazer reformas, em situações extremas a imagem de Lord Keynes emerge até a frente de Paulo Guedes e companhia.
  5. Mais do que tudo isso, o ambiente pode favorecer a tramitação das reformas administrativa e tributária no Congresso, uma vez que a circunstância encoraja uma maior aproximação e colaboração entre Legislativo e Executivo.
    De forma geral, não abandonamos a tese e bull-market estrutural no Brasil, temos muita coisa para melhorar ainda dentro da economia doméstica.

Se por um lado essa atual crise vai impactar o resultados das empresas listadas em um primeiro momento, esse impacto é passageiro e dentro de 6 meses a um ano já terá sido absorvido.

Nesse momento eu me coloco à disposição para quem estiver com dúvidas.

Fiquem bem e em casa, caso possam.

Lavem bem as mãos e cuidem dos familiares.

Tudo passa.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.